A comunidade de brasileiros na Espanha não para de crescer e vários motivos fazem o país ser um dos destinos favoritos dos imigrantes na Europa. Seja pelo clima, idioma ou qualidade de vida, é certo que muita gente pensa em fazer o mesmo e não sabe bem por onde começar.
Se você tem o sonho de seguir esse caminho, conheça a história da imigração brasileira na Espanha e ouça a opinião de quem já imigrou. Neste artigo, brasileiros que cruzaram o Atlântico para estudar, trabalhar ou viver como aposentados compartilham suas experiências no país!
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PEDIR UM ORÇAMENTO →Brasileiros na Espanha: quantos são e onde vivem?
Morar na Espanha é o sonho de muitos brasileiros. Embora o número de imigrantes brasileiros tenha diminuído levemente desde 2020, ainda somos 91.045 no país, segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Os últimos dados compilados pela instituição, de 2022, mostram o Brasil como o 17º país do mundo e o sexto da América do Latina com o maior número de residentes registrados oficialmente em território espanhol.
Outro dado interessante, também o mais recente encontrado, é que o número de mulheres é quase o dobro do de homens na comunidade de brasileiros na Espanha: são mais de 57.000 mulheres e 33.000 homens, aproximadamente. A idade média é de 35 anos e na tabela abaixo você confere as regiões da Espanha com o maior número de imigrantes brasileiros.
| Região da Espanha | Número de imigrantes brasileiros em 2022 |
| Catalunha | 21.193 |
| Comunidade de Madrid | 14.733 |
| Andaluzia | 9.390 |
| Galícia | 8.808 |
| País Basco | 4.399 |
Nota-se que em 2021 os dados eram mais concentrados, enquanto os dados mais recentes da organização espelham uma maior distribuição dos brasileiros na Espanha. A Comunidade Valenciana, por exemplo, tem mais de 9.000 brasileiros, assim como Castela e Leão tem quase 4.000.
Isso pode ter a ver com diversos fatores, sendo um deles a busca por cidades mais tranquilas e econômicas.
Brasileiros na Espanha nos últimos anos
Segundo o relatório do Governo Brasileiro, em 2023 eram cerca de 162 mil brasileiros na Espanha. A discrepância no número pode ter a ver com atualizações e legalidade, ou seja, a diferença entre registro de brasileiros que deixam o país e que de fato são registrados na Espanha.
Independente, a Espanha é um dos países da Europa com mais brasileiros. Mesmo com a crise de 2020 e uma leve retração na comunidade de brasileiros na Espanha, esse número segue uma tendência de subida nos últimos anos. A título de comparação, em 2023 a Espanha registrou mais de 6 milhões de estrangeiros no país, segundo o INE.
Por que os brasileiros escolhem a Espanha para morar?
São diversos os motivos que fazem os brasileiros escolherem a Espanha para chamar de casa. Seja pelo clima, proximidade do idioma ou cultura, fato é que o país tem uma comunidade brasileira gigante.
Mas por que a Espanha atrai tantos imigrantes do Brasil? Vamos aos principais fatores:
Cidades tranquilas
Fugir da violência e melhorar a qualidade de vida estão entre as principais razões para a mudança dos brasileiros. Muitos imigrantes buscam a segurança na Espanha: o país é considerado o 23º país mais pacífico do mundo, de acordo com o Global Peace Index 2024.
O relatório analisa 163 países e territórios independentes que incluem 99,7% da população mundial. No mesmo estudo, o Brasil ocupa a 131ª posição, atrás de países como Kosovo, Haiti, Congo e Uganda.
Segundo dados mais recentes do Índice de Progresso Social, a Espanha é um dos países com taxa de homicídios intencionais (número de assassinatos) muito baixas. A média anual é de 0,71 homicídios por cada 100 mil habitantes — menor do que muitos países conhecidos pela segurança, como Suécia e Dinamarca.
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A taxa mais recente do Brasil é de 22,38 por cada 100 mil habitantes. Para se ter uma ideia, a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é de 3,7 por cada 100 mil habitantes.
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Abrir Conta Multimoeda →O país europeu também tem uma das maiores expectativas de vida, mas apresenta fortes desigualdades de renda, alto nível de pobreza e baixa proporção da população adulta empregada, em comparação a outros países europeus.
Além disso, as cidades são tranquilas porque são mais caminháveis, tanto pela segurança quanto pela distância entre pontos, sem contar na grande oferta de atividades culturais gratuitas.
Serviços Públicos
A Espanha também chama a atenção dos brasileiros pelos serviços públicos de transporte e saúde. A eficiência de ambos está atrelada à qualidade de vida da população. Os transportes públicos na Espanha são rápidos, eficientes e baratos. É possível explorar as principais cidades do país utilizando apenas trem, metrô e ônibus.
Já os hospitais são organizados, limpos e muito bem equipados. O sistema de saúde pública na Espanha é o que atende a maioria da população e o país é um grande exportador de tecnologia nessa área.
A saúde pública está disponível a todos os residentes legais, desde nacionais até estrangeiros que vivem no país com algum tipo de visto para Espanha, basta estar empadronado. Apesar de não ser perfeito, o sistema é organizado e os serviços são de boa qualidade.
Eu mesma, Liz, já fiz fisioterapia (muito boa!) e diversos exames com a saúde pública. O principal problema é conseguir datas para especialidades, mas emergências e alguns serviços específicos são muito rápidos.
Boas universidades
A Espanha é referência em ensino superior e educação de qualidade, tanto para graduação quanto mestrado e doutorado. Não é à toa que mais de 30% dos estudantes estrangeiros na Espanha são latinos.
De acordo com o Ministério de Universidades, no curso de 2021-2022 foram registrados 224.080 estrangeiros nas universidades do país, sendo que os brasileiros representam 3.813 apenas neste ano letivo. Um dado interessante é que a grande maioria se matricula diretamente, e são poucas centenas os que fazem mobilidade acadêmica.
Como as universidades na Espanha são muito bem avaliadas nos rankings internacionais, isso pode significar mais ofertas no mercado de trabalho após a conclusão dos estudos.
Outro motivo é praticar ou aprender espanhol já que é uma das línguas mais faladas do mundo, além de adquirir conhecimentos para retornar ao Brasil com expertise.
Clima agradável
O clima na Espanha agrada os brasileiros por ser um dos mais quentes e ensolarados da Europa. Esqueça os dias cinzentos, neve e os termômetros muito abaixo de zero!
É claro que há diferenças entre as estações e as regiões, mas, em geral a Espanha é um país ensolarado: são cerca de 3.000 horas de sol por ano. A temperatura média anual gira em torno dos 16 graus, excelente para os brasileiros que não estão acostumados com muito frio.
As temperaturas mínimas costumam ocorrer nos meses de janeiro e fevereiro, época do inverno no hemisfério norte. Estes também são os meses mais chuvosos, principalmente no norte da Espanha, região mais fria do país.
O outono e a primavera têm as temperaturas mais agradáveis, quando as pessoas podem aproveitar para praticar atividades ao ar livre quase todos os dias.
Já o verão é quente e seco em todo o país e as temperaturas máximas são alcançadas durante os meses de julho e agosto, época em que a maioria dos espanhóis sai de férias.
Viajar pela Europa
Uma das maiores vantagens de morar na Europa é que países com culturas completamente diferentes estão a poucas horas de voo. E você não precisa ter muito dinheiro para viajar.
Para se ter uma ideia, se você comprar passagem aérea para Espanha com antecedência, vai pagar muito mais barato para ir da Espanha até a Itália do que do Rio de Janeiro para São Paulo.
Entendeu o motivo de ter muitos imigrantes brasileiros na Espanha? São tantos atrativos que fica difícil resistir.
Veja como a visão de mundo de expatriados pode mudar na Europa.
Estudantes brasileiros na Espanha
Muitos brasileiros escolhem a Espanha para começar continuar a vida acadêmica. Além das excelentes universidades, a Espanha é um polo para estudantes internacionais, portanto é um país preparado para trâmites relacionados, assim como para receber estrangeiros.
Barcelona e Madrid, por exemplo, são cidades com diversas instituições, especialmente de pós-graduação em setores variados. A proximidade do idioma é um fator que pesa na hora do estudo, mas saiba que na Espanha muitas instituições também oferecem cursos em inglês.
Outro fator de muito peso é o preço dos cursos, que é inferior a muitos países da União Europeia – o que não significa que seja barato. Também existem bolsas de estudo, principalmente para mestrado e doutorado.
Experiência de estudante brasileira na Espanha
Maria Leticia Capelini voltou há cerca de 2 anos de Barcelona, onde fez um mestrado na Espanha de um ano na EAE Business School.
Formada em duas faculdades no Brasil, em Publicidade e Propaganda e em Administração, ela sempre quis internacionalizar a sua trajetória e não teve dúvidas ao escolher estudar na Espanha. Além disso, ela queria praticar o espanhol, mesmo já sendo fluente.

Maria conta que a rotina era puxada: ela estudava de segunda a quinta-feira, das 9 às 17 horas, e se dedicava aos trabalhos e projetos do curso após o término das aulas. Apesar disso ela conseguia, em alguns finais de semana, viajar pela Catalunha e Espanha.
Na época, a especialização em Marketing e Vendas custou 15 mil euros, parcelados em 12x. Para Maria, o alto custo de vida em Barcelona, a segunda maior cidade do país, foi uma surpresa. Morar na Espanha pode exigir flexibilidade e adaptação, inclusive quando o assunto é moradia.
Maria Leticia alugou um apartamento no bairro da Sagrada Família, mas acabou fazendo como a maioria dos estudantes: depois de um mês, alugou o segundo quarto no seu apartamento para dividir as contas. Tirando da conta o valor do aluguel, ela gastava, em média, 1.000€ por mês sem passar aperto nenhum e curtir bastante.
A ideia da paulistana era viajar para a Espanha para estudar e depois permanecer no país, mas os planos mudaram por conta de questões familiares. Quando chegou ao Brasil, o diploma trouxe imediatamente um benefício profissional. Ela recebeu várias ofertas de emprego e acabou voltando para a empresa onde trabalhava anteriormente, mas com uma proposta melhor.
“Eu posso garantir que as vantagens de estudar no exterior são imensas. O profissional é muito valorizado, tanto pelo seu aprendizado, quanto pelo seu esforço. Ter um mestrado fora do Brasil mostra que você é uma pessoa que corre atrás dos seus objetivos”, avalia Maria Letícia.
Dicas para se tornar um estudante na Espanha
Estudar na Espanha requer planejamento, organização financeira e documentações importantes para viver legalmente no país.
É preciso escolher com atenção a cidade da Espanha você gostaria de morar e, é claro, buscar instituições que estejam de acordo com o seu setor. Para Maria, a escolha por Barcelona teve a ver com o sonho de morar em um lugar com baixa criminalidade, bem diferente de São Paulo, e com clima agradável, pertinho da praia.
Camila Felix, 26 anos e também de São Paulo, mora em Madrid. A escolha da cidade se deu a partir do mestrado (Máster) que ela escolheu estudar. Após pesquisar e decidir pela Universidade Carlos III de Madrid, Camila aplicou e foi aprovada.

No caso dela, os desafios começaram na hora de buscar trabalho na sua área, Direito. Durante o seu mestrado, ela achou difícil conseguir estágio e relata que só conseguiu quando contatos da área, do Brasil, a ajudaram com recomendações. Justamente por isso, Camila recomenda:
“Minha dica é, ou vem pra fazer os estudos do “zero”, tipo desde o começo (…) para criar um CV bem espanhol mesmo, ou vem depois de tudo isso já estabilizado numa área. No meu caso eu acho que tive que ralar muito mais porque vim no meio disso: com a OAB, mas sem experiência, por exemplo.”
Quanto a documentos, é importante saber que, se você não tem cidadania Europeia, precisará de visto de estudante para Espanha. A paulistana Maria Letícia não precisou de visto porque tem cidadania italiana, o que facilitou o processo.
Já Camila chegou com visto de estudante, que deve ser solicitado ainda no Brasil, após já estar previamente matriculado na instituição. Hoje, depois de dois anos na Europa, seu passaporte italiano ficou pronto, o que facilitará seus próximos passos no mercado de trabalho.
Ainda, o custo de vida deve ser analisado com cautela. Portanto, busque o curso, entenda o processo de matrícula, analise o custo de vida na cidade e planeje-se para que o seu estudo seja uma experiência incrível.
Brasileiros na Espanha a trabalho
Trabalhar na Espanha é o sonho de muitos brasileiros. Para além do salário em euro, ter uma rotina mais calma, segura e com maior qualidade de vida é um grande atrativo.
Na Espanha a cultura de trabalho também é mais tranquila, com verões de horário intensivo (saída mais cedo) em algumas empresas. Da mesma forma, as férias são encaradas de maneira leve: não é preciso esperar determinados meses na empresa para solicitar.
O salário mínimo da Espanha não é dos maiores da Europa, mas ainda assim o poder de compra é excelente. Portanto, o sonho de trabalhar na Espanha gira em torno de muitos fatores.
Nas maiores cidades do país você encontra brasileiros em cargos variados. A proximidade do idioma é um fator que atrai muitos, assim como o clima e a cultura que lembram o Brasil. O fato de a comunidade brasileira no país ser grande, também.
Como é o mercado de trabalho para brasileiros na Espanha?
O mercado de trabalho na Espanha é muito receptivo a estrangeiros, inclusive a brasileiros. Nas empresas, especialmente em grandes cidades, as equipes costumam ser multiculturais.
Porém, é importante saber que não existem cargos específicos para brasileiros (com exceções de vagas que exigem o português), e o brasileiro deve estar disposto a passar por processos seletivos e dar alguns passos para trás, dependendo da situação.
Fernando Roldan e a esposa, Thalis Beloti, se mudaram para Barcelona quando Fernando recebeu uma oferta de trabalho no setor de TI, em 2015. Ele, que nunca havia viajado para a Europa, encarou a mudança de vida e até hoje vive no país, desfrutando da qualidade de vida em família.

Formado em Ciências da Computação, Fernando viu um anúncio de uma empresa que estava contratando brasileiros para trabalhar na Espanha e ele se adequava ao perfil da vaga. Um mês após enviar o currículo, o paulistano fez entrevistas e foi aprovado para o cargo de analista de sistemas de uma consultoria de TI, em Barcelona.
Para trabalhar na Espanha, é preciso ter um visto de trabalho, o qual a empresa deve patrocinar, justificando ao governo o motivo da contratação de um estrangeiro e não um nacional. Esse pode ser o maior obstáculo.
Para Camila, nossa entrevistada que estudou em Madrid, da área do Direito, vê o mercado espanhol muito voltado “para dentro”, sendo difícil conseguir trabalho. Isso se deve, também, às particularidades do setor:
“Tenho que convalidar, homologar, fazer mais cursos e aplicar outra vez para o Exame da Ordem dos Advogados da Espanha.”, relata Camila, que hoje está buscando emprego na Espanha, depois de uma experiência de 1 ano em escritório de advocacia em Madrid.
Ela também comenta que apesar de o salário ser visto como baixo, para ela é regulado ao mercado. Assim, nota-se que o mercado de trabalho para brasileiros na Espanha pode ser bastante receptivo e, desde que você cumpra com os requisitos e encontre uma empresa disposta a ajudar no trâmite, conseguir um trabalho é possível.
Porém, por outro lado, algumas profissões, como o direito, medicina e engenharias, sofrem mais no processo de homologações de diploma.
Quanto ao estilo de trabalho, para Fernando há muitas diferenças entre o mercado de trabalho na Espanha e no Brasil, para além da maior burocracia. Ele conta que a prioridade na Catalunha é a vida pessoal. Ou seja, há maior equilíbrio. E, por último, ele ganhava mais no Brasil do que na Espanha, mas os custos aqui são menores, então, no final das contas compensa morar em Barcelona.
O trabalho em subemprego na Espanha é uma realidade para muitos, mas é mito que esse é o único caminho para brasileiros na Espanha. As oportunidades em setores como serviços domésticos, construção civil ou hospitalidade realmente são grandes, em especial em cidades turísticas, e muitas vezes, para começar, alguns optam por partir daí.
Brasileiros com formação acadêmica, experiência profissional e fluência em espanhol ou inglês podem encontrar oportunidades em diversas áreas, como tecnologia da informação, comunicação, engenharia e demais profissões especializadas.
Apesar disso, saiba que em muitos casos é preciso dar uns passos para trás e encarar um “recomeço” dentro da própria profissão, mesmo que não seja regra. Eu mesma, Liz, voltei a ser estagiária em comunicação para poder entrar no mercado de trabalho quanto antes.
Experiência de trabalhadores brasileiros na Espanha
São variadas as histórias e casos de brasileiros na Espanha a trabalho, o que comprova que existem vários caminhos possíveis. No caso do Fernando, ele conta que, antes de aplicar, fez uma pesquisa para conhecer melhor a empresa porque seria uma mudança de vida muito grande.
A esposa, até então, não tinha sido avisada e a primeira resposta foi “não vou de jeito nenhum”, mas depois de muitas conversas, Thalis acabou convencida de que essa era a melhor opção para o casal.
Formada em administração de empresas, ela deixou de gerenciar a loja do pai, e depois de dois meses fechou um contrato de trabalho na Espanha com uma multinacional do setor de varejo de materiais de construção, onde trabalha até hoje:
“Quando eu comento com os próprios espanhóis eles dizem que eu tive muita sorte, mas eu consegui esse emprego porque estava disposta a dar muitos passos atrás. Eu entrei como secretária administrativa, em quatro anos fui promovida duas vezes e hoje sou analista de mercado”, comenta.
O casal escolheu o bairro da Sagrada Família, no centro de Barcelona, para morar. Com o carro da família Thalis leva trinta minutos para chegar ao trabalho. Já Fernando vai ao trabalho de bicicleta, por ciclovia, em apenas 15 minutos.
Em março de 2020 a família aumentou. Gabi nasceu poucos dias antes do governo espanhol anunciar o estado de alarme no país devido ao coronavírus. Após meses sem sair de casa, eles aproveitaram as férias de verão para fazer o que mais gostam: viajar pela Espanha. Nos últimos quatro anos eles também estiveram na Itália, França, Portugal, Croácia, Grécia e Áustria. Eles concluem:
“Acho que é impossível ter no Brasil a qualidade de vida que a gente tem aqui. Poder conhecer novos lugares, passear na rua sem ter medo de ser assaltada e saber que eu vou poder matricular a minha filha em uma escola pública bilíngue e dar para ela uma boa educação são benefícios que me fazem querer permanecer vivendo aqui, apesar das saudades da família”
Dicas para se tornar um trabalhador na Espanha
Estando no Brasil o caminho é buscar vagas em portais de trabalho, aplicar e estar atento aos requisitos e documentações, como possíveis homologações e visto de trabalho. Ainda, na Espanha é comum buscar contato direto e entrar em contato com as empresas e recrutadores.
Um caminho interessante é focar em grandes empresas ou de setores muito específicos, pois costumam ter mais familiaridade em tramitar um visto de trabalho.
Vale a pena conferir o catálogo de posições de difícil cobertura do SEPE, órgão que rege o emprego na Espanha. Na aplicação, um excelente currículo no formato europeu e uma boa carta de apresentação em espanhol fazem a diferença, assim como carta de recomendação.
Enquanto busca vagas, analise o custo de vida na Espanha e comece a se organizar financeiramente. Assim, você estará pronto quando receber uma oferta. O custo varia conforme região da Espanha e cidade, mas saiba que os gastos começam ainda antes com todas as burocracias.
Outra possibilidade viável é já estar na Espanha legalmente e buscar trabalho no país. Porém, para isso é preciso ter cidadania europeia ou já estar no país com algum visto. O que muitos fazem é vir com visto de estudante e, enquanto estuda, começar como estagiário e ir crescendo.
Independente, não recomendamos a moradia e trabalho ilegal no país, pois isso pode acarretar muitos problemas. Outras possibilidades são visto de autônomo ou nômade digital.
Aposentados brasileiros na Espanha
A Espanha é frequentemente citada em rankings de melhores países para aposentados. No informe Best Places to Retire 2024 o país ficou em primeiro lugar para aposentados. Já no International Living, está em quinto.
Portanto, muitos são os brasileiros que resolvem morar na Espanha na aposentadoria, em busca de qualidade de vida.
O clima ensolarado, as praias e a cultura que lembra o Brasil também chamam a atenção, assim como as cidades pequenas e pueblos para quem busca calmaria. Da mesma forma, o custo de vida inferior a outros países europeus é um atrativo, assim como o sistema de saúde público de qualidade.
A Espanha também oferece vistos compatíveis com aposentados, como o visto de residência não lucrativa ou o de investimento, para aqueles que desejam investir na Espanha além de se aposentar. Brasileiros com cidadania europeia passam por menos burocracias.
Experiência de aposentado brasileiro na Espanha
Em 2016, Walter de Luca, 63, se aposentou como professor de jornalismo da Universidade de Sorocaba, em São Paulo. Com o sentimento de missão cumprida, para ele, era a hora de iniciar a nova fase da vida fora do Brasil. Mas a mudança não aconteceu rapidamente, foram anos de planejamento.
Walter conta que já conhecia Barcelona e que em uma das visitas, quando cursou parte do seu doutorado na cidade, decidiu que voltaria para a Catalunha no futuro. Segundo ele, morar na Espanha como aposentado significa ter uma melhor qualidade de vida, principalmente uma rotina mais segura.

A segurança também seduziu a esposa, Liliane de Luca, 59. Para ela, essa é a principal diferença entre viver na Espanha e no Brasil:
“A questão da segurança faz toda a diferença na nossa qualidade de vida e bem-estar emocional. Até em Sorocaba, minha terra natal, que é considerada uma cidade segura, eu sempre caminhava pelo centro apreensiva. Em Barcelona, não existe a possibilidade de você sofrer um assalto a mão armada. São pequenos furtos em alguns lugares muito pontuais”, aponta.
O casal mora às margens do mediterrâneo, um desejo antigo dos paulistas. A cidade escolhida foi Gavà Mar, a 22 quilômetros de Barcelona. Para o casal, Gavà é ideal para quem busca tranquilidade. Eles adoram ir à praia, praticar esportes e elogiam a ciclovia da cidade.
Sendo uma cidade pequena, o custo de vida é mais baixo, ponto positivo para Walter e Liliane. Apesar disso, a cidade tem tudo: eles estão perto do centro comercial, com supermercados e cinemas.
A vida pós-aposentadoria de Walter e Liliane é bem diferente daquela que levavam em São Paulo. Pelo menos três vezes por semana eles têm atividades programadas na capital da Catalunha.
“Eu sempre trabalhei bastante e nunca tive muito tempo para fazer as coisas que eu queria. Agora estou estudando catalão e história europeia em um dos centros culturais públicos de Barcelona. São cursos ministrados por professores universitários e a gente não para, faz um atrás do outro, e vamos a muitos museus”, comenta Walter.
A família do casal acompanhou a jornada. Dos quatro filhos, três vivem na Europa. Volta e meia a família se reúne em Gavà Mar ou em Colônia, na Alemanha, onde moram a filha mais velha e o netinho de um ano.
Conselhos para viver a aposentadoria na Espanha
Para viver a aposentadoria na Espanha ao máximo, o primeiro passo é escolher a cidade para morar. De metrópoles agitadas a pueblos calmos, há cidades para todos os estilos de vida.
Da mesma forma, o planejamento financeiro deve ser prioridade, especialmente para aposentados que têm a sua renda do Brasil. A conversão para o euro deve ser levada em conta, e isso impacta também na escolha da cidade.
Ainda assim, o custo de vida na Espanha é bom e são milhares as atividades gratuitas por todo o país, de festas tradicionais a eventos de cada cidade, além dos parques, bibliotecas e praias.
Ao planejar, vale a pena escolher uma cidade com aeroporto próximo, além das comodidades básicas. Para Walter e Liliane, viajar é uma das maiores vantagens de viver na Espanha.
Com carro próprio, eles adoram botar o pé na estrada e conhecer pueblos e cidades isoladas que pouca gente conhece, como Mura e Tavertet e Vic. Além disso, eles têm o aeroporto a dez minutos de casa e, segundo Liliane, é uma “mão na roda”:
“É muito rápido e cômodo. Aqui na Espanha a gente pega um voo e em duas horas está em muitos países europeus. Vamos com frequência ver o nosso neto na Alemanha e já estivemos em mais de dez países, entre eles Inglaterra, Suíça, Holanda e França”.
Antes de chegar ao país, é interessante fazer um curso de espanhol, mesmo que básico. Ter proximidade com o idioma facilita muito o início.
Os brasileiros na Espanha são felizes?
De forma geral, sim! Desde que eu (Adriana) cheguei, em setembro de 2019, conheci muitos brasileiros na Espanha e, conversando com eles, cheguei a conclusão de que a maioria está muito feliz com a escolha do país.
A qualidade de vida é sempre citada como o maior motivo de alegria entre as pessoas e ela está relacionada a diversos fatores como segurança nas cidades, serviços eficientes (transporte e educação), lazer, entre outras variáveis. Além disso, os espanhóis são bem abertos em relação à integração dos estrangeiros e isso torna a adaptação mais fácil.

Já eu, Liz, cheguei em 2022 e todos os brasileiros na Espanha com quem convivo são muito felizes aqui. Apesar das dificuldades, é um país culturalmente rico, com muitas similaridades ao Brasil, nos quesitos alegria, festa, praias, etc.
Só que a experiência de morar no exterior também é feita de desvantagens. Em primeiro lugar, por experiência própria, não é fácil recomeçar do zero! Encontrar o apartamento ideal, fazer amigos na Espanha, se adaptar à vida na cidade e tirar todos os documentos pode levar meses.
A decisão de morar no exterior, seja para estudar, trabalhar ou viver como aposentado não é simples, mas de forma geral o balanço costuma ser positivo. Para quem deseja começar uma nova vida no exterior, o planejamento é fundamental.
Como a comunidade brasileira se reúne na Espanha
Além da ajuda mútua, é ótimo ter com quem contar, principalmente no início. Querendo ou não, nos sentimos mais seguros um com o outro. Está planejando se mudar para o país?
Te contamos onde encontrar brasileiros na Espanha:
Os grupos são excelentes para entrar ainda antes de chegar ao país. Neles, a comunidade brasileira divide experiências, pede ajuda e ajuda quem precisa. É também um bom espaço para encontrar aluguel, por exemplo.
Para encontrar, basta buscar na barra do Facebook “brasileiros em…” seguido da cidade. Veja os seguintes como exemplo:
Já os grupos de WhatsApp costumam ser divulgados nos de Facebook.
São muitos os restaurantes e bares brasileiros na Espanha. É claro que, quanto maior a cidade, mais opções. Ainda sim, não é difícil encontrar!
Em Barcelona, por exemplo, temos o Buriti, Manga Rosa, Cantinho Brasileiro, Sotaque Café, La Carioca, Guanabara e assim por diante. Em Madrid, se destacam Sabor Brasil, Tropicalista e Le Blend.
A comunidade de empreendedores brasileiros também é forte. Então, além de matar a saudade das receitas brasileiras, são ótimos ambientes para trocar contatos.
São recorrentes os shows de artistas brasileiros de todos os estilos musicais, principalmente em Madrid e Barcelona. Dá para matar a saudade do “agito” brasileiro e, sendo um evento descontraído, é bem fácil puxar papo e fazer amizade.
Também existem muitas festas focadas no Brasil, inclusive festas de funk e samba pelas ruas. Em Barcelona, há o “Dia de Brasil”, uma comemoração com shows, gastronomia e espetáculos.
Existem associações e entidades culturais brasileiras na Espanha que organizam eventos, cursos e atividades voltadas para a promoção da cultura brasileira, como os CCBs (Centros Culturais Brasileiros), Grupo de Mulheres do Brasil Barcelona e Casa do Brasil Madrid.
Há também o Instituto Guimarães Rosa Barcelona e a Fundação Cultural Hispano Brasileira, que têm atividades relacionadas à difusão da cultura brasileira e informações sobre o país.
Quais os principais desafios dos brasileiros na Espanha?
Mudar de país é um desafio por si só: deixamos o comodismo para trás e nos abrimos para aventuras e descobertas, sejam elas boas ou difíceis. Entre os principais desafios dos brasileiros na Espanha, a burocracia é, definitivamente, um dos maiores.
A papelada começa ainda no Brasil e, como dizemos entre imigrantes, é eterna e cheia de surpresas. O atendimento pode não ser tão acessível e entender cada detalhe não é simples. Isso não pelo idioma, mas porque são muitos detalhes “escondidos”.
Eu, Liz, confesso que não teria entendido muita coisa se não fossem amigos brasileiros que já conheciam os processos.
Logo, o mercado de trabalho é um desafio. Apesar de serem milhares de imigrantes trabalhadores, a primeira inserção no mercado, especialmente no próprio setor, pode ser complicada.
A concorrência é grande e mesmo quem tem cidadania pode enfrentar um tempo buscando antes de conseguir. Além disso, dependendo da profissão, pode ser exigida validação de diploma.
Da mesma forma, a adaptação cultural tem seus ônus e bônus. Embora o espanhol seja próximo ao português, o sotaque e a forma como o idioma é falado no dia a dia é completamente diferente. Além disso, costumes, horários, ambiente de trabalho e normas sociais exigem um período de adaptação.
Histórico da imigração brasileira na Espanha
A Espanha era um país basicamente de emigração, com fluxo maior de espanhóis deixando a pátria do que estrangeiros entrando, por isso, a imigração no país é considerada um fenômeno recente.
Até meados de 1990, a comunidade de brasileiros na Espanha era praticamente imperceptível nas estatísticas espanholas, mas na década seguinte o fluxo começou a mudar.
Economia e legislação
A partir dos anos 2000, por exemplo, a oferta de emprego em setores que não interessavam aos espanhóis como a construção civil, hotelaria e serviço doméstico tornou a Espanha extremamente atraente para os estrangeiros.
Outro elemento importante que favoreceu a imigração nesta década foi uma política mais flexível na Espanha do que em outros países europeus. Em 2004, o governo de Jorge Zapatero estabeleceu regras que facilitaram a imigração e a regularização de imigrantes.
De acordo com o ICMPD, órgão vinculado ao Governo Federal do Brasil que trabalha regularizando migrações, ao redor de 1,2 milhões de estrangeiros foram regularizados na Espanha desde 1985, a metade deles em 2005.
Neste ano, houve um considerável aumento da imigração brasileira para a Espanha (44,51%) e em 2005, o Brasil ocupava o sétimo lugar entre os imigrantes de países latino-americanos que viviam no país.
| País de origem | Número de imigrantes na Espanha em 2005 | Participação total de estrangeiros (%) |
| Equador | 497.799 | 13,34 |
| Colômbia | 271.239 | 7,27 |
| Argentina | 152.975 | 4,10 |
| Bolívia | 97.947 | 2,63 |
| Peru | 57.134 | 1,53 |
| República Dominicana | 57.134 | 1,53 |
| Brasil | 54.115 | 1,45 |
Nesse período a imigração foi tão forte que 50% dos novos trabalhos criados entre 2001 e 2006 foram ocupados por imigrantes, segundo o ICMPD.
A crise de 2008 reduziu o número de imigrantes na Espanha, já que eles foram os mais castigados pelo mau momento na economia.
Segundo a Encuesta de Población Activa (EPA), nesse momento, a taxa de desemprego dos cidadãos espanhóis era de 9,3%, dos estrangeiros da União Europeia de 15,3% e dos estrangeiros que não pertenciam à União Europeia correspondia a 17%.
No entanto, o retorno ao país de origem não ocorreu de maneira imediata. Até 2012 houve uma gradativa diminuição do número de cidadãos brasileiros na Espanha. Nessa mesma época o Brasil estava mais atraente, com a estabilidade econômica e o aumento da renda, o que favoreceu o retorno.
A imigração brasileira para a Espanha vinha aumentando novamente a partir de 2016, quando a comunidade ultrapassou a barreira dos 100 mil, segundo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Em 2020, a crise do coronavírus atingiu fortemente a economia do país e o fantasma do desemprego na Espanha reapareceu. Nesse ano, 18,33% dos trabalhadores no país (espanhóis e estrangeiros) estavam desempregados e, em 2021, eram 14,1%.
A população de brasileiros na Espanha encolheu cerca de 10% desde o início pandemia. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, em janeiro de 2020, antes da crise, 98.655 brasileiros viviam na Espanha. Em janeiro de 2021 eram 95.433 e em janeiro de 2022 eram 90.535.
Além do desemprego, a intensa desvalorização do real durante a pandemia dificultou a vida de brasileiros que moravam na Espanha, mas recebiam os seus proventos do Brasil, como, por exemplo, os aposentados.
Em agosto de 2022, entrou em vigor a nova Ley de Estranjería, que facilitou a autorização de trabalho para imigrantes. A reforma trabalhista na Espanha, entre outras medidas, flexibiliza o trabalho dos estudantes internacionais aumentando de 20 para 30h semanais de trabalho permitido, além de deixar de ser obrigatório trabalhar no setor do estudo.
Além disso, facilita os trâmites para que estudantes continuem morando no país após a conclusão dos estudos e para contratações por urgência de estrangeiros, com a ampliação dos vistos de busca de trabalho (para estudantes recém-formados no país) e contratos de profissionais altamente qualificados, com visto de trabalho.
Nos últimos meses de 2024 houve um aumento na imigração brasileira, que está voltando a crescer pouco a pouco após a pandemia, a partir do segundo trimestre de 2021.
Apesar de ainda não estar disponível o número de brasileiros na Espanha em 2024, sabe-se que a população da Espanha aumentou em 67 mil pessoas apenas durante o segundo trimestre do ano, chegando a 48.797.875 habitantes. Dentre eles, 6.632.064 são estrangeiros, segundo o INE.
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Mila Oliveira Pereira +2 autores