Portugal já esteve nos seus planos? Ou é um sonho novo? É certo que o país virou o destino de muitos brasileiros. Afinal, já somos mais de 500 mil residentes no país. Mas será que Portugal é um lugar bom para morar? É o ideal para você? Vem, vamos descobrir.
Portugal é um lugar bom para morar e ter qualidade de vida
Isso não é novidade, na verdade é um dos motivos que mais atrai os brasileiros que vêm morar no país: a qualidade de vida, e principalmente a segurança.
As regras ficaram mais rígidas e o improviso acabou. Quem quer morar legalmente em Portugal hoje precisa de planejamento, informação correta e decisões bem feitas desde o Brasil.
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Conheça o Ebook Morar em Portugal →A segurança em Portugal é visível, e pode ser sentida no dia a dia da vida no país. E essa sensação de segurança é confirmada pelos números oficiais. Após conhecer melhor o país, é fácil entender por que Portugal é um lugar bom para morar.
O país continua entre os dez mais seguros do mundo
De acordo com os dados mais recentes do Global Peace Index, Portugal continua sendo um dos países mais seguros do mundo. Na edição de 2025, Portugal ocupa a 7ª posição no ranking global de segurança, ficando atrás apenas de Islândia, Irlanda, Nova Zelândia, Áustria, Suíça e Singapura.
Portugal vem se mantendo, de forma constante, entre os dez países mais bem colocados nos últimos anos, provando que o país é um lugar bom para morar. Esse bom desempenho reflete avanços na percepção de segurança, na estabilidade política e no compromisso com o desenvolvimento social e a proteção interna.
Essa posição reforça a imagem do país como um destino seguro e acolhedor, tanto para quem vive aqui quanto para quem visita, fortalecendo ainda mais sua reputação internacional em segurança e qualidade de vida. Portugal é um lugar bom para morar principalmente devido à segurança e da qualidade de vida.
A saúde pública é utilizada pela maioria da população
A saúde pública em Portugal, que fica a cargo do Sistema Nacional de Saúde (SNS), é de qualidade e é usada por quase toda a população. Os utentes (como são chamadas as pessoas inscritas no SNS) têm direito a fazer a inscrição em um centro de saúde e têm um médico de família responsável pelo seu atendimento.
É verdade que nem sempre há médicos de família disponíveis para todas as pessoas, mas isso não chega a ser um problema, já que o atendimento por um médico plantonista é sempre garantido nos centros de saúde. E o atendimento de urgência nos hospitais também.
O Serviço Nacional de Saúde continua a ser um pilar importante, garantindo acesso universal e reconhecido pela sua qualidade, confirmando que Portugal é um lugar bom para morar. No entanto, desafios como a falta de financiamento, a escassez de profissionais e as longas listas de espera têm pesado, especialmente para quem depende exclusivamente do sistema público.
Isenção de taxas moderadoras
Além disso, desde 2022 todas as taxas moderadoras foram extintas. Essas taxas eram pagas pela população para ter acesso aos atendimentos médicos, como consultas e realização de exames. O valor era muito acessível, mas agora os atendimentos são todos gratuitos.
Hoje em dia, a única taxa cobrada é o acesso ao serviço de urgência aos hospitais sem encaminhamento prévio do SNS. Mas ainda assim, se o paciente precisar ser internado, não há cobrança de taxa.
Como funciona o atendimento?
Em Portugal, o SNS adota o sistema de atendimento primário. Ou seja, o primeiro passo do paciente deve ser fazer uma consulta com o seu médico de família. Se for possível, o próprio médico de família toma as providências necessárias para o tratamento.
Se não for, o paciente é encaminhado pelo sistema público para um médico especialista ou para a realização de exames, conforme a necessidade.
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Portanto, vale a pena saber que através da saúde pública de Portugal não é possível marcar uma consulta diretamente com um médico de especialidade. E também não é possível escolher o médico que vai fazer o atendimento.
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Então, se você quiser ter a possibilidade de marcar uma consulta com o profissional que preferir ou mesmo se quiser consultar um especialista diretamente, saiba que é preciso se preparar e reservar um dinheiro para pagar por um seguro de saúde.
Com um seguro privado, você tem liberdade para escolher os médicos e hospitais onde vai consultar.
Mas vale mais um alerta: os seguros de saúde disponíveis em Portugal são diferentes dos planos de saúde do Brasil. Ao contratar um seguro, o valor médio mensal fica em torno de 32 €, variando conforme o perfil e a idade do segurado.
Além disso, é comum pagar valores de coparticipação para realizar consultas, que, dependendo do plano escolhido, custam entre 15 € e 26 € por consulta. É importante analisar bem as coberturas e os custos antes de escolher o seguro de saúde mais adequado ao seu perfil.
Os impostos em Portugal são altos
Portugal tem uma das cargas tributárias mais altas da Europa, especialmente em relação ao Imposto de Renda (IRS) e às contribuições para a Segurança Social.
De acordo com os dados mais recentes do relatório Taxing Wages 2025 da OCDE, Portugal ocupa a 8ª posição entre os 38 países da organização com maior carga tributária sobre o trabalho. Para se ter uma ideia, em 2024, a carga tributária para um trabalhador com salário médio (solteiro e sem filhos) atingiu 42,3%, ficando acima da média da OCDE, que foi de 34,9%.
Esse indicador inclui impostos sobre o rendimento e contribuições para a segurança social, tanto do trabalhador quanto do empregador, excluindo benefícios sociais
Em resumo, quanto maior for o salário, maiores serão os impostos devidos, já que o país aplica valores progressivos sobre o montante do ganho anual dos trabalhadores.
Mais ganhos, mais impostos
No Imposto de Renda em Portugal (IRS) os impostos devidos são calculados com base em escalões, de forma progressiva. Os escalões do IRS em Portugal definem quanto cada pessoa ou família paga de imposto, com base no rendimento anual.
Em 2025, esses valores foram atualizados em 4,6% para acompanhar a inflação prevista. A ideia é simples: garantir que, mesmo com o aumento no custo de vida, as pessoas não acabem pagando mais IRS do que o justo.
Confira a tabela atualmente em vigor:
| Escalão | Rendimento anual | Taxa do IRS |
| 1º | Até 8.059€ | 13% |
| 2º | Mais de 8.059€ até 12.160€ | 16,5% |
| 3º | Mais de 12.160€ até 17.233€ | 22% |
| 4º | Mais de 17.233€ até 22.306€ | 25% |
| 5º | Mais de 22.306€ até 28.400€ | 32% |
| 6º | Mais de 28.400€ até 41.629€ | 35,5% |
| 7º | Mais de 41.629€ até 44.987€ | 43,5% |
| 8º | Mais de 44.987€ até 83.696€ | 45% |
| 9º | Mais de 83.696€ | 48% |
Outros impostos
Para quem quer saber se Portugal é um lugar bom para morar, é importante saber que, além dos impostos sobre o trabalho, há outros impostos em Portugal, como:
- Impostos sobre o patrimônio: Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT) e Imposto do Selo (IS);
- Imposto sobre o consumo: Imposto de Valor Acrescentado (IVA);
- Impostos sobre automóveis: Imposto Único de Circulação (IUC) e Imposto Sobre Veículos (ISV).
Bem-estar social
Apesar da carga tributária elevada, é importante destacar que o governo português direciona os impostos para investimentos que visam melhorar a qualidade de vida da população.
Nos últimos anos, Portugal antecipou o compromisso internacional de investir 2% do PIB em defesa e segurança, o que representa um reforço de cerca de 1 bilhão de euros em 2025 para modernização de equipamentos, infraestrutura, inovação tecnológica e resposta a emergências, como incêndios e resgates.
Na saúde, o orçamento para 2025 foi ampliado para 16,8 bilhões de euros, um aumento de 9% em relação ao ano anterior, com prioridade para contratação de profissionais, atualização salarial e melhoria dos serviços públicos de saúde.
Na educação, o governo implementou medidas para garantir conectividade digital nas escolas e lançou planos para recuperação de aprendizagem e inclusão de estudantes imigrantes, com investimento de 15 milhões de euros destinados à infraestrutura digital em 2025.
Essas áreas — educação, saúde e segurança — continuam no centro das prioridades do atual governo. Vale lembrar que o Presidente da República é Marcelo Rebelo de Sousa, no cargo desde 2016, e o Primeiro-ministro é Luís Montenegro, líder da coligação Aliança Democrática.
Portugal não é um país para enriquecer
Esse é um ponto que vale prestar atenção se você está pensando em morar em Portugal. Como dissemos antes, a maioria das pessoas que decide mudar para o país faz isso pensando na qualidade de vida que vai ter.
Quando falamos em qualidade de vida, falamos sobre a segurança, sistema de saúde pública que funciona e educação pública com boa qualidade. E isso é mais do que suficiente para muita gente.
Mas Portugal não é um país de grandes salários, e de modo geral, não é um país onde se ganha muito dinheiro – embora sempre possa existir alguma exceção. Então, se você pensa em se mudar vislumbrando ficar rico, talvez Portugal não seja a melhor escolha.
Salário mínimo e médio
Em 2025, o salário mínimo nacional em Portugal foi atualizado para 870 € brutos, representando um aumento de aproximadamente 6% em relação a 2024 e de 14% em comparação com 2023.
A proporção de trabalhadores que recebem o salário mínimo permanece significativa, embora tenha havido uma ligeira redução nos últimos anos: atualmente, cerca de 20% dos trabalhadores recebem o salário mínimo, segundo estimativas recentes.
Quanto à distribuição salarial, os dados mais recentes indicam que cerca de 60% dos trabalhadores recebem menos de 1.000 € brutos por mês, refletindo uma ligeira melhoria em relação aos anos anteriores, mas ainda mostrando uma forte concentração de rendimentos nas faixas mais baixas.
A média de rendimentos subiu ao longo dos últimos anos
A remuneração média bruta mensal apurada no primeiro trimestre de 2025 atingiu 1.525 €, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), o que representa um aumento nominal de 5,3% em relação ao ano anterior.
Em termos reais, descontando o efeito da inflação, esse crescimento corresponde a um ganho de 2,9% no poder de compra dos trabalhadores portugueses.

Apesar dos aumentos salariais, a maioria dos trabalhadores ainda recebe valores próximos ao mínimo nacional. O desafio de melhorar o poder de compra continua no ponto central do debate sobre o mercado de trabalho em Portugal.
Menos consumismo
Para entender melhor se Portugal é um lugar bom para morar, vale saber que, de modo geral, os portugueses são pessoas menos consumistas. É claro que isso varia de pessoa para pessoa e também com o estilo de vida. Mas os portugueses normalmente não são tão preocupados em trocar de carro todos os anos ou em ter um carro zero quilômetro, por exemplo.
Já a casa própria é uma prioridade, até porque os valores dos aluguéis são bem altos e não há indicativos de que os preços vão baixar a curto prazo. Conforme os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística divulgados pelo portal imobiliário Idealista, cerca de 70% dos portugueses possuem casa própria.
Ou seja, as opções de consumo e de gastos são outras. Além da casa própria, que representa segurança, uma das coisas que é mais importante, e que boa parte dos portugueses investe, é nas férias de verão.
Investimento nas férias
É cada vez mais comum que as famílias portuguesas façam um planejamento financeiro para garantir alguns dias de descanso durante a temporada de calor, especialmente nas praias do país.
Em 2025, o orçamento médio destinado às férias de verão pelas famílias portuguesas é de 1.515 €, valor que representa uma redução de 23% em relação ao ano anterior e se mantém abaixo da média europeia, atualmente fixada em 2.080 €.
Viver com menos é cultural
Viver com menos faz parte do jeito português de ser. Ao chegar a Portugal, logo dá para notar que essa simplicidade não é apenas uma questão de economia, mas um verdadeiro modo de vida.
Os portugueses, no geral, valorizam o que é essencial: preferem a tranquilidade de um lar simples, uma boa refeição feita em casa e momentos com a família ou os amigos a qualquer demonstração de luxo. É um estilo que reflete tanto a história de um povo que já passou por muita coisa quanto a sabedoria de quem entende que ser feliz não tem a ver com exageros.
No dia a dia, é fácil perceber como o uso consciente dos recursos faz parte da rotina. Reutilizar, reaproveitar, cuidar bem do que se tem, tudo isso é natural e muitas vezes aprendido desde cedo, dentro de casa.
Para muitos, viver com menos não é sinal de falta, mas de liberdade: menos dívidas, menos pressa, menos necessidade de impressionar e mais tempo para curtir o que realmente importa.
Em Portugal, cultura é coisa séria
Em Portugal, a cultura tem ganhado cada vez mais espaço e atenção, reforçando a ideia de que é um lugar bom para morar. O apoio a esse setor é visto como uma prioridade nacional, e isso se reflete no aumento constante dos investimentos públicos nos últimos anos.
Desde 2016, o orçamento para a cultura já cresceu mais de 48%, mostrando o compromisso em valorizar as artes, a história e a identidade do país. Hoje, a cultura está entre as áreas com mais destaque no investimento público, ficando atrás apenas da saúde.
Para 2025, o orçamento da cultura foi novamente ampliado, atingindo 824 milhões de euros, o maior valor já destinado ao setor, com um aumento de cerca de 18% em relação ao ano anterior. O objetivo do governo é que, até o final da legislatura, 2,5% do orçamento total do país seja dedicado à cultura.
Entre as principais medidas de apoio, destaca-se o Programa de Apoio Sustentado às Artes 2023-2026, que prevê um aumento de 114% no investimento em relação ao período anterior, alcançando um total de 148 milhões de euros.
O programa tem como objetivo fortalecer o setor artístico, reduzir desigualdades entre regiões e dar mais estabilidade às entidades culturais. Os apoios são divididos entre várias áreas, como artes visuais, música, ópera, dança, teatro, programação cultural, artes de rua e circo.
A educação pública portuguesa atende 78,5% da população
A maioria dos estudantes em Portugal, cerca de 78,5%, está matriculada em escolas e universidades públicas, segundo dados da Pordata. Isso representa aproximadamente 1,58 milhão de alunos, desde a educação pré-escolar até o ensino superior.
Já o ensino privado concentra 21,5% dos estudantes, com cerca de 433 mil matriculados. No total, o país tem mais de 2 milhões de alunos no sistema educacional.
Essa preferência pela escola pública mostra a confiança das famílias na qualidade do ensino oferecido. As instituições públicas em Portugal são reconhecidas, tanto dentro como fora do país, pelo seu rigor e pelo compromisso com uma educação acessível a todos.
Para a maioria, o ensino público continua sendo a melhor opção
O ensino público continua a ser a escolha de grande parte da população, reforçando a importância da educação como base para o crescimento pessoal e o progresso social.
Outro fator que vale a pena explicar é que nas escolas públicas o ensino é gratuito, e os responsáveis pelas crianças precisam pagar apenas pela alimentação, visitas de estudo e material escolar de uso pessoal. Todo o material básico é fornecido pelo governo.
Se você tem filhos em idade escolar e pretende matriculá-los em uma escola pública, pode ficar tranquilo, pois ele terá acesso à educação de qualidade. Além disso, ele terá a oportunidade de conviver com colegas portugueses e estrangeiros de diferentes realidades e classes sociais.
Portugal não é um país de serviços, como o Brasil
Antes de decidir definitivamente se Portugal é um lugar bom para morar, também vale a pena conhecer um pouco mais sobre o setor de serviços do país. Sabe por quê? Porque existem algumas diferenças em relação ao Brasil.
De forma geral, em Portugal existe a cultura do “faça você mesmo”, ou seja, é bem comum que as pessoas limpem suas próprias casas, façam pequenos consertos domésticos e cortem a grama do jardim.
Serviço de empregada doméstica? Existe, claro! Mas não é muito comum, na maioria dos casos só pessoas de elevado poder aquisitivo costumam contratar esse serviço. Em geral, é comum contratar no máximo um serviço de limpeza quinzenal ou semanal para dar uma ajudinha em casa.
Tele-entrega
Outra coisa que é ligeiramente diferente do Brasil são os famosos serviços de delivery. No Brasil estamos acostumados a usar as entregas para tudo: comida, bebida, compras de farmácia e de supermercado.
Atualmente, os serviços de entrega em Portugal, como Uber Eats e Glovo, consolidaram-se como parte do cotidiano, especialmente nas grandes cidades. O crescimento do setor foi impulsionado pelo aumento do e-commerce e pela procura por conveniência, com entregas cada vez mais rápidas e flexíveis.
Embora a oferta ainda seja mais concentrada em áreas urbanas, a cobertura e os horários de funcionamento expandiram-se consideravelmente nos últimos anos, acompanhando a mudança dos hábitos de consumo dos portugueses.
Apesar desse avanço, o delivery ainda não atinge a abrangência que existe em outros países. Em muitas cidades médias e pequenas, a oferta é limitada e os horários são restritos, refletindo a preferência da cultura portuguesa por refeições caseiras e o convívio presencial.
No entanto, as plataformas têm investido em tecnologia, sustentabilidade e parcerias para diversificar os serviços, incluindo entregas de supermercado, farmácia e até experiências gourmet em casa.
Quase não há serviços 24 horas
Por falar em horários limitados, vale a pena saber também que são pouquíssimos serviços que podem ser encontrados abertos fora do horário comercial.
Com exceção de algumas farmácias de plantão, é pouco provável encontrar um supermercado aberto depois das 21 horas, um posto de gasolina com horário estendido ou um restaurante que funcione depois da meia-noite.
Domingo é dia de descanso e da família e quase todo o comércio não funciona, com exceção de supermercados, restaurantes e shoppings.
O ritmo de vida em Portugal é mais devagar
Isso é tão verdadeiro que nós até já falamos sobre isso em um artigo sobre o ritmo de vida em Portugal. E achamos importante que quem quer saber se o país é um lugar bom para morar, conheça um pouco mais de como andam as coisas por aqui, para saber se o ritmo português faz sentido para você ou não.
Digamos que em Portugal o tempo parece outro, e particularmente apreciamos isso.
Como já explicamos, os serviços 24 horas não são uma realidade e os domingos são reservados ao descanso e ao tempo com a família.
Os serviços públicos têm seus prazos mais lentos, muitas vezes é preciso esperar semanas por um agendamento, pegar uma fila ou aguardar uma carta oficial em casa.
O trabalho não é tudo
Além disso, em geral, as pessoas não vivem para trabalhar. Trabalham porque é preciso, claro. Mas a vida é mais do que isso, é feita para viver, passar tempo com a família e amigos e viajar.
Portanto, se você vem de cidades grandes do Brasil ou ama o ritmo de uma grande metrópole, repense se Portugal é mesmo para você. Até Lisboa, a capital do país, tem um ritmo mais suave.
Se quiser mesmo vir, ótimo. Mas saiba que vai ser preciso se adaptar ao ritmo do país!
População conservadora ou progressista?
Podemos dizer que a população portuguesa é dividida, encontramos movimentos, ideais e pessoas conservadoras e progressistas por aqui.
Vale destacar que o país tem alguns avanços que foram inclusive apoiados pela população. O aborto, por exemplo, é permitido desde 2007 para qualquer situação. A decisão passou por votação popular e foi aprovada por 59,25% dos cidadãos.
O consumo de drogas é ilegal, mas não é crime. Desde 2001, a compra, posse e consumo de drogas não é criminalizada. Com isso, os usuários de drogas são vistos como pessoas que precisam de apoio e tratamento para terem uma vida livre de dependência, e não como criminosos.

Já o casamento entre homossexuais é uma realidade desde 2010 e a adoção de crianças por casais homoafetivos é permitida desde 2016. Portugal é um país que fez muitos avanços na proteção da população LGBTQIA+ nos últimos anos.
A eutanásia, a morte medicamente assistida, tem sido muito discutida no país nos últimos anos e os debates são calorosos – mas não é permitida. A pauta já passou pelo Parlamento algumas vezes, mas até o momento não foi aprovada porque não existe consenso sobre o assunto.
Portugal também tem lutado contra a discriminação e o racismo, situações que ainda são uma realidade bem presente no país em algumas situações. Em 2022, o governo criou o Plano Nacional de Combate ao Racismo e à Discriminação para atuar na recolha de dados e fazer intervenções na educação, segurança, saúde, emprego, moradia e justiça.
A distância física (e cultural) do Brasil é a menor da Europa
É isso mesmo! O país europeu mais próximo do Brasil geograficamente é Portugal, ou seja, dependendo da região do Brasil de onde você sai, em poucas horas é possível aterrissar no país.
Saindo de Recife, por exemplo, em menos de 8 horas você chega a Lisboa. Já saindo de Florianópolis, a viagem dura cerca de 13 horas. Mas essa é apenas uma curiosidade e não deve ser um fator decisivo na hora de escolher em qual país morar, certo?
Além disso, Portugal também tem muitas semelhanças culturais com o Brasil, como já comentamos antes. Ao chegar no país, você certamente vai reconhecer alguns pratos da gastronomia portuguesa, vai entender o idioma (mesmo que não totalmente), vai compartilhar a paixão pelo café e perceber as semelhanças na arquitetura.
Mas vale reforçar que, apesar de algumas semelhanças, Portugal tem sua própria cultura e existem também muitas diferenças em relação ao Brasil.
Atenção: Portugal não é “um Brasil melhorado”
Isso é algo importante para quem deseja saber se Portugal é um lugar bom para morar, porque pode ser um pensamento bem comum. Sentimos por desiludir você. Saiba que Portugal não é um Brasil que funciona melhor. Portugal é Portugal e Brasil é Brasil, ainda que existam coisas em comum entre os dois países.
Mas, como viemos falando ao longo desse texto, Portugal é um país que tem uma cultura própria e bem definida. Um país de pessoas pacíficas e trabalhadoras e com um ritmo de vida mais calmo – mesmo nas cidades grandes.
Esse alerta serve para que você saiba que vai chegar aqui e encontrar um país diferente, e para se adaptar bem é preciso estar disposto a conhecer (e respeitar) Portugal e os portugueses. Para quem vier de coração aberto, com respeito e sabendo bem o que vai encontrar pela frente, podemos garantir que as chances de se apaixonar são grandes.
Portugal é um país acolhedor (mas também existe xenofobia)
Muita gente fala que Portugal é um país acolhedor e bom para morar, e isso é verdade. Em geral, os brasileiros são bem recebidos por aqui e boa parte dos portugueses gosta dos brasileiros (ou ao menos respeita).
Mas é preciso estar consciente de que a xenofobia também existe por aqui e pode ser que você tenha que lidar com isso em algum momento. Nem sempre de forma explícita, mas pode acontecer sim. Registros não faltam, infelizmente. Dados recentes mostram um aumento expressivo nas queixas de xenofobia, com crescimento de 30% entre 2022 e 2024 e um salto de 20% nos casos envolvendo brasileiros apenas no último ano.
Apesar de muitos portugueses valorizarem a diversidade e defenderem direitos para imigrantes, há uma tensão entre a tradição de hospitalidade e o medo do “outro”, que se manifesta em episódios de discriminação, violência e exclusão.
E isso é motivo para desistir de Portugal? Sinceramente, não! Mas tenha ciência de que isso pode acontecer, pense em como seria lidar com isso para saber se você está ou não disposto.
Portugal é um país maravilhoso para morar, mas não é para todos
Como você viu, Portugal é um país encantador, cheio de qualidades e onde se pode usufruir de muita qualidade de vida e tranquilidade. É por isso que tantos brasileiros o escolhem como novo lar e não se arrependem. Portugal é um lugar bom para morar e criar novos hábitos com mais equilíbrio.

Mas ele não é para todos e isso não é um problema. Muitas pessoas vão se adaptar bem à cultura, à comida e ao clima e vão se apaixonar pela terrinha.
Outras não. Se esse for o seu caso, fique tranquilo. Se você tem o desejo de viver uma experiência do Brasil e acha que Portugal não é o seu lugar, dê uma chance para os outros tantos países da Europa.
A Europa é muito diversa
No continente europeu você vai encontrar muitos outros países cheios de qualidades, cada um com suas culturas e particularidades. Portanto, se você entendeu que Portugal não é o seu destino, se permita conhecer outras possibilidades.
Pesquise sobre outros países que podem interessar a você, para conhecer o que cada um tem de bom para oferecer. Estude as oportunidades de trabalho e estudo, o clima, o custo de vida, a segurança e a saúde. Aqui no Euro Dicas temos muita informação sobre vários países como Espanha, Itália, Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica, Irlanda, Malta e muitos outros.
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Se Portugal é o seu país…
Mas você sente aquele frio na barriga só de pensar em toda a burocracia e nas dúvidas que parecem não ter fim, saiba que não está sozinho: nós já estivemos exatamente nesse lugar!
Foi por isso que criamos o ebook Como Morar em Portugal: um guia completo recheado de informações práticas, atualizadas e testadas por quem realmente viveu essa experiência.
Você vai encontrar desde o passo a passo dos vistos até dicas do dia a dia, custos reais, listas, links úteis e soluções para aquelas questões que só aparecem quando a mudança já está batendo à porta.
Conte com a gente, faça um planejamento detalhado e boa mudança!
Tié Lenzi +1 autor