Brasileiros na Espanha: saiba tudo sobre a comunidade brasileira no país

O número de brasileiros na Espanha não para de crescer e vários motivos fazem o país ser um dos destinos favoritos dos imigrantes na Europa. É certo que muita gente pensa em fazer o mesmo e não sabe bem por onde começar.

Se você tem o sonho de seguir esse caminho, é importante conhecer a história da imigração brasileira na Espanha e ouvir a opinião de quem já emigrou. Neste artigo, brasileiros que cruzaram o atlântico para estudar, trabalhar ou viver como aposentados falam de suas experiências no país ibérico.

Brasileiros na Espanha: quantos são e onde vivem?

Morar na Espanha é o sonho de muitos brasileiros. E nós já somos o quinto país da América do Sul com o maior número de residentes registrados oficialmente em território espanhol. São 98.480 mil brasileiros na Espanha, de acordo com os dados do INE. Em janeiro de 2019, eram 90.304, uma subida de 9,1% em um ano.

País de origem Número total de imigrantes em 2019
Colômbia 272.596
Venezuela 188.735
Equador 130.795
Peru 106.588
Brasil  98.480

Outro dado interessante é que a comunidade brasileira na Espanha é composta por 63,28 % de mulheres (62.317) e 36,72% de homens (36.163). A idade média é de 35 anos e na tabela abaixo você confere os lugares da Espanha com o maior número de imigrantes brasileiros.

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Região da Espanha Número de imigrantes brasileiros em 2019
Catalunha 23.184
Madrid 17.046
Andaluzia 9.928
Galícia 9.367
Comunidade Valenciana 9.352

Por que os brasileiros escolhem a Espanha para morar?

Durante sete anos consecutivos – de 2013 a 2019 – o país bateu recorde no número de turistas internacionais. A chegada de imigrantes brasileiros na Espanha seguiu o mesmo ritmo e aumentou 238% neste período, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Ano Número de novos imigrantes brasileiros
2019 16.685
2018 15.649
2017 12.731
2016 10.005
2015 7.209
2014 5.613
2013 4.933

Hoje a comunidade de brasileiros na Espanha é formada por 98.480 pessoas. Mas por que esse país atrai tantos imigrantes do Brasil?

Cidades tranquilas

Fugir da violência, buscar segurança e melhorar a qualidade de vida estão entre as principais razões para a mudança dos brasileiros. A Espanha é considerada o 32o país mais pacífico do mundo, de acordo com o Global Peace Index 2019. O relatório analisa 163 países e territórios independentes que incluem 99,7% da população mundial.

Segundo os dados mais recentes do Índice de Progresso Social, a Espanha é um dos países com a menor taxa de homicídios intencionais (número de assassinatos). A média anual é de 0,7 por cada 100 mil habitantes e, portanto, bem menor do que a do Brasil, de 30,50 por cada 100 mil habitantes. Para se ter uma ideia, a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é de 3,7 por cada 100 mil habitantes.

O país europeu também tem uma das maiores expectativas de vida, mas apresenta fortes desigualdades de renda, alto nível de pobreza e baixa proporção da população adulta empregada.

Serviços Públicos

A Espanha também chama a atenção dos brasileiros pelos serviços públicos de transporte e saúde. A eficiência de ambos está atrelada à qualidade de vida da população. O sistema público de transporte é rápido e eficiente. É possível explorar as principais cidades do país utilizando apenas metrôs e ônibus.

Já os hospitais são organizados, limpos e muito bem equipados. O sistema público de saúde é o que atende a maioria da população espanhola e o país é um grande exportador de tecnologia na área da saúde.

Universidades renomadas

Em 2019, a Espanha concedeu 3 mil vistos para estudantes brasileiros, segundo o Escritório de Educação da Embaixada da Espanha no Brasil. Um dos atrativos é a qualidade de ensino.

Como as universidades na Espanha são muito bem avaliadas nos rankings internacionais, isso pode significar mais ofertas no mercado de trabalho após a conclusão dos estudos. Outro motivo é praticar ou aprender o idioma já que o espanhol é a segunda língua mais falada do mundo.

Clima agradável

Entre todos os destinos da Europa, a Espanha, junto com Portugal, é um dos países que têm o clima mais parecido com o do Brasil. Esqueça os dias cinzentos e os termômetros muito abaixo de zero! É claro que há diferenças entre as estações e as regiões, mas a Espanha é um país ensolarado, com cerca de 3.000 horas de sol por ano, e a temperatura média anual gira em torno de 15 a 18 graus, excelente para os brasileiros que não estão acostumados com muito frio.

As temperaturas mínimas costumam ocorrer nos meses de janeiro e fevereiro, que coincidem com os meses mais chuvosos, principalmente no norte da Espanha, região mais fria do país. O outono e a primavera têm as temperaturas mais agradáveis, quando as pessoas podem aproveitar para praticar atividades ao ar livre quase todos os dias.

Já o verão é quente e seco em todo o país e as temperaturas máximas são alcançadas durante os meses de julho e agosto, época em que a maioria dos espanhóis sai de férias.

Viajar pela Europa

Uma das maiores vantagens de morar na Europa é que países com culturas completamente diferentes estão a poucas horas de voo. E você não precisa ter muito dinheiro para viajar.

Para se ter uma ideia, se você comprar a passagem área com antecedência vai pagar muito mais barato para ir da Espanha até a Itália do que do Rio de Janeiro para São Paulo.

Entendeu o motivo de ter muitos imigrantes brasileiros na Espanha? São tantos atrativos que fica difícil de resistir.

Estudante brasileira na Espanha

Como dissemos acima, muitos brasileiros escolhem a Espanha para continuar a vida acadêmica, conheça a história de uma estudante brasileira que viveu em Barcelona e nos contou como foi a sua jornada.

Maria Leticia Capelini, de 32 anos, acaba de voltar de Barcelona, onde participou por um ano de um mestrado na EAE Business School.

A escolha do país

Formada em duas faculdades no Brasil, Publicidade e Propaganda e Administração, ela sempre quis internacionalizar sua trajetória e não teve dúvidas ao escolher estudar na Espanha. “Eu queria praticar o espanhol, apesar de falar o idioma fluentemente. Também tinha o sonho de conhecer melhor outra cultura, morar em um lugar com baixa criminalidade, bem diferente da cidade de São Paulo, e com clima agradável, pertinho da praia. Barcelona tem tudo isso”.

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Foto do arquivo pessoal de Maria Leticia

Dupla cidadania

A paulistana não precisou de visto de estudante para morar na Espanha. A cidadania italiana facilitou o processo, mas não diminuiu os gastos com o mestrado, embora muitas universidades espanholas tenham tabelas de preços diferenciados para cidadãos europeus.

“A especialização em Marketing e Vendas custou 15.000€ e foi um valor relativamente acessível em comparação com as concorrentes que custam mais de 20.000€. Eu parcelei em 12 vezes”, conta a jovem que ficou surpresa com o alto custo de vida em Barcelona, a segunda maior cidade do país.

Dividindo as contas

Maria Leticia alugou um apartamento no bairro da Sagrada Família, no centro da cidade, mas acabou fazendo como a maioria dos estudantes. “Eu morei sozinha apenas um mês e depois aluguei o outro quarto que eu tinha no apartamento. Nós não temos esse hábito no Brasil, mas na Espanha isso é bastante comum. E, no final das contas, foi bom porque eu economizei e também não me senti tão sozinha”.

Tirando da conta o valor do aluguel, ela gastava, em média, 1.000€ por mês “sem passar aperto nenhum, curtir bastante e frequentar excelentes restaurantes. Barcelona é uma cidade com muitos jovens, bares e uma vida intensa”, afirma.

Rotina de estudante

A rotina era puxada. Ela estudava de segunda à quinta-feira, das 9 às 17 horas, e se dedicava aos trabalhos e projetos do curso após o término das aulas. “Eu realmente não parava, meus dias eram bastante ocupados, mas em alguns finais de semana eu conseguia viajar pela Catalunha ou pela própria Espanha. É tudo muito fácil, rápido, acessível e seguro. Eu viajei de avião, ônibus, trem, carro, usei todos os meios de transporte e não tive problemas”.

O retorno ao Brasil

A ideia da paulistana era viajar para a Espanha para estudar e depois permanecer no país, mas os planos mudaram por conta de questões familiares. Quando chegou no Brasil, o diploma trouxe imediatamente um benefício profissional. Ela recebeu várias ofertas de emprego e acabou voltando para a empresa onde trabalhava anteriormente, mas com uma proposta melhor.

“Eu posso garantir que as vantagens de estudar no exterior são imensas. O profissional é muito valorizado, tanto pelo seu aprendizado, quanto pelo seu esforço. Ter um mestrado fora do Brasil mostra que você é uma pessoa que corre atrás dos seus objetivos”.

Brasileiros na Espanha a trabalho

Se você sonha em trabalhar na Espanha, a história de Fernando vai inspirar você, veja:

O acesso ao mercado de trabalho

Formado em Ciências da Computação, Fernando Roldan, 40, estava navegando em um site de notícias em 2015 quando um anúncio chamou sua atenção. Uma empresa estava contratando brasileiros para trabalhar na Espanha e ele se adequava ao perfil da vaga. Um mês depois de enviar o currículo, o paulistano fez entrevistas e foi aprovado para o cargo de analista de sistemas de uma consultoria de TI, em Barcelona.

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Foto do arquivo pessoal de Fernando Roldan

“Eu fiz uma pesquisa para conhecer melhor a empresa porque seria uma mudança de vida muito grande. Eu também não tinha referência de como era trabalhar e viver na Espanha, aliás, nunca tinha viajado para a Europa”.

A esposa, até então, não tinha sido avisada. “Eu fiquei surpresa porque ele fez entrevistas, recebeu a proposta e eu não sabia de nada”. A primeira resposta dela foi “não vou de jeito nenhum”, mas depois de muitas conversas, Thalis Beloti, 38, acabou convencida de que essa era a melhor opção para o casal e no fim do ano embarcou com o marido para Barcelona.

Formada em administração de empresas, a paulista de Franca deixou de gerenciar a loja do pai, e depois de dois meses fechou um contrato de trabalho na Espanha com uma multinacional do setor de varejo de materiais de construção, onde trabalha até hoje.

“Quando eu comento com os próprios espanhóis eles dizem que eu tive muita sorte, mas eu consegui esse emprego porque estava disposta a dar muitos passos atrás. Eu entrei como secretária administrativa, em quatro anos fui promovida duas vezes e hoje sou analista de mercado”.

Deslocamento para o trabalho

O casal escolheu o bairro da Sagrada Família, no centro, para morar em Barcelona. Com o carro da família Thalis leva trinta minutos para chegar ao trabalho, perto do aeroporto. Para Fernando, a distância é bem menor: são três quilômetros de pedalada até a Vila Olímpica. “100% do caminho que eu faço é por ciclovia. Eu demoro 15 minutos para chegar ao trabalho, gasto apenas 50€ por ano para usar o serviço de bicicleta destinado aos moradores da cidade e ainda faço uma atividade física”.

A diferença entre o mercado de trabalho

Para Fernando, há muitas diferenças entre o mercado de trabalho na Espanha e no Brasil. “Eu estou há 4 anos na mesma empresa e nunca recebi um companheiro de trabalho na minha casa. Outra coisa que eu percebi é que a prioridade na Catalunha é a vida pessoal. E, por último, eu ganhava mais no Brasil do que eu ganho na Espanha, mas os custos aqui são menores, então, no final das contas compensa morar em Barcelona”.

Vantagens de morar na Espanha

Em março de 2020 a família aumentou. Gabi nasceu poucos dias antes do governo espanhol anunciar o estado de alarme no país por causa do coronavírus. Após meses sem sair de casa, eles aproveitaram as férias de verão para fazer o que mais gostam. “Apesar da pandemia, conseguimos passar o aniversário da Thalis nos Pirineus, depois conhecemos Valência e ainda viajamos pela Costa Dourada”.

Além de viajar pelo país, nos últimos quatro anos eles também estiveram na Itália, França, Portugal, Croácia, Grécia e Áustria. “Acho que é impossível ter no Brasil a qualidade de vida que a gente tem aqui. Poder conhecer novos lugares, passear na rua sem ter medo de ser assaltada e saber que eu vou poder matricular a minha filha em uma escola pública bilíngue e dar para ela uma boa educação são benefícios que me fazem querer permanecer vivendo aqui, apesar das saudades da família”, finaliza Thalis.

Brasileiros aposentados morando na Espanha

Muitos são os brasileiros que resolvem viver a aposentadoria no exterior em busca de qualidade de vida. Veja a história de Walter de Luca.

Mudança para a Espanha

Em 2016, Walter de Luca, 63, se aposentou como professor de jornalismo da Universidade de Sorocaba, em São Paulo. Com o sentimento de missão cumprida, para ele, era a hora de iniciar a nova fase da vida fora do Brasil. Mas a mudança não aconteceu rapidamente, foram anos de planejamento. “Eu já tinha visitado Barcelona muitas vezes, mas entre 2009 e 2010, quando eu passei uma parte do meu doutorado na cidade, decidi que voltaria para a Catalunha. Para mim, morar como aposentado na Espanha significa ter uma melhor qualidade de vida, principalmente uma rotina mais segura”.

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Foto do arquivo pessoal de Walter de Luca

A segurança também seduziu a esposa, Liliane de Luca, 59. Para ela, essa é a principal diferença entre viver na Espanha e no Brasil. “A questão da segurança faz toda a diferença na nossa qualidade de vida e bem-estar emocional. Até em Sorocaba, minha terra natal, que é considerada uma cidade segura, eu sempre caminhava pelo centro apreensiva. Em Barcelona, não existe a possibilidade de você sofrer um assalto a mão armada. São pequenos furtos em alguns lugares muito pontuais”.

Tranquilidade à beira-mar

Morar às margens do Mediterrâneo era um antigo desejo dos paulistas e o casal encontrou a vida calma que procurava em Gavà Mar, a 22 quilômetros de Barcelona. “É maravilhoso curtir a aposentadoria na praia e Gavà Mar é ideal para quem busca tranquilidade. Nós adoramos ir à praia, praticar esportes e aqui temos uma ótima ciclovia, além do custo de vida ser mais barato. Estamos perto do centro comercial, com supermercados, cinemas, tudo a poucos minutos de casa”, diz Liliane.

Manter a mente ocupada

A vida pós-aposentadoria de Walter e Liliane é bem diferente daquela que levavam em São Paulo. Pelo menos três vezes por semana eles têm atividades programadas na capital da Catalunha.

“Eu sempre trabalhei bastante e nunca tive muito tempo para fazer as coisas que eu queria. Agora estou estudando catalão e história europeia em um dos centros culturais públicos de Barcelona. São cursos ministrados por professores universitários e a gente não para, faz um atrás do outro, e vamos a muitos museus”, comenta Walter, que garante ser sempre tratado com muita cortesia pelos espanhóis.

Viajar pela Europa

Dos quatro filhos do casal, três vivem na Europa. Volta e meia a família se reúne em Gavà Mar ou em Colônia, na Alemanha, onde moram a filha mais velha e o netinho de um ano de idade. Aliás, o programa favorito do casal é viajar. Em 2019, Walter comprou um carro na Espanha para explorar melhor o país. E conta que eles adoram botar o pé na estrada sem compromissos e sem obrigações: “Assim conhecemos pequenos pueblos e cidades isoladas que são patrimônio da Catalunha e que pouca gente conhece, como Mura e Tavertet e Vic”.

Além de viajar de carro, eles têm o aeroporto a dez minutos de casa e, segundo Liliane, é uma “mão na roda”. “É muito rápido e cômodo. Aqui na Espanha a gente pega um voo e em duas horas está em muitos países europeus. Vamos com frequência ver o nosso neto na Alemanha e já estivemos em mais de dez países, entre eles Inglaterra, Suíça, Holanda e França”.

Impacto do coronavírus

Liliane e Walter afirmam que, quanto mais viajam, mais querem conhecer novos lugares. Mas em 2020, o euro nas alturas forçou o casal a mudar de hábitos. Saíram de cena, por exemplo, os gastos com as viagens internacionais e restaurantes. “Nós temos que fazer viagens mais curtas e baratas, comemos em casa e também procuramos opções de lazer gratuitas”, conta Liliane, que torce pela descoberta de um vacina contra o coronavírus e a recuperação econômica do Brasil.

Os brasileiros na Espanha são felizes?

Desde que eu cheguei na Espanha, em setembro de 2019, conheci muitos brasileiros que moram no país e, conversando com eles, cheguei a conclusão de que a maioria está muito feliz com a escolha do país. A qualidade de vida é sempre citada como o maior motivo de alegria entre as pessoas e ela está relacionada a diversos fatores como segurança nas cidades, serviços eficientes (transporte e educação), lazer, entre outras variáveis. Além disso, os espanhóis são bem abertos em relação à integração dos estrangeiros e isso torna a adaptação mais fácil.

Só que a experiência de morar no exterior também é feita de desvantagens. Em primeiro lugar, por experiência própria, não é fácil recomeçar do zero! Encontrar o apartamento ideal, fazer novos amigos, se adaptar à vida na cidade e tirar todos os documentos pode levar meses.

E quanto bate a saudade da família e dos amigos? Todas essas questões acabam tornando alguns momentos complicados, ainda mais neste momento em que atravessamos uma das maiores crises da nossa história. A decisão de morar no exterior, seja para estudar, trabalhar ou viver como aposentado não é simples, mas de forma geral o balanço costuma ser positivo. Para quem deseja começar uma nova vida no exterior, o planejamento é fundamental.

Brasileiros na Espanha: a imigração brasileira para o país

A Espanha era um país basicamente de emigração, com fluxo maior de espanhóis deixando a pátria do que estrangeiros entrando, por isso, a imigração no país é considerada um fenômeno recente. Até meados de 1990, a comunidade brasileira na Espanha era praticamente imperceptível nas estatísticas espanholas, mas na década seguinte o fluxo começou a mudar.

Economia e imigração

Em boa parte da história, a situação da economia explica a chegada ou a saída dos imigrantes. A partir dos anos 2000, por exemplo, a oferta de emprego em setores que não interessavam os espanhóis como a construção civil, hotelaria e serviço doméstico tornou a Espanha extremamente atraente para os estrangeiros.

As maiores comunidades no país eram formadas sobretudo por pessoas dos países latino-americanos e também do Leste Europeu. Segundo a pesquisa “O imigrante brasileiro na Espanha: perfil e situação de vida em Madrid”, neste período, 55% das mulheres brasileiras estavam empregadas no serviço doméstico como diaristas ou cuidadoras. Entre os homens, 49% trabalhavam no setor da construção civil e 33% no setor de serviços.

Espanha mais flexível

Outro elemento importante que favoreceu a imigração nesta década foi uma política mais flexível na Espanha do que em outros países europeus. Em 2004, o governo de Jorge Zapatero regularizou a situação de 600 mil imigrantes ilegais, além disso, foi criada a lei do Arraigo Social que permitia aos imigrantes em situação regular trazer suas famílias para o país.

Neste ano, houve um considerável aumento da imigração brasileira para a Espanha (44,51%) e em 2005, o Brasil ocupava o sétimo lugar entre os imigrantes de países latino-americanos que viviam no país, ficando atrás do Equador, Colômbia, Argentina, Bolívia, Peru e República Dominicana. No total havia 54.115 brasileiros morando legalmente na Espanha e eles representavam 1,45% do total de estrangeiros no país.

País de origem Número de imigrantes em 2005 Participação total de estrangeiros (%)
Equador 497.799 13,34
Colômbia 271.239 7,27
Argentina 152.975 4,10
Bolívia 97.947 2,63
Peru 85.029 2,28
República Domenicana 57.134 1,53
Brasil  54.115  1,45

Crise econômica de 2008

Entretanto, poucos anos depois outro movimento ganhou força na Espanha: o declínio da população estrangeira. Os imigrantes foram o grupo mais castigado pela crise econômica. Os efeitos começaram a se manifestar a partir do primeiro trimestre de 2008.

De acordo com a Encuesta de Población Activa (EPA), neste momento, a taxa de desemprego dos cidadãos espanhóis era de 9,3%, dos estrangeiros da União Europeia de 15,3% e dos estrangeiros que não pertenciam à União Europeia correspondia a 17%.

Entre os brasileiros na Espanha, havia mais de 5 mil desempregados, em 2008, e no ano seguinte, em 2009, mais de 6 mil desocupados, segundo o Servicio Público de Empleo Estatal. No entanto, o retorno ao país de origem não ocorreu de maneira imediata. Até 2012 houve uma gradativa diminuição do número de cidadãos brasileiros na Espanha após esgotadas as tentativas de resistência e os recursos financeiros acumulados com o trabalho. Por outro lado, a estabilidade econômica e o aumento da renda ajudaram a tornar o Brasil mais atraente para quem foi tentar a sorte no exterior.

Imigração

Descubram o que os espanhóis adoram e não gostam nos brasileiros.

Novas perspectivas

A imigração brasileira para a Espanha voltou a aumentar a partir de 2016, quando ultrapassou a barreira dos 10 mil, segundo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Na Europa, a Itália foi o país que mais recebeu cidadãos brasileiros (15.700), seguida pela Espanha (12.500) e logo depois Portugal (11.600). Em Janeiro de 2020, a comunidade brasileira na Espanha já contava com mais de 98 mil pessoas, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística.

2020 e o novo coronavírus

Porém, em 2020, a crise econômica provocada pelo coronavírus globalizou o desemprego e as perdas financeiras, além disso, a desvalorização do real em relação ao euro atingiu principalmente os estudantes e aposentados que contam com o dinheiro vindo do Brasil. Os novos números ainda não foram divulgados, mas é certo que a crise econômica, mais uma vez, interrompeu o sonho de muitas pessoas.

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Adriana Levis Alambert trabalha como jornalista há mais de 20 anos. Se formou na UniverCidade, no Rio de Janeiro, com pós-graduação em Mídias Digitais e Interativas pelo Senac-Rio e pós graduação em Mídia, Tecnologia da Informação e Novas Práticas Educacionais pela PUC-Rio. Trabalhou como repórter, apresentadora e editora no Canal Futura, Sportv e na Web TV da Petrobras. Atualmente faz um Master em Direção de Cinema Documental, na Escola de Cine de Barcelona, na Espanha. Também trabalha com turismo, adora viajar, conhecer novas culturas e compartilhar suas experiências.

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