Em 2024, a brasileira Ana chegou a Portugal cheia de expectativas. Após vender tudo no Brasil, pagou mais de 10 mil euros a uma empresa que prometia “regularização rápida”, emprego garantido e todos os documentos necessários para viver legalmente no país.
Ao desembarcar, descobriu que os contratos eram falsos, os documentos não tinham validade e que, como ela, milhares de brasileiros haviam sido enganados por uma complexa rede criminosa.
As regras ficaram mais rígidas e o improviso acabou. Quem quer morar legalmente em Portugal hoje precisa de planejamento, informação correta e decisões bem feitas desde o Brasil.
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Conheça o Ebook Morar em Portugal →O nome Ana é fictício, usado para preservar a vítima. O caso, no entanto, é real e não é isolado.
Uma megaoperação da Polícia Judiciária (PJ) de Portugal desmantelou uma das maiores redes de imigração ilegal já identificadas no país, que atuava há anos facilitando a entrada e regularização fraudulenta de estrangeiros, especialmente brasileiros, mediante o pagamento de quantias elevadas.
Como funcionava a rede de imigração ilegal em Portugal
A operação “Gambérria”, deflagrada pela PJ, revelou um esquema altamente organizado: empresários, advogados, intermediários e até uma funcionária da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros estavam envolvidos.
O grupo prometia a regularização de documentos, contratos de trabalho, números fiscais, registros criminais e outros papéis essenciais para a vida em Portugal, tudo mediante pagamento.
- 13 pessoas foram detidas, incluindo sete empresários, uma advogada e a funcionária pública;
- Foram realizadas 40 buscas em diversas cidades, com apreensão de cerca de 1 milhão de euros em espécie, 11 carros de luxo, documentos falsificados, selos oficiais e até artigos de luxo como presas de marfim;
- A rede teria lucrado milhões de euros, facilitando a entrada e regularização irregular de pelo menos 10 mil imigrantes desde 2022.
Seis dos 13 detidos permanecem em prisão preventiva, enquanto outros aguardam medidas cautelares. Segundo a PJ, os “clientes” eram atraídos por complexos esquemas de aliciamento nos países de origem, especialmente no Brasil, com promessas de facilidades e garantias que não existiam.

De acordo com Avelino Lima, diretor da Polícia Judiciária do Centro, muitos dos imigrantes envolvidos no esquema nunca nem estiveram em Portugal:
“Depois, havia uma estrutura que fazia todo o trabalho para permitir que esses imigrantes, chegados cá, se pudessem legalizar. Muitos deles nunca chegaram sequer a estar em território nacional, mas tinham documentação de título de residência, com repercussões ao nível fiscal e de segurança social, sendo esta uma realidade preocupante e que tem ganho dimensão cada vez mais grave”, afirmou.
O que é Gambérria?
A operação foi batizada de “Gambérria”, uma palavra usada em Portugal com o sentido de dar uma rasteira, ou seja, enganar, aplicar um golpe. O nome faz alusão direta ao modo de atuação da quadrilha.
No uso popular, gambérria remete a uma artimanha ou solução improvisada, geralmente feita de forma ilícita ou fraudulenta, o que reforça a associação com as práticas do grupo investigado.
Vítimas não teriam ciência do esquema ilegal
As informações oficiais da investigação indicam que a maioria das vítimas foi enganada pela quadrilha. Segundo a Polícia Judiciária, os imigrantes se apresentavam como “clientes” dispostos a pagar valores elevados para obter a legalização, mas eram aliciados com falsas garantias de que todo o processo seria legítimo e seguro.
A organização criminosa estruturou sua atuação para criar uma aparência de legalidade, inclusive utilizando documentos com selo branco oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros para validar registros criminais, o que dava credibilidade ao serviço oferecido.
Onde a quadrilha atuava?
A quadrilha de imigração ilegal desmantelada em Portugal atuava de forma articulada em várias regiões do país, com destaque para cidades e áreas metropolitanas onde há grande concentração de imigrantes e facilidade de acesso a serviços públicos e privados necessários para a legalização fraudulenta.
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| Coimbra | Considerada o ponto de partida do esquema, onde os primeiros elementos do grupo começaram a atuar e perceberam o potencial de exploração desse tipo de fraude. A partir de Coimbra, o grupo expandiu suas atividades para outras regiões, especialmente Lisboa. |
| Lisboa | A capital era um dos principais centros de atuação da rede. A operação policial revelou que 17 das 24 freguesias de Lisboa registraram atividades suspeitas relacionadas à imigração ilegal. Nessas áreas, foram detectados milhares de pedidos de atestados de residência com moradas falsas e testemunhas repetidas. |
| Amadora, Odivelas e Loures | Essas cidades da região metropolitana de Lisboa também foram alvo de buscas e fazem parte do circuito de atuação da quadrilha, dada a grande presença de comunidades imigrantes e facilidade de acesso a serviços públicos necessários para a fraude. |
| Espinho e Carregal do Sal | No norte e centro do país, essas cidades também foram palco de operações policiais e buscas relacionadas à rede criminosa, sinalizando a abrangência nacional do esquema. |
Segundo as autoridades, a rede estava bem estruturada e articulava suas ações entre a região Centro e a região de Lisboa, facilitando a entrada e regularização fraudulenta de imigrantes de várias nacionalidades.
Imigração ilegal x imigração irregular: entenda a diferença
Diante desta operação, é fundamental distinguir dois conceitos importantes:
Imigração irregular
ocorre quando a pessoa entra legalmente em Portugal (por exemplo, como turista), mas permanece além do prazo permitido ou não regulariza sua situação. Não é crime, mas configura infração administrativa e pode ser regularizada posteriormente.
Imigração ilegal
envolve atos criminosos, como uso de documentos falsos, fraude, corrupção ou entrada clandestina. Quem facilita ou participa desses atos pode ser condenado à prisão, e o imigrante pode ser expulso e impedido de retornar à União Europeia
No caso da rede desmantelada, trata-se de imigração ilegal, pois envolvia falsificação e corrupção para obtenção de documentos e autorizações de residência.
Auxílio à imigração ilegal é crime em Portugal
O crime de auxílio à imigração ilegal é previsto no artigo 183.º da Lei nº 23/2007 (lei que define regras de entrada, permanência, saída e afastamento de cidadãos estrangeiros do território português).
Dependendo dos fatos, a condenação pode chegar a até 8 anos de prisão.
Como a investigação desmantelou o esquema
A investigação começou em setembro de 2023, após denúncias e indícios de que milhares de processos de regularização estavam sendo aprovados de forma suspeita. A PJ mobilizou cerca de 200 agentes, com apoio de juízes, promotores e técnicos de várias áreas, além de colaboração internacional.
Entre os presos, destaca-se a funcionária do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que validava documentos falsos, conferindo aparência legítima a registros criminais e autorizações de residência.
A operação também envolveu o bloqueio de contas bancárias, apreensão de imóveis e criptoativos, além de documentos que comprovam a extensão do golpe. Muitos dos imigrantes regularizados pela rede nem sequer residiam em Portugal, mas usavam a documentação para circular livremente na União Europeia.
Quem era peça-chave do esquema e como atuava
A funcionária detida na operação era técnica superior da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), em Lisboa.
Seu envolvimento foi central para o funcionamento da rede criminosa: ela utilizava um selo branco oficial do MNE para validar e certificar milhares de registros criminais de cidadãos estrangeiros, documentos essenciais para processos de legalização em Portugal.
O selo branco, apreendido durante as buscas, conferia aparência de autenticidade e legalidade a documentos que, na verdade, eram falsificados. Dessa forma, registros criminais provenientes de países como Bangladesh e Brasil, recebiam a chancela oficial do Estado português.
Isso permitia que imigrantes obtivessem autorizações de residência mesmo sem cumprir os requisitos legais.
A atuação da funcionária era estratégica: ela dava legitimidade aos documentos apresentados pelos imigrantes, tornando possível a aprovação de processos fraudulentos junto às autoridades portuguesas.
Conforme informações da PJ, essa validação foi um dos elementos que mais dificultaram o processo de investigação, pois acabaram permitindo que milhares de estrangeiros se regularizassem em Portugal de forma irregular.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros abriu um inquérito interno para apurar a conduta da funcionária, que agora responde por crimes de auxílio à imigração ilegal, corrupção e falsificação de documentos.
O impacto para brasileiros: vítimas de fraude e vulnerabilidade
Os brasileiros foram as principais vítimas da quadrilha de imigração ilegal desmantelada em Portugal. Segundo a PJ, a rede criminosa era formada majoritariamente por brasileiros e tinha como alvo preferencial cidadãos do Brasil interessados em viver em Portugal, embora também tenha explorado imigrantes de outras nacionalidades, como do subcontinente indiano.
Para essas pessoas, o grupo prometia:
- Contratos de trabalho;
- Números de identificação fiscal (NIF);
- Números da Segurança Social (NISS);
- Número de utente do Serviço Nacional de Saúde;
- Tradução e certificação de registros criminais;
- Abertura de contas bancárias e atestados de residência.
Os valores cobrados chegavam a 15 mil euros por processo. Muitas vítimas contraíram dívidas para pagar os serviços, venderam bens no Brasil e chegaram a Portugal sem qualquer suporte real.
Em alguns casos, vítimas conseguiram apoio de parentes ou amigos em Portugal. Outros acabam morando em condições precárias, em carros, barracas ou dependendo de ajuda para conseguir voltar ao Brasil.
Por que os brasileiros são os mais visados?
Há vários fatores que podem explicar essa vulnerabilidade.
O Brasil é a maior comunidade estrangeira em Portugal, com centenas de milhares cidadãos residindo no país, o que cria um mercado amplo para promessas de regularização e oportunidades de trabalho.
Além disso, o processo para conseguir os documentos é demorado e com muitas etapas. A vulnerabilidade nesse momento pode dar espaço a promessas de facilidades e atalhos ilegais oferecidos por golpistas.
Vítimas são atraídas ainda no Brasil
Além disso, muitos brasileiros são aliciados antes mesmo de sair do país, com promessas de emprego, moradia e regularização, como mostram relatos de vítimas e investigações policiais. Ao chegar, descobrem que os documentos são falsos ou que não há o suporte prometido.
O desejo de mudar de vida, aliado à falta de recursos e de conhecimento sobre os processos legais, faz com que muitos aceitem pagar valores elevados por promessas de legalização, mesmo sem nenhuma garantia.
Quantos brasileiros residem hoje em Portugal?
Os dados atualizados do governo português apontam para um número mínimo de 550 mil brasileiros residentes em Portugal. A maioria está regularizada, seja por visto, cidadania ou autorização de residência. O número de irregulares é pequeno, mas há uma grande fila de processos pendentes.
Não há dado oficial preciso sobre quantos vieram como turistas e se legalizaram depois, mas esse sempre foi um caminho comum, especialmente antes das recentes mudanças nas regras migratórias.
Como a quadrilha conseguia clientes
Sobre o funcionamento do grupo, Avelino Lima, diretor da Polícia Judiciário do Centro, detalhou que havia uma forte presença nas redes sociais para aliciar imigrantes, prometendo facilidades mediante pagamento significativo.
“Muitos deles ficavam endividados. O grupo era bem estruturado e lucrou milhões de euros desde 2022”, afirmou.
Ele também destacou que a operação ainda não está concluída e que a análise do material apreendido pode levar à identificação de mais envolvidos.
Há criadores de conteúdo brasileiros citados na investigação?
Na atual investigação sobre a rede de imigração ilegal desmantelada em Portugal, não há menção direta à participação ou citação formal de influencers brasileiros como integrantes ou cúmplices do esquema.
No entanto, investigações anteriores conduzidas pelo antigo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) já identificaram pelo menos 22 casos de criadores de conteúdo brasileiros em Portugal sob suspeita de auxílio à imigração ilegal, especialmente por meio de conteúdos em redes sociais que prometem facilidades, dicas e até serviços para regularização de imigrantes brasileiros.
A Polícia Judiciária e o Ministério Público continuam analisando o vasto material apreendido, o que pode levar a novas acusações ou desdobramentos. A atuação de influencers permanece sob apuração em processos paralelos.
Fraudes e golpes: um problema antigo e crescente
A atuação de redes criminosas que exploram o desejo de brasileiros de morar em Portugal não é novidade. Desde os anos 2000, investigações já identificaram esquemas de corrupção envolvendo funcionários públicos, advogados e intermediários.
Os esquemas facilitavam a entrada e regularização de estrangeiros, especialmente para trabalhos na construção civil e serviços domésticos.
- Em 2019, uma operação prendeu inspetores do antigo SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), funcionários das Finanças e da Segurança Social, por envolvimento em esquemas semelhantes;
- O perfil dos imigrantes brasileiros mudou nos últimos anos, com aumento da presença de trabalhadores na construção civil e maior vulnerabilidade a golpes.
A internet e as redes sociais potencializaram o alcance dos golpistas, que vendem “pacotes de imigração”, cursos, contratos falsos e até vagas de trabalho inexistentes, criando uma imagem irreal de Portugal como “terra de oportunidades”.
Consequências legais para líderes e vítimas
Os líderes da rede agora respondem a processos por associação criminosa, auxílio à imigração ilegal, corrupção, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos – crimes que podem resultar em penas de até 8 anos de prisão, além de multas e perda de bens.
Para as vítimas, o cenário pode ser mais delicado:
- Quem comprovadamente foi enganado pode ser tratado como vítima e não como cúmplice, mas cada caso será analisado individualmente pelas autoridades;
- Imigrantes que participaram ativamente da fraude, pagando valores elevados e sabendo da ilegalidade, podem ser investigados e até expulsos de Portugal;
- Muitos brasileiros agora buscam orientação jurídica e apoio de entidades como a Casa do Brasil ou consulados para tentar regularizar a situação ou evitar a deportação.
Vítimas podem ser obrigadas a deixar Portugal
Victor Hasten, técnico de atendimento da Casa do Brasil, conta que tem recebido semanalmente de dois a quatro casos de brasileiros enganados por golpes de regularização em Portugal.
Além do prejuízo financeiro, as vítimas enfrentam agora o real risco de deportação, dificuldades para regularizar a situação e, em muitos casos, a impossibilidade de acessar serviços públicos ou obter emprego formal.
O advogado Célio Sauer fala sobre a investigação e comenta o futuro das vítimas da quadrilha. Confira o vídeo:
Até o momento, o governo português não anunciou nenhum programa específico de apoio jurídico ou regularização automática para imigrantes vítimas da quadrilha de imigração ilegal.
Segundo declarações de Avelino Lima, diretor da PJ Centro, cada caso está sendo analisado individualmente pelas autoridades.
Ele afirmou que haverá uma revisão dos processos fraudulentos e que a situação de cada imigrante será avaliada caso a caso.
O que muda na política migratória
O governo português anunciou um novo Plano de Ação para as Migrações, com medidas para reforçar o controle de fronteiras, digitalizar processos, combater fraudes e acelerar a análise de mais de 400 mil processos pendentes na Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).
Entre as principais mudanças definidas estão:
- Revisão das regras de entrada e regularização;
- Extinção do procedimento de “Manifestação de Interesse”, que permitia a regularização de quem já estava no país;
- Criação de equipes especializadas para fiscalizar e combater abusos, tráfico de pessoas e exploração laboral;
- Reforço da integração dos imigrantes, com oferta de cursos de português e apoio à inserção social.
O papel da AIMA
Atrasos e burocracia são o maior problema para quem tenta se regularizar em Portugal. Após a extinção do SEF e a criação da AIMA, a agência herdou centenas de milhares de processos pendentes, o que agravou ainda mais a lentidão no atendimento e análise de pedidos de residência.
Muitos imigrantes, inclusive brasileiros, ficam anos aguardando resposta do Estado para obter ou renovar o título de residência, reagrupamento familiar ou até mesmo um simples agendamento.
Em muitos casos, só conseguem avançar judicialmente, com custos elevados, ou ficam em situação de vulnerabilidade e risco de perder emprego ou moradia.
Demora na regularização tem consequências
O estudo “Pobreza e exclusão social em Portugal“, da Caritas de Lisboa, destaca que a demora na regularização aumenta a vulnerabilidade dos imigrantes, limita o acesso a emprego, habitação e serviços básicos, e dificulta a integração.
Essa situação cria terreno fértil para o surgimento de redes fraudulentas e intermediários ilegais, que oferecem “atalhos” e soluções rápidas para quem não vê alternativa no sistema oficial.

Advogados e lideranças de associações relatam que muitos imigrantes, desesperados com a falta de resposta da AIMA, acabam recorrendo a intermediários ou caindo em golpes que prometem acelerar processos, antes mesmo de chegar em Portugal, muitas vezes com documentos falsos ou procedimentos ilegais.
O que esperar daqui para frente
Especialistas alertam que, apesar da necessidade de mão de obra e da política de acolhimento, Portugal precisa equilibrar o controle e a integração, para evitar que novas redes criminosas se aproveitem da vulnerabilidade dos imigrantes.

O advogado brasileiro Gabriel Klemz Klock, especialista em imigração, ouvido pelo Jornal O Globo, diz que a atual estrutura portuguesa foi desenhada para “não facilitar”, o que, segundo ele, acaba sendo um terreno fértil para quadrilhas que vendem facilidades.
“Eu acredito que haverá um aumento do tempo necessário para cidadania, mais burocracia para vistos e reagrupamento familiar”.
Arlindo Ferreira, dirigente da Associação Portuguesa para a Integração Social dos Imigrantes (APISI), critica a incapacidade operacional da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), que herdou quase meio milhão de processos pendentes após a extinção do SEF.
“O problema central é a morosidade. A maioria dos imigrantes só busca trabalhar e se integrar, não estando envolvida em criminalidade.” – afirma Arlindo
A tendência daqui para frente é de endurecimento dos mecanismos de controle, com maior fiscalização, digitalização de processos e repressão a fraudes. O foco será na imigração regulada, atração de profissionais qualificados e integração humanista, mas com menos espaço para regularizações informais e improvisadas.
Entidades de apoio aos imigrantes alertam, no entanto, para o risco de aumento da discriminação e pedem que as mudanças não prejudiquem a integração nem associem imigração a criminalidade, como já desmentido por dados oficiais.
Como se proteger: dicas para brasileiros que querem morar em Portugal
O desejo de viver em Portugal é extremamente comum e compreensível, mas exige cautela. Veja algumas orientações importantes para evitar cair em golpes:
- Desconfie de promessas de regularização rápida e garantida mediante pagamento elevado;
- Consulte sempre advogados devidamente registrados na Ordem dos Advogados de Portugal – peça o número de inscrição e verifique no site oficial;
- Nunca entregue dinheiro ou documentos a intermediários sem referência;
- Procure informações em fontes oficiais, como o site da AIMA ou consulados;
- Evite contratar serviços por meio de redes sociais ou grupos informais;
- Em caso de dúvida, busque apoio de entidades como a Casa do Brasil, que oferece orientação gratuita.
Um alerta para o futuro
A operação “Gambérria” expôs a existência de uma rede criminosa sofisticada, que explorou o desejo de milhares de brasileiros de buscar uma vida melhor em Portugal, gerando prejuízos financeiros, sofrimento e insegurança jurídica.
O caso serve de alerta para quem pretende mudar de país:
A regularização de documentos deve ser feita por vias legais, com acompanhamento de profissionais habilitados e desconfiança de promessas irreais.
O desmantelamento de esquemas ilegais levou Portugal a acelerar reformas migratórias, tornando o processo mais rigoroso e fiscalizado. A política envolvendo o assunto caminha para menos informalidade e mais controle, com foco no combate a abusos.
No entanto, especialistas alertam para o risco de excesso de burocracia, morosidade e impacto negativo para imigrantes que buscam apenas trabalhar e contribuir para o país.
O governo português promete mudanças, mas o risco de novos golpes permanece. Informar-se, buscar apoio e agir com cautela são as melhores defesas para quem sonha em construir uma nova vida na Europa.
Maurício Martins