A economia italiana é um assunto bastante delicado. E não é à toda que uma das coisas que me deixavam bastante indecisa em relação a minha mudança era, sem dúvida, como andava a economia da Itália. Neste ano de 2021, o país da bota voltou de novo a ocupar as primeiras páginas dos jornais mundiais devido à crise da Covid-19.

O coronavírus chegou a causar a morte de mais de 131 mil vítimas só na Itália. Fábricas, comércio, grandes obras e investimentos ficaram paralisados por mais de dois meses, entre março e maio de 2020, num período lembrado com uma grande sensação de medo e impotência diante de uma doença grave, perigosa, cujas consequências foram acompanhadas de perto pela imprensa mundial.

Tal momento histórico levou o país e o mundo a tomarem decisões drásticas, também do ponto de vista econômico.

A economia da Itália no pós-coronavírus

A contração econômica, prevista não só na Itália, mas em toda a Eurozona, fez com que o PIB italiano registrasse queda de 8,9% em 2020. O país, que foi o mais afetado pelo Covid-19 na Europa, passou por dois períodos de fechamento total do comércio e turismo na pandemia: o primeiro em março de 2020, o segundo nas festas de fim de ano.

Crise econômica na Itália

A situação tem dado sinais de melhora em 2021, principalmente pela alta taxa de vacinação no país. Até outubro deste ano, mais de 70% da população teve, ao menos, duas doses aplicadas. Diante destes números, o ministro italiano Renato Burnetta, disse que o PIB pode crescer em até 6%.

A previsão é certamente mais positiva do que a do ano passado, quando o Fundo Monetário Internacional estimou que o PIB da Itália, primeiro foco de Covid na Europa, registraria queda de 12,8%.

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Além das medidas sanitárias adotadas pelo governo italiano, a aprovação do fundo de reestruturação da economia pós-coronavírus teve um papel importante para a economia da Itália. Essa foi a primeira vez que a União Europeia emitiu uma dívida conjunta, nos esforços de estimular a recuperação econômica.

O PIB e a economia italiana

Muito didaticamente, o PIB nada mais é do que a soma de todos os serviços e bens produzidos por um país (ou estado, região, etc.), durante um período especifico (trimestre, semestre, ano).

Antes da crise do coronavírus, o Produto Interno Bruto italiano tinha um crescimento médio de 0,3% ao ano. A previsão do PIB italiano em 2019 foi de 0,6% inferior à previsão do Ministero dell’Economia e delle Finanze: ficou em 1,6%, contra os 2,2% definidos como meta no ano anterior.

Isso significa que os italianos consumiram pouco, ganharam pouco e o país, em modo geral, produziu pouco. E claro, tudo isso tem um impacto decisivo na economia da Itália.

Outro dado não indiferente é a relação entre a dívida pública italiana e o PIB, que em 2019 chegou a 134,8%. Em poucas palavras, esse valor significa que a Itália deve aos investidores, União Europeia e outros órgãos credores, tudo mais 34,8% de toda a riqueza que produziu no ano de 2019.

Em 2020, a dívida pública italiana atingiu 157,5% do PIB. Depois do primeiro período de lockdown no começo do ano, o país tentou uma tímida reabertura durante o verão, mas voltou a fechar os serviços considerados não-essenciais no último mês de 2020 e começo de 2021.

Com a ampla vacinação na União Europeia, a Itália tem adotado o Green Pass, que permite que pessoas totalmente vacinadas possam circular em restaurantes, cinemas, trens, aviões, museus e casas de espetáculos. A medida visa reaquecer a economia da Itália e fomentar o turismo, principal fonte de renda do país.

Taxa de desemprego

Em relação à taxa de desemprego na Itália, o país europeu detém um dos mais altos índices na Europa.

Só para se ter uma ideia, em 2019, esse índice chegou a 10%, estando atrás de países como Espanha e Grécia, as três maiores vítimas da crise de 2008, junto à Irlanda.

Em agosto de 2021, a taxa de desemprego na Itália se manteve estável em 9,3%, mas atingiu a máxima de 10,7% em abril de 2021. A suspensão do lockdown trouxe consigo a necessidade de mão-de-obra, principalmente na área de varejo, o que diminuiu o desemprego entre os jovens italianos.

Outra razão para a diminuição do número de desempregados, além da reabertura do comércio, foi a mudança no censo de trabalhadores. Desde janeiro de 2021, a Forze di Lavoro 2021 passou a incluir trabalhos de meio período, microempreendedores e outras ocupações no registro de italianos empregados.

Em relação ao nível de escolaridade, as taxas de desemprego são maiores entre pessoas com o Ensino fundamental completo.

Setores mais atingidos pela crise do coronavírus

Comércio e turismo

Os setores mais atingidos são aqueles ligados ao público, como comércio e o turismo. Os voos que partem do Brasil, que antes traziam um grande volume de turistas, estão suspensos até a publicação desta matéria, com abertura eventual apenas para italianos ou pessoas com residência comprovada na Itália.

Outros turistas podem circular pelo país com algumas restrições, como a apresentação do certificado de vacinação (o Green Pass). Além disso, passageiros que transitaram pelo Brasil, Índia, Bangladesh e Sri Lanka nos últimos 14 dias antes da viagem não podem entrar na Itália.
As restrições de turismo mudam constantemente, então é importante acompanhar de perto. O IATA Travel Centre costuma ser uma boa fonte, com atualizações em tempo real de todos os países.

Imobiliário

Quem vivia exclusivamente de renda, como aluguel, também teve o orçamento prejudicado. Em alguns casos, os aluguéis de apartamento na Itália sofreram uma redução no preço. De comum acordo com os proprietários das casas alugadas, alguns italianos conseguiram obter uma redução no valor da locação, devido à impossibilidade de trabalhar na Itália durante a pandemia.

Entretenimento

Outro setor gravemente prejudicado é o setor do entretenimento. Por se tratar de uma atividade laborativa no qual o contato interpessoal é necessário, teatro e cinemas foram e serão bastante prejudicados pela crise da Covid-19, já que ficaram fechados por quase 3 meses.

Para tentar driblar um pouco dessa crise, os cinemas e teatros organizaram sessões e espetáculos ao ar livre durante o verão. Além disso, o governo italiano decidiu destinar verbas de emergência para atores e atrizes que ficaram sem emprego durante a emergência Covid-19.

Desde o dia 11 de outubro de 2021, os cinemas e casas de espetáculo foram reabertos, com capacidade total, para portadores do Green Pass, ou seja, aqueles que foram vacinados e se registraram no aplicativo do governo italiano.

Setores menos afetados pela crise do coronavírus

A grande indústria italiana é, certamente, a mais favorecida pelos decretos-leis e auxílios fiscais, ambos propiciados pelas medidas econômicas emergenciais do governo italiano. Tendo em vista os dois meses de quarentena e, logo, de fechamento parcial da indústria, a esperança do governo e expectativa da União Europeia é de que a economia volte a operar o mais rápido possível.

O setor do grande varejo também teve bons resultados durante a crise sanitária, principalmente os supermercados, os quais continuaram a funcionar normalmente durante a quarentena. Isso porque o governo garantiu, durante todo o período de lockdown, o pleno funcionamento dos supermercados e das farmácias, que por sua vez eram os dois únicos lugares abertos durante o mesmo período.

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Turismo como salvação da economia italiana

Outro fator para considerar é o investimento do governo no turismo, que abriu parcialmente as fronteiras durante o verão de 2020, alta temporada turística italiana. Apesar da grande crise, os primeiros sinais positivos chegaram com o fluxo de turistas do norte da Europa, que procuram destinos “Covid Free” na Itália.

Um dos destinos mais procurados é a região Úmbria, a qual foi uma das regiões menos atingidas pelo coronavírus no país. Entre os italianos, a região também está sendo meta dos turistas do norte da Itália.

Sabendo disso, o governo está buscando soluções para aquecer o mercado turístico local. Uma das soluções adotadas pelo Parlamento italiano foi disponibilizar, em 2020, cupons de cerca 150€ para quem viajar pelo país.

Outra iniciativa adotada por regiões e cidades italianas foi promover o próprio território na ótica e ética do “Slow Tourism”. A proposta é dar “folga” aos lugares cheios o ano todo, como Veneza e Florença, levando o turista a uma espécie de redescoberta de lugares novos ou conhecidos, numa perspectiva local, lenta, em respeito às cidades e ao espaço, aos pequenos comerciantes e produtores.

Economia na Itália pós Covid-19

Durante o verão de 2021, o turismo entre as regiões italianas foi liberado, incluindo alguns países da União Europeia. A Sardenha, por exemplo, contou com um grande volume de turistas, que preferiram espalhar as suas férias entre junho e setembro, em vez de concentrarem-se somente no mês de agosto.

Os estrangeiros são mais afetados do que os italianos?

Infelizmente, nessas situações, além da dificuldade econômica, muitos casos de xenofobia surgem. Os primeiros casos registrados de coronavírus no país causaram um grande impacto negativo na comunidade chinesa.

Por motivos xenófobos, chineses (ou italianos descendentes de chineses) começaram a ser atacados pelas ruas, simbolizando a grande ignorância das pessoas em relação a essa nova doença. Até mesmo restaurantes chineses foram depredados.

Durante a campanha de vacinação contra a Covid-19, muitos imigrantes foram excluídos. A vacina era feita mediante marcação e, para garantir o seu horário, a Tessera Sanitaria física era exigida. O documento demora, no mínimo, três meses para ser expedido, o que dificultou o acesso dos recém-chegados ao país.

O governo italiano, através de alguns decretos-leis, destinou uma verba aos trabalhadores que ficaram sem emprego durante a emergência do coronavírus. Além disso, para tentar garantir o emprego das pessoas, o governo destinou uma espécie de seguro-desemprego que integrava 60% do salário nos meses de março, abril e maio.

Todas essas medidas foram pensadas para quem trabalhou até metade de março (a Itália entrou em lockdown oficial dia 9 de março de 2020, após o primeiro grande surto da doença no país) e foram destinadas aos trabalhadores devidamente registrados, independentemente da nacionalidade. Tais auxílios têm um duplo objetivo: ajudar as famílias e tentar girar um pouco a economia da Itália.

O impacto para os brasileiros na Itália durante a crise do coronavírus

O Itamaraty estima que o número de brasileiros residentes na Itália seja de cerca 80 mil. A maior parte deles se encontra no norte do país, mais especificamente na região da Lombardia. Foi nessa região onde o vírus teve rápida propagação, sendo também o epicentro da pandemia no país.

Muitos brasileiros que vivem ilegalmente no país ficaram sem receber salários, devido ao fechamento das empresas e, principalmente, do comércio. O trabalhador brasileiro, legalmente residente na Itália e que tenha ficado sem emprego, tem direito aos auxílios do governo. Por esses e outros motivos, não vale a pena arriscar morar ilegalmente na Europa.

Tais auxílios foram distribuídos com base na renda, comprovado por sua vez, pelo imposto de renda. Caso não tenha um contrato de trabalho e nem documentos que comprovem a “existência” legal enquanto trabalhador na Itália, o imigrante brasileiro não conseguirá comprovar para o governo o período trabalhado, o trabalho suspenso e, até mesmo, a renda familiar. Essa impossibilidade de comprovação levou à sua exclusão dos tais auxílios. Essa foi, certamente, uma das dificuldades enfrentadas por quem vive na Itália ilegalmente.

Em relação aos brasileiros regulares, na verdade, as dificuldades enfrentadas foram as mesmas enfrentadas por um italiano. Podemos elencar situações como perda do trabalho — ainda que a demissão fosse proibida durante toda a emergência do coronavírus, muitas pessoas foram demitidas durante o período de lockdown —, suspensão do trabalho e atrasos no pagamento do seguro-desemprego e auxílios governamentais, e outras problemáticas que nada tem a ver com a nacionalidade em si do trabalhador.

Brasileiros voltaram ao Brasil durante a pandemia?

Muitos brasileiros residentes temporariamente na Itália, principalmente os estudantes, decidiram voltar para o Brasil.

Primeiramente, porque não se sentiram seguros no país durante a primeira leva da doença, cuja mortalidade diária era de 2 mil pessoas em média. Em segundo lugar, porque muitos se encontravam sozinhos no país e relataram grande dificuldade em enfrentar o isolamento sem o apoio familiar. Em último lugar, porque a Itália permitia o embarque de cidadãos não italianos ou não residentes no país.

Apesar dos números alarmantes, o governo brasileiro não viu como prioridade a repatriação de brasileiros que se encontravam temporariamente (por mais de três meses até 1 ano) na Itália, durante os primeiros casos de coronavírus no país. Alguns brasileiros voltaram ao Brasil por conta própria, assustados com o que estava por vir.

Consequências da crise do coronavírus

A economia da Itália no pós-coronavírus voltou muito lentamente à ativa. O país viu as suas lojas, bares e restaurantes abrirem os batentes somente no final de maio de 2020.

Com a queda do número de clientes, a receita dessas atividades também caiu. Isso ocorreu devido a dois motivos principais. Existiam leis que proibiam a aglomeração na área interna de restaurantes e bares, o que fez com que os restaurantes diminuíssem o número de mesas. As lojas ainda hoje devem controlar o número de pessoas que entram em suas dependências. Tudo isso para evitar a transmissão do vírus entre os clientes. O outro motivo reflete queda da renda per capita, motivada pelos meses não trabalhados. Muitas famílias preferem não jantar em restaurantes.

Com o avanço da campanha de vacinação, que garantiu a imunização total de 70% da população acima dos 12 anos, o governo permitiu a retomada das atividades normais a restaurantes, cinemas e casas de espetáculos, contanto que houvesse controle do certificado de vacinação pelos estabelecimentos. Além, é claro, do respeito a normas menos restritivas de distanciamento social.

Em grandes cidades, como Roma e Milão, o número de pessoas em situação de vulnerabilidade e de rua cresceu razoavelmente. Inclusive, durante a crise da Covid-19, essa população foi muito afetada, sendo bastante negligenciada: a emergência sanitária por aqui começou no inverno e muitos centros de acolhimento foram desativados pelas prefeituras, para evitar o contágio da Covid-19 entre os usuários.

Sem dúvida, os refugiados também foram prejudicados pela emergência da Covid-19. Os centros de acolhimento e ajuda ao refugiado ficaram fechados pelo mesmo motivo citado no parágrafo anterior.

A vida e economia da Itália no pós-crise do coronavírus

A vida na Itália no pós-emergência do coronavírus é bastante peculiar e as regras dependem de onde você mora. A Lombardia, região onde moro, foi um dos principais focos de transmissão do coronavírus. Durante o primeiro lockdown, que se estendeu de março a maio de 2020, as pessoas sentiam muito medo de ir às ruas, além de serem penalizadas com multas ao saírem de suas cidades sem a devida justificativa.

A reabertura durante a primavera e verão de 2020 foi tímida, com várias restrições de circulação. As pessoas preferiam continuar em casa a se arriscar em restaurantes, deixando cidades como Milão, que não são destinos comuns para o verão, quase desertas.

Com o segundo lockdown, que aconteceu durante o inverno italiano, muitas festas de fim de ano foram frustradas. Voos e trens entre regiões eram duramente fiscalizados, além do uso obrigatório da máscara ser reforçado em comércios e locais de baixa circulação de ar.

Com o avanço da campanha de vacinação, a vida na Itália no pós-emergência do coronavírus está, lentamente, voltando ao normal. Por um período, as regiões eram classificadas de acordo com os índices de contaminação registrados. Atualmente, todo o país se encontra na “zona branca”, ou seja, com baixo risco de transmissão de Covid-19.

As aulas nas universidades e escolas foram retomadas, com um regime de revezamento entre ensino à distância e aulas presenciais, para diminuir a concentração de alunos. As refeições nas áreas internas dos restaurantes também foram liberadas, contanto que os clientes apresentem o certificado de vacinação ou Green Pass.

O uso obrigatório das máscaras em locais fechados está sendo substituído pela apresentação do certificado de vacinação, mas alguns italianos não se importam em usar máscaras em locais fechados, principalmente nos grandes centros, onde existe muita circulação de pessoas.

Economia da Itália: crise de 2008 e do coronavírus

Vale a pena lembrar também da crise que afetou a economia da Itália em 2008.

A Itália foi muito afetada pela crise financeira de 2008, levando a economia do país — e principalmente, os italianos — a situações incertas e instáveis. Desta forma, o país perdeu não só a capacidade de atrair investimento estrangeiro, como também não soube como potencializar a economia interna.

A crise de 2008 também trouxe graves consequências de instabilidade socio-política. E de fato, quando a crise do coronavírus chegou, a Itália ainda não tinha saído 100% da crise iniciada há 12 anos.

Como se sabe, a dívida pública italiana é uma das mais altas da Europa. Inclusive, muito da crise não superada se deu também por conta da instabilidade política, um verdadeiro marco italiano. Os dados nos dizem que pouco se avançou nesses mais de dez anos, seja do ponto de vista econômico, seja do ponto de vista social e político.

Sendo o primeiro país a ter que lidar com o coronavírus, a Itália não estava preparada para enfrentar uma epidemia dessa intensidade. Tal falta de preparação levou o país a tomar algumas medidas drásticas, como o fechamento total do comércio (com exceção de mercados e farmácias) e fechamento parcial das fábricas e grande indústria.

Deste modo, pode-se dizer que enquanto em 2008 houve uma recessão econômica mundial, em consequência do número excessivo de empréstimos de crédito de risco, a atual crise tem repercussão direta no consumo, uma vez que houve pouca produção, em todos os setores. Deste modo, a economia da Itália encontra-se, mais uma vez, vulnerável.