Doutorado na Europa: como funciona e como conseguir o seu

Um doutorado na Europa pode ser o ponto alto na sua experiência acadêmica. Não apenas porque o continente concentra algumas das melhores universidades do mundo, mas também pela riqueza de experiências e relacionamentos que você poderá ter durante a sua estada. A mobilidade internacional permite avançar nas suas pesquisas e certamente fará a diferença em toda a sua carreira.

Ficou entusiasmado? Então confira todos os detalhes de como fazer um doutorado na Europa, desde a escolha da universidade e da inscrição, entre outros passos para realizar este objetivo. Ah, e no final vou aproveitar para compartilhar um pouco da experiência que tive, cursando parte do meu doutorado. Boa leitura!

Como fazer doutorado na Europa?

O doutorado nada mais é que uma formação avançada em pesquisa, cujo principal objetivo é a produção de uma tese. Uma vez defendida e aprovada, o estudante torna-se doutor naquela área.

Há pelo menos cinco etapas muito importantes que devem estar incluídas no planejamento de um doutorado na Europa, também chamado de terceiro ciclo em alguns países, como na pós-graduação na Espanha e em Portugal:

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  • Para concorrer a uma vaga, é preciso ter completado a graduação e o mestrado. Há casos de estudantes com um currículo escolar excepcional que podem tentar sem ter o diploma de mestrado, apenas com o grau de licenciado. Mas depende da universidade e dos critérios de cada curso;
  • Depois vale desenvolver um projeto de pesquisa com um tema que você deseje estudar pelos próximos 3 ou 4 anos;
  • Pesquise quais universidades oferece cursos com maior afinidade com a sua pesquisa. Cada área de estudo possui alguns centros de referência. Como o doutorado na Europa será provavelmente o título mais importante na sua trajetória acadêmica, a escolha do curso e do orientador são fundamentais;
  • Verifique a documentação necessária, como vistos, validação de diploma e outros detalhes, de acordo com o país e a instituição de ensino escolhida;
  • Certifique-se dos prazos de inscrição para planejar a candidatura. Geralmente iniciam em fevereiro ou março, mas alguns programas de pós graduação abrem vagas ao logo de todo o ano.

Como se candidatar?

Normalmente, as inscrições são realizadas online, diretamente nos sites dos programas de pós-graduação das universidades. Em alguns tipos de doutorado na Europa, como a França, há instituições que realizam o processo, como o Campus France (a agência oficial responsável pela promoção do ensino superior na França).

Em geral, você precisa acessar o portal do candidato e preencher os campos obrigatórios. Será preciso anexar o seu projeto de tese e alguns documentos que variam de curso para curso (como passaporte, diplomas e históricos escolares, currículo profissional, carta de motivação).

Além desta etapa de avaliação, é possível que existam outras fases como um teste que comprove conhecimento do idioma estrangeiro e uma entrevista com algum professor ou o possível orientador da tese.

Afinidade é fundamental

Às vezes, um mesmo curso, como História, oferece vários programas de doutorado como História Econômica, História Cultural, História e Gênero e outros, por exemplo. Cada curso costuma ter seu próprio processo seletivo, sistema de avaliação e critérios de seleção.

É importante, como dissemos, que o seu projeto de doutorado esteja alinhado aos principais temas trabalhados na universidade onde deseja ingressar. E como descobrir isso? Simples, você pode pesquisar quem são os professores no doutorado que interessa, checar os artigos e livros que já publicaram e até encontrar assim a referência de um possível orientador para a sua tese.

Essa afinidade aumenta as chances de você ser aceito e desenvolver uma ótima pesquisa durante o doutorado na Europa.

Estudante doutorado na Europa

Confira também como fazer pós-graduação na Europa.

Bolsa para doutorado na Europa

Uma boa parte dos estudantes que pretende cursar todo o doutorado precisa de bolsa de estudos na Europa para pagar a universidade e os gastos básicos com moradia. A boa notícia é que há diversas modalidades de bolsa para doutorado – e, em alguns casos, você já pode sinalizar a necessidade de bolsa assim que se candidatar. Confira as principais.

Bolsas Capes e CNPq

As instituições brasileiras que financiam e apoiam estudantes de pós-graduação estão passando por um período turbulento, com diminuição de verba e falta de incentivo em geral. Tanto o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) quanto a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) são as principais que oferecem bolsas integrais de doutorado na Europa.

O benefício, quando concedido, costuma incluir um valor mensal para o estudante viver no país, um auxílio-instalação para pagar o primeiro aluguel, um seguro saúde e uma quantia adicional em países com custo de vida elevado, como França e Inglaterra.

Fundações de amparo à pesquisa estaduais

Praticamente todos os estados do Brasil possuem fundações estaduais que financiam pesquisadores, como a Fapesp e a Faperj em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente. A maioria das bolsas concedidas cobrem apenas um pequeno período do doutorado na Europa, mas podem ajudar.

Erasmus Mundos

Outra alternativa é o Erasmus Mundus, programa europeu criado para estimular o intercâmbio entre culturas por meio do ensino e da pesquisa. No site Erasmus Mundus no Brasil você poderá conferir bolsas disponíveis para diversas países da Europa.

Bolsas das próprias universidades

Existem várias instituições de ensino europeias com seus próprios programas de bolsas, que oferecem o benefício para os melhores classificados do curso ou modalidades específicas para incentivar a vinda de estudantes estrangeiros. Vale muito a pena buscar essa informação no site da universidade ou mesmo entrar em contato com a coordenação do curso de doutorado na Europa para entender se há essa opção.

Doutorado sanduíche

Esta modalidade é para quem pretende fazer apenas uma parte do doutorado na Europa. Conhecida no Brasil como doutorado Sanduíche, ela é oferecida a estudantes já matriculados em um programa de doutorado no Brasil.

Ele tem este nome curioso e explicamos porquê: após custar as disciplinas iniciais, o aluno pode escolher passar um período no exterior complementando sua formação e depois retornar ao Brasil para finalizar a tese. O “sanduíche” seria o doutorado na Europa, geralmente na metade do curso – segundo ano de doutorado.

Para obtê-la, é preciso saber com quais instituições europeias sua universidade possui  convênio. O doutorando no Brasil precisará submeter um projeto de pesquisa a CAPES, ao CNPq ou fundação estadual de pesquisa, para ser realizado na universidade no exterior.

Será preciso justificar a importância dessa formação para o desenvolvimento da tese – geralmente, falando que os professores de lá são referências na sua temática ou pela universidade ser um importante centro da sua área.

Instituições que oferecem bolsas

Algumas instituições privadas, embaixadas ou outras sem fins lucrativos possuem programas de apoio à educação.

Há, por exemplo, o Santander Universidades, com bolsas de estudo que incentivam o intercâmbio acadêmico em vários países.

Para quem pretende cursar um doutorado em Portugal, por exemplo, há o Instituto Camões, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação Millenium BCP.

Para um doutorado na Espanha, por exemplo, há as bolsas da Fundação Carolina, Instituto Cervantes e Fundação Botín. Enfim, vale a pena pesquisar as oportunidades em cada país.

Precisa validar diploma?

Para concorrer a uma vaga de doutorado na Europa, as universidades costumam solicitar apenas a tradução juramentada dos diplomas emitidos no Brasil, com cópias autenticadas em cartório destes documentos. Essa tradução pode ser feita no Brasil mesmo, sem problemas.

Alguns países, vale destacar, possuem um acordo bilateral para revalidação automática dos diplomas, como é o caso de Portugal. Desde 2018, eles definiram regras que simplificaram o processo de validação. Atualmente, o prazo médio fica em torno de 90 dias.

Fazer doutorado na Europa

Duração do doutorado na Europa

O período vai depender da área, mas normalmente os cursos ficam em torno de 3 a 5 anos. Os créditos e disciplinas normalmente são cursados no primeiro ano e o restante é dedicado à pesquisa e à escrita da tese, a ser defendida no final do curso.

Há estudantes que demoram mais para finalizar o doutorado, isso realmente acontece. Contudo, vale ressaltar que o doutorado na Europa marca, sem dúvida, um período de maior autonomia.

O doutorando já é um pesquisador mais experiente, certamente conhece os métodos científicos de sua área desde o mestrado e conhece como ninguém o tema que se propôs a trabalhar.

Melhores universidades para fazer doutorado na Europa

O portal Find a PhD elaborou um ranking de 2020 com as melhores universidades para se fazer estudos avançados, como é o caso do doutorado e do PhD. Estas foram as 10 instituições europeias com a melhor colocação.

Um fato importante para se observar é que a qualidade dos programas de doutorado na Europa varia bastante. Há universidades de excelência que não são referências na área de estudos da sua pesquisa, por exemplo.

Portanto, o ideal é equilibrar na sua escolha a qualidade da universidade, o nível de reconhecimento do programa de pós-graduação que oferece o seu curso doutorado e a credibilidade do professor orientador (também chamado de diretor de tese ou tutor) da pesquisa.

Vale a pena fazer doutorado na Europa?

Sem nenhuma sombra de dúvida! A oportunidade de fazer um doutorado na Europa é valiosa tanto do ponto de vista acadêmico quanto pessoal. Falando do lado profissional, é uma experiência única assistir às aulas, ampliar sua bibliografia e sua rede de contatos, assim como encontrar diferentes abordagens sobre o seu tema de estudos. É um terreno fértil para futuras colaborações em projetos e artigos acadêmicos, que certamente darão novo fôlego e um reconhecimento na sua volta ao Brasil.

Já do lado pessoal, os ganhos são tão grandes quanto ou ainda maiores. Afinal, trata-se de uma mudança para viver durante alguns anos em outro país. Morar é bem diferente de ir a passeio, então você vai saber como é pagar aluguel, fazer supermercado, se virar para abrir conta no banco, matrícula na universidade e outras burocracias.

Posso garantir que é um crescimento e tanto! Mas tem, claro, a parte boa, de ter uma casa, conviver com uma cultura diferente, criar laços com um novo país, explorar a gastronomia e os museus no seu tempo e muito mais.

Minha experiência de doutorado na Europa

Durante um ano, fiz meu doutorado na França, do tipo sanduíche, na área de História do Corpo. Eu era estudante da PUC em SP e foi bastante desafiador conseguir minha bolsa, na Fapesp. Chegar em Paris só com a passagem de ida foi uma emoção, já que eu nunca havia estado na Europa. A ansiedade dos primeiros dias deu lugar a uma sensação de realização pessoal muito grande, é muito bom morar na França!

Mas é claro, teve toda a burocracia típica do país, como a matrícula na universidade pessoalmente (já tinha sido aceita pela instituição ainda no Brasil, onde obtive meu visto de estudante), todos os documentos para morar na França, abrir conta em banco, comprar chip de telefone e tantos outros aprendizados diários.

Dia a dia

Na EHESS, onde estudei em Paris, minha matrícula foi como aluna especial – então, eu tinha apenas que frequentar as aulas, sem a obrigação de entregar trabalhos ou fazer provas. O que, por um lado, foi bom, porque pude assimilar todo esse conhecimento e, ao mesmo tempo, sobrava uma boa parte do dia para trabalhar focada na minha tese, transcrevendo materiais, lendo minha bibliografia e cruzando tudo o que eu estava aprendendo nas aulas.

Tive uma orientadora em Paris, uma vez por mês marcávamos uma conversa em um café e conversávamos sobre o andamento das minhas leituras e a escrita da tese.

Integração

Os estudantes franceses, pelo menos na EHESS, não se integravam muito aos brasileiros. Fiz alguns colegas, mas costumava andar com os brasileiros que acompanhavam as mesmas aulas. Saíamos bastante juntos, fazíamos até pequenas viagens e tenho bons amigos ainda hoje. No geral, o clima das aulas era muito bom – todas eram em francês, então foi fundamental ter estudado 2 anos e meio o idioma antes -, com professores muito relevantes para a minha área de estudos.

Tenho bastante saudade desse período e de todo o privilégio que foi passar essa temporada em Paris. Para mim, vale a pena morar na França sim. Minha recomendação é que você não desista do seu doutorado na Europa, se este for o seu sonho e seu projeto de vida.

Luciana Andrade é jornalista, doutora em história, cursa especialização em marketing digital e não cansa de aprender coisas novas. À frente da Flows Conteúdo & Comunicação, escreve para diversos sites e clientes corporativos. Já morou em cinco cidades - no Brasil e na França - e está sempre planejando a próxima viagem.

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