Em 2016, eu não me imaginaria escrevendo este artigo. Naquela época, eu nem sonhava que um dia estaria sentada em uma sala de estar em Paris, pensando em como morar na Europa não é só para quem é rico. Pelo contrário.

Do meu quarto, lá em Belo Horizonte, teria a certeza de que meu futuro não se encaixava, em nenhuma hipótese, com uma vida no exterior. Mas cá estou eu, cinco anos depois, na Cidade Luz.

Quando comecei a escrever para o Euro Dicas, queria levar informação para as pessoas. Queria que aqueles como eu, que sempre ouviram que viver em outro país era um sonho distante, pudessem entender que esta é uma possibilidade alcançável. Hoje, sigo com este objetivo, mas sei que existe um passo anterior ao planejamento: o entendimento de que viver na Europa é sim para você. Por isso, decidi dividir um pouco da minha história, dicas e reflexões. Me faz companhia nesta narrativa?

Morar na Europa não é coisa de rico

Apesar do que você ouviu ao longo dos anos – acredite, eu também ouvi – morar na Europa não é só para quem é rico. É verdade que, com dinheiro ou uma cidadania europeia, a vida se torna bem mais fácil. Mas, quando estes facilitadores não estão à mão, ainda há possibilidade.

Depois da minha primeira experiência no exterior, percebi que de fato existem várias maneiras de ter uma experiência fora do país. Mas, também notei que três obstáculos costumam nos separar dela:

1. O medo de sair da nossa zona de conforto

Existem algumas formas de sair do país mais desafiadoras. Geralmente, elas também são as mais acessíveis.

Eu optei por uma delas. Em 2017, troquei uma proposta de trabalho na minha área no Brasil por um intercâmbio de au pair na China. Neste tipo de programa, você oferece serviços de babá e recebe acomodação, alimentação e uma ajuda de custo que pode ser mensal ou semanal. Na época, o pacote foi gratuito.

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Era a área em que sonhava trabalhar? Não. Na verdade, até me tornar uma babá, nunca havia considerado a possibilidade de cuidar de crianças. Mas, percebi naquela oportunidade uma porta para viver em outros países. Em 2018, voltei para o Brasil e, em 2019, embarquei para a França como uma au pair.

Hoje, me preparo para me despedir do Au Pair para começar um trabalho na minha área – a comunicação – enquanto faço um mestrado em uma universidade em Paris. Coisa que, antes do programa, nunca soube ser possível. Às vezes, a gente precisa dar um passo fora da nossa zona de conforto para dar dois dentro dela.

2. A falta de noção destas possibilidades

Uma coisa que percebi depois de começar a viajar é que, para nós, todas as chances de bolsas estudantis, intercâmbios de trabalho ou qualquer outra porta de entrada para um outro país parece distante demais. As oportunidades nunca se apresentam no nosso dia a dia, nós precisamos procurar. Mas, como é que se procura algo que a gente nem sabe que existe?!

Pensa só: você já imaginou que fosse possível enviar seu currículo não só para São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília, mas também para Londres, Roma ou Lisboa? Já pensou que poderia adaptar sua carta de apresentação para outras línguas, enviar e-mails com propostas ou começar a olhar regularmente os alertas de novas vagas? Pois é, a gente não pensa nisso. Mas podemos.

Também podemos buscar bolsas nas universidades dos países que nos interessam. Procurar iniciativas voltadas para brasileiros. Você sabia que é possível estudar na França de graça? Que é possível encontrar bolsas de estudo em qualquer lugar do mundo?

Aprender a cavar oportunidades é uma das etapas mais difíceis para nós. Mas, depois que você encontra uma forma de começar a vida internacional, sempre vai achar uma saída para dar o próximo passo.

3. A descrença na vida no exterior

A gente sempre ouve uma história da vizinha da prima do seu tio, aquela que conseguiu uma bolsa para ir para o exterior e nunca mais voltou. Mas, convenhamos, isso não torna a experiência provável para nós. Sempre fica a impressão de que isso é possível para qualquer um que não você.

A descrença em bolsas de universidade, em incentivo científico, em uma vaga de emprego… Tudo isso faz com que arriscar seja ainda mais difícil. Então, eu entendo quando ouço meus amigos dizerem que não estão dispostos a largar o que têm no Brasil, mesmo sonhando com a vida fora dele. Viver fora dá medo mesmo.

Como realizar o sonho de morar na Europa

Entretanto, algumas dicas podem ajudar a tirar esse sonho do papel, ainda que a insegurança assombre de vez em quando. Vou contar algumas coisas que eu gostaria de ter descoberto antes.

Também é importante saber que morar fora não é um conto de fadas.

Como tirar o plano de viver fora do papel?

Agora que já falamos das principais pedras no caminho e está claro que morar na Europa não é só para quem é rico, vou contar o que fazer para contornar cada uma delas: pesquisa e ação.

Eu só acreditei que poderia viver fora quando peguei a minha mala e saí do país.

Se você tem o sonho de viver na Europa, pesquise os países. Veja dados sobre a qualidade de vida, acesso à saúde, mercado de trabalho e salário mínimo. Busque grupos de imigrantes que contam a trajetória no país do seu interesse, procure referências reais.

Depois que tiver as informações, você terá uma base para entender como montar o currículo no formato europeu, onde buscar colocações, como funciona o processo do visto.

Se eu tivesse feito a pesquisa antes de vir para a França, provavelmente teria conseguido me planejar muito melhor para dar início à minha carreira. Então, siga o conselho de quem passou por poucas e boas e pesquise bem antes de vir.

Saiba dizer sim

Descobriu o destino ideal? Então, é hora da ação.

As portas de entrada nem sempre vão se apresentar no formato que você esperava, mas, muitas vezes, elas nos dão o primeiro acesso ao país do nosso interesse. Se você tem a chance de ir em uma posição inferior, pese a opção. Se a possibilidade vai permitir que você pague suas contas e arque com os custos de viver no local, pode ser uma boa ideia aceitá-la.

Esqueça o clichê

Não embarque se baseando na experiência de vida de pessoas que não falam sobre as partes ruins. Se optar por vir, pesquise pessoas reais, gente que mostra as vantagens, mas que também fala dos desafios. A vida no exterior pode ter várias vantagens, mas exige muito da gente.

Você precisa lutar diariamente pela sua permanência, se esforçar três vezes mais pelas oportunidades e se munir de doses cavalares de paciência para aceitar toda a burocracia e perrengues que vêm junto da rotina. Por isso, se você tem mesmo a vontade de vir, deixe o sonho de lado e comece a se preparar para a realidade dos imigrantes brasileiros na Europa.

Todo mundo precisa começar de algum lugar

Vivendo na Europa, já conversei com pessoas que abandonaram uma carreira de escritório para apostar em uma vida como zelador, jardineiro, passeador de cachorro, cuidador de idosos e crianças, garçom, recepcionista e por aí vai.

Algumas vezes, eles voltam para a área de atuação. Em outras, descobrem uma nova vocação. Cada caso é um caso. O fato é que eles fizeram o principal: escolheram uma porta para entrar. E você também pode.

Quando cheguei aqui como babá, não sabia falar o idioma. Nada. De verdade. Então, hoje, agradeço por ter tido essa primeira experiência mais segura em outra área. Com as minhas crianças, aprendi a falar francês, descobri o país e a cultura, procurei formas de conseguir um currículo nos moldes do país, fiz entrevistas, fui aprendendo na marra a me comunicar profissionalmente. Esse tempo de “férias” do jornalismo serviu para me acostumar com a vida aqui. Isso fez toda a diferença.

Eu sei que assusta. Mas, quando tiver medo ou insegurança, lembre-se que todo mundo tem que começar de algum lugar.

Morar na Europa é para você

Morar na Europa é para você se esse é o seu sonho. Se você está disposto a se desafiar todos os dias. Se é capaz de arriscar e ter perseverança para tentar mais uma vez todos os dias.

A vida no exterior não pode ser romantizada. São momentos difíceis, exige sacrifícios e muito esforço. Mas, quando é o que realmente queremos, não existe coisa melhor do que as conquistas que vão chegando aos poucos, mostrando que somos capazes de construir uma vida nova para nós mesmos.

É possível viver na Europa sendo pobre?

Sim, morar na Europa não é só para quem é rico. Mas, por favor, não banque a Madonna.

Eu recomendo a todos que juntem um pouco de dinheiro – o que for possível – antes de embarcar. Porque, por ser uma vida de inseguranças, quanto mais meios de pagar por uma moradia e alimentação nos primeiros meses, melhor. Uma vez estando aqui, você acaba descobrindo formas de conseguir um emprego, babysittings ou extras para se manter caso as coisas apertem.

Uma outra coisa que recomendo é: saiba o que você quer fazer.

Vejo muitas pessoas que queriam estudar e, por não pesquisarem custo de estudos aqui, vieram em outras áreas e perderam tempo. Se o seu sonho é estudar, tente.

Veja como estudar no seu país destino, pesquise bolsas, veja como fazer uma boa carta de motivação. Se não funcionar, tente o plano B e C. Mas, antes de aceitar um tipo de intercâmbio que você não quer, tente o que é seu sonho. Se dê uma chance.

Lola foi au pair na França por dois anos
Lola trabalhou como au pair na França por dois anos e agora se prepara para começar um mestrado no país

Outra dica é: estude o custo de vida e tudo o que pode te ajudar a reduzir custos. Até você se estabilizar, você vai precisar de uma forcinha.

E, por último, divirta-se.

Apesar dos problemas, as primeiras semanas, meses e até anos passam. Então, por mais difíceis que possam ser, aproveite. Conheça os lugares, faça amigos, busque sua comunidade, descubra a cultura, viva o seu sonho. Logo, você será a pessoa escrevendo aqui, contando para o mundo que todos nós podemos conquistar nossos desejos.

Eu espero, de verdade, que meu relato – e as dicas – te ajudem a agir. Quero que, assim como eu, você tenha a chance de conquistar algo que nem cogitava ser possível. Como disse, morar na Europa não é só para quem é rico se é seu sonho, faça uma boa pesquisa e persevere.

Como ponto de partida, indico o e-book O sonho de viver na Europa. Nele, você vai ver o depoimento de brasileiros que vivem na Europa e descobre tudo na lata, com a honestidade que todo imigrante precisa. Aproveite!