O mundo inteiro rende-se ao charme da Cidade Luz, mas este país, do tamanho de Minas Gerais, tem muito mais a oferecer.

A gente muda de país, mas alguns comportamentos nos acompanham na mala. Na minha bagagem, por exemplo, trouxe a velha mania de tirar o todo pela parte. Explico: No Brasil, nascida e criada no Rio de Janeiro, levei tempo para entender o quanto a minha cidade natal não representava 100% dos traços culturais do meu país. E apesar de maravilhosa, a cidade onde mora o Cristo Redentor não engloba todos os encantos brasileiros. Da mesma forma, aprendi aqui que a França não é só Paris.

E quando falo isso não é uma figura de retórica do tipo “tem uns locais bonitinhos para visitar”. Longe disso. Quando digo que a França não se restringe à sua capital, refiro-me a regiões onde transbordam natureza exuberante, monumentos históricos e cultura para viajante algum botar defeito.

O caso é tão sério que no meu blog Crônicas de Paris, criei até uma editoria chamada Além de Paris. Depois de morar na França e conhecer melhor o país, escrever crônicas somente sobre a capital seria por demais restritivo.

Geografia da França

Com cerca de 850 mil km2, o território francês tem um formato de hexágono e equivale aproximadamente ao estado de Minas Gerais em termos de superfície. E isso somente quando falamos da parte europeia, uma vez que existe a chamada France Outre-Mer, que nada mais é que um conglomerado de países localizados em outros continentes, mas considerados como estado da federação francesa.

O paradisíaco Tahiti, na Polinésia Francesa, e a nossa vizinha Guiana Francesa são alguns exemplos. Ou seja, é mais ou menos como funcionava na época do colonialismo com a diferença que… bem, nem os franceses conseguem explicar direito a diferença, então, não vou me atrever.

Vamos nos concentrar, portanto, nessa parte do país localizado na Europa. Atualmente, o mapa da França é dividido em 13 regiões:

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  • Auvergne-Rhône-Alpes;
  • Bourgogne-Franche-Comté;
  • Bretagne;
  • Centre-Val de Loire;
  • Corse;
  • Grand Est;
  • Hauts-de-France;
  • Ile-de-France;
  • Normandie;
  • Nouvelle-Aquitaine;
  • Occitanie;
  • Pays de la Loire;
  • Provence-Alpes-Côte d’Azur.

Ile-de-France é onde fica a capital, mas como a França não é só Paris, ouso dar um panorama mais amplo da terra de Luís XIV. Não será possível falar de todas as regiões, mas convido você a uma pequena degustação.

Diversidade nas paisagens

Quando comparamos a França ao Brasil, a consideramos pequena. E este dado torna ainda mais surpreendente a diversidade natural e cultural das regiões.

Tem praia para quem é de praia. Chapadas com maciços espetaculares, cachoeiras e fiordes. Montanhas com lagos e neve, prontas para esquiar. Fazendas e muita área rural com produção agrícola. Tem florestas, inclusive urbanas como a de Fontainebleau.

Regiões na França para conhecer

A proposta da coluna não é servir de guia, pois há excelentes profissionais da área de turismo e esse não é meu caso. A ideia é despertar a sua vontade de explorar toda a parte off-Paris. E para atiçar a sua curiosidade, vamos dar umas pinceladas sobre alguns locais imperdíveis do território francês.

Saiba como é a imagem do Brasil na França.

De Paris não vemos o mar

Vamos começar pelas praias e paisagens marítimas. Apesar dos quase 11 mil quilômetros de costa, o litoral brasileiro é banhado apenas pelo Oceano Atlântico. Já a França, com um pouco mais da metade disso (5.853 quilômetros de litoral) tem água do Canal da Mancha, do Mar do Norte, do Oceano Atlântico, do Mar Mediterrâneo e do Mar Celta – que banha a Bretanha e, nesta região, é conhecido como Mer d’Iroise.

Toda essa diversidade marítima já é a prova de que a França não é só Paris. Tive a oportunidade de percorrer todos esses cantos. Tiro o chapéu para as paisagens bretãs, como a Ile d’Ouessant, o ponto mais ao oeste do país, aonde só se chega de barco e se pode ver focas e golfinhos no percurso. Mas tenho uma queda especial pela Côte du Granit Rose, também na região da Bretanha, com a sua paisagem espetacular de granito rosa e mar cor de esmeralda.

Mas se a ideia é mergulhar em um mar calmo e morno, corra para a costa mediterrânea! A paisagem de fazer cair o queixo são as Calanques, pedras em meio a um azul de mar, muito bem apreciadas em um passeio de barco por Cassis, cidade ao ladinho de Marselha, por sinal a segunda maior metrópole francesa, depois de Paris.

Ainda na Côte D’Azûr, destaco a praia de Palome, em Saint-Jean-Cap-Ferrat. Para a estadia, a desconhecida dos brasileiros Juan-les-Pins, com suas praias deslumbrantes e menos turística que a vizinha Antibes, outro biju mediterrâneo que fica a 20 minutos a pé de Juan-les-Pins e ainda tem um museu Picasso com vista para o Mediterrâneo, de fazer esquecer Paris.

A Paris da ficção versus a Paris real: conheça a cidade Luz.

Champanhe não é só de beber

Na vitória, nós merecemos. Na derrota, precisamos. Este é o lema da bebida conhecida por ser chique, cara e sofisticada. Estamos falando de champanhe, bien sûr!!! Mas este tipo de vinho espumante tem esse nome por causa do departamento francês, Champagne – Ardenne, localizado na região Grand Est, onde a bebida é produzida.

Os números são surpreendentes. Segundo a Câmara de Comércio e Indústria da França (CCI de France), o comércio da bebida movimenta cerca de 5 bilhões de euros por ano e a produção anual média gira em torno de 300 milhões de garrafas.

Colheitas de uvas na França para fabricação do Champagne

Ao avaliar uma parte dos seus dados econômicos, vemos o quanto a França não é só Paris. Mas, claro, em meio a esta riqueza e belas paisagens a dica em Champagne é aproveitar as “vendanges“, que são as colheitas de uvas das quais qualquer mortal pode participar. Elas acontecem, normalmente, entre fim de agosto e começo de outubro. E acaba tornando-se um programa diferente para quem quer conhecer a mais de perto o processo de vinicultura e ainda receber uns euros pelos quilos de uva colhidos.

Saiba quais as principais receitas francesas para experimentar durante a sua estadia no país.

Vinhos e O Pequeno Príncipe

Descendo de Champagne até a região de Bourgogne-Franche-Comté, Auvergne-Rhône-Alpes ou partindo até Aquitaine, na qual se localiza a cidade de Bordeaux, o deslumbre com as estradas envoltas de verde e os vinhedos de onde saem alguns dos melhores vinhos do planeta. Aliás, Boudeaux é uma das melhores cidades da França para morar.

Na região de Auvergne-Rhône-Alpes, se encontra a terceira maior cidade francesa. Lyon, é uma grande metrópole com ares de interior, local onde nasceram grandes franceses como Paul Bocuse, célebre chef de cozinha, e Antoine de Saint-Exupéry, o pai do Pequeno Príncipe. Aos arredores de Lyon estão os produtores de vinhos espetaculares como o Côte du Rhône e o Broully , o vinho que é o cru du Beaujolais – meu preferido entre todos os vinhos franceses.

Os cenários de Asterix

Outra região espetacular é a Occitanie. Confesso: de todas que conheço, é minha preferida. Comer, fazer trilhas, praticar canoagem, tomar banho de cachoeira, visitar monumentos históricos da época da ocupação romana na França e até pré-históricos, datados de 5 mil anos antes de Cristo. Tudo isso ali naquele pedaço de terra que vai do meio da França até o litoral sul.

Sim, tudo isso é possível na região que abrange Lozère e seu delicioso queijo Pelardon, difícil de encontrar em Paris, e Cevènnes, com o seu Parque Nacional tombado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco. O chamado “maciço central” francês lembra as nossas chapadas, com suas montanhas rochosas e vales cortados por riachos e quedas d’água.

Nîmes an França

Ali também se encontra Aubrac, Aveyron e Cantal, conhecidas respectivamente pela carne de boi mais apreciada no país, pelo aligot, um purê de batatas com um queijo tipo requeijão, o Cantal, batizado com o nome da cidade onde é produzido. Todas as iguarias são para comer agradecendo aos deuses. O que é de se esperar, já que o francês mantém uma relação de amor com a comida.

Desça mais um pouco e parece que estamos entrando em uma das historinhas de Asterix: em Nîmes e Arles a cultura romana, imposta em cima dos gauleses, o povo originário da França. O aqueduto de Pont de Gard é um exemplo. Você chega de carro, paga 16 euros por pessoa e aproveita o dia inteiro entre caminhadas em locais históricos, práticas esportivas como canoagem ou simplesmente aproveitar a praia de rio deliciosa.

Toulouse, La Ville Rose

Tem ainda Toulouse, a Cidade Rosa e os seus prédios em terracota. Linda e célebre por sua universidade empenhada em pesquisas de ciência e tecnologia.

Uma das delícias de Toulouse é pegar o metrô e ouvir as informações em francês e em occitano, o segundo idioma oficial da região e ainda preservado.

Toulouse na França

Ao redor de Toulouse e por toda a região – aliás por toda a França – há uma infinidade de vilas e pequenas cidades que preservam as suas características medievais. Carcassone é uma das mais famosas e belas, mas, pode apostar: qualquer arquitetura medieval já enche os olhos de beleza.

Saiba quais são as cidades pequenas da França para incluir no roteiro de viagem.

Praia além da Riviera

E para finalizar com chave de ouro, que tal um mergulho no Mediterrâneo? Ao sul da Occitanie tem praia. Você não vai encontrar tão badaladas como as praias da Riviera Francesa, mas vai encontrar, por exemplo, a praia d’Espiguette e os seus 10 de areia fina como maisena, mar calmo e dunas com vegetação quase intocada.

Praia d’Espiguette na França

A praia só é acessível por carro ou bicicleta, exige caminhada de pelo menos um quilômetro para chegar nela, por isso, preserva os seus encantos. Aos adeptos do naturismo, tem um extenso pedaço para se banhar como se veio ao mundo.

Mont Blanc: a Torre Eiffel dos Alpes

As paisagens de montes cobertos de neve são para mim o ponto na qual a França ganha de goleada do Brasil. Ninguém acredita até ver com os próprios olhos: das praias da Côte D’Azur a gente avista os alpes franceses. E isso é algo muito fora do comum aos olhos de uma carioca.

Subindo as montanhas e aproximando-se do departamento de Savoie, a gente nem vê mais o mar. Estações de ski e lagos cedem espaço à paisagem, enriquecida pela arquitetura toda em chalés de madeira. Em uma cidade como Chamonix, por exemplo, não é difícil encontrar um turista ou outro fazendo o famoso “ohhhhh” ao depararem-se com o Mont Blanc. Qualquer semelhança com a reação ao verem a Torre Eiffel não é coincidência.

Alpes franceses

Conheça também algumas curiosidades da França.

Fora de Paris muita coisa ficou de fora

A gente faz uma coluna imensa para lembrar que a França não é só Paris e percebe o quanto ainda falta. Nem consegui chegar aos Pirineus e as cidades praianas que fazem fronteira com a Espanha basca, como Biarritz. E também nem chegamos às belezas da Catalunha Francesa, com as suas preciosidades como Perpignan e Colliure

Também faltou espaço para mencionar o norte francês, com cidades fofas como Lille. E nem tocamos no departamento da Alsace e a sua Colmar, com cara de cidade de conto de fadas.

Passamos pela Bretanha, sem tempo de parar na Normandia, onde fica o Monte Saint Michel, dentre tantas outras belezas e sítios históricos, como os ligados às batalhas da Segunda Guerra Mundial.

Com tanta riqueza fora da capital, a França é um convite aos viajantes que apreciam o savoir vivre, traço marcante da cultura francesa. Beber, comer e aproveitar a vida é a lição de toda a França além de Paris. E, de quebra, a gente ainda encontra um povo mais acolhedor e sorridente. Um povo que “bufa” menos.  Mas agora que você já sabe que França não é só Paris, não deixe o resto do país de fora da sua programação de viagem para a França!