O governo espanhol anunciou a criação de um visto de procura de trabalho na Espanha, que permite a permanência de estrangeiros por até um ano país enquanto procuram emprego. O foco principal é atrair profissionais qualificados e facilitar sua inserção no mercado de trabalho espanhol.
A medida integra as recentes alterações na Lei de Estrangeiros, oficializadas em novembro de 2024. A iniciativa amplia as possibilidades de integração profissional e reflete uma mudança significativa na política migratória do país.
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ENTRAR EM CONTATO →O visto de procura de trabalho na Espanha é válido para grupos seletos
O visto é destinado a três grupos principais:
- Profissionais qualificados em áreas reconhecidas como de difícil cobertura na Espanha ou para regiões específicas que enfrentam escassez de mão de obra;
- Estrangeiros que cursaram uma universidade espanhola (graduação, pós-graduação ou mestrado) e desejam permanecer para buscar emprego após o término dos estudos;
- Filhos e netos de espanhóis de origem, mesmo que não se enquadrem nos critérios profissionais ou regionais exigidos para os demais candidatos. Para esse grupo, basta comprovar a ascendência espanhola, sem a necessidade de atender à lista de profissões ou regiões prioritárias.
Assim que a pessoa conseguir um emprego com contrato, o visto de procura de trabalho passa a ser um visto de trabalho, o que implica o cumprimento de todas as obrigações com a Segurança Social e com a Autoridade Tributária da Espanha.
Ocupações com maior demanda e regiões prioritárias
O governo espanhol também já publicou as listas de profissões de difícil cobertura e regiões prioritárias. As informações serão atualizadas periodicamente pelo Ministério do Trabalho. Os candidatos devem consultar essas listas antes de iniciar o processo.
O visto permite residir legalmente por até 12 meses para procurar emprego, sem necessidade de oferta prévia de trabalho. Caso o candidato consiga uma vaga, poderá solicitar a conversão do visto em permissão de trabalho sem precisar sair do país.
Áreas com maior necessidade de profissionais na Espanha
Segundo o Serviço Público de Emprego e relatórios da União Europeia, estas são as áreas com a maior demanda na Espanha:
| Setor | Profissões |
| Tecnologia da Informação (TI) | Analistas de sistemas Profissionais de banco de dados e redes Técnicos de operações de Tl e comunicação Técnicos de suporte ao usuário de TI |
| Saúde | Médicos especialistas e generalistas Dentistas Fisioterapeutas Profissionais de enfermagem Assistentes de saúde |
| Engenharia e Manufatura | Engenheiros de telecomunicações Controladores de processos de produção de metais Mecânicos e reparadores de máquinas agrícolas e industriais Operadores de máquinas de produtos químicos, têxteis e papel |
| Construção Civil | Pedreiros Eletricistas Encanadores Carpinteiros |
| Setor Marítimo | Frigoristas navais Chefes de máquinas em navios mercantes Maquinistas navais Mecânicos navais Pilotos de navios mercantes |
| Hotelaria e Turismo | Cozinheiros Garçons Recepcionistas |
| Transporte e Logística | Cozinheiros Garçons Recepcionistas |
Se você está interessado em solicitar este visto, veja nosso artigo com o passo a passo completo para a solicitação (com as informações já divulgadas pelo Governo da Espanha atualmente).
Quais áreas oferecem mais vagas atualmente?
Estas são as áreas com maior déficit de profissionais, conforme o governo espanhol:
- Construção civil (pedreiros, eletricistas);
- Saúde (enfermeiros, médicos, cuidadores);
- Tecnologia (programadores, especialistas em dados);
- Hotelaria e turismo (cozinheiros, garçons);
- Transporte e Logística (motoristas, operadores de empilhadeira).
A Dra Vivian Madeira, advogada no Brasil e na União Europeia resumiu as principais informações disponíveis sobre esse visto até então. Confira no Instagram do Euro Dicas.
Requisitos básicos para pedir novo visto para Espanha
Com a entrada em vigor do novo regulamento de imigração em 20 de maio de 2025, o governo espanhol também definiu os requisitos básicos para a solicitação do visto de procura de trabalho. As autoridades podem pedir documentos extras, dependendo do perfil de cada candidato. Confira a lista básica:
- Comprovação de recursos financeiros: o candidato deve demonstrar que possui meios econômicos suficientes para se manter durante todo o período de estadia na Espanha, sem depender de trabalho enquanto busca emprego;
- Formação acadêmica ou profissional: é obrigatório apresentar diploma universitário, técnico ou comprovação de experiência compatível com as profissões ou áreas reconhecidas como de difícil cobertura pelo governo espanhol, conforme lista oficial atualizada periodicamente por ordem ministerial;
- Seguro saúde válido: o solicitante precisa apresentar apólice de seguro saúde com cobertura em toda a Espanha durante o período de permanência;
- Passaporte válido: o passaporte deve ter validade mínima de um ano a partir da data de entrada no país;
- Atestado de antecedentes criminais: é necessário apresentar certidão negativa de antecedentes criminais dos países onde o candidato residiu nos últimos cinco anos;
- Atestado médico: o interessado deve apresentar laudo médico comprovando que não possui doenças que possam representar risco à saúde pública, conforme o Regulamento Sanitário Internacional de 2005;
- Formulário oficial preenchido: o requerente deve preencher e assinar o formulário de solicitação do visto e pagar a taxa correspondente;
- Documentação apostilada e traduzida: todos os documentos apresentados devem ser apostilados e traduzidos oficialmente para o espanhol;
- Não estar em situação irregular: o candidato não pode estar em situação irregular na Espanha no momento da solicitação e não pode constar como inadmissível em outros países do Espaço Schengen.
É preciso comprovar que posso me manter na Espanha?
Sim, é necessário comprovar.
O cálculo é feito com base no IPREM (Indicador Público de Renda de Efeitos Múltiplos), que em 2025 está em 600€ mensais. Para o visto de 12 meses, é necessário comprovar pelo menos 12 vezes o valor mensal do IPREM, ou seja, 7.200€ (12 x 600€) disponíveis em conta bancária ou aplicação financeira.
Se o interessado já possui moradia paga ou comprovada na Espanha, o valor exigido para a comprovação financeira pode ser reduzido. Apresentando o comprovante de endereço temporário, contrato de aluguel quitado ou reserva de hospedagem válida para o período, o valor exigido pode ser reduzido para cerca de 3.600€.
Se a pessoa for acompanhada pela família, será necessário comprovar uma quantia adicional. Para o primeiro familiar, é preciso acrescentar 75% do IPREM referente a 12 meses (cerca de 5.400€). Para cada familiar extra, o valor exigido é de 50% do IPREM anual, o que corresponde a aproximadamente 3.600€ por pessoa.
Visto de procura de trabalho na Espanha pode ser prorrogado
Caso o solicitante consiga um emprego durante o período do visto, o empregador poderá iniciar o pedido de autorização de residência e trabalho diretamente na Espanha, sem necessidade de retorno ao país de origem.
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Abrir Conta Multimoeda →O visto de procura de trabalho será prorrogado automaticamente até a decisão sobre a autorização, que deve ser emitida em até 10 dias úteis. Após o registro na Segurança Social, o estrangeiro poderá começar a trabalhar legalmente.
Como pedir o visto de procura de trabalho para a Espanha?
O visto deve ser solicitado presencialmente em um dos consulados espanhóis no Brasil, com agendamento prévio, assim como acontece com outros vistos para a Espanha. O pedido pode ser feito com até três meses de antecedência da viagem e o visto só é entregue ao próprio solicitante.
Novo visto facilita caminho para a cidadania espanhola
Brasileiros podem solicitar a cidadania espanhola após 2 anos de residência legal e contínua na Espanha, enquanto para outras nacionalidades o prazo padrão é de 10 anos. Para que o tempo de residência conte, é necessário estar em situação migratória regular.
O novo visto de procura de trabalho pode ser o primeiro passo, mas é fundamental convertê-lo em autorização de residência e trabalho assim que conseguir emprego. Os requisitos principais incluem:
- Residência legal e ininterrupta por pelo menos 2 anos imediatamente anteriores ao pedido (não se ausentar da Espanha por mais de 3 meses consecutivos nesse período);
- Boa conduta cívica e ausência de antecedentes criminais na Espanha e no país de origem;
- Integração na sociedade espanhola, comprovada por aprovação nos exames de idioma espanhol (DELE A2 ou superior) e de conhecimentos constitucionais e socioculturais (CCSE), ambos aplicados pelo Instituto Cervantes;
- Demonstração de integração econômica e social, comprovada por contribuições à Segurança Social e pagamento de impostos durante o período de residência.
Após cumprir esses requisitos, é possível solicitar a cidadania espanhola, que garante direitos plenos como cidadão europeu.
Mudanças prometem mais proteção e menos burocracia para imigrantes, segundo governo espanhol
A ministra da Inclusão, Segurança Social e Migrações da Espanha, Elma Saiz, destacou que o novo visto para procura de emprego permite que estrangeiros busquem trabalho em áreas e ocupações específicas, alinhando as necessidades do mercado espanhol com o perfil dos candidatos.
“Os doze meses de validade do visto vão facilitar o encontro de vagas adequadas ao perfil profissional dos estrangeiros.”
Ela complementou que, ao mesmo tempo, essa modalidade de visto vai oferecer oportunidades para as empresas no país encontrarem os profissionais de que necessitam.

A ministra também ressaltou que a nova política migratória representa um avanço significativo ao simplificar procedimentos legais e administrativos, ampliar os direitos trabalhistas e combater a exploração de trabalhadores estrangeiros.
Outras alterações importantes
A nova legislação de estrangeiros da Espanha trouxe diversas mudanças importantes além do novo visto de procura de trabalho. Entre as principais alterações implementadas em maio de 2025, destacam-se:
- Novas modalidades de “arraigo” (enraizamento): agora existem cinco tipos de arraigo para regularização de imigrantes em situação irregular: social, sociolaboral, socioformativo, familiar e segunda oportunidade. O tempo mínimo de permanência para solicitar o arraigo social foi reduzido de três para dois anos, facilitando a regularização para quem já está no país;
- Reagrupamento familiar ampliado: agora é possível incluir filhos até 26 anos e casais não formalizados, desde que comprovem relação estável e afetiva;
- Mudanças para estudantes estrangeiros: estudantes internacionais podem obter autorizações de residência adaptadas à duração dos estudos, com permissão para trabalhar até 30 horas semanais;
- Mecanismo de segunda oportunidade: permite que pessoas que perderam a autorização de residência por motivos justificados possam regularizar novamente sua situação, desde que cumpram determinados requisitos;
- Proteção para trabalhadores sazonais: foram criados mecanismos para garantir mais proteção jurídica e processos de contratação simplificados para trabalhadores sazonais;
- Renovação das autorizações: as autorizações iniciais de residência passam a ter validade de um ano e as renovações, de quatro anos (antes, eram de dois anos), trazendo mais estabilidade e previsibilidade para os imigrantes.
Lembrando que as demais autorizações para trabalhar e residir na Espanha continuam válidas e podem ser alternativas para quem não se enquadra nos critérios da nova modalidade.
Espanha busca reduzir irregularidade migratória com novo regulamento
O novo texto já está em vigor e institui uma seção específica dedicada aos vistos, com mudanças que visam reduzir situações de irregularidade migratória no país.
Entre as principais novidades, o governo destaca a facilitação para que estrangeiros possam ajustar seu status migratório de forma mais simples e transparente.
“Devemos permitir que as pessoas sigam seus planos de vida na Espanha, facilitando mudanças de status, por exemplo, se um estudante vem para se formar e depois ingressa no mercado de trabalho, ou se um membro da família reunido decide obter sua própria autorização de trabalho”, reforçou o comunicado oficial.
A ministra da Inclusão, Segurança Social e Migrações, Elma Saiz, também reiterou que o objetivo central da reforma é fortalecer e ampliar os caminhos para a regularização de migrantes na Espanha, garantindo que possam viver plenamente como cidadãos, com todos os direitos e responsabilidades.
Espanha adota caminho diferente de outros países europeus
A Espanha adota uma política distinta em relação a outros grandes países europeus, que têm endurecido suas políticas migratórias.
Enquanto nações como Alemanha, França, Itália, Portugal, Polônia e Países Baixos adotam medidas mais restritivas, como controles de fronteira reforçados, aceleração de expulsões, restrições ao direito de asilo e maior vigilância sobre migrantes, a Espanha implementou em um novo regulamento que facilita a regularização, amplia direitos e flexibiliza o acesso ao trabalho e à residência para estrangeiros.
O governo também defende publicamente que a imigração é necessária para responder ao envelhecimento da população e à escassez de mão de obra, com o próprio primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmando que a escolha é entre ser “um país aberto e próspero ou fechado e pobre”.
Especialistas e veículos internacionais reconhecem a Espanha como um “caso à parte” dentro da União Europeia, destacando seu caminho mais inclusivo e pragmático para a integração de migrantes, em contraste com a guinada à direita e o endurecimento do discurso e das políticas migratórias em boa parte do continente.
Estrangeiros já são 15% da população espanhola
Atualmente, a Espanha conta com uma população de aproximadamente 47,9 milhões de habitantes, dos quais cerca de 7 milhões são estrangeiros, o que representa quase 15% do total nacional.
Esse contingente é altamente relevante para a economia espanhola: 80% da população estrangeira está em idade ativa para o trabalho e cerca de 40% possuem formação universitária, técnica ou profissional.
A presença expressiva de estrangeiros explica o esforço do governo espanhol em promover políticas de regularização e integração. O novo Regulamento de Estrangeiros amplia as possibilidades de regularização, reduz prazos para concessão de autorizações de residência e facilita o acesso ao mercado de trabalho.

A expectativa oficial é que cerca de 900 mil pessoas em situação irregular devem ser beneficiadas nos próximos três anos. Além disso, estima-se que aproximadamente 300 mil imigrantes possam ser regularizados anualmente, ampliando ainda mais o acesso à cidadania e aos direitos trabalhistas.
Quase 14% dos inscritos na Segurança Social são cidadãos estrangeiros
No mercado de trabalho, os estrangeiros representam 13,6% dos afiliados à Segurança Social, totalizando mais de 2,9 milhões de pessoas entre os 21,7 milhões de trabalhadores empregados no país.
Em 2023, os trabalhadores estrangeiros foram responsáveis por 2,3 pontos percentuais do crescimento total do emprego, com destaque para a crescente participação em setores de alta qualificação, como atividades financeiras, informação, comunicação e áreas científicas e técnicas.
A ministra da Inclusão, Segurança Social e Migrações, Elma Saiz, reforça que o compromisso do governo é garantir que essa parcela significativa da população esteja devidamente regularizada e integrada, combatendo máfias, fraudes e violações de direitos.
“Trabalhamos com as associações que interagem com migrantes, com empregadores, sindicatos e comunidades, também com o objetivo de combater máfias, fraudes e a violação de direitos”, afirmou a ministra.
Discriminação no mercado de trabalho afeta o PIB da Espanha
Apesar do números expressivo de estrangeiros inscritos na Segurança Social espanhola, o governo estima que a Espanha ainda perde aproximadamente 1,3% do seu PIB anualmente devido à discriminação no acesso ao trabalho e à educação enfrentada por estrangeiros, além dos impactos negativos da informalidade.
Uma parcela significativa ainda atua de forma irregular, o que prejudica tanto os próprios imigrantes, que ficam expostos a condições de trabalho precárias e sem garantias legais, quanto o Estado, que deixa de arrecadar contribuições sociais e impostos desses trabalhadores.
O papel dos imigrantes no mercado de trabalho espanhol
Essas mudanças refletem a necessidade de alinhar o país às demandas do mercado de trabalho, aos direitos dos imigrantes e às normas europeias, especialmente diante dos desafios do envelhecimento populacional e da baixa taxa de natalidade.
Segundo a ministra da Inclusão, Segurança Social e Migrações, Elma Saiz, “em um contexto global em que a escassez de mão de obra e as mudanças demográficas se tornam cada vez mais evidentes, a contribuição dos trabalhadores migrantes é indispensável para o crescimento econômico sustentável e o desenvolvimento social”.
As novas medidas buscam não apenas garantir direitos e oportunidades para os migrantes, mas também fortalecer a economia espanhola diante dos desafios demográficos e do mercado de trabalho.
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