As diferenças entre morar em um país gigante e em um país pequeno são enormes. O que funciona para um, não funciona para o outro. O conceito de longe e perto mudam completamente. A rotina e os costumes são bem diferentes e por aí vai.

Vem comigo que vou te contar minha experiência vivendo em países completamente diferentes nas questões territoriais. Aliás, Portugal e Brasil diferem em tudo. A cada dia que passa, tenho a certeza de que a única coisa que os dois países têm em comum é a língua.

Antes de começar, quero deixar registrado que população inteira de Portugal (10,28 milhões) é menor população da cidade de São Paulo (12,33 milhões). Só de ver esses números já deu para entender as diferenças são gigantes, né?

Em Portugal, uma viagem de 3h de carro é longa

Eu assustei quando escutei portugueses dizendo que ir do Porto para Lisboa era uma viagem longa. Como assim longa, gente? São apenas 3 horinhas de carro e em uma boa estrada, sem buracos e sem trânsito caótico de caminhões e carros passando o tempo inteiro por você parecendo querer disputar uma corrida de Velozes e Furiosos.

No Brasil, viagem longa de carro é a partir de 8h

No Brasil, 3 horinhas era o tempo que eu gastava para ir de Belo Horizonte até São João del Rei, minha cidade natal. Longe não era, mas a viagem acaba sendo muito mais cansativa e estressante por conta do trânsito da BR 040.

O meu conceito de viagem longa de carro é de 8 horas para mais. Esse é o tipo de viagem eu costumava atravessar de um Estado para outro. Pegar o carro em BH e ir sentido Goiânia, São Paulo, Vitória ou Salvador, por exemplo. E dependendo de onde estiver, vai gastar esse tempo dentro do mesmo Estado. Pensa quem é de Uberlândia e precisa ir para Juiz de Fora. Lá se vão 12 horas viajando de carro.

Em Portugal, morar a 40 minutos de carro do trabalho é super longe

Se uma viagem de 3 horas já é considerada longe, imagina só morar a 40 minutos de carro do trabalho? Isso, para os portugueses é super longe porque já envolve morar em outra cidade. É como morar em Braga e ter que trabalhar no Porto.

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Como isso pode ser longe se no Brasil, 40 minutos de carro é o tempo que gastamos para atravessar alguns bairros das grandes cidades?

No Brasil, morar a 40 minutos de carro do trabalho é morar super bem

O que é perder 40 minutos do dia para fazer o trajeto de casa para o trabalho dentro de um carro se você opta por morar em um condomínio mais afastado? Ao menos, você pode desfrutar da segurança que eles oferecem e aproveitar os finais de semana para descansar.

Talvez, você nem possa desfrutar desse “luxo” de morar em condomínio e só mora em um bairro afastado mesmo. Atravessar de leste a oeste ou de norte a sul no Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo, é uma verdadeira novela.

Vista aérea de São Paulo

E quando não tem carro, gente?

E quando não tem carro no Brasil e tem que pegar o metrô ou o ônibus lotado? Aí, aquele trajeto de 40 minutos se transforma em 1 ou 2 horas facilmente. Vem aquela mistura de perfumes com suor que você chega já chega no trabalho cansado e precisando de um belo banho. Na volta para casa, é a mesma história.

Confesso que morar em Portugal me deixou bem mal acostumada. Só de pensar nessa rotina de “busão” que eu tinha, me bate o cansaço.

Em Portugal, temos o hábito de andar a pé no dia a dia

Morando no Porto, uma das maiores cidades de Portugal, eu só ando a pé. Raramente utilizo o metrô, pois acho tudo muito perto. O tempo que se gasta andando entre um ponto e outro vai ser de no máximo de 30/40 minutos. Contudo, já perdi as contas de quantas vezes eu escutei dos portugueses: “mas por que ir a pé? É muito longe!”.

No Brasil, não temos esse hábito

No Brasil, não temos tanto o hábito de fazer as coisas a pé. Sempre vamos optar por pegar o carro, Uber ou ir de ônibus para algum lugar. Afinal, muitas vezes andamos 30/40 minutos e não saímos do próprio bairro.

Morar em Portugal é conhecer cada cantinho do país

Uma das vantagens de morar em Portugal é ter a oportunidade de conhecer cada cantinho do país. Afinal, em 7 horas de carro, conseguimos atravessar o país de norte a sul.

Existem muitos comboios (trens) que permitem conhecer as principais cidades de Portugal. Além disso, alugar carro no país não é caro. Vale a pena aproveitar os finais de semana e feriados para conhecer o interior de Portugal e suas lindas aldeias.

No Brasil, é complicado conhecer os principais destinos no próprio país

Viajar no Brasil é sempre complicado e caro.

Na maioria das vezes, vai precisar pegar um voo e um carro ou voo e um barco para conhecer um lugar específico. Além disso, o custo da viagem – passagens, hotéis, alimentação e tours – acaba saindo mais caro do que uma viagem internacional para os nossos países vizinhos. E quando optamos por enfrentar horas de estrada temos a certeza de que elas estarão lotadas e ruins.

A gente viaja para descansar em um feriado prolongado, mas o trajeto de ir e vir acaba nos deixando mais cansados. Vai entender!

No Brasil a diversidade culinária é inacreditável

Não existe culinária mais diversa e deliciosa quanto a que temos no Brasil. Cada Estado tem uma grande variedade de pratos típicos. O frango com ora-pro-nóbis em Minas Gerais, o Arroz Carreteiro no Rio Grande do Sul, o Acarajé na Bahia, a Moqueca do Espírito Santo, o Cuscuz nordestino, a Feijoada no Rio de Janeiro, o Tacacá no Pará e por aí vai!

Isso, sem contar aquelas comidas que já se tornaram patrimônios do Brasil: açaí, “bixcoitos” Globo, chá mate, coxinha, pastel de feira, guaraná Jesus, guaraná Antártica, tapioca, pão de queijo, requeijão, etc. A nossa diversidade culinária é maravilhosa!

Em Portugal há diferenças regionais, mas pela extensão não é tão diversa

Claro que as comidas típicas de Portugal também são deliciosas. Porém, existem mais diferenças regionais do que uma grande diversidade culinária em si.

Por aqui, temos as Papas de Sarrabulho, Feijoada à transmontana e Francesinha típicos na região norte, o leitão à bairrada é famoso na região central, os “Peixinhos da horta”, Caracóis e Favas, estão mais presentes na região de Lisboa, a Dourada grelhada no Algarve e o queijo de ovelha produzido na Serra da Estrela.

Já o bacalhau, as sardinhas, o pastel de nata e o vinho já fazem parte do patrimônio do país luso. É impossível pensar na gastronomia de Portugal e não fazer essa associação.

Como é um país bem pequeno e não é difícil encontrar esses pratos em todas as regiões, mas é bom que saiba que existem essas diferenças regionais. Dessa forma, ao viajar para Portugal, você pode deixar para experimentar a Francesinha no Porto e não em Lisboa, por exemplo.

Transporte no Porto

Em Portugal, ir à Espanha é como ir à cidade vizinha

A Espanha é aqui ao lado. Saindo do Porto, por exemplo, eu chego na Galícia (região espanhola) em menos de 2 horas. Posso ir de ônibus, trem ou de carro.

E não é só para a Espanha. Com as companhias aéreas low-cost, muitas vezes encontro passagem de ida e volta para vários outros países por menos de 30 euros. Passei um réveillon de 2019 para 2020 em Bordeaux, na França, pagando apenas 15 euros a ida e a volta. É muito barato!

No Brasil, sair do país é um evento

Se você não mora próximo à fronteira, sair do Brasil é uma novela que parece sem fim. Se você mora no interior, tem que ir para a capital pegar o voo. Se mora em alguma capital que não seja São Paulo ou Rio de Janeiro, muitas vezes vai ter que fazer uma escala no aeroporto de Guarulhos ou no Galeão.

Olha o exemplo da minha mãe, que mora no interior de Minas Gerais, quando veio me visitar na Europa. Ela optou por pegar um voo para Madrid, na Espanha. Eu fui até lá para encontrá-la (paguei 8€ na passagem) para iniciar o nosso mochilão.

  • 3h da cidade onde ela mora até BH;
  • 1h (sem trânsito) de BH até o Aeroporto de Confins, lembrando que em viagens internacionais precisa chegar com 2 ou 3 horas de antecedência;
  • 1h de voo Confins para Guarulhos;
  • Escala de 5 horas em Guarulhos;
  • 10h de voo de São Paulo até Madrid.

Claro que férias são sempre bem-vindas, mas vamos combinar que sair do Brasil para umas férias pode ser bem cansativo.

O horário de pico em Portugal nem se compara ao do Brasil

Já peguei o metrô aqui no Porto lotado e com pessoas espremidas, mas nada se compara a pegar o metrô ou o ônibus no horário de pico no Brasil. De onde sai tanta gente e como que cabe todo mundo ali? Não faço ideia!

Aqui no Porto, se o metrô está lotado, eu aguardo mais 5 minutos para pegar o próximo ou vou caminhando. No Brasil, perder o transporte público é sinal de que vai ficar mais 30 minutos e até 1 hora esperando outro chegar.

E pegar o transporte público lotado não é exclusivo das capitais. Quando eu ia para a aula em São João del Rei era uma verdadeira luta para ver quem pegava o ônibus em alguns pontos. Está lotado? Paciência, vai ter que caber mais gente. Meu trajeto de casa para a escola era de quase 9km e o ônibus que atendia o meu bairro era apenas de hora em hora. Deixar o ônibus lotado passar e esperar o próximo nunca foi uma possibilidade para mim.

O trânsito caótico em Portugal é apenas um dia normal no Brasil

Quando eu vejo os portugueses que dirigem reclamando do trânsito, eu confesso que olho com cara de reprovação e penso comigo mesma: “vai pegar um engarrafamento no Brasil para ver o que é trânsito, meu filho!”.

Vivendo no país pequeno e me desfazendo dos costumes de um país grande

Fiz a mudança sozinha para Portugal e lá se vão quase três anos. Nesse período, a adaptação foi difícil, mas hoje já me sinto completamente em casa. E sim, já peguei alguns costumes dos portugueses. Quem não pega, né?

Confesso que o meu conceito de perto e longe já começou a mudar. Adquiri o modo direto de falar e sem papas na língua. Aprendi a dizer “não” no lugar de “vamos ver” ou “a gente combina”.

Fixe, malta, bué, gajo, miúdos, putos, foda-se, brutal e giro são apenas algumas das gírias e palavras que já fazem parte do meu vocabulário.

Desacelerar. Essa foi a principal mudança desde que cheguei aqui. Aquela rotina frenética que estamos acostumados a viver no Brasil, já não faz parte da minha vida. Em Portugal, eu aprendi a trabalhar para viver e não viver para trabalhar. Também passei a achar inadmissível perder 2 ou 3 horas do meu dia, dentro de um transporte público ou presa no trânsito. E posso garantir que minha saúde mental está bem melhor!

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