A pandemia que estamos vivendo desfez famílias, levou embora muita gente querida e fez vários planos serem engavetados. Sentimos profundamente se você perdeu alguém por esta doença. Assim como 99% das pessoas que vivem no planeta Terra, tivemos nossas vidas afetadas de alguma forma. Por aqui, a pandemia apareceu bem no meio do nosso processo de mudança para Portugal. Saiba como foi imigrar durante a pandemia e permita-me voltar um pouco no tempo para explicar o que se passou.

A experiência de imigrar durante a pandemia

7 de março de 2020. Aniversário da minha irmã e de um dos meus sobrinhos. Família reunida. A única preocupação naquele momento era curtir a festa e botar o papo em dia.

Em certo momento, minha prima (que é médica) comenta sobre uma doença que estava se espalhando pelo mundo. Até então, era algo que estava restrito à China e alguns países da Europa. Sabíamos de tudo apenas através do noticiário.

Maurício Martins e seu marido em Portugal
A experiência de Maurício Martins ao imigrar para Portugal durante a pandemia

Até que a coisa aconteça ali bem perto da gente, muitas vezes nos falta empatia para entender a situação. Preocupado com a mudança que estávamos prestes a viver imigrando para Portugal, perguntei para minha prima se havia alguma chance dessa tal de Covid se espalhar pelo mundo de maneira mais acelerada. A resposta foi curta e objetiva: “Não tenha nenhuma dúvida!”.

Confesso que não levei muito a sério o que ela dissera. Acreditava que a afirmação continha um certo exagero. Penso que não queria acreditar que algo pudesse ter o poder de alterar nossos planos. Ou, mais ainda, de mexer de forma tão radical com o mundo.

Reta final dos preparativos para imigrar durante a pandemia

Até este momento, eu e meu marido estávamos vivendo a reta final dos preparativos para a mudança. Afinal, começaríamos em maio a nova vida em Portugal.

A empolgação e o friozinho na barriga já faziam parte da nossa rotina. Passagens compradas há muito tempo e com apartamento em Braga em vias de ser alugado. A empresa de relocation que contratamos já havia começado a busca pelo nosso novo lar.

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Nos primeiros dias de março estávamos em processo de saída dos nossos empregos. Tínhamos pedido demissão e estávamos apenas cuidando da burocracia.

Nossa rotina se dividia entre pensar o que levar na bagagem, verificar documentos, venda de móveis da nossa casa e dos nossos automóveis. Tudo seguindo o cronograma que levamos tanto tempo para elaborar.

Nada poderia dar errado. Ou poderia?

Mão segura os passaportes brasileiro e português
Para imigrar para Portugal, é preciso ter todos os documentos organizados

OMS declara a pandemia de coronavírus

11 de março de 2020. A OMS declara a pandemia do novo coronavírus. Minha prima estava certa. Quando o anúncio foi realizado, confesso que ainda não conseguia mensurar o tamanho do estrago que o Covid causaria em nossas vidas. E quando digo “nossas”, quero dizer de todos nós. Talvez estivéssemos focados demais em algo que queríamos muito: mudar para Portugal.

Naquele 11 de março eu não conseguia enxergar que todo o planejamento de imigração feito até aquele dia teria de ser revisto. Inocentemente, eu ainda acreditava que após uma ou duas semanas, tudo estaria mais tranquilo. Doce ilusão.

Fronteiras fechadas

Acredito que a ficha começou a cair somente no dia em que recebemos um e-mail da companhia aérea que informava o cancelamento do nosso voo, sem previsão de remarcação. Fronteiras fechadas. Dificuldade máxima para cruzar qualquer fronteira. O tal lockdown. Cidades vazias, comércio fechado, hospitais lotados, mortes, choro.

Daqui deste lado, uma mistura de sentimentos como medo e frustração. O mundo lidando com uma doença nova, misteriosa e avassaladora. E eu supondo que tudo se resolveria rapidamente apenas porque, na minha falta de humildade, queria começar logo o próximo capítulo que escrevemos para esse negócio que convencionamos chamar de vida.

A vida em pausa

Os dias passavam muito lentamente, ao contrário da covid, que só avançava e matava cada vez mais pessoas. Já sem emprego no Brasil e sem qualquer perspectiva.

Tínhamos a sensação de que alguém tinha dado uma pausa em nossas vidas. Estávamos com as mãos e os pés atados. Naquele momento, não adiantava mais fazer planos.

Ficamos meses sem sair de casa. Quando tomamos coragem para ir ao supermercado, por exemplo, nos cercamos de inúmeros cuidados. Parecíamos astronautas com roupas especiais. Nenhum produto era consumido antes de ganhar um banho de álcool. Vivíamos com um grau elevado de cuidados sanitários.

Nem o melhor roteirista de Hollywood poderia imaginar as cenas que vimos nestes meses. As notícias sobre a doença só nos deixavam ainda mais tristes. Vacina era apenas uma promessa para daqui a algum tempo.

Montanha-russa emocional

Nossa passagem para Portugal foi remarcada por mais de 5 vezes. A companhia aérea dava OK para o voo e, dias depois, cancelava. Vivíamos numa montanha-russa emocional. A cada confirmação, voltava a esperança de seguir com a vida. A cada cancelamento, o sentimento de que alguém estava testando nossa paciência e ansiedade.

Em dado momento, surgiu uma nova data, sem que houvesse outro cancelamento. Era a luz no fim do túnel que tanto buscamos. Falamos com a família e os amigos mais chegados. Finalmente, tínhamos uma data. Avisamos a empresa de relocation e pedimos para que a busca de apartamento fosse retomada.

Vista aérea de paisagem urbana
Finalmente Maurício e seu marido conseguiram imigrar durante a pandemia

A chegada em Portugal

Seis meses depois do que estava previsto, conseguimos chegar em Portugal no final do mês de agosto de 2020. Durante o longo período trancados em casa, encontramos uma única vez com nossas famílias para a despedida. Mesmo em meio a pandemia e com toda a informação científica disponível, muitos amigos não compreenderam os motivos de não nos reunirmos antes da mudança de país.

Não foi nada fácil viajar sem os abraços apertados, com pouquíssimo contato físico com pessoas tão queridas. Era óbvio que tínhamos enorme medo de estar com a doença e passar para outras pessoas. E, claro, medo também de se expor, pegar a doença e não conseguir embarcar.

Marcar o teste de PCR, feito com 72h de antecedência (único aceito pela companhia aérea), foi uma enorme dificuldade. Sem falar no valor exorbitante.

Não entrarei em detalhes aqui do enorme receio que tínhamos também de pegar covid durante o voo que saiu simplesmente lotado do Brasil.

Começando uma nova vida após imigrar durante a pandemia

Ao chegarmos em Portugal, percebemos que a situação por aqui era um pouco melhor. Naquele período de setembro de 2020, já se falava de um cronograma de vacinação contra a covid no país. Tivemos de montar nossa nova casa enfrentando as limitações impostas pelo lockdown. Gradualmente, a vida foi voltando a algum tipo de normalidade.

Meses depois, chegaria o momento de tomarmos a vacina. Com ela, vieram novas limitações também. A continuidade dessa história específica você já sabe porque, se sobreviveu ao Covid, é testemunha ocular.

O que a pandemia nos ensinou?

Se tem uma coisa que essa pandemia nos trouxe foi a variedade de ensinamentos valiosos, para quem estava realmente disposto a aprender. Administrar a ansiedade foi um deles. Respirar e entender que grande parte das coisas que acontecem em nossa vida vão se resolver de alguma forma. E, muitas vezes, sem termos grande controle.

Talvez o aspecto mais importante que a pandemia trouxe para nosso dia-a-dia foi percebermos que existem situações que podem nos pegar de surpresa a qualquer momento, vindo de qualquer lugar, nos atingindo de forma tão forte quanto um tsunami ou um meteoro: o imponderável.

Por mais que dezenas de obras de ficção tenham retratado os efeitos de uma pandemia (como o excelente filme “Contágio”, de Steven Soderbergh, do ano de 2011) quem, em sã consciência, teria a noção exata do que estava por vir?

Saiba lidar com os imprevistos se quer imigrar durante a pandemia

E como o tema central aqui é imigração, no seu planejamento tenha sempre em mente que será necessário ter plano A, B, C e Z! Se planeja imigrar durante a pandemia, quanto mais alternativas tiver, melhor. Nunca se sabe o que pode aparecer, alterando radicalmente tudo o que foi cuidadosamente pensado por meses ou até anos.

Quanto mais variáveis você puder imaginar e mais alternativas puder considerar, mais preparado estará para as situações adversas. O imponderável sempre vai existir, mas precaução nunca é demais quando o assunto é imigrar.

Aliás, você também passou por algo parecido? Adoraríamos conhecer sua história! Siga nosso perfil no instagram @encontreseufarol. Será um prazer conhecê-lo. Te esperamos por lá também!