A segurança em Portugal é um dos principais fatores que atraem quem pensa em morar ou viajar para o país. Para quem vem de cidades com altos índices de criminalidade, a ideia de viver em um lugar tranquilo é um grande alívio. Mas será que essa percepção corresponde à realidade?
Neste artigo, vamos mostrar dados oficiais sobre criminalidade em Portugal, os tipos de crimes mais comuns e quais regiões são mais seguras. Também vamos trazer comparações com outros países e dicas para aproveitar e respirar com paz e tranquilidade!
As regras ficaram mais rígidas e o improviso acabou. Quem quer morar legalmente em Portugal hoje precisa de planejamento, informação correta e decisões bem feitas desde o Brasil.
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Portugal, de modo geral, é muito seguro. Uma das primeiras coisas que nos passa pela cabeça quando pensamos em segurança é poder caminhar pelas ruas, mesmo nas principais cidades, durante o dia e à noite sem grandes preocupações. E, sim, ainda é possível fazer isso em Portugal, até em Lisboa, a cidade com maior número de pessoas do país.
Claro, como em qualquer lugar do mundo, existem pontos que merecem atenção, principalmente em áreas muito turísticas, onde furtos por distração ou pequenos golpes (burlas) invariavelmente acontecem. Mas, o policiamento é visível e a presença de câmeras e seguranças em áreas comerciais passa confiança.
Comparado ao Porto, onde eu (Ane) moro, sinto que, por ser uma cidade menor, ela é mais acolhedora, o que transmite uma sensação maior de segurança. Mais adiante, vamos conferir os dados para ver se essa impressão se confirma.
Contudo, já adianto que, os noticiários apontam sim um aumento significativo na maioria dos índices de criminalidade, o que vem exigindo da população e do governo português mais cuidado (especialmente porque é ano de eleição).
Índice de paz da segurança em Portugal
Portugal é frequentemente citado como um dos países mais seguros do mundo e os números confirmam isso. No mais recente Global Peace Index (GPI), de 2025, Portugal aparece na 7ª posição global, consolidando sua reputação como um lugar pacífico para viver ou visitar.
Olhar a evolução ao longo dos anos mostra consistência:
| Ano | Pontuação (GPI) | Posição Global |
| 2019 | 1.317 | 4.º |
| 2020 | 1.350 | 6.º |
| 2021 | 1.349 | 7.º |
| 2022 | 1.361 | 9.º |
| 2023 | 1.354 | 6.º |
| 2024 | 1.372 | 7.º |
| 2025 | 1.371 | 7.º |
O que isso quer dizer na prática? Portugal é seguro não só porque há poucas ocorrências graves, mas também porque a sociedade funciona de forma estável, as instituições são confiáveis e há baixa exposição a conflitos.
Ou seja, andar pelas ruas, ir ao supermercado ou passear à noite é algo que, estatisticamente, você faz com muito mais segurança em Portugal do que em muitos outros países da América Latina e até mesmo da Europa.
Índices de criminalidade em Portugal
Falando em números, vamos dar uma olhada no que realmente acontece no dia a dia. A maior parte dos crimes registrados em Portugal está relacionada a furtos, roubos e pequenas fraudes, algo que turistas e moradores devem ficar atentos.
Já os crimes contra pessoas, como violência doméstica, injúria e difamação, embora tenham diminuído ligeiramente, também são importantes para acompanhamento das autoridades.

Segundo a publicação mais recente do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), em 2024 a criminalidade total teve 354.878 participações, enquanto a criminalidade violenta e grave, teve 14.385 ocorrências. Entre os destaques de aumento em relação ao ano anterior estão:
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ENTRAR EM CONTATO →- Roubo de viaturas (carros): +106%;
- Roubo em estabelecimentos comerciais: +21,7%;
- Violação: +9,9%.
Esses dados mostram onde é importante redobrar a atenção.
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Para deixar mais claro, os crimes mais frequentes que afetam a segurança em Portugal são:
- Crimes contra o patrimônio: furto por batedores de carteira mantém-se em destaque;
- Crimes contra pessoas: ameaça e coação, principalmente;
- Crime contra a vida em sociedade: falsificação e passagem de moedas falsas e, embora tenha diminuído, destaca-se também a condução com taxa de álcool igual ou superior a 1,2 g/l.
Relatório Anual de Segurança Interna (RASI)
Analisando de forma mais detalhada o RASI 2024, as 354.878 participações criminais totais ao longo do ano tiveram uma redução de -4,6% em relação a 2023.
Por outro lado, a criminalidade violenta subiu +2,6% se comparada ao ano anterior. Isso inclui alguns casos de roubo em estabelecimentos, roubos de carros e crimes sexuais.
Em termos práticos, você não precisa ficar paranoico, mas vale a pena tomar pequenos cuidados: cuidar de bolsas e documentos em transportes públicos e supermercados, evitar ruas muito isoladas à noite e ficar atento em áreas muito movimentadas.
Veja como as ocorrências se distribuem:
| Categoria | Porcentagem número total (2024) | Observação |
| Crimes contra o patrimônio | 52,4% | Furtos, roubos, burla. Predominam em áreas urbanas densamente povoadas e regiões turísticas |
| Crimes contra as pessoas | 25,9% | Inclui violência doméstica, agressões e ofensas à integridade física, homicídios (raros) e crimes sexuais; |
| Outros crimes | 21,7% | Crimes contra a vida em sociedade, segurança rodoviária, Estado, incêndio em florestas, falsificação de documentos, etc. |
Essa tabela não diz que você tem 50% de chance de ser roubado, mas mostra quais tipos de crime são mais comuns. Com atenção básica, você reduz bastante qualquer risco.
Cidades mais e menos seguras de Portugal
Quando o assunto é escolher onde morar em Portugal, a segurança deve pesar na decisão e entender os dados ajuda nisso.
Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (2024) e do Instituto Nacional de Estatística (INE) cidades com menores índices de criminalidade são menos populosas e afastadas dos grandes centros, por isso, mais tranquilas. É o caso de muitas cidades do interior e das ilhas, que aparecem com frequência no topo dos rankings de segurança em Portugal.

Por outro lado, regiões mais urbanizadas ou muito turísticas tendem a concentrar mais ocorrências. Mas isso não significa, necessariamente, que sejam perigosas. Um bom exemplo é Lisboa: apesar da fama, a capital portuguesa não está entre as cidades mais inseguras do país, conforme divulgado pelo JN.
A seguir, reunimos as cidades mais e menos seguras de Portugal com base em dados do INE e do RASI 2024. O nosso ranking considera tanto a taxa de criminalidade por 100 mil habitantes quanto o número total de crimes registrados, ajudando a comparar concelhos grandes e pequenos de forma mais justa.
Cidades mais seguras
Esses são os concelhos que combinam pouca criminalidade no total e taxas muito baixas quando ajustadas ao número de habitantes, algo especialmente relevante para quem está de mudança e procura um cotidiano mais tranquilo:
| Posição | Concelho | Distrito / Região | Observação |
| 1 | Corvo | Açores | Menor taxa de criminalidade do país |
| 2 | Lajes do Pico | Açores | Pouquíssimos crimes registrados ao longo do ano |
| 3 | Condeixa-a-Nova | Coimbra | Destaque entre os concelhos do interior |
| 4 | Ponta do Sol | Madeira | Baixa criminalidade e rotina tranquila |
| 5 | Calheta | Madeira | Bons indicadores proporcionais à população |
| 6 | Sernancelhe | Viseu | Um dos concelhos mais seguros do interior |
| 7 | Alvaiázere | Leiria | Criminalidade muito abaixo da média nacional |
| 8 | Vila de Rei | Castelo Branco | Concelho pequeno e com poucos registos criminais |
| 9 | Penela | Coimbra | Perfil residencial e baixos índices de crimes |
| 10 | Góis | Coimbra | Destaque pela tranquilidade e segurança |
Cidades menos seguras
Quando falamos em “cidades menos seguras”, é preciso interpretar os dados com cuidado. Muitas vezes, esses concelhos aparecem no topo do ranking não por violência, mas por terem mais população, turismo intenso ou grande circulação de pessoas.
Por exemplo, Lisboa ocupa a 11.ª posição no ranking do INE, com cerca de 53,6 crimes por 100 mil habitantes, um índice relativamente baixo para uma cidade grande e turística. A seguir, confira os concelhos com as taxas mais elevadas de criminalidade:
| Posição | Concelho | Distrito / Região | Observação |
| 1 | Albufeira | Faro (Algarve) | Forte impacto do turismo na criminalidade |
| 2 | Avis | Portalegre | Taxa elevada em relação ao tamanho da população |
| 3 | Mourão | Évora | Pouca população, mas índice proporcional alto |
| 4 | Loulé | Faro (Algarve) | Área extensa e muito turística |
| 5 | Porto | Porto | Grande centro urbano, mais crimes em números absolutos |
| 6 | Sines | Setúbal | Atividade industrial e portuária influencia os dados |
| 7 | Vila do Bispo | Faro (Algarve) | Turismo sazonal pesa na taxa por habitante |
| 8 | Ribeira Grande | Açores | Destaque nos dados proporcionais |
| 9 | Alcácer do Sal | Setúbal | Extensão territorial e população reduzida |
| 10 | Aljezur | Faro (Algarve) | Turismo e sazonalidade impactam os números |
Perceba que o Porto aparece em 5.º lugar na lista, com 59,9 crimes por 100 mil habitantes, superando os índices de criminalidade de Lisboa e contrariando a minha percepção (Ane) de que a cidade parece mais segura por ser menor e mais acolhedora.
Isso mostra que a sensação de segurança em Portugal nem sempre coincide com os números oficiais. Ainda assim, a experiência do dia a dia influencia bastante a percepção de quem vive nas cidades.
Como a segurança pública em Portugal é dividida?
Assim como no Brasil que temos a divisão policial em Militar, Civil e Federal, em Portugal não é diferente. Por aqui, a segurança pública é dividida em:
Polícia de Segurança Pública (PSP)
A Polícia de Segurança Pública (PSP) visa garantir a segurança interna, assegurar o direito dos cidadãos e defender a legalidade democrática.
Guarda Nacional Republicana (GNR)
A Guarda Nacional Republicana (GNR) para além das funções básicas desempenhadas pela PSP, é uma força militar que também atua na defesa nacional e em cooperação com as Forças Armadas (ao nível interno e externo), tendo, assim, uma jurisdição mais ampla, que compreende todo o território nacional, incluindo o marítimo.
Polícia Judiciária (PJ)
Polícia Judiciária (PJ) desenvolve e promove as ações de prevenção, detenção e investigação criminal em Portugal, incluindo homicídios, crime organizado, corrupção, entre outros.
A quem devo recorrer?
Depende do tipo de ocorrência que você precisa denunciar:
- Para a maioria dos casos do dia a dia, como furtos, roubo, violência doméstica, crimes contra o patrimônio público, você deve recorrer à Polícia de Segurança Pública (PSP) em áreas urbanas, ou à Guarda Nacional Republicana (GNR) se estiver em zonas rurais e pequenas aldeias. Ambos atendem queixas, registram ocorrências e prestam orientação sobre os procedimentos legais;
- Para crimes mais graves ou complexos, como homicídios, tráfico de drogas, crimes sexuais, corrupção ou crime organizado, a Polícia Judiciária (PJ) é a autoridade competente. Eles investigam casos detalhadamente e atuam em conjunto com outras forças de segurança.
Em situações de emergência, ligue imediatamente para 112, que é o número único de urgência em Portugal. Para denúncias não urgentes, você pode procurar diretamente a esquadra da PSP ou posto da GNR mais próximo, ou acionar a PJ quando o caso envolver crimes graves.
É seguro viajar para Portugal?
Sim, é seguro viajar para Portugal, especialmente quando comparado a muitos outros destinos, inclusive ao Brasil.
O país recebe milhões de turistas todos os anos e, de forma geral, oferece um ambiente tranquilo para circular, usar transportes públicos e explorar cidades históricas tanto de dia quanto à noite.

Falando da minha experiência pessoal, eu (Ane) senti isso logo na primeira vez que fui a Lisboa, em 2017. Algo que me marcou foi a liberdade de andar à noite sozinha, com uma câmera fotográfica na mão, coisa que eu jamais fazia no Brasil por “diversão”, já que aquela câmera era meu ganha-pão e se eu fosse assaltada, não tinha como trabalhar.
Em Portugal, eu sentia que podia “turistar” com tranquilidade, observar a cidade, fotografar e caminhar sem medo constante. Isso não significa baixar completamente a guarda. Aquela sensação de alerta, comum para quem cresce ou vive muito tempo em grandes cidades brasileiras, não some de um dia para o outro, e nem deveria.
A diferença é que, em Portugal, esse cuidado vira algo leve: atenção a pertences, principalmente em áreas turísticas, sem a tensão permanente que faz parte da rotina em muitas cidades do Brasil.
Principais crimes contra turistas
Na prática, para quem viaja, os riscos mais comuns são furtos e carteiradas, sobretudo em locais muito movimentados. Com cuidados básicos, é totalmente possível aproveitar Portugal com segurança, liberdade e uma sensação real de tranquilidade durante a viagem.
Independentemente de onde vá, o que mais ajuda é manter atenção aos detalhes: pequenos furtos costumam acontecer justamente quando as pessoas relaxam demais e isso pode ser evitado com cuidados simples, quase automáticos, do tipo que qualquer amigo que já mora na cidade daria.
É perigoso morar em Portugal?
Não, especialmente quando olhamos para os dados oficiais e para a comparação com alguns países. Portugal segue entre os países mais seguros do mundo, com baixos índices de criminalidade violenta, segundo o RASI. Porém, viver em Portugal traz uma visão mais realista e menos idealizada da segurança no dia a dia.
Essa diferença entre visitar e morar ficou clara para mim (Ane) ao longo do tempo. Antes de eu visitar Portugal pela primeira vez, meu irmão já tinha se mudado para Lisboa.
Ele deixou o Brasil especialmente depois de viver episódios de violência física apenas por andar de mãos dadas com um amigo na rua (vimos episódios ainda mais graves e violentos acontecerem com outros amigos também).
Ao se mudar, ele contava que, apesar de ainda existirem olhares, comentários e até xingamentos homofóbicos em algumas áreas, não havia aquela sensação pesada de que sair de casa podia significar não voltar.
Acho que saber disso antes da minha mudança, que aconteceu alguns anos depois, me fez já chegar mais relaxada, mesmo quando vinha visitá-lo. Mas, passados 3 anos morando em Portugal, a minha percepção amadureceu.
O país continua seguro, sim, mas o cotidiano faz a gente enxergar camadas mais profundas da segurança em Portugal. Questões que não aparecem tanto para turistas passam a fazer parte do nosso radar. Um exemplo claro é a violência doméstica, que segue como um dos principais desafios do país.
Segundo o RASI, entre 2022 e 2023, houve um aumento expressivo nas denúncias, indicadores que cresceram de forma muito acentuada, cerca de 300% em um ano. Ainda que os dados mais recentes, de 2024, mostrem uma desaceleração, esse é um problema que está longe de ser resolvido.
Além disso, quem mora aqui começa a perceber outros riscos reais, embora menos intensos do que em países mais violentos: burlas, golpes imobiliários (inclusive envolvendo arrendamentos temporários), fraudes online, crimes de oportunidade e xenofobia contra imigrantes.
Para mulheres, há ainda uma atenção constante a casos noticiados de abusos, assédio e desaparecimentos, que reforçam a necessidade de cautela, algo que infelizmente faz parte da vivência feminina em qualquer lugar do mundo.
O brasileiro Renan Teixeira também compartilha no vídeo a seguir a sua visão sobre a segurança em Portugal e como isso se reflete na rotina de quem pretende morar no país.
Como a segurança é sentida no dia a dia em Portugal
Em resumo, Portugal é seguro para morar, mas não é isento de problemas. A diferença está na escala e na intensidade. A violência existe, os riscos existem, e os noticiários estão aí para lembrar disso.
Ainda assim, a sensação geral é de maior previsibilidade, mais confiança nas instituições (especialmente entre os portugueses) e menos medo constante, o que faz toda a diferença na qualidade de vida.
Qual a cidade mais segura de Portugal para famílias?
As cidades consideradas mais seguras para famílias em Portugal costumam ser concelhos de médio porte, com boa infraestrutura, menor pressão turística e baixas taxas de criminalidade proporcional à população. Esses locais combinam tranquilidade no dia a dia com acesso a serviços essenciais, como escolas, saúde e transportes.
Entre as cidades que mais se destacam nesse cenário, segundo dados recentes do INE, estão:
- Barcelos: frequentemente apontada entre os concelhos com menores taxas de criminalidade por habitante;
- Viseu: conhecida pelo ambiente familiar e índices baixos de crimes violentos;
- Aveiro: boa qualidade de vida aliada a níveis controlados de criminalidade, embora com um custo de vida crescente nos últimos anos;
- Torres Vedras: equilíbrio entre cidade e interior, com dados positivos de segurança;
- Oeiras: apesar de integrada à Grande Lisboa, mantém bons indicadores de segurança, uma oferta completa de serviços, mas com custos de vida constante aumento.
Portugal é seguro se comparado a outros países?
Sim. Portugal está à frente de Espanha, Itália e França em termos de paz e segurança geral, o que o coloca no top 10 mundial e entre os 5 países mais seguros da Europa.
Veja a tabela com os dados do último Global Peace Index de 2025 (GPI), que considera fatores como violência, crimes, estabilidade política e ausência de conflitos para desenvolver o índice oficial. No ranking, você vê tanto a posição dos países dentro do continente europeu quanto globalmente:
| País | Pontuação GPI* | Ranking GPI | Observação |
| Portugal | 1.371 | 5.º na Europa / 7.º no mundo | Entre os países mais pacíficos globalmente |
| Espanha | 1.578 | 18.º na Europa / 25.º no mundo | Segurança estável, mas abaixo de Portugal na paz social |
| Itália | 1.662 | 22.º na Europa / 33.º no mundo | Indicadores de paz ligeiramente mais baixos |
| França | 1.967 | 33.º na Europa / 74.º no mundo | Entre os que possuem maiores desafios de segurança na UE |
Minha opinião pessoal comparando Portugal com outros países da Europa
Eu, Ane, já morei na Itália e também viajei para França e Espanha, o que ajuda a colocar Portugal em perspectiva. Na Itália, apenas nas grandes cidades a sensação de alerta é mais constante, principalmente por causa de pequenos furtos em áreas turísticas. Roma, Milão e Florença são exemplos.
Morei em uma cidade muito, muito, pequena na Itália e a sensação de segurança lá era muito parecida com as que tenho nas pequenas cidades portuguesas. Paz e tranquilidade. ‘Não se passa nada’ e eu acho ótimo!
Já visitando a França, o que mais me chamou atenção foi o policiamento constante, tanto em Paris quanto em cidades menores, possivelmente ligado à prevenção de ataques ou à segurança em geral. Na Espanha, mesmo em Madri e Barcelona, me senti segura, embora seja fácil imaginar que a vida cotidiana ali traga seus próprios desafios.
Em cidades menores da Espanha, a sensação de liberdade também se aproxima do que eu experimento em Portugal. A exceção foi a região da Extremadura, onde percebi um clima mais hostil. Uma impressão pessoal até difícil de explicar, mas perceptível comparando com outros lugares que já estive no país.
No geral, comparando experiências e dados oficiais, Portugal segue se destacando pela tranquilidade no cotidiano. Uma sensação de segurança mais leve, algo que faz diferença real para quem vive no país.
Comparativo entre a segurança em Portugal e no Brasil
Quando comparamos Portugal e Brasil, a diferença em termos de segurança é bastante perceptível, tanto nos números oficiais quanto na experiência cotidiana.
Segundo dados do GPI 2025, Portugal ocupa o 7.º lugar no ranking mundial, enquanto o Brasil aparece muito mais abaixo, na posição 130 de 163 países do mundo analisados. Isso reflete os altos índices de violência urbana, homicídios e instabilidade social.
No que diz respeito à criminalidade, dados do RASI 2024 mostram que a taxa de crimes violentos em Portugal é muito baixa. Homicídios, roubos e furtos graves estão concentrados e raramente atingem níveis alarmantes para quem mora ou visita o país.

No Brasil, por outro lado, mesmo em grandes cidades com policiamento forte, a probabilidade de ser vítima de crimes como roubo, assalto à mão armada e violência urbana é significativamente maior. Isso cria uma sensação constante de alerta para quem vive em áreas metropolitanas.
Falando de experiência pessoal, vivendo em Portugal, eu (Ane) percebo uma tranquilidade no cotidiano que dificilmente senti no Brasil, mesmo nas pequenas cidades. É possível andar à noite, sair com pertences (sem bobear, claro) e explorar bairros sem aquela tensão constante.
Em resumo, na minha opinião, Portugal oferece uma segurança “mais mensurável”, enquanto no Brasil a segurança varia muito de cidade para cidade, e a sensação de proteção no dia a dia é bem mais limitada.
Para quem vem do Brasil, a diferença não está apenas nos números, mas na qualidade de vida e na liberdade de viver sem medo constante.
Fatores que contribuem para a segurança em Portugal
A segurança em Portugal não acontece por acaso. Ela é resultado de uma combinação de fatores estruturais, sociais e culturais que tornam o país mais estável e previsível no dia a dia. A extensão territorial também colabora.
Entre os principais elementos que influenciam positivamente a segurança no país, destacam-se:
Estabilidade econômica
Uma economia relativamente estável contribui para reduzir crimes ligados à pobreza ou desigualdade extrema. A economia de Portugal atravessa uma fase positiva, embora ainda haja certa instabilidade, assim como ocorre em outros países europeus.
A taxa de desemprego, segundo os dados mais recentes do INE, publicados em janeiro de 2026, fixou-se em 5,7%, a mais baixa em muitos anos e abaixo da média da União Europeia, o que ajuda a diminuir tensões sociais e, consequentemente, a criminalidade.
Sistema de justiça eficiente
O sistema judicial português, incluindo a atuação da Polícia Judiciária e do Ministério Público, funciona de forma estruturada e transparente. A existência de processos claros para investigação de crimes, punição e mediação de conflitos aumenta a confiança da população nas instituições e inibe ações criminosas.
Policiamento e presença do Estado
A PSP e a GNR garantem cobertura abrangente em cidades grandes, médias e pequenas. O policiamento funciona tanto como prevenção quanto como resposta rápida a incidentes, aumentando a sensação de segurança entre moradores e turistas.
Educação e conscientização
Programas de educação para jovens e campanhas de conscientização sobre violência, tráfico e segurança pública ajudam a reduzir comportamentos de risco e a formar cidadãos mais conscientes sobre seus direitos e deveres.
Infraestrutura e planejamento urbano
Cidades bem planejadas, com iluminação pública adequada, transportes seguros e bairros organizados, também contribuem para reduzir oportunidades de crime e aumentar a sensação de segurança, especialmente nas cidades pequenas de Portugal.
Cultura e valores sociais
Portugal é um país com forte senso de comunidade e valores culturais que favorecem a convivência pacífica. Nas pequenas cidades e regiões do interior, o convívio próximo e a socialização ajudam a criar ambientes onde crimes graves são raros. Os próprios moradores se protegem.
Influência da imigração
O debate sobre segurança também está na grande presença de imigrantes em Portugal. Dados da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), indicam que o país já ultrapassa 1,5 milhão de estrangeiros residentes, com maior concentração em cidades como Vila do Bispo, Odemira, Lisboa, Oeiras, Sintra e Amadora.
Essa diversidade, que quase quadruplicou em 7 anos, tem efeitos diferentes na forma como as pessoas percebem a segurança e a convivência. Estudos mostram que o aumento da imigração não está diretamente ligado ao aumento da criminalidade, e em alguns concelhos com mais imigrantes, os índices de crime são até inferiores à média nacional.
No entanto, as percepções sociais nem sempre seguem os dados. O Immigration Barometer 2024 (mais recente) mostra que uma parte dos portugueses acredita que a imigração contribui para aumento da criminalidade ou pressiona salários, mesmo quando reconhece que os imigrantes são importantes para a economia.
Além disso, as mudanças na Lei de Estrangeiros, com políticas de controle mais rígidas, são reflexos das preocupações expressas por uma parte da população.
Olhar positivo
Na prática, a maioria dos portugueses vê a imigração de forma positiva, e os receios sobre segurança não são confirmados pelos dados oficiais. Ainda assim, vale estar atento às dinâmicas locais, respeitar as leis e buscar integração, o que ajuda a fortalecer a convivência no dia a dia e a diminuir preconceitos.
Antes de seguir, vale assistir ao vídeo da Milla Britock, que traz um panorama claro e atual sobre a segurança em Portugal. Ela comenta a evolução do país nos rankings de segurança, as percepções populares e como dados oficiais, imigração e cobertura da mídia influenciam a forma como o tema é visto hoje.
Dicas para manter sua segurança em Portugal
Com atenção e bom senso, é possível viver ou viajar por Portugal com tranquilidade e aproveitar o país com segurança no dia a dia:
- Fique atento a furtos em locais movimentados, como transportes públicos, centros históricos e pontos turísticos;
- Evite distrações com celular e objetos de valor, especialmente em áreas muito cheias;
- Desconfie de ofertas boas demais, sobretudo em aluguéis, subarrendamentos e reservas online. Aqui também tem golpe!
- Use transportes oficiais (metrô, comboio, apps reconhecidas ou táxis licenciados);
- Informe-se sobre o bairro onde vai morar ou se hospedar, especialmente à noite;
- Em emergências, ligue 112, o número único de urgência em Portugal;
- E para nós mulheres, aqueles cuidados básicos que já conhecemos bem, como avisar alguém sobre deslocamentos noturnos e evitar ruas muito isoladas.
Perguntas frequentes sobre a segurança em Portugal
Apesar dos bons indicadores, é normal surgirem dúvidas antes de viajar ou morar em outro país. A seguir, respondemos às perguntas mais comuns com base em dados oficiais e na experiência do dia a dia.
Sim. Portugal aparece de forma consistente entre os países mais seguros do mundo, ocupando o 7.º lugar no Global Peace Index mais recente, e no 5.º lugar entre os países europeus, graças aos baixos índices de criminalidade violenta, à estabilidade social e à ausência de conflitos armados.
De forma geral, sim. Em muitas cidades portuguesas é comum ver pessoas caminhando à noite, especialmente em áreas centrais e residenciais. Ainda assim, vale evitar ruas muito isoladas e manter atenção básica, principalmente em grandes centros e zonas turísticas.
Portugal é considerado um país relativamente seguro para mulheres, sobretudo quando comparado a muitos outros destinos. No entanto, casos de assédio, violência doméstica e abusos existem e exigem alguma atenção e cuidado, mas sem pânico.
A recomendação é manter cuidados básicos, especialmente à noite, e denunciar qualquer situação de risco, seja em âmbito pessoal ou nas relações de trabalho.
A sensação predominante é de tranquilidade e previsibilidade. Para quem vem do Brasil, a diferença costuma ser de menos medo no cotidiano, mais confiança para circular pelas cidades e uma relação mais próxima com o espaço público — mesmo sabendo que, como em qualquer país, cuidados continuam sendo necessários.
Se a segurança em Portugal te fez considerar ainda mais a mudança, planeje-se de forma consciente e com informação confiável. E conte com o Euro Dicas!
Ane Pacola