Como me sinto no fim do ano? De um lado, o frio, a chuva, os casacos pesados e o silêncio. De outro, o calor, a praia, roupas leves, fogos de artifício e muita festa. Duas realidades bastante distintas que enfrento todos os anos como imigrante na Europa.
No primeiro caso, eu me refiro às minhas festas de fim de ano em território europeu. Já o segundo exemplo, são as minhas doces lembranças das festas brasileiras com a família e com os amigos, algo que eu não celebro há muitos anos. Mas, como tudo nesta vida, muitas vezes, temos que fazer escolhas e nem sempre conseguiremos estar totalmente felizes.
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PEDIR UM ORÇAMENTO →A vida de imigrante é uma eterna roda gigante em movimento
Quando decidi sair de casa há muitos anos, eu sabia que na minha jornada teria que enfrentar muitos desafios e, sem dúvida, um deles seria a ausência da família e dos amigos de toda uma vida.
Esse é um dos preços que se paga por morar fora do Brasil. São nestes momentos que o coração fica apertado e que dá uma certa nostalgia. Por outro lado, sabemos também que se temos um sonho a ser cumprido, que tudo valerá a pena mais adiante.
Meu primeiro fim de ano fora de casa
O meu primeiro Natal e Réveillon fora de casa foi em 2008. Lá se vão 16 anos. Mas parece que foi ontem. E ele aconteceu na minha amada Dublin, cidade onde eu havia embarcado para fazer meu primeiro intercâmbio na Irlanda.
Até então, o Natal para mim estava diretamente ligado à minha família, mas, especificamente, à minha mãe Eliete, pois ela fazia aniversário no dia 24 de dezembro e fazia questão de reunir toda a família e alguns amigos. E sempre era uma grande festa regada a muita comida, bebida e aos inesquecíveis bolos de aniversário que ela preparava e que já ficavam para a ceia de Natal.
No entanto, meu coração viajante e aventureiro tinha me levado naquele ano para a congelante Dublin. Eu, confesso, de todos os meus novos amigos feitos ali na Irlanda, eu era talvez o que menos reclamava do frio e da chuva porque eu estava vivendo um dos maiores sonhos da minha vida: estudar no exterior, vivenciar uma nova cultura, aprender um novo idioma.
Tudo era novidade: até mesmo uma ida ao supermercado era uma aventura, pois os produtos e rótulos eram diferentes e não havia cobradores nos caixas. Você mesmo passava as compras.
Uma ceia à moda brasileira na Europa
Em 2008, eu estava namorando e havia viajado com meu namorado na época, Fernando. Ele, assim como eu, amava festas e era muito agitado. Claro que fomos fazendo nosso círculo de amizades. E aqui abro umas aspas:
“A conexão verdadeira e sincera com novos amigos é super importante para um imigrante. Eles passam a ser nossa nova família”.
Tratamos de fazer a tradicional ceia natalina em nossa casa. Compartilhávamos a casa com outros cinco amigos: quatro brasileiros e um sueco, mas somente dois brasileiros iam passar conosco. Combinamos com nossa turminha de amigos fiéis que cada casal levaria um prato de comida e suas próprias bebidas. E também decidimos fazer amigo secreto de 2€ — a cidade era lotada de lojinhas desse tipo.

Só que quando dois cancerianos se juntam, no caso, Fer e eu, é impossível não deixar o lado sentimental falar mais forte. Além dos nossos respectivos amigos secretos, também compramos lembrancinhas para cada um dos presentes, e éramos os únicos que estávamos desempregados.
Bom, resumindo: nosso Natal na Europa, apesar da distância da família e dos amigos, foi alegre, feliz e muito farto.
Um réveillon fora dos padrões na chuvosa e fria Irlanda
O que pegou realmente mais forte foi quando chegou a virada do ano. Nos anos anteriores à viagem para morar em Dublin, eu havia passado minhas festas de final de ano em Florianópolis, capital de Santa Catarina, ao lado da minha família e dos amigos. Eu vivia ali com o Fernando. E o Réveillon em Floripa, naquela ilha encantada, era realmente mágico e tocante.
Quando me deparei com o de Dublin veio a tristeza. Por causa do frio e da chuva, raramente as pessoas saem às ruas. Alguns pubs fazem festas, mas muitos acabam ficando em casa com amigos porque não estão dispostos a passar frio, sem contar que as bebidas são caríssimas e não há comida.
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QUERO CONHECER O EBOOK →Como eu não tinha trabalho na Irlanda, a melhor opção seria passar em casa mesmo. Uma de nossas amigas, Jack, uma baiana arretada e muito carismática, nos convidou para passar na casa dela. Fomos e levamos outro casal de amigos: Jessyka e Rômulo, mas ele teria que madrugar para ir trabalhar e foi dormir cedo.
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Abrir Conta Multimoeda →Diferentemente do Natal, a nossa virada de ano em Dublin foi bastante desanimada e triste. As meninas estavam com saudades do Brasil, não havia muito clima e foi uma das passagens mais sem emoção da minha vida. É daquelas para esquecer.
Eu estava triste, mas era por outra razão: teria que ir embora de Dublin porque não encontrava trabalho devido à crise mundial de 2008 e a economia da Irlanda foi uma das mais afetadas. Meu plano B foi morar em Portugal no começo de 2009 e ficar até o término do visto de um ano, para depois retornar a Dublin para buscar as malas.
O destino pregou seu grande golpe às vésperas do Natal de 2015
E o destino, sorrateiro e cruel, me pregou um grande golpe no final de 2015: a morte de minha mãe. Naquele ano, eu estava no Brasil, e passar aqueles dias de festa sabendo que nunca mais veria minha mãe foi a pior parte. Então, o status de pior réveillon de minha vida foi passado de 2008 para 2015.
Meses depois, em maio de 2016, decidi que era hora de sair do Brasil e retornar para Dublin. Fiquei ali até o começo de 2017, e depois me mudei para Barcelona.
Só que, desta vez, eu estava imigrando sozinho. Não tinha mais namorado e me apeguei mais do que nunca aos novos amigos que fui conquistando: todos brasileiros na Espanha. E aqui vai uma nova e importante aspas: “se você quer fazer uma imersão em um novo país, se abra ao diferente e permita-se também interagir com pessoas de outras nacionalidades”.
Um dos meus maiores erros no passado e que tento corrigir sempre é exatamente isso: vivo em uma cultura diferente da brasileira.
“Como imigrante, tenho que estar aberto a receber novas pessoas, comer novas coisas, vivenciar o distinto. Sair da minha zona de conforto. Hoje, tenho amigos brasileiros, mas também interajo com meus amigos estrangeiros”.
Também já falei sobre minha trajetória de emprego na Espanha. Pretende trabalhar no país do jamón? Então, vale a pena conferir.
Na Espanha, a comemoração é mais animada e agitada
Moro na Espanha desde 2017 e o Natal não é uma data tão celebrada. Aqui, eles dão mais valor ao dia 26 e ao Dia dos Reis Magos, em 6 de janeiro. Geralmente, a troca de presentes acontece neste dia.
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INSCREVER GRÁTIS→Só que o Réveillon, ao contrário de Dublin, é muito mais animado. Como aqui, o inverno não é tão rigoroso e praticamente não chove em dezembro, as pessoas costumam celebrar nas praças e pontos turísticos principais das cidades. Em Madrid, eles comemoram na Puerta do Sol, e em Barcelona, na Praça Espanha.

Comemorei os meus seis anos morando em Barcelona. Particularmente, desde 2015, o Natal é uma data que me traz um gosto amargo. Eu celebro, mas, ao mesmo tempo, fico triste porque me recordo muito de minha mãe e o quanto ela amava essa data.
Mas como me sinto no fim do ano? Não deixo a peteca cair e comemoro por ela. Procuro pensar que ela está viajando. Assim, para mim, é mais fácil e suportável passar por estes dias, mas acabo passando o Natal na Espanha com amigos e fazemos a nossa festa brasileira regada à música, comida, bebida e jogos.
Como é viver em uma região dividida? Não deixe de ler sobre minha experiência vivendo na Catalunha.
Expectativas e sonhos renovados para 2025
Já no Réveillon, costumo ir para a Praça Espanha, ver a queima de fogos e depois acabo indo para a casa de amigos porque depois da meia-noite, cada um vai para um lado. Eu não recomendo de maneira alguma ir para os clubes neste dia porque, geralmente, eles cobram entradas absurdas, você fica horas na fila passando frio e, quando entra nas ‘discos’, se sente literalmente uma sardinha enlatada.
Se tem vontade de fazer xixi, é bem provável que, se estiver muito apertado, passe pela vergonha de fazer na calça porque as filas dos banheiros e para comprar bebidas são um absurdo. Melhor dica? Passe o Réveillon na casa de amigos que você curtirá muito mais sem estresse ou nervoso.
Para este fim de ano, estou empolgado porque uma amiga convidou para passarmos na casa de sua irmã, em Lloret de Mar, cerca de duas horas de Barcelona. É uma cidade praiana encantadora: super movimentada, cheia de comércio e a casa fica muito próxima à praia. Poderemos ver os fogos com tranquilidade e depois festejar nas terrazas que estarão abertas ou até mesmo em casa com amigos.
Independente de qualquer coisa, o mais importante é agradecer a Deus pelo ano que está indo, fazer novos pedidos e acreditar que o próximo ano será melhor. Pedir saúde e força, e o resto vamos buscar. Nunca podemos deixar de sonhar! E que venha um lindo 2025 para mim, meus amigos, familiares e todos os leitores do Euro Dicas.
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