Para muitos brasileiros no exterior, os altos juros no Brasil chamam a atenção. Com a taxa básica (Selic) em torno de 15% ao ano, contra cerca de 4,5% ao ano nos Estados Unidos, a renda fixa se destaca pelos retornos elevados. Nesse cenário, surge a dúvida: vale a pena fazer investimentos em renda fixa no Brasil para expatriados?

Mulher expatriada realiza investimento em renda fixa no Brasil
Índice O que é renda fixa e principais investimentos no Brasil Vantagens de investir em renda fixa no Brasil como expatriado Desvantagens e riscos a considerar Como investir do exterior: a Conta de Não Residente (CNR) Brasil vs. exterior: comparação e diversificação internacional Renda fixa no Brasil para quem mora fora: cenários e decisões Perfil 2 – Sem planos de voltar, foco em moeda forte Vale a pena investir em renda fixa no Brasil sendo expatriado? Vale a pena contar com uma consultoria de investimentos?

Para responder se vale a pena enviar recursos do exterior para aproveitar essa oportunidade, nesta coluna falamos sobre renda fixa e os principais produtos disponíveis, suas vantagens e desvantagens para expatriados e como investir via Conta de Não Residente (CNR).

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Também vamos comparar com alternativas no exterior, tudo para ajudar você a avaliar se essa estratégia é adequada ao seu caso e aos seus objetivos.

O que é renda fixa e principais investimentos no Brasil

Renda fixa é uma classe de investimentos em que o investidor sabe, no momento da aplicação, as regras de remuneração do seu dinheiro – seja uma taxa predefinida ou um índice usado como referência (como CDI, Selic ou inflação).

Na prática, investir em renda fixa significa emprestar dinheiro para bancos, empresas ou governo, recebendo juros em troca. No Brasil, os principais produtos de renda fixa incluem:

CDB (Certificado de Depósito Bancário)

É um título emitido por bancos. O investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros, geralmente atrelados ao CDI (taxa referencial próxima à Selic).

Muitos CDBs de grandes bancos pagam perto de 100% do CDI, enquanto instituições menores podem oferecer porcentagens até acima disso (por exemplo, 110% do CDI), em troca de prazos maiores.

Os CDBs contam com garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até R$ 250 mil por CPF e por instituição, oferecendo segurança em caso de quebra do banco.

LCI/LCA (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio)

São os títulos lastreados em crédito imobiliário (LCI) ou agronegócio (LCA), também emitidos por bancos. Assim como os CDBs, costumam pagar uma taxa ligada ao CDI.

O grande atrativo é que os rendimentos de LCI/LCA são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas no Brasil, aumentando o retorno líquido. Essas letras também são cobertas pelo FGC até o limite de R$ 250 mil. Em contrapartida, costumam exigir prazos mínimos (geralmente alguns meses) sem liquidez diária.

Tesouro Direto (títulos públicos)

É uma plataforma do governo brasileiro que permite investir em títulos do Tesouro Nacional. É possível escolher entre as opções:

  • Títulos pós-fixados (atrelados à Selic);
  • Prefixados (taxa fixa definida no momento da compra); ou
  • Indexados à inflação (pagam IPCA + uma taxa fixa).

Os títulos públicos são considerados os investimentos mais seguros em reais, pois o risco de crédito é do próprio governo. A aplicação e resgate podem ser feitos online via corretoras habilitadas, e os títulos podem ter prazos de 1 ano até mais de 30 anos, dependendo do tipo.

Outras opções

Outros instrumentos de investimento em renda fixa no Brasil incluem CRIs (Certificado de Recebíveis Imobiliários), CRAs (Certificado de Recebimento do Agronegócio), debêntures e fundos de renda fixa.

Mas, nesta coluna focamos nos produtos mais acessíveis e conhecidos entre as pessoas físicas.

Vantagens de investir em renda fixa no Brasil como expatriado

Investir em renda fixa no Brasil pode trazer diversos benefícios para o expatriado, especialmente nos cenários atuais de juros altos. As principais vantagens incluem:

Rentabilidade elevada

As taxas de juros brasileiras estão entre as maiores do mundo. Isso se traduz em investimentos de renda fixa rendendo muito acima do que equivalentes no exterior.

Por exemplo, há aplicações atreladas ao CDI que entregam mais do que 100% do CDI. Para o investidor, isso significa potencial de ganhos maiores em reais, comparativamente a investir em títulos em euros ou dólares de países desenvolvidos (onde os juros estão mais baixos).

Familiaridade com o mercado

Brasileiros tendem a conhecer melhor as instituições financeiras e regras do Brasil do que as do exterior. Essa familiaridade pode trazer conforto e confiança na hora do expatriado investir no Brasil em renda fixa.

Você já entende como funcionam os bancos brasileiros, conhece nomes de corretoras, e possivelmente já investiu em CDB, Tesouro Direto ou outros produtos antes de sair do país.

Essa experiência prévia reduz a curva de aprendizado e facilita o acompanhamento dos investimentos.

Proteção cambial para objetivos em reais

Investir parte do patrimônio em reais vai depender muito do objetivo de cada investidor.

Para quem pretende retornar ao Brasil futuramente ou tem planos de gastar em reais (como comprar um imóvel no país ou complementar aposentadoria no Brasil), aplicar em renda fixa brasileira ajuda a alinhar seus investimentos ao futuro consumo.

Evidentemente , sempre é necessário considerar o risco de variação cambial entre a moeda do local onde se mora hoje e o real brasileiro.

Planejamento para retorno ao Brasil

Se o expatriado tem intenção de voltar a morar no Brasil, é estratégico já ir formando patrimônio em reais ao investir em renda fixa. Os juros altos ajudam a acelerar a formação desse capital.

Por exemplo, com os rendimentos da renda fixa, é possível aproveitar os juros compostos para “engordar” uma reserva para a volta.

Além disso, manter investimentos no Brasil pode facilitar a transição no retorno – você já terá conta em instituição brasileira, histórico de investimentos e recursos disponíveis em moeda local para usar imediatamente, sem depender da cotação do câmbio no momento da mudança.

Desvantagens e riscos a considerar

Por outro lado, é fundamental avaliar os riscos e dificuldades de investir no Brasil morando fora. Algumas desvantagens e pontos de atenção incluem:

Burocracia e acesso limitado

Investir no Brasil como não residente exige seguir procedimentos específicos. Para isto, é preciso abrir uma Conta de Não Residente (CNR) em um banco ou corretora brasileiros, passando por etapas burocráticas de envio de documentos, comprovação de residência no exterior, declaração de não residência fiscal, entre outros.

Nem todas as corretoras oferecem esse serviço, e algumas cobram tarifas elevadas ou impõem investimentos mínimos. Esse processo pode ser demorado e trabalhoso, desestimulando quem busca praticidade. 

Uma alternativa é contar com o apoio da Care Multi-Family Office, que auxilia na abertura da conta CNR no BTG Pactual e simplifica grande parte desse trâmite, tornando o acesso aos investimentos mais ágil.

Custos de câmbio e volatilidade cambial

Para aplicar em reais, o expatriado precisará converter moeda estrangeira (euro, dólar, franco, etc.) para a moeda brasileira. Essa conversão envolve custos como spread cambial e taxas de IOF, que reduzem o rendimento líquido.

Além disso, existe o risco cambial: se durante o período de investimento o real desvalorizar significativamente frente à moeda do país onde você vive, a vantagem dos juros altos pode ser anulada. Por exemplo, ganhos de 15% em reais podem se perder se a moeda cair 15% ou mais frente ao dólar/euro no mesmo período.

A taxa de câmbio é volátil e imprevisível, portanto quem investe no Brasil estando fora se expõe a oscilações que fogem do seu controle.

Risco país e concentração de mercado

Os juros altos no Brasil caminham lado a lado com um cenário de maior risco econômico. O Brasil é mais vulnerável a choques econômicos, instabilidade política e crises fiscais, o que pode impactar negativamente os ativos financeiros locais.

Além disso, o mercado de capitais brasileiro representa apenas 1% a 2% do volume global e é fortemente concentrado em poucos setores (principalmente bancos e commodities).

Ou seja, ao deixar todo o dinheiro no Brasil, o investidor fica de fora de setores de alto crescimento globais (tecnologia, saúde, etc.) e assume riscos elevados por estar dependente da saúde econômica de um único país.

É a lógica de “não colocar todos os ovos na mesma cesta”: concentrar investimentos somente no Brasil pode limitar ganhos e aumentar a exposição a riscos locais.

Para quem busca diversificação, pode ser interessante contratar uma consultoria que conecta investimentos no Brasil e no exterior.

A Care MFO oferece acesso a mais de 60 bolsas globais, além de suporte especializado em hubs financeiros como Suíça e Itália, com portfólios de alta liquidez adaptados ao perfil do investidor.

Tributação e bitributação

A questão tributária merece atenção especial. Investidores não residentes no Brasil são tributados na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras, em geral nas mesmas alíquotas de residentes (15% a 22,5% de IR dependendo do prazo da aplicação, exceto isenções específicas como LCI/LCA).

Além disso, no país de residência do expatriado, esses rendimentos podem precisar ser declarados e tributados novamente. Para evitar a dupla tributação, o ideal é verificar se há um acordo internacional entre o Brasil e o país onde você mora.

O Brasil mantém diversos tratados para impedir bitributação, permitindo que o imposto pago no Brasil seja compensado no exterior e vice-versa.

Caso não haja acordo, é possível que os rendimentos sofram tributação nos dois países (a brasileira via retenção na fonte e a do país de residência na declaração anual), o que reduz bastante a atratividade líquida do investimento.

Portanto, planejamento fiscal é essencial: informe-se sobre as regras locais e considere consultar um especialista tributário.

Liquidez e acesso aos recursos

Por estar fora, converter novamente os investimentos brasileiros em dinheiro utilizável no exterior pode levar tempo e custos.

Resgates de CDBs ou venda de títulos públicos, por exemplo, precisam passar pelo câmbio para transformar Reais em moeda estrangeira. Isso pode demorar alguns dias. Portanto, é importante alinhar os prazos dos investimentos com suas necessidades, pois a logística de trazer o dinheiro de volta pode não ser imediata.

Nesse aspecto, o trabalho da Care MFO é justamente atuar para construir um portfólio de investimentos aderente aos objetivos de cada investidor e uma das premissas é sempre focar em altíssima liquidez, tanto no Brasil quanto no exterior. Isto permite um portfólio resiliente, ajustando a rota em qualquer tipo de cenário sem penalidades.

Como investir do exterior: a Conta de Não Residente (CNR)

Para investir em produtos financeiros no Brasil morando fora, o caminho formal é se tornar um investidor não residente, abrindo uma Conta de Não Residente (CNR) em uma instituição brasileira.

A CNR é um tipo de conta corrente de uso exclusivo para quem não tem residência fiscal no Brasil, mas deseja movimentar recursos e investir no país.

Mulher em casa verificando o saldo no aplicativo do banco
A Conta de Não Residente permite que brasileiros no exterior invistam no Brasil com praticidade e controle direto.

Atualmente, há três modalidades principais de CNR oferecidas (por exemplo, via bancos de investimento como BTG Pactual, em parceria com a Care). Cada modalidade atende a perfis diferentes de investidores expatriados.

1. CNR Light (Restrita)

É a versão mais simples. Equivale à antiga “Conta CDE” de domiciliado no exterior, com acesso restrito a investimentos de renda fixa tradicional.

Não permite investir em renda variável (ações, FIIs) nem em fundos de investimento. Basicamente, o não residente pode aplicar em CDB, LCI/LCA, Tesouro Direto e fazer operações de câmbio através dessa conta.

A tributação segue as regras de um residente fiscal no Brasil, ou seja, cobrança normal de IR sobre rendimentos (com retenção na fonte) e sem isenções fiscais especiais (diferente do antigo regime 4373).

Nesta conta, não há custo de abertura ou manutenção, o que a torna atrativa para quem quer investir valores menores. É indicada para quem busca produtos simples, de baixo risco e gestão conservadora de caixa, aproveitando a renda fixa brasileira sem complicações.

2. CNR Full – Tributada

Modalidade que dá acesso total a praticamente todos os ativos do mercado brasileiro, incluindo ações, fundos de investimento, fundos imobiliários e renda fixa privada e pública.

Ou seja, o investidor não residente pode montar uma carteira tão diversificada quanto a de um residente comum. A tributação segue as mesmas regras, com Imposto de Renda para brasileiros no exterior aplicado conforme a tabela normal sobre ganhos e rendimentos.

A diferença é que, ao migrar sua carteira para essa conta, não é preciso pagar IR imediatamente sobre eventuais ganhos acumulados anteriormente – a tributação acontece apenas quando cada investimento for liquidado no seu tempo.

Em contrapartida, essa conta possui um custo operacional: geralmente é cobrada uma taxa fixa anual (por exemplo, R$ 24 mil por ano para carteiras até R$ 20 milhões) pela instituição que administra a conta.

Por isso, a CNR Full Tributada costuma ser viável para quem dispõe de patrimônio mais elevado. É indicada para investidores que desejam total liberdade de alocação no Brasil e estratégia ativa, mas sem abrir mão da liquidez (pois não se antecipa imposto imediatamente).

3.CNR Full – Regime Especial

Essa modalidade também oferece acesso completo a todos os tipos de ativos (ações, fundos, FIIs, renda fixa, câmbio), porém traz um benefício fiscal diferenciado.

No Regime Especial, o investidor não residente obtém isenção de Imposto de Renda sobre os ganhos em diversas aplicações, incluindo lucros com ações, rendimentos de fundos, juros de títulos públicos, proventos de FIIs e operações de câmbio. Em outras palavras, enquanto se mantiver a conta nesse regime, os rendimentos desses investimentos não pagam IR no Brasil.

Entretanto, para aderir a esse regime é exigido um acerto fiscal: caso o investidor já tenha uma carteira no Brasil com lucros acumulados (unrealized gains), ele deve pagar o IR sobre esses ganhos no momento da migração para a nova conta.

Isso impede que alguém transfira ativos muito valorizados e “escape” do imposto passado – você começa no regime especial quitando o que ficou para trás.

Os custos anuais são equivalentes aos da conta Full Tributada (na ordem de R$ 24 mil/ano para até R$ 20 mi). Esse regime é indicado a perfis mais avançados e arrojados, que já possuem patrimônio elevado e foco em maximizar o retorno líquido no longo prazo, aproveitando as isenções após a migração.

Resumindo: a CNR Light atende quem quer investir apenas em renda fixa, sem custo extra. Já as Full (Tributada ou Especial) possibilitam investir em tudo; a escolha entre elas envolve avaliar o peso dos custos fixos e benefício fiscal no longo prazo.

Ou seja, para muitos pequenos investidores expatriados interessados somente em renda fixa, a CNR Light tende a ser a porta de entrada mais simples.

Brasil vs. exterior: comparação e diversificação internacional

Mesmo com a atratividade dos juros brasileiros, especialistas ressaltam a importância de diversificar internacionalmente e não concentrar 100% dos investimentos no Brasil.

Jovem analisando gráficos de investimentos simultaneamente em programa no celular, tablet e notebook
Analisar Brasil e exterior é essencial para diversificar e equilibrar riscos nos investimentos.

Há alguns pontos a ponderar na comparação entre investir no Brasil, nos EUA ou na Europa, por exemplo:

Taxa de juros X moeda

De um lado, o Brasil hoje oferece 15% a.a. na renda fixa básica (Selic), enquanto os EUA, por exemplo, estão em torno de 4,5% a.a. na taxa Fed Funds.

Porém, a moeda faz diferença: a valorização histórica média do dólar frente ao real é de cerca de 8,5% (nominal) ao ano. Isso significa que um investimento em dólares rendendo cerca 4% a.a. “pode”, em Reais, equivaler a perto de 12% a 13% ao ano.

Ou seja, a vantagem nominal do juro brasileiro pode ser parcialmente compensada pela desvalorização cambial. É arriscado olhar apenas o número do juro e ignorar a moeda: um investidor com despesas em moeda forte (euro, dólar) deve lembrar que ganhar 15% em reais não adianta se a moeda cair 15% – no final ele “empata” em termos de poder de compra externo.

Oportunidades de investimento lá fora

Mantendo recursos só no Brasil, o investidor pode estar perdendo oportunidades em mercados muito maiores. O mercado brasileiro representa apenas de 1 a 2% do mercado mundial e é dominado por poucos setores.

investir no exterior permite acessar empresas de tecnologia globais, setores inovadores como inteligência artificial ou mesmo ativos de renda fixa de diferentes países. Além disso, é possível diversificar ainda mais com estratégias amplas por meio de ETFs e Ucits.

Por exemplo, títulos públicos dos EUA, os Treasuries, pagam cerca de 4,3% a.a. (ao ano) em dólar atualmente – patamar alto historicamente – com risco baixo por serem do governo americano. Existem também títulos de outros governos e empresas em euros, libras, etc., além de fundos internacionais.

Diversificar parte do patrimônio fora do Brasil traz proteção cambial (moedas fortes tendem a preservar valor em crises) e acesso a economias mais estáveis.

Recomendação de alocação global

Justamente para equilibrar essas questões, estudos sugerem destinar uma parcela da carteira para investimentos no exterior. Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou que investir entre 16% e 18% do patrimônio fora do país seria necessário para neutralizar o impacto do câmbio no padrão de consumo de um brasileiro médio.

Ou seja, mesmo quem mora no Brasil se beneficiaria em ter cerca de 1/6 de seus recursos em dólar/euro. Para quem já mora fora, faz ainda mais sentido ter parte dos investimentos na moeda do país de residência ou franco suíço, até porque seus gastos presentes e futuros provavelmente são nessa outra moeda.

Riscos no exterior

Vale lembrar que investir fora também tem riscos, apenas de natureza diferente.

risco de crédito (por exemplo, um título corporativo internacional pode dar calote), risco de mercado/volatilidade (ações estrangeiras oscilam), e risco de juros. Este último tem estado em foco: com o aumento do endividamento de países desenvolvidos, os juros de longo prazo (yields dos títulos) subiram e os preços dos títulos antigos caíram.

Por isso, é necessário cautela com títulos de longa duração no exterior – preferindo prazos mais curtos, de cerca de 3 a 4 anos, em vez de papéis de 10 anos ou mais. Assim, o investidor evita ficar exposto por muito tempo às oscilações de juros globais.

Também é importante verificar a liquidez dos ativos no exterior (facilidade de vender quando quiser) e as taxas cobradas por corretoras internacionais.

Em resumo, apesar dos juros “bombando” no Brasil, diversificar uma parte dos investimentos no exterior é visto como uma estratégia saudável para reduzir riscos e buscar oportunidades complementares. Não é à toa que mesmo investidores conservadores brasileiros vêm sendo aconselhados a montar um portfólio global aos poucos, combinando renda fixa e variável fora.

Renda fixa no Brasil para quem mora fora: cenários e decisões

Depois de avaliar tudo, como decidir sobre investir em renda fixa no Brasil sendo expatriado? A resposta depende do perfil e dos objetivos de cada pessoa. Podemos imaginar dois cenários extremos para ilustrar:

Perfil 1 – Planeja retorno e objetivos em reais

Suponha um expatriado que pretende voltar ao Brasil em alguns anos e sabe que precisará de dinheiro em reais (para comprar um imóvel, montar um negócio ou se aposentar). Nesse caso, faz sentido aproveitar os juros altos brasileiros.

Por exemplo, investir regularmente em um portfólio pode ajudar a alcançar o montante necessário, com rendimento real acima da inflação, sem se preocupar com a cotação do dólar ou euro nesse período.

Aqui, investir no Brasil funciona como proteção: mesmo que sua moeda atual se desvalorize, o poder de compra em reais para aquele objetivo estará garantido.

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Investimentos em renda fixa no Brasil podem ajudar expatriados a planejar objetivos em reais, como a compra de uma casa.

Além disso, a pessoa já inicia a reconexão financeira com o Brasil, tornando a transição mais tranquila. Os benefícios superam os contras, desde que haja cuidado com a papelada necessária (Conta de Não Residente, entrega da Declaração de saída fiscal) e planejamento tributário.

Se precisa decidir se vale a pena investir em imóveis para aluguel no Brasil ou em renda fixa, leia minha coluna sobre o assunto.

Perfil 2 – Sem planos de voltar, foco em moeda forte

Agora imagine um brasileiro que se estabeleceu de vez na Europa ou nos EUA, sem previsão de retornar, e cujos gastos futuros serão na moeda local. Mesmo que os 15% ao ano no Brasil chamem atenção, concentrar investimentos apenas no país natal traz risco cambial significativo.

Para esse perfil, faz mais sentido manter a maior parte do portfólio em investimentos no país onde reside ou em mercados globais, garantindo alinhamento com despesas e menos volatilidade.

Uma fatia pequena no Brasil pode servir para diversificação ou manter um “pé no país”, mas como complemento de maior risco, não como núcleo da estratégia.

Para ambos os perfis, a Care Multi-Family Office oferece consultoria para investimentos no Brasil e no exterior, com acesso a mais de 60 bolsas globais e suporte especializado, incluindo Bankers presentes em Bergamo, na Itália, e em Genebra, na Suíça.

Em suma, investir em renda fixa brasileira sendo expatriado pode ser vantajoso para uns e não tanto para outros. Deve-se considerar:

  • Vou usar esse dinheiro no Brasil ou no exterior?
  • Qual meu horizonte de tempo?
  • Suporto ver o câmbio oscilar?
  • Tenho conhecimento para gerenciar a parte burocrática e fiscal?

As respostas orientarão sua tomada de decisão.

Vale a pena investir em renda fixa no Brasil sendo expatriado?

Investir em renda fixa no Brasil pode valer a pena para expatriados, desde que feito com planejamento e ponderação. Os juros altos oferecem ganhos atraentes, mas vêm acompanhados de riscos (cambiais, políticos, fiscais) que não podem ser ignorados.

O caminho do meio é geralmente o mais sensato: aproveitar oportunidades no Brasil sem abrir mão da diversificação internacional. Se você é brasileiro morando fora, considere manter uma parcela do patrimônio aplicada no Brasil – especialmente se tiver objetivos em Reais – e outra parcela em investimentos no exterior, equilibrando moedas e mercados.

Antes de investir, informe-se sobre as questões legais e tributárias. Verifique a necessidade de abrir a Conta de Não Residente adequada ao seu perfil, regularizar sua situação fiscal (entrega da Declaração de Saída Definitiva, por exemplo) e entenda como os rendimentos serão tributados no Brasil e no país onde vive.

Aproveite também os acordos de bitributação que o Brasil possui para não pagar imposto em duplicidade sobre os ganhos dos investimentos.

Em última análise, a decisão deve respeitar seus objetivos individuais e seu perfil de risco. Para o expatriado que planeja voltar ou quer se beneficiar dos juros brasileiros, a renda fixa local pode ser um ótimo aliado – funcionando quase como um “pé de meia” crescendo em reais.

Já para quem se estabilizou fora e preza pela segurança em moeda forte, talvez os investimentos globais de perfil conservador (como bonds de primeira linha no exterior) sejam mais indicados, usando a renda fixa brasileira apenas de forma tática.

Vale a pena contar com uma consultoria de investimentos?

Sim. Para qualquer caso, o fundamental é ter uma carteira diversificada e bem planejada. Nesse sentido, contar com uma consultoria de investimentos te ajuda a chegar direto ao ponto.

Dessa forma, você colhe o melhor dos dois mundos: usufrui da rentabilidade do Brasil quando fizer sentido e, ao mesmo tempo, protege seu patrimônio com ativos internacionais.

Com equilíbrio, conhecimento das regras e visão de longo prazo, o expatriado pode tirar proveito da renda fixa brasileira de forma inteligente. Entre em contato com a Care MFO e descubra como estruturar seu portfólio no Brasil e no exterior, de acordo com seus objetivos.