Aqui está a inspiração para muitos brasileiros que querem vir mudar a sua vida para melhor em Portugal. Jessé Ferreira é um caminhoneiro brasileiro em Portugal. Tem quarenta anos e é original de Cubatão, estado de São Paulo, onde sempre residiu enquanto esteve no Brasil. O motorista é filho de uma família simples, igual a de milhões de outros brasileiros.

O pai, o senhor José Ferreira, começou a vida como caminhoneiro antes de se tornar funcionário da prefeitura de Cubatão. Já a sua mãe, a senhora Maria Vilma, sempre cuidou da casa e dos cinco filhos. O que move Jessé é a sua vontade de progredir, de ser um bom pai e marido, de dar carinho e conforto aos seus. Conheça um pouco da sua história a seguir.

Conheça a história de um caminhoneiro brasileiro vivendo em Portugal

“Sempre gostei de trabalhar”, conta Jessé.

“Com oito anos de idade já ajudava em casa, vendendo chupe-chupe na praia. Ouvia com curiosidade as histórias de caminhoneiro que meu pai contava em casa. Histórias essas que me fascinavam e me faziam sonhar em um dia ser como ele. Com apenas 17 anos fui pai de um menino (hoje com 23 anos) que trabalha no Brasil como técnico de informática”.

“Jamais havia pensado em sair da minha terra. Mas, influenciado pelo marido de uma das minhas irmãs que tinha amigos em Portugal, aos 18 anos realizei minha primeira tentativa de emigrar para cá. Meu cunhado dizia que iríamos mudar nossas vidas para melhor.

Topei. Pegamos dinheiro emprestado com diversas pessoas. Meu pai vendeu a sua moto, trocou os reais por escudos e distribuí entre mim, meu cunhado e seu irmão, para termos dinheiro para apresentar na imigração ao chegar a Portugal. As passagens aéreas compramos financiadas”.

Jesse é Caminhoneiro em Portugal
Foto do Arquivo Pessoal de Jessé

“Ao chegar em Lisboa“, Jessé continua a contar, “nos separamos na fila da imigração (lembro-me como se fosse hoje), pois pensávamos que teríamos mais chances não passando juntos.”

Eles passaram sem problemas, mas fui levado à famosa salinha para ser questionado. Sofri um intenso interrogatório, após o qual decidiram me deportar”.

Há chances de deportação ao chegar na imigração em Portugal

Mesmo deportado, Jessé manteve a esperança de voltar:

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“Consegui, diante do fracasso, manter uma perspectiva positiva: passei por uma experiência nova, os meus amigos entraram em Portugal e depois me diriam se valeu mesmo a pena imigrar.

E foi o que aconteceu: eles se deram bem no novo país e decidi, um ano depois, aos 19 anos, fazer uma nova tentativa. Dessa vez, avisado que seria mais fácil através da Espanha, consegui ser admitido em Portugal vindo por Madrid“.

Pois aí está o Jessé, com apenas com 19 anos e duas experiências importantes com relação à imigração: uma que não deu certo e outra em que teve sucesso, em 2001.

Ele continua a contar: “já legalizado, com a carta de residência, trabalhei durante muitos anos na construção civil. Em intervalos, voltava ao Brasil, onde trabalhava como caminhoneiro empregado, até que gradualmente fui juntando dinheiro para comprar meu primeiro caminhão, pequeno, e depois caminhões maiores”.

Planejamento e paciência foram essenciais para sua mudança

“No Brasil, ainda na fase dos caminhões menores, trabalhava ao redor do Porto de Santos e para a rede de supermercados Pão de Açúcar. Depois, com os caminhões maiores, transportei cargas pelos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Goiás.

Nas minhas vindas a Portugal, passei a trabalhar na manutenção de torres de telecomunicação. Até que, em 2008, voltei para o Brasil por um longo período de dez anos. Foi quando conheci minha esposa atual, Roberta, e tivemos o primeiro filho”.

“Como a situação econômica no Brasil estava grave e não melhorava, durante três anos nos preparamos para voltar para Portugal. Fomos vendendo pouco a pouco nossas coisas, inclusive um quiosque que tínhamos na bela região de Itanhaém.

Ao mesmo tempo, tratávamos da aquisição da nacionalidade portuguesa, à qual já tinha direito por ter passado cinco períodos em Portugal. Fizemos a viagem de volta em 2019″.

Jessé resolveu recomeçar como caminhoneiro em Portugal

Jessé veio resolvido a ser caminhoneiro aqui também. Antes da viagem, ele e Roberta procuraram no site OLX uma casa em ruínas para comprar e reformar. Reduziram sua procura a três casas em lugares diferentes: Penacova (uma aldeia perto de Coimbra), Satão e Cambarinho, estas últimas na região de Viseu.

As ofertas de Penacova e Satão saíram do mercado, e, “por sorte, sobrou Cambarinho, que é um lugar encantador”, ele declara.

Imagem de Jessé e Família
Foto: Jessé e Família – arquivo pessoal

A casa de dois pisos, com 40 metros quadrados cada um, custou cinco mil euros e estava em ruínas. Jessé e Roberta a estão reconstruindo aos poucos. Em Cambarinho faz muito frio no inverno, e eles acabaram de comprar uma lareira para a cozinha, na frente da qual gostam de se sentar à noite para conversar sobre os acontecimentos do dia, quando Jessé não está na estrada.

Roberta trabalha num posto de gasolina que tem uma lojinha, onde os motoristas, após abastecerem seus carros, entram para pagar e comprar alguma guloseima. Agora, além de Guilherme, têm mais um filho, Nicolas.

A vida em Cambarinho

Cambarinho é uma pequena aldeia conhecida nacionalmente pela sua Reserva Botânica, onde em abril florescem os loendros, uma flor rara. Os habitantes se dedicam à agricultura e à apicultura. Está ao lado de outra aldeia, Campia, que é sede de freguesia, onde foi criada uma zona industrial.

Essa área veio juntar-se a outra zona industrial nas imediações, na vila de Oliveira de Frades, onde se encontra uma grande indústria, a Martifer, cujas estruturas metálicas de grande porte (inclusive para turbinas eólicas, aeroportos e estádios de futebol) são exportadas para todo o mundo, até mesmo para o Brasil.

“Cambarinho é um pedaço de paraíso”, revela Jessé. “Sou muito grato a Deus por nos ter trazido até aqui”.

Fomos muito bem recebidos pela população. Havia uma festa e o padre nos deu as boas-vindas em público, e nos convidou para dar umas palavras. Somos todos amigos e nos ajudamos uns aos outros em qualquer necessidade”.

Valeu a pena mudar para Portugal?

Perguntado sobre a sua vida de caminhoneiro português, Jessé disse não ter o que reclamar, mas que “há muito mais companheirismo entre os caminhoneiros no Brasil do que na Europa“.

E explicou: “aqui é uma atividade em que cada um faz a sua parte sem se importar com os outros. Não há o espírito de camaradagem do Brasil, onde a vida de caminhoneiro é difícil. Nas paradas, nenhum caminhoneiro procura para um bate-papo”.

Mas há compensações:

“os caminhões da empresa para a qual trabalho são muito confortáveis. Têm uma pequena geladeira e boa cama. O horário de trabalho é regulado por legislação bem clara, que não me permite trabalhar mais do que dez horas por dia. Isto sem falar na segurança das estradas”.

Jessé e amigos em Portugal
Foto: arquivo pessoal de Jessé

Jessé atualmente viaja quase sempre para a Suíça, para onde leva cascas de pinheiro secas embarcadas numa empresa de Figueira da Foz. As cascas são utilizadas em jardinagem e um saco de 25 quilos custa 17 francos suíços. Da Suíça, ele vai para uma pequena cidade francesa na fronteira, de onde leva pão velho para Barcelona, que será transformado em ração animal.

De Barcelona, Jessé volta para Portugal com um carregamento de madeira estilhaçada, sobra de construções e mais, para ser transformada em compensado na empresa Sonae Arauco, em Oliveira de Hospital, perto de Coimbra. Em suas viagens, Jessé já esteve também na República Tcheca e na Alemanha. Ele fala um inglês básico para se comunicar nesses países.

Qual o salário de um caminhoneiro brasileiro em Portugal?

Os leitores da Euro Dicas devem estar curiosos para saber qual é o salário de Jessé. Claro que perguntei e ele não titubeou em responder: de 2.000€ a 2.200€ por mês.

“Para o custo de vida em Portugal, está muito bom. Principalmente quando já se tem uma casa e a alimentação no país é barata. Já pensei em comprar um caminhão, que aqui não é caro, mas, conversando com amigos caminhoneiros brasileiros e colocando os gastos e remuneração na ponta do lápis, concluí que não vale a pena”.

Acredito que a história de Jessé incentivará muitos jovens brasileiros a vir ganhar a vida em Portugal.