Escolas na Espanha: como são, quanto custa e como matricular seu filho

Uma das maiores preocupações dos pais que estão de mudança para o exterior é com a educação dos filhos. São muitas as dúvidas, desde os tipos de colégio que existem, até os custos e como será o ano letivo e a adaptação das crianças. Se o seu destino é o país ibérico, saiba que as escolas na Espanha têm algumas diferenças em relação as do Brasil. Por isso, preparamos um conteúdo especial para esclarecer as principais dúvidas. Confira!

Como são as escolas na Espanha?

Na Espanha, a educação é regulamentada pelo Ministerio de Educación y Formación Profesional. Porém, as comunidades autônomas têm a responsabilidade de administrar os centros educacionais em seus territórios. A educação é obrigatória e gratuita entre os 6 e os 16 anos. Há vários idiomas na Espanha, então as aulas podem ser em espanhol e também em outra língua falada na região.

A educação pública tem mais peso do que a privada, tanto por número de centros quanto por quantidade de alunos. Dos 28.534 centros de regime geral de ensino não universitários, 67,1% são públicos e 32,9% são particulares. E dos 8.127.832 milhões de alunos matriculados na educação pré-universitária, 67,2% estudam em centros públicos. Outro dado importante é que do total de alunos, 863.952 mil são estrangeiros (10,6%).

Todavia, a Espanha está entre os países da União Europeia que menos investem em educação apenas à frente da Grécia, Irlanda, República Tcheca, Luxemburgo e Itália. O gasto, em 2019, representava 4,2% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto em 2009, há pouco mais de uma década, chegava a 5%.

Por outro lado, a inclusão é alta. Afinal, 96,5% das crianças de 3 anos e 95,7% dos adolescentes de 16 anos frequentam as escolas na Espanha. O problema é que a partir desta faixa etária a porcentagem diminui progressivamente.

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O sistema de educação está dividido em alguns níveis de ensino como veremos a seguir.

Educación Infantil

A educação infantil na Espanha é a primeira etapa educacional. Ela está estruturada em dois ciclos e não é obrigatória. O primeiro ciclo, para alunos de até 3 anos, deve ser custeado pelos responsáveis, no entanto, há bolsas do governo para quem não pode arcar com as despesas. Já o segundo ciclo, gratuito por lei e financiado pelo governo, vai de 3 a 6 anos.

Embora essa fase escolar, que abrange a primeira infância, não seja obrigatória, mais de 1,7 milhão de crianças estão matriculadas nos dois ciclos da educação infantil.

Curso 2019/2020 Número de Alunos
Primeiro ciclo 468.898
Segundo ciclo 1.278.189

Nesta fase de descobertas e primeiras experiências fora do ambiente familiar, o objetivo é contribuir para o desenvolvimento físico, emocional, social e intelectual das crianças.

Educação na Espanha

Educación Primaria

A educação primária é obrigatória, gratuita e vai dos 6 aos 12 anos de idade. Mais de 2,9 milhões de alunos estão matriculados nesta fase. O currículo acadêmico é dividido em seis cursos com duração total de seis anos.

Educação Primária 2019-2020 Número de Alunos
Escolas Públicas 1.990.188
Escolas Privadas 948.237

Em termos gerais, a meta é que todas as crianças adquiram elementos culturais básicos e desenvolvam competências relativas à expressão oral, leitura e escrita. Nesta etapa escolar, em que se ampliam as disciplinas cursadas, os alunos aprendem, por exemplo, Matemática, Língua e Literatura Espanhola, Ciências da Natureza, Ciências Sociais e Língua Estrangeira.

Segundo o Ministério da Educação e Formação Profissional, as sete competências que devem ser adquiridas na educação primária são:

  • Comunicação linguística;
  • Competência matemática e competências básicas em ciência e tecnologia;
  • Competência digital;
  • Aprender a aprender;
  • Habilidades sociais e cívicas;
  • Senso de iniciativa e espírito empreendedor;
  • Consciência e expressões culturais.

Educación Secundaria Obligatoria (ESO)

A educação secundária obrigatória, como o próprio nome diz, deve ser concluída por todos os alunos, já que esse é o nível mínimo de estudos exigido na Espanha.

Essa etapa vai dos 12 aos 16 anos de idade e envolve 4 anos de estudos divididos em dois ciclos. No último ciclo, com duração de um ano, o aluno escolhe entre cursar o ensino acadêmico para iniciar o bachillerato (ensino médio) ou a formación profesional de grado medio (formação profissional de grau médio).

Um dos objetivos das escolas na Espanha de educação secundária e obrigatória é garantir que os alunos adquiram elementos básicos da cultura espanhola, especialmente nas suas vertentes humanísticas, artística, científica e tecnológica. O que se espera é que ele desenvolva um pensamento crítico e consolide hábitos de estudo e trabalho.

Bachillerato

O bachillerato é semelhante ao ensino médio brasileiro, ou seja, são os estudos prévios, entre 16 e 18 anos, para ingressar nas universidades da Espanha. Apesar de o curso não ser obrigatório, ele é a opção de quase 65% dos alunos (673.171) que concluem a educação secundária obrigatória.

Nesta fase, o programa de ensino tem algumas matérias comuns a todos e outras específicas da área que o aluno pretende seguir. Há três modalidades diferentes: Artes, Ciências e Humanidades, e Ciências Sociais. Com o diploma em mãos, o estudante pode continuar os estudos em uma faculdade na Espanha ou ainda optar pela formação profissional de grau superior.

Formación Profesional de Grado Medio

Cerca de 35% dos alunos que concluem a educação secundária obrigatória, ou seja, mais de 370 mil estudantes escolhem fazer a formación profesional de grado medio. Essa opção é para quem quer entrar mais rápido no mercado de trabalho, sem ter que cursar uma universidade.

Os estudos são focados em uma profissão e combinam aulas teóricas na escola com um módulo profissional de formação em centro de trabalho. O curso é dividido em dois anos e tem uma duração de 1.200 a 2.000 horas letivas.

Quais são os tipos de escola na Espanha?

Sabemos que não é nada fácil escolher uma instituição de ensino. Ainda mais quando você está de mudança para outro país. E a escola ideal para uma criança pode não ser a mesma para outra. Há muitas variáveis, desde os valores sociais da instituição ao investimento, passando por itens como metodologia de ensino, distância, atividades culturais, etc.

Antes de mais nada, é preciso conhecer os tipos de instituições de ensino que existem no país e decidir o que é prioridade para a família. Pois, saiba que há três tipos de escolas na Espanha: públicas, “concertadas” e particulares.

Colégios públicos

Os colégios públicos são totalmente financiados pelo governo e administrados pelas comunidades autônomas. A educação é gratuita, porém os responsáveis pagam pelo material escolar e refeição, com exceção daqueles que não têm condições financeiras de arcar com essas despesas. Neste caso, há um auxílio que aqui se chama “beca”.

Entretanto, se o aluno mora perto do colégio ou tem alguém que possa buscá-lo no horário do almoço, ele pode comer em casa e voltar para a segunda parte da jornada. Outra opção é a criança levar sua refeição de casa. O uso do uniforme não é obrigatório, a menos que a administração determine.

Normalmente, as aulas começam às 9:00 da manhã e terminam às 4:00 da tarde. Dessas sete horas, cinco são para as classes e duas para o almoço. Embora o horário seja mais curto do que nas outras instituições de ensino, a maioria dos centros públicos têm atividades extracurriculares organizadas por associações de pais para estender o horário das crianças.

Escolas “concertadas”

Esse formato de escolas na Espanha é bem interessante. São instituições construídas e administradas particularmente, mas financiadas uma parte pelo governo e outra parte pelos responsáveis que pagam mensalidades reduzidas.

A maioria das escolas “concertadas” pertence à Igreja Católica e o restante a cooperativas e grupos empresariais. Apesar de possuir mais liberdade na administração, o governo limita o número de alunos por sala de aula e utiliza os mesmos critérios da escola pública para a matrícula das crianças, além disso, o uso do uniforme é obrigatório.

Escolas particulares

Como o nome indica, as escolas particulares são totalmente pagas pelas famílias dos alunos e possuem administração própria. Dentro da lei, têm total liberdade de gestão. Os limites de espaço e acesso, por exemplo, são estabelecidos pela empresa privada que administra a instituição de ensino. Porém, todo colégio privado deve seguir o mesmo currículo geral que os demais centros educativos.

Alguns colégios particulares são religiosos e outros não. A mensalidade costuma ser mais cara do que nas escolas “concertadas” e, na maioria dos casos, o uso do uniforme também é obrigatório.

Agora que você já sabe quais são os tipos de escolas na Espanha, vale a pena consultar a lista com os 100 melhores colégios do país. O ranking, elaborado pelo jornal El País, é um guia para famílias com crianças em idade escolar.

Como funciona o ano letivo na Europa?

Se você está pensando em matricular o seu filho em alguma das escolas na Espanha, uma informação importante para ter em mente é que o ano letivo espanhol – e na maioria dos países europeus – tem um calendário diferente do brasileiro. Ele começa em um ano e termina em outro!

As aulas começam em setembro e vão até meados de junho, dependendo do calendário da comunidade autônoma. Há uma parada, tipo férias de inverno, entre Natal e Ano Novo e, logo depois, mais uns dias de férias na Páscoa, porque os espanhóis levam muito a sério a Semana Santa.

Confira alguns exemplos de datas que marcam o início e o fim do ano letivo 2020-2021 em comunidades autônomas do território espanhol:

  • Andaluzia: de 10 de setembro de 2020 a 22 de junho de 2021;
  • Catalunha: de 14 de setembro de 2020 a 22 de junho de 2021;
  • Comunidade Valenciana: de 7 de setembro de 2020 a 23 de junho de 2021;
  • Madrid: de 8 de setembro de 2020 a 23 de junho de 2021;
  • País Basco: de 7 de setembro de 2020 a 18 de junho de 2021.

Sala de aula nas escolas na Espanha

Férias escolares e feriados na Espanha

Agora que você já sabe como funciona o ano letivo espanhol, vamos falar sobre as férias escolares e os feriados na Espanha.

O período de férias é longo e cai bem no verão europeu. Normalmente começa a partir da última semana de junho e termina na segunda semana de setembro. Ou seja, durante quase 3 meses os estudantes estão de “vacaciones”. Aliás, esse é um período não só as escolas na Espanha saem de férias, mas sim, quase todo país!

Existem também muitos feriados na Espanha e os que fazem parte do calendário escolar são:

  • 12 de outubro – Festa Nacional da Espanha;
  • 2 de novembro – Dia de Todos os Santos;
  • 6 de dezembro – Dia da Constituição Espanhola;
  • 8 de dezembro – Dia da Imaculada Conceição;
  • 6 de Janeiro – Dia dos Reis Magos;
  • 1 de Maio – Dia do Trabalho;
  • 15 de Agosto – Feriado de Assunção da Virgem Maria.

Além desses feriados, como já mencionamos anteriormente, há uma pausa nas aulas entre o Natal e o Ano Novo. E, durante a semana santa, as aulas também são interrompidas por uma semana. E dependendo da cidade, pode haver uma pausa durante as festas tradicionais da Espanha.

Custos das escolas na Espanha

O gasto escolar médio anual na Espanha é de 1.937€ por criança, embora nos centros privados esse valor possa triplicar. Os dados são da Organização de Consumidores e Usuários, OCU:

• Colégio público – 1.071€/ano
• Escola “concertada” – 2.622€/ano
• Centro privado – 6.123€/ano

Vejamos a seguir alguns exemplos de despesas anuais fixas nas escolas na Espanha:

Despesas anuais fixas Valor
Uniforme escolar 169€
Livros de texto 185€
Material escolar e outros livros 86€
Excursões, viagens, atividades organizadas pelo centro durante o horário escolar 98€
Taxas de matrícula / seguro escolar 66€
Taxa anual Associações de pais / clubes 24€

Vale lembrar que esses são valores médios das despesas e que existem muitas diferenças, tanto entre os tipos de escolas, quanto entre os níveis de educação. Por isso, se está pensando em mudar para o país ibérico com a família, deve fazer um planejamento detalhado do seu custo de vida na Espanha.

Como matricular meus filhos nas escolas na Espanha?

Lembramos que na Espanha, a educação é obrigatória e gratuita dos 6 aos 16 anos, em outras palavras, ninguém fica sem estudar por falta de vagas. Porém, a vaga tanto em colégio público, quanto em “escola concertada”, é determinada por meio de pontos. Nesse sentido, alguns critérios são considerados, entre eles, o bairro de moradia, o endereço do trabalho dos responsáveis e o número de irmãos na escola.

Portanto, o primeiro passo é selecionar as escolas mais próximas da sua casa ou do seu trabalho. No site da Generalitat da Catalunha, por exemplo, você vai encontrar todas as informações sobre os centros educativos, os formulários de candidatura, o pré-registo e o calendário de registo, assim como tudo relacionado com a documentação a apresentar.

Normalmente, para matricular uma criança em escolas na Espanha, você deve apresentar os seguintes documentos:

  • Certidão de nascimento da criança;
  • Carteira de vacinação;
  • Boletins e históricos de formação anterior da criança (dependendo da escola);
  • Comprovante de residência na Espanha;
  • DNI ou NIE dos pais;
  • Passaporte dos pais (no caso de estrangeiros).

Dito isso, fique atento aos prazos. Como o ano letivo começa em setembro, as matrículas podem ser realizadas entre fevereiro e maio, isso vai depender do calendário de cada comunidade autônoma.

Quem tem direito a matrícula em escolas da rede pública na Espanha?

Tem direito a matrícula em escolas da rede pública crianças cujos pais tenham visto de trabalho na Espanha, visto de estudante ou que sejam residentes com domicílio legal no país.

Principais diferenças entre as escolas na Espanha e no Brasil

Educação pública de qualidade

A qualidade da educação pública no ensino básico é a diferença mais significativa que podemos notar entre os dois países. Na Espanha, os colégios públicos são obrigatórios (dos 6 aos 16 anos) e totalmente gratuitos, assim como no Brasil (dos 4 aos 17 anos). A diferença é que a educação pública espanhola é inclusiva e de qualidade, portanto, alfabetiza, tem baixa evasão escolar e significa mais economia para os responsáveis. Infelizmente, não podemos afirmar o mesmo sobre a educação pública brasileira.

Para ilustrar, pegamos como exemplo o PISA, uma metodologia internacional que avalia os sistemas de ensino em todo o mundo, medindo o nível educacional de jovens de 15 anos por provas de leitura, matemática e ciências. Apesar do baixo investimento em educação, comparado com outros países da Europa, o sistema de ensino espanhol faz com que o país, em termos de desempenho no PISA, esteja muito à frente do Brasil. Na edição de 2018, enquanto a Espanha obteve a 35a posição no ranking de matemática, o Brasil ficou na 70a posição entre os 79 países avaliados.

Horário integral

No Brasil, ainda se discute a questão da verba para a escola em tempo integral. Já na Espanha, a conclusão é de que o colégio em horário integral é muito mais “barato” se comparado com os gastos que seriam feitos para resolver problemas sociais causados pela “ausência” do aluno neste período.

Sendo assim, mesmo nos centros públicos com horários reduzidos, são realizadas atividades extracurriculares e as crianças podem permanecer além do horário. No Brasil, geralmente o aluno estuda no período da manhã ou da tarde.

Ano Letivo e férias

Outra diferença entre os dois países é o calendário do ano letivo. Enquanto no Brasil as aulas começam em fevereiro e terminam em dezembro, nas escolas na Espanha os alunos estudam de setembro a junho. As férias escolares também são distintas. Elas ocorrem entre os meses de junho e setembro, já no Brasil são entre dezembro e fevereiro.

Alimentação

Nesse ponto, o Brasil leva vantagem. A alimentação oferecida pela escola pública na Espanha é custeada pela família do aluno, mas, dependendo da situação financeira, o governo pode conceder uma ajuda. Já no Brasil, os pais que colocam seus filhos para estudar em escola pública não pagam pelas refeições.

Adaptação de crianças estrangeiras nas escolas na Espanha

A adaptação escolar não acontece apenas quando uma criança vai à creche ou à pré-escola pela primeira vez, mas também quando se depara com um novo ambiente de ensino, principalmente em outro país. Em função disso, ouvimos a opinião de duas mães brasileiras que passaram por essa experiência com seus filhos em escolas na Espanha.

A decisão de morar na Espanha

Marcello Requena e Fernanda Prado tinham uma vida bastante estruturada e confortável em São Paulo. O chef de cozinha e a executiva moravam em um condomínio de luxo, no Morumbi, zona sul da cidade. Mas o medo fazia parte da rotina do casal. A escola dos filhos ficava há menos de 1 quilômetro de casa, no entanto, as crianças iam estudar de carro. “A violência vinha aumentando muito e nós não podíamos caminhar com as crianças até a escola porque havia o risco de sequestro relâmpago. Percebemos que a nossa vida era uma ilusão e não queríamos isso para os nossos filhos”, desabafa Fernanda.

Foto família Fernanda

O processo de transição

Em Fevereiro de 2020, Fernanda passou 20 dias entre Lisboa, Madrid e Barcelona. Conheceu as cidades, mas não as escolas. Com o avanço do coronavírus na Europa, fez

tour virtual pelas instituições de ensino e obteve referências de amigos locais. O idioma foi fator decisivo. A Espanha foi escolhida para as crianças aprenderem uma nova língua. Em Julho, o casal se mudou com Luis, de 4 anos e Alice, de 9 anos, para Tarragona, perto da capital da Catalunha. “Meses antes eu fui preparando os meus filhos para a mudança”. Fernanda lembra da filha com os olhos cheios de lágrimas. “Ela falou: mas eu vou ter que deixar os meus amigos e a vovó? Eu respondi: as pessoas que a gente ama vivem dentro do nosso coração. E ela então disse: vamos fazer uma super festa de despedida, né?”.

Matrícula e adaptação

Marcello tem cidadania italiana, com isso, o casal não demorou muito para fazer o empadronamiento na Espanha. Com o comprovante de residência fixa, eles conseguiram vaga para os filhos na escola pública Torroja & Miret, bem perto de casa. Mas o país enfrentava a segunda onda de coronavírus, sendo assim, para acompanhar a adaptação das crianças no colégio, Fernanda trocava mensagens diárias com os professores por meio de um aplicativo instalado no celular.

Alice, a filha mais velha, não teve vergonha de se arriscar na nova língua. “Ela teve que fazer uma apresentação contando de onde veio, o que fazia no Brasil e como era o país. Acabou se virando no “portunhol”. As crianças do colégio foram bastante receptivas, mas a minha filha também é muito extrovertida e isso ajudou muito. As professoras falam que ela já está bem integrada”. Para ajudar no processo, ela teve aulas de reforço de catalão na escola, sem custo adicional.

Já o filho menor e mais tímido não se sentia confiante para se comunicar, por isso, o jeito foi improvisar. “O Luis é mais tímido e acabou fazendo mimica para conseguir interagir com as outras crianças. Com o passar do tempo, e as brincadeiras com os amigos, ele foi aprendendo a falar e hoje, até com a gente, só quer conversar em espanhol ou catalão. Quando os pais estão convencidos de que a mudança é positiva, as crianças se adaptam mais facilmente.”

Escola pública: vale a pena?

Para Fernanda, a resposta é sim! E ela enumera os pontos positivos. “Primeiro, pela diversidade social. O filho do médico e do funcionário da padaria estudam juntos, vão ter o mesmo nível de educação e,  consequentemente, isso diminui a desigualdade social.

Segundo, porque o nível dos professores é bom e eles são muito organizados. Terceiro, porque estamos felizes com o currículo escolar e a proposta educacional. Hoje, por exemplo, visitamos lugares históricos citados na aula de geografia da Alice. E, por último, pelo fator financeiro, que pesa bastante. Nós pagávamos quase R$ 5 mil de mensalidade escolar no Brasil. Aqui, gastamos apenas 70€ com o material da nossa filha e 240€ por mês com a alimentação dos dois. Enfim, não foi uma decisão fácil, mas agora temos certeza de que foi acertada para o futuro deles.”

Foto família Claudia

O retorno à Barcelona

Claudia Graner, também paulista, morou em Barcelona entre 2006 e 2012. Especialista em marketing esportivo, ela voltou para o Brasil no ano da Copa do Mundo e permaneceu até as Olimpíadas, em 2016. De volta à Barcelona, matriculou o filho Luca, na época com 4 anos, em uma escola “concertada”, laica e bem tradicional: o Instituto Pedagógico Sant Isidor. A decisão foi tomada por um único motivo. “Nas escolas públicas você encontra muitos estrangeiros e eu queria que o meu filho, que nasceu aqui, tivesse mais vínculo com a cultura local. E a escola “concertada” proporciona isso porque a maioria dos alunos é da Catalunha”.

Adaptação

Nas primeiras semanas, Luca teve um pouco de dificuldade para se adaptar à nova escola. “Ele sempre gostou de organizar as brincadeiras, mas as crianças não entendiam o que ele falava, então o Luca ficava triste e chorava. Mas, para mim, o lado positivo é que ele aprendeu que também é importante participar das atividades, sem necessariamente fazer parte da organização delas”.

Inclusão

Claudia afirma que o filho nunca sofreu discriminação por ser brasileiro. Seus melhores amigos, Aleu e Bruno, são catalães e a escola incentiva a igualdade de gênero. “Tem uma menina que joga futebol com o Luca e ele nunca se refere a ela por gênero, mas como atleta ou jogadora. Desde que o meu filho entrou na escola, nunca senti preconceito algum por parte de colegas de sala de aula ou de professores. Muito pelo contrário: eles ficam até interessados em saber mais sobre o Brasil”.

Escola “concertada”: vale a pena?

Claudia gasta 450€ por mês com a mensalidade da escola e acredita que o investimento vale a pena. Entre os vários motivos, ela aponta a linha pedagógica. “Ela é baseada no estudo da música que auxilia no pensamento lógico e desenvolvimento do aprendizado. Eu percebi que as crianças têm mais inteligência emocional na hora de se relacionar com as outras”.

Além de ter uma noção de todos os instrumentos musicais, Luca fala catalão, espanhol, inglês e português. E no secundário, ainda poderá escolher mais um idioma, entre alemão e francês. “Decidi sair do Brasil buscando uma melhor qualidade de vida, segurança e educação para o meu filho. E é muito enriquecedor ver que ele já domina tantos idiomas e só tem a ganhar no futuro por ser fluente em tantas línguas”.

Vale a pena estudar em escola pública ou particular na Espanha?

Como vimos ao longo do artigo, as escolas na Espanha são divididas em públicas, “concertadas” e particulares. Vale avaliar o que cada uma delas oferece e qual está dentro do seu orçamento. Como vimos, todas elas são de excelente qualidade e vão proporcionar uma ótima educação para as crianças e adolescentes.

Atenção: é importante conhecer a LOMCE

É importante saber que a educação espanhola é regida pela LOMCE (Ley Orgánica para Mejora de la Calidad Educativa – Ley Orgánica 8/2013, de 9 de dezembro de 2013). Ela é popularmente conhecida como Ley Wert, já que foi proposta pelo ex-ministro da Educação, Cultura e Esporte, José Ignacio Wert. Essa lei modifica a Ley Orgánica de Educación nº 2 de 3 de maio de 2006 (LOE). Podemos dizer que a LOMCE é equivalente à LDB brasileira, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Se vai matricular seus filhos em escolas na Espanha, sugiro conhecer a lei.

Por fim, lembramos que é obrigatório fazer um seguro viagem para Espanha. O país faz parte do Tratado de Schengen, que exige um seguro com cobertura mínima de 30 mil euros. Confira os valores no nosso comparador de seguro viagem e escolha a melhor opção para você.

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Adriana Levis Alambert trabalha como jornalista há mais de 20 anos. Se formou na UniverCidade, no Rio de Janeiro, com pós-graduação em Mídias Digitais e Interativas pelo Senac-Rio e pós graduação em Mídia, Tecnologia da Informação e Novas Práticas Educacionais pela PUC-Rio. Trabalhou como repórter, apresentadora e editora no Canal Futura, Sportv e na Web TV da Petrobras. Atualmente faz um Master em Direção de Cinema Documental, na Escola de Cine de Barcelona, na Espanha. Também trabalha com turismo, adora viajar, conhecer novas culturas e compartilhar suas experiências.

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