ENEM para estudar na Espanha: saiba se é possível

Estudar no exterior é um sonho para muita gente. A oportunidade de entrar em contato com uma nova cultura, aprender um idioma e adquirir novos conhecimentos é mesmo irresistível. Com planejamento, visto de estudante e demais documentos necessários, é hora de procurar o país de sua escolha. Caso pense em se aventurar por terras espanholas, saiba se é possível usar o ENEM para estudar na Espanha. Tire suas dúvidas no artigo a seguir.

É possível usar o ENEM para estudar na Espanha?

Não. Não é possível usar o ENEM para estudar na Espanha em universidades públicas ou particulares. Diferentemente de Portugal, França, Reino Unido e Irlanda, países europeus onde o Exame Nacional do Ensino Médio é aceito em algumas instituições de ensino superior, a Espanha não possui convênio com o Brasil.

Entretanto, o estudante brasileiro que conclui o ensino médio (correspondente ao Bachillerato espanhol) pode ingressar em um curso de graduação na Espanha de outra maneira.

Como fazer a homologação do ensino médio na Espanha?

Caso você tenha concluído o ensino médio no Brasil e queira continuar os estudos em terras espanholas, já que não é possível usar a nota do ENEM na Espanha, saiba que há outra forma de ingressar em uma universidade do país. A Selectividad é um tipo de prova que é aplicada aos estudantes que querem ingressar tanto em uma universidade pública, quanto em uma particular.

Para ter acesso às universidades espanholas é preciso fazer a homologação (ou homologación) do diploma do ensino médio brasileiro no Ministerio de Educación y Formación Profesional da Espanha. Ou seja, é o reconhecimento que os estudos foram concluídos e que você está apto para ingressar na graduação do país. Mas o processo começa ainda no Brasil e, antes de tudo, é preciso garantir que você tenha a documentação necessária.

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Documentos necessários para homologação

Apostilar o diploma do ensino médio e o histórico escolar com descrição das disciplinas, carga horária de cada uma delas, resultados obtidos e ano de conclusão. Isso nada mais é do que levar os documentos (original e cópia autenticada) em um cartório autorizado e solicitar que seja anexada (em todos eles) a “Apostila de Haia”.

A Apostila de Haia (ou a Apostila de Convenção de Haia), é um selo ou carimbo que é colocado no documento como forma de certificar sua autenticidade pelo órgão no qual foi expedido para que assim seja válido em todos os Estados que fazem parte da Convenção assinada em 2016, como o Brasil e a Espanha.

Diploma e histórico escolar devem ser traduzidos

Depois que os documentos estão devidamente apostilados, tanto o diploma quanto o histórico escolar devem ser traduzidos para o espanhol. Esse processo é feito por um tradutor oficial devidamente autorizado ou registrado na Espanha. Nesse link, é possível encontrar a lista de tradutores.

Providencie também uma cópia autenticada do seu passaporte e preencha corretamente o formulário de pedido da homologação do ensino médio, disponível para download no site do Governo Espanhol.

Processo de homologação

Agora chegou a vez de solicitar a homologação do ensino médio na Espanha. Com os documentos acima reunidos, o processo de homologação finalmente poderá ser aberto e o ideal é dar entrada no Registro Geral do Ministério da Educação e Formação Profissional da Espanha, em Madrid.

Mas há outras opções como Áreas Funcionais de Alta Inspeção de Educação das Delegações do Governo nas Comunidades Autônomas e nas províncias do Ministério em Ceuta e Melilla. Confira as oficinas de registro disponíveis.  Com a documentação correta, o prazo para o processo de homologação dura, em média, seis meses.

Vale a pena fazer esse processo?

Já que não é possível usar o ENEM para estudar na Espanha, vale a pena fazer esse processo, afinal cursar uma universidade no exterior é o sonho de muitos jovens brasileiros.

No entanto, é bom saber que nas universidades espanholas o ensino público é pago e as aulas são em castellano (ou até outro idioma, dependendo da região). A Espanha admite anualmente mais de 130 mil estudantes de outras nacionalidades e é o terceiro país da União Europeia com o maior número de estrangeiros.

Intercambista na Espanha

Há muitos motivos para estudar em uma universidade espanhola. Entre eles, prevalecem a oportunidade de obter uma educação de qualidade, dominar outro idioma, aprimorar o currículo, alavancar a carreira profissional e ter uma nova experiência cultural. Em alguns casos, também pode ser uma necessidade da família que se muda com filhos ou parentes em idade escolar. Mas essa empreitada exige vontade, muita pesquisa, facilidade de adaptação e uma boa reserva financeira.

Além disso, a Espanha é um dos países da Europa com maior número de universidades, tanto públicas quanto privadas. Atualmente, o país conta com 84 instituições de ensino superior, 50 públicas e 34 particulares.

Como um estudante brasileiro pode estudar em uma universidade na Espanha sem o ENEM?

Já que não dá para usar o ENEM para estudar na Espanha, é preciso conhecer as etapas do processo de admissão nas universidades públicas e particulares do país. No entanto, há algumas palavras com as quais você deve estar familiarizado desde o início do processo. A mais importante é o nome da prova que dá acesso ao ensino superior. Bem, prepare-se para algumas variações. Ela é mais conhecida como Selectividad, embora tenha deixado de ser chamada assim em 2006, com a Ley Orgánica de Educación (la LOE). Depois foi nominada PAU (Prueba de Acceso a la Universidad) e até hoje também é citada assim.

Em 2010, virou PAEG (Prueba de Acceso a los Estudios de Grado) e em 2017 mudou de novo e ganhou duas denominações: EvAU (Evaluación de Acceso a la Universidad) ou em algumas Comunidades Autônomas EBAU (Evaluación de Bachillerato para el Acceso a la Universidad) que permanecem até hoje.

Independentemente do nome, esse exame nada mais é do que um vestibular aplicado aos estudantes que concluíram o ensino médio e vão continuar os estudos. No entanto, esse pode não ser o único teste que você deverá fazer, dependendo da instituição em que deseja ingressar. As universidades particulares, por exemplo, têm seu próprio mecanismo de admissão, além de exigir essa prova.

Inscrição

Na Espanha, cada Comunidade Autônoma (são dezessete, no total) tem sua própria legislação. Com isso, tanto a inscrição quanto a prova de acesso ao ensino superior devem ser feitas nos Distritos Universitários de cada entidade territorial. Então quem vai morar na Catalunha, por exemplo, deve se candidatar e fazer a prova lá.

As candidaturas para ingressar nas universidades da Espanha têm datas um pouco diferentes em cada Comunidade Autônoma. Por isso, indicamos sempre pesquisar diretamente nos sites oficiais ou até mesmo enviar um e-mail para a coordenação, para obter as informações mais atuais. Em 2020, por exemplo, as datas das candidaturas e dos exames mudaram por causa da pandemia do coronavírus.

Na tabela seguinte encontram-se os distritos e alguns links com as datas para a pré-inscrição. Confira a seguir:

Prova

Como usar a nota do ENEM para estudar na Espanha não é uma opção para os brasileiros, quem quiser ter acesso ao ensino superior no país terá que fazer a Selectividad. A prova é dividida em duas fases: geral e específica. A fase geral, por exemplo, consiste em provas focadas nas áreas de Língua e Literatura Espanhola, Língua Estrangeira (Inglês, Italiano, Alemão, Francês e Português), História da Espanha ou História da Filosofia (a critério do aluno).

Já na fase específica, os alunos podem optar por duas matérias específicas, dependendo da área de atuação do seu curso superior. Para os cursos das Ciências da Saúde, por exemplo, o candidato deve selecionar duas matérias entre Biologia, Física, Química, Matemática e Estatística. Essa fase é a que interessa a maioria dos alunos, já que muitos conseguem subir a média justamente aí.

Documentação exigida

Cada universidade espanhola tem uma lista de documentos. No geral, são os seguintes:

  • Certificado do ensino médio apostilado (Apostila de Haia) e traduzido por tradutor juramentado;
  • Histórico escolar apostilado (Apostila de Haia) e traduzido por tradutor juramentado;
  • Certificação de proficiência de espanhol;
  • Passaporte;
  • Visto de estudante.

Taxa

É importante saber que as universidades públicas no país são pagas e todos os anos é necessário desembolsar um valor referente a taxa anual de matrícula (propina). Para os estrangeiros, essa taxa varia entre 750€ e 2.100€, de acordo com a instituição e o curso escolhido. O pagamento pode ser parcelado e ainda existe a possibilidade do aluno concorrer a uma bolsa de estudos financiada pelo governo.

Já as universidades particulares têm taxas de matrículas mais altas que normalmente não passam de 18.000€ por ano para todos os programas de graduação.

Admissão

Na Espanha, as instituições de ensino superior definem os seus próprios critérios de admissão, com base no número de vagas, cursos oferecidos e notas de corte. Por isso, recomendamos fazer uma boa pesquisa nos sites oficiais de maior interesse, já que não é possível usar o ENEM para estudar na Espanha.

As principais universidades na Espanha

Universidade de Barcelona

Fundada em 1450, a Universidade de Barcelona ocupa o primeiro posto entre as melhores instituições de ensino superior da Espanha no ranking mundial da ARWU, Academic Ranking of World Universities. Ela é reconhecida por sua tradição, prestígio e qualidade.

Universidade de Barcelona

Segundo o ranking, se destaca nos cursos de biologia, biotecnologia, ciências ambientais, ciências da atividade física, economia, educação social, enfermagem, farmácia, física, história da arte, pedagogia (educação infantil e ensino fundamental), matemática, medicina, psicologia, química e trabalho social.

Universidade autônoma de Barcelona

A Universidade Autônoma de Barcelona está em segundo lugar entre as melhores universidades da Espanha no ranking mundial. É uma universidade pública, criada em 1968.

As áreas que mais se sobressaem são: Biologia, Biotecnologia, Ciência e Tecnologia de Alimentos, Ciências Ambientais, Ciências Políticas e Administrativas, Comunicação Audiovisual, Educação Social, Filologia Hispânica, Finanças e Contabilidade, Física, Pedagogia (educação infantil e ensino fundamental), Medicina, Jornalismo, Publicidade e Relações Público, Tradução e Interpretação, Terapia Ocupacional e Veterinária.

Universidade Complutense de Madrid

A Universidade Complutense de Madrid aparece em terceiro lugar entre as melhores universidades espanholas no ranking mundial e, portanto, é considerada a melhor de Madrid. Fundada em 1822, é também a universidade pública mais antiga da cidade. Dos oito vencedores do Prêmio Nobel da Espanha, sete estudaram ou foram professores na Universidade Complutense.

Entre os cursos de maior prestígio estão Belas Artes, Biologia, Ciência e Tecnologia de Alimentos, Ciências Políticas e Administrativas, Estudos de Inglês, Educação Social, Enfermagem, Farmácia, Física, Fisioterapia, História, História da Arte, Engenharia Química, Pedagogia (educação infantil e primário), Matemática, Medicina, Óptica E Optometria, Odontologia, Jornalismo, Psicologia e Medicina Veterinária.

Universidade de Granada

Na quarta posição temos a Universidade de Granada, uma instituição de ensino superior pública com sede em Granada e com campus nas cidades de Granada, Ceuta e Melilla. Com isso, se torna a única universidade europeia com dois campus na África.

Se destaca no ranking mundial pelos cursos de Ciência Ambiental, Ciência da Atividade Física, História, Engenharia da Computação, Matemática, Odontologia, Psicologia e Tradução e Interpretação.

Universidade de Valência

Fundada em 1499, a Universidade de Valência é uma das mais antigas do país e aparece em quinto lugar no ranking. Tem dezoito institutos de pesquisa universitários (três deles centros em conjunto com o Conselho Superior de Investigações Científicas). Os cursos de maior destaque são: Biologia, História, Óptica e Optometria, Psicologia e Química.

Vale a pena enfrentar o processo seletivo espanhol?

Depende dos seus objetivos e do seu orçamento! O Brasil tem excelentes universidades públicas e particulares, então é importante pensar não só na oportunidade de morar fora, mas também avaliar a qualidade do curso superior que você planeja fazer no exterior. Já que é para cruzar o Atlântico, que seja por uma boa causa!

Vale lembrar que não é possível usar a nota do ENEM para estudar na Espanha, portanto será necessário fazer uma boa preparação para ingressar no ensino superior. Pesquise bastante nos sites oficiais das universidades e se planeje financeiramente porque os custos (matrícula, moradia, alimentação, etc.) são elevados, especialmente agora que o euro está lá nas alturas.

Vantagens de estudar na Espanha

Há muitas vantagens. A primeira é, sem dúvida, a experiência de vida. Isso vai durar para sempre. Sem contar que o seu currículo terá um diferencial, você vai conhecer um sistema acadêmico diferente do brasileiro e terá pontos de vista distintos na sua área de formação.

Vai dar ainda para aprimorar o idioma, viajar pela Europa (se o orçamento permitir), aprender sobre a cultura e as tradições espanholas, além de ampliar a rede de contatos com pessoas de outras nacionalidades, seja no âmbito acadêmico ou, quem sabe, profissional.

E não esqueça: se estudar na Espanha está nos seus planos, saiba que o seguro viagem é fundamental para garantir sua segurança durante a estadia. Para fazer a cotação do seu seguro de forma personalizada, recomendamos que você utilize o nosso comparador de seguro viagem. Ele apresenta planos das principais seguradoras do mercado e ainda garantimos os melhores preços aos leitores do Euro Dicas.

Adriana Levis Alambert trabalha como jornalista há mais de 20 anos. Se formou na UniverCidade, no Rio de Janeiro, com pós-graduação em Mídias Digitais e Interativas pelo Senac-Rio e pós graduação em Mídia, Tecnologia da Informação e Novas Práticas Educacionais pela PUC-Rio. Trabalhou como repórter, apresentadora e editora no Canal Futura, Sportv e na Web TV da Petrobras. Atualmente faz um Master em Direção de Cinema Documental, na Escola de Cine de Barcelona, na Espanha. Também trabalha com turismo, adora viajar, conhecer novas culturas e compartilhar suas experiências.

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