Os salários em Portugal devem subir cerca de 4% em 2024, mas, infelizmente, essa melhoria pode não ser suficiente para acompanhar o aumento real dos custos de vida. Na prática, muitas famílias podem nem perceber os reajustes salariais.

Em dezembro do ano passado, a subida dos preços diminuiu, ficando em 1,4%. Mas, olhando para o ano todo, a média de aumento foi de 4,3%, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Incremento conservador quando se olha para inflação

Os especialistas acreditam que os salários no setor privado vão subir, em média, 3,9%. Muitas empresas escolheram aumentos mais modestos para manter seus lucros, o que é parecido com o que aconteceu em 2023, quando os salários aumentaram, em média, 4,1% — menos do que o custo real de vida.

É como se fosse uma corrida difícil onde a inflação sempre acaba ganhando.

Há setores que vão dar mais aumento

Para compensar os reajustes salariais limitados, algumas empresas estão oferecendo benefícios extras, como horários flexíveis, trabalho remoto, assistência médica e planos de pensão.

Contudo, em alguns lugares, há relatos de pequenos aumentos nos salários e nos benefícios de alimentação, mas, ao mesmo tempo, cortes nos benefícios dos planos de saúde, com agora sendo cobrada uma taxa para incluir dependentes.

Por outro lado, em alguns setores, espera-se que haja aumentos salariais mais altos do que a média. Mobilidade elétrica, energias renováveis, serviços financeiros e inteligência artificial ainda têm uma falta de profissionais qualificados, então é provável oferecerem valores mais generosos em 2024.

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A marcha veloz do custo de vida

Os valores adicionais no salário podem ser absorvidos rapidamente devido ao aumento nos preços de produtos e serviços. O aluguel de apartamentos em Portugal, por exemplo, teve uma elevação média de 6,94%, segundo os dados do Idealista.

Para se ter uma ideia: Lisboa é hoje uma das cidades mais caras da Europa para se alugar uma casa. Os dados são do índice internacional Housing Anywhere.

Aumento do salário abaixo do custo de vida, deixa Lisboa ainda mais cara.
Lisboa é uma das cidades mais caras da Europa quando se trata de alugar um apartamento. Foto: Maurício Martins

As principais empresas de TV a cabo, internet e telefonia também anunciaram reajustes de tarifas em torno de 4,3% para fevereiro. Energia, alimentos, transporte e despesas gerais também estão contribuindo para o aumento do custo de vida em Portugal neste início de ano.

A enxaqueca do orçamento que não fecha

Não é surpresa que 83% dos portugueses reconheçam um impacto negativo em seu bem-estar. Essa informação vem de uma pesquisa feita pela plataforma de contratação de serviços Fixando.

Vale ressaltar que, para grande parte da população, a maior despesa é relacionada à moradia, seja pagando uma prestação de financiamento habitacional ou o aluguel.

O futuro é incerto para 2024

Apesar da redução na inflação, 2024 ainda é um ano cheio de incertezas, com eventos como eleições (em Portugal e nos Estados Unidos) e conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, podendo afetar os preços de alimentos e combustíveis.

Economistas também alertam que a recente tensão no Mar Vermelho pode levar a aumentos de preços em Portugal. O presidente da IMF, Informação de Mercados Financeiros, Filipe Garcia, explica que os produtos que chegam aos consumidores devem ficar mais caros:

“Para Portugal, o impacto existe nas empresas ou setores que importem da China e que integrem componentes chineses na sua cadeia de produção.”

Governo tentou frear e aliviar o custo de vida

Para enfrentar o aumento rápido do custo de vida, o governo português tomou várias medidas em 2023. Isso incluiu isenção de IVA (imposto sobre bens e serviços), ajuda financeira para famílias em situação vulnerável e um aumento extra para funcionários públicos.

No total, foram investidos 2,5 bilhões de euros para apoiar as famílias.

Barraca de frutas em um mercado português
A isenção de IVA contribuiu significativamente para reduzir em 2/3 da taxa de inflação. Foto: Maurício Martins

Essas medidas tiveram algum impacto significativo em setores como o de alimentos, mas quase efeito algum no de habitação. A desaceleração do Índice de Preços no Consumidor (IPC) foi notada na maioria das categorias de produtos em 2023, principalmente devido à isenção de IVA em alguns alimentos essenciais a partir de maio.

Escapando da recessão

Apesar de muitas dúvidas, a economia portuguesa aumentou 2,3% em 2023, evitando uma recessão no último trimestre, de acordo com informações do Instituto Nacional de Estatística. A confiança dos consumidores e o ambiente econômico também melhoraram em janeiro. O ministro da Economia, Antônio Costa Silva, comemorou os resultados:

“Isto significa que a economia portuguesa, hoje, é uma economia que está em transformação, é uma economia muito resiliente.”

Diversos setores econômicos estão à espera de novas decisões do governo. A proposta de Orçamento do Estado para 2024 mantém medidas que beneficiam as famílias, mas também prevê aumentos dos impostos.
Segundo as projeções do Banco de Portugal, a inflação deverá reduzir para 2,9% ainda este ano.

O custo de vida em Portugal só tem aumentado nos últimos anos. O desafio que permanece agora é determinar o momento em que esses indicadores positivos começarão a se manifestar de maneira tangível nos salários dos trabalhadores, proporcionando assim um impacto concreto no cenário econômico e social.