A cidade onde moro chama-se Ovar, um pequeno município na região central de Portugal. Fica no meio do caminho entre as cidades do Porto, ao Norte, e de Aveiro, no sentido sul. Aliás, Ovar faz parte do distrito de Aveiro (algo parecido com o que chamamos de Estado no Brasil e cuja capital é também a cidade de Aveiro, a exemplo do que temos nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro). No artigo, conto um pouco mais sobre como é morar em Ovar.

Como é morar em Ovar?

O distrito de Aveiro possui 19 concelhos (os nossos municípios) e um deles é Ovar. Nos últimos anos, apesar de não estar no circuito tradicional do turismo em Portugal, Ovar tem chamado a atenção de muitos brasileiros, que cada vez mais chegam para ficar.

E vou contar aqui porque meus conterrâneos começam a criar raízes na terra do pão de ló e do carnaval.

Brasil e Ovar, uma relação antiga

Apesar do grande fluxo de brasileiros para Ovar nos últimos anos, esse intercâmbio de brasileiros e portugueses da cidade não é novo. Muitos portugueses da região (o chamado povo Vareiro) já emigrou para o Brasil no século passado. Temos vários pontos de conexão na cultura, no esporte e também no Carnaval.

O escritor Júlio Dinis escreveu em Ovar um dos clássicos da literatura portuguesa, que depois virou novela no Brasil em duas produções distintas: “As Pupilas do Senhor Reitor”, que foi para a tela da Record nos anos 1970, e para o SBT em regravação nos anos 1990.

Ferreira de Castro, outro importante escritor português, apesar de não ter vivido aqui, deu nome à rua onde morei por um período no centro de Ovar e escreveu “A Selva”, seu principal romance, publicado nos anos 1930, que relata parte da vida do autor nos seringais no norte do Brasil.

Intercâmbio cultural entre os países

Salvador Malheiro, presidente da Câmara Municipal de Ovar, posição mais ou menos equivalente ao que chamamos de prefeito no Brasil, e com quem tive a chance de trocar informações para escrever esse artigo, reforça esse estreito vínculo entre as comunidades.

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“Julgo que, de certa forma, o povo brasileiro encontra neste território um conjunto de fatores culturais com os quais se identifica – a genuinidade e generosidade do povo vareiro, a nossa alegria, a nossa maneira de acolher, o nosso modo de ser e o pioneirismo e o empreendedorismo deste nosso povo – são também características comuns ao povo brasileiro”, declarou o Presidente da Câmara de Ovar.

No passado, em vários séculos e momentos, foram muitas as famílias vareiras que se viram obrigadas a emigrar e muitas delas escolheram o Brasil como destino. E, de lá, exportaram para Ovar “pedaços” da riqueza econômica e cultural brasileira.

Destaco três exemplos, entre muitos outros:

  • Indústria da Cordoaria: para a produção de fios e cordas, redes de pesca e tapeçarias em fios de juta e sisal associada à indústria brasileira de produção destes fios;
  • O carnaval de Ovar: o mais popular carnaval de inverno cuja expressão cultural absorveu muito dos carnavais brasileiros;
  • A Centenária Ovarense: que foi uma “criação” do fundador, benemérito e patrono Francisco Augusto Marques da Silva, ilustre vareiro emigrado no Brasil, que, com outros, recriou na Cidade de Ovar o histórico clube do Rio de Janeiro, o Club de Regatas Vasco da Gama, de que havia sido presidente, criando aqui a Associação Desportiva Ovarense.

Uma localização estratégica ao morar em Ovar

O concelho de Ovar tem cerca de 147km2, tamanho similar com o dos municípios de Arraial do Cabo (152km2), no Rio de Janeiro, ou de Valinhos e Praia Grande (ambos por volta de 148km2), em São Paulo.

São pouco mais de 55 mil habitantes, população semelhante à de Campos do Jordão (52 mil) ou São José do Rio Pardo (55 mil), ambas em São Paulo.

A cidade fica a cerca de 40km de duas importantes cidades portuguesas, Porto e Aveiro, destinos servidos pelo trem que para com frequência na estação de Ovar. Basta pouco mais de meia hora sobre os trilhos para o sul (Aveiro) ou para o Norte (Porto), para o trem deixar os viajantes bem no centro das cidades.

Há outras cidades vizinhas de Ovar, tão ou mais perto dessas outras duas, que não tem o benefício de contar com uma estação de comboio (o nosso trem).

Isso, sem dúvida, é um ponto muito positivo para quem vive em Ovar: é possível trabalhar nas cidades maiores e se locomover de trem até o trabalho. Para quem está acostumando a ficar mais de uma hora no trânsito de São Paulo ou do Rio de Janeiro para percorrer poucos quilômetros, seguir tranquilo no trem é uma alegria.

E os que querem dar uma escapada até Lisboa também podem aproveitar a comodidade do trem e viajar por pouco mais de três horas até chegar à capital do país.

Praia ou campo?

Quem fica apenas no centro da cidade de Ovar vai dizer que aqui é uma cidade bastante rural, ainda cercada por médias e grandes áreas plantadas (agora, por exemplo, estamos na época da colheita do milho) e de casas com pequenas hortas.

Muitas vezes a gente ganha tomates, curgete (abobrinha), pimentos (pimentões), figos, ovos, ameixas, da senhora que nos ajuda na limpeza de casa e de amigos do trabalho. Quem tem casa por aqui, normalmente planta alguma coisa.

Praia de Ovar
Foto: Marcos Freire

Mas também tem gente que vai dizer que Ovar é uma cidade de praia, com boas ondas para o surf, bares na calçada, calçadão cheio de pedestres de chinelo, camiseta, protetor solar na bolsa e bolas de Berlim na areia. Quem está certo? Todos!

Ovar tem essa particularidade. É uma cidade de campo com praia. Ou, se preferir, uma cidade de praia com campo.

O charme das pequenas cidades portuguesas

O centro da cidade representa muito bem o típico cenário português: algumas ruas estreitas, praças, parques, casas azulejadas, comércio local e até mesmo um pequeno shopping center. Cortada pelo Rio Cáster e com um delicioso parque urbano no coração da cidade, Ovar parece convidar o morador para uma caminhada.

Aliás, basta caminhar um pouco para trocar os ares bucólicos pela brisa do mar. São cerca de 5km até a praia mais próxima, trajeto que pode ser feito de bicicleta por pistas devidamente demarcadas, correndo, caminhando ou de carro.

Para nós, brasileiros, é simplesmente como estivéssemos mudando de bairro dentro da cidade. Saímos do centro e vamos para o bairro vizinho, que neste caso fica na beira do mar. E lá chegamos ao Furadouro, praia concorrida no verão, que sempre recebe turistas de outros países, especialmente os espanhóis e os franceses. Nos meses de calor, Furadouro fica agitada noite adentro, com bares, cafés e restaurantes.

E como é muito seguro, é comum ver famílias e crianças pequenas caminhando pela praia mesmo tarde da noite. Há um grande calçadão com comércio, sorveterias e, vez ou outra, barraquinhas que vendem artesanato e guloseimas típicas.

Orla com praias imperdíveis

Mas Furadouro não é a única praia de Ovar. Ao longo da orla do município, com extensão aproximada de 20km, tem também a praia do Torrão do Lameiro, ao sul do Furadouro, e, ao norte, as praias de São Pedro de Maceda, Cortegaça e Esmoriz. Maceda e Torrão do Lameiro são praias ainda bastante selvagens, com algumas dunas, mas cercadas por verdadeiras florestas de pinheiros. Ver o pôr do sol de qualquer uma das praias de Ovar é de encher os olhos! É um bom pretexto para curtir a praia mesmo no inverno.

O trajeto do Furadouro para as praias mais ao norte se dá justamente na chamada Estrada Florestal, que corta grandes áreas plantadas e possui alguns espaços com mesas e bancos para piquenique. Os carros que seguem pela estrada estreita, de duas mãos, são acompanhados pelas bicicletas, que possuem uma “trilha” exclusiva para elas. É um passeio realmente lindo. E quem quiser ir além das fronteiras de Ovar, pode continuar seguindo para o norte até o Porto, quase sempre beirando o mar.

Ria de Aveiro até Ovar

Além das praias e de muitos cenários bucólicos, a famosa Ria de Aveiro, algo como uma grande lagoa que se encontra com o mar e é alimentada por rios que desaguam ao longo da sua extensão, termina em Ovar. São mais de 40km de extensão, contados a partir de Aveiro, com uma paisagem deslumbrante, uma rica fauna, principalmente de pássaros e pequenos animais (é comum ver os Flamingos colorindo trechos da Ria em Ovar).

As águas da Ria de Aveiro são perfeitas para a canoagem e outras atividades náuticas. Sem contar, claro, com as deliciosas caminhadas e pedaladas que dá para fazer nas trilhas que margeiam seus canais. Há também pequenas praias que costumam divertir as famílias.

Ovar é considerada o Museu Vivo do Azulejo

Quer se encantar com a variedade de azulejos portugueses, de diversas cores, tamanhos, técnicas de pintura e padronagem? Venha para Ovar! A cidade não é chamada Museu Vivo do Azulejo por acaso.

Nas minhas pedaladas pelas ruas estreitas da cidade – e olhe que são muitas – sempre vejo uma cor diferente, um padrão novo, um desenho que ainda não tinha notado. E são muitas fachadas de casa mesmo (ao menos 800 devidamente identificadas), a maior parte em edificações privadas.

Aqui em Ovar fica o ACRA (Atelier de Conservação e Restauro de Azulejo), o único atelier municipal do país, voltado para preservação e recuperação de fachadas históricas (azulejos do século XIX e primeira metade de XX). Em entrevista ao jornal O Público, a pesquisadora Maria do Rosário Carvalho, da Universidade de Lisboa, reforçou a relevância de Ovar: “arriscaria dizer que é o conjunto mais bem preservado em Portugal e é por isso um testemunho de enorme importância.

É claro que Ovar não tem mais azulejos do que Lisboa, Porto ou Aveiro, por exemplo, mas tem uma quantidade e uma diversidade azulejar que a concentração e a escala da própria cidade potencializam. Cada rua é como uma sala de museu”.

Enorme variedade em cores e estilos

Mais de 250 fachadas já foram restauradas pelo atelier e costumam atrair a atenção de turistas que participam regularmente de visitas guiadas promovidas pelo município. Um dos passeios organizados pela Câmara Municipal é pelas ruas de Ovar, parando em frente das casas e conhecendo um pouco da história, dos padrões e das técnicas de desenho e pintura de cada um daqueles azulejos coloridos. Ao final do percurso, muitos ainda vão para a oficina do ACRA e pintam as suas próprias peças.

Azulejos portugueses em Ovar
Foto: Marcos Freire

Em Ovar, aliás, o mês de maio é totalmente dedicado ao azulejo, com oficinas, palestras, visitas e mostras. As atividades celebram o Dia Nacional do Azulejo, em 6 de maio, que foi criado em 2017 com o objetivo de sensibilizar a sociedade para a proteção do patrimônio azulejar, um dos mais importantes do país.

Alguns pesquisadores afirmam que a tradição dos azulejos de Ovar está ligada ao retorno dos portugueses, que haviam ido para o para o Brasil na transição entre os séculos XIX e XX, como bem lembrou o presidente da Câmara Municipal. Quando voltavam endinheirados para Portugal, eles queriam afirmar a sua riqueza: o uso do azulejo como elemento decorativo das fachadas, que estava na moda e era ostensivo, cumpria bem esse papel.

Além disso, como cidade de praia, os azulejos ofereciam vantagens práticas de resistência e de durabilidade no revestimento de fachadas.

Um carnaval quase brasileiro

Ovar é conhecida em todo o país – e até fora dele – pelo seu Carnaval, festa que recebeu (e continua recebendo) muita influência da folia brasileira. Há uma certa rivalidade entre os carnavais de outras cidades, mas não quero entrar aqui no mérito desta disputa.

O carnaval de Ovar é, sem dúvida, um dos melhores e mais animados de Portugal, trazendo muita gente até mesmo dos países vizinhos. A festa, infelizmente, foi interrompida em 2021 por causa da pandemia, mas o espírito carnavalesco não deixa de empolgar os foliões.

A festança em Ovar acontece na mesma data que no Brasil, o que significa que por aqui muitas vezes é no auge do inverno. Mas nem o frio espanta a folia. E, para quem está acostumado a ver os desfiles no Brasil, aqui o modelo é muito parecido.

Há escolas de samba, blocos, um grande desfile e um monte de gente para fazer as coisas darem certo. Até uma “Aldeia do Carnaval” permanente foi inaugurada há poucos anos, com galpões onde cada escola pode ir criando o seu carnaval ao longo do ano, a exemplo do que existe no Brasil.

A festa segue crescendo nos últimos anos

Nos últimos anos, foram mais de duas mil pessoas trabalhando diretamente. Ruas são fechadas, arquibancadas erguidas (ou, como dizem em Portugal, as bancadas) e uma operação bem estruturada monta o esquema para adequar o transito de veículos e pessoas. O “sambódromo” de Ovar, um trecho de algumas centenas de metros de uma larga avenida, com bancadas dispostas nas laterais, reúne em média mais de 4 mil pessoas, mesmo sob o frio. E como os invernos costumam ser úmidos em Portugal, nem sempre é só frio.

Em 2019, por exemplo, num desfile pré-pandemia, a chuva castigou os passistas, as pequenas baterias e todos nós (sim, eu e a família estávamos lá vibrando debaixo d’água) que nos equilibrávamos nas ripas de madeira. E por ser uma cidade pequena, cada grupo que passa, cada escola ou bloco, é saudado pela plateia, que muitas vezes estimula aqueles que desfilam chamando-os pelos nomes.

A preparação é intensa durante as semanas anteriores à festa

Durante as quatro ou cinco semanas com programação (apesar das festas principais seguirem o mesmo calendário do Brasil, o mês inteiro é dedicado ao Carnaval em Ovar), a cidade recebe cerca de 1 milhão de pessoas. Ou seja, é como se cerca de 10% da população de Portugal desse uma passadinha aqui por Ovar.

A influência brasileira no Carnaval daqui é bastante grande. Nomes como Alcione, Xande de Pilares, Beth Carvalho, Arlindinho Cruz e a banda Monobloco, por exemplo, já fizeram parte da programação do carnaval de Ovar nos últimos anos. Há oficinas e workshops com sambistas, passistas e carnavalescos, que trazem a experiência tropical para os artistas daqui e para aqueles que ficam nos bastidores, ajudando a administrar esse grande espetáculo.

Pelo centro da cidade, alto-falantes presos aos postes seguem tocando samba o dia inteiro durante praticamente todo o mês que antecede os desfiles. A trilha sonora da cidade, ainda que mais como uma música de fundo, passa a ser interpretada por Zeca Pagodinho, Alcione, Martinho da Vila, Arlindo Cruz e outros nomes bem conhecidos nossos.

Meu primeiro carnaval português

Quando chegamos para morar aqui, em janeiro de 2018, poucas semanas antes do nosso primeiro carnaval português, estranhei um pouco essa “playlist” vindo de não sei onde, até perceber as caixinhas acústicas muitas vezes impercetíveis presas no topo de postes, por trás de árvores.

A cidade literalmente vibra ao som do nosso samba. Aliás, uma das principais noites dos dias de Carnaval é a chamada “Noite Mágica”, uma espécie de “rave”, com palcos montados em pontos diferentes da cidade e uma grande arena central, que tocam não apenas samba e que fazem as janelas dos prédios tremerem até o raiar do sol. Algo como a nossa Virada Cultural, reunindo gente que vem de longe só pra curtir a noitada.

A festa também traz retorno na economia de toda a região

O resultado de toda essa produção pode ser medida em retorno financeiro: os hotéis registram taxa de ocupação de 100% e muita gente acaba tendo que se hospedar nas cidades vizinhas. Estima-se que a economia da região “ganhe” cerca de 4 milhões de euros durante os dias de festa.

A influência brasileira no Carnaval de Ovar ganhou mais relevância a partir do início dos anos 1960, com o maior retorno de emigrantes que haviam deixado Ovar anos e décadas antes em direção ao Brasil. A partir dos anos 1980, o samba já tomava conta do carnaval de Ovar e as escolas de samba começaram a surgir. Fantasias, carros alegóricos e uma grande produção levaram o carnaval para um outro patamar.

Novas experiências dos brasileiros ao morar em Ovar

“Nos últimos anos, o município de Ovar cresceu muito em termos demográficos. Essa renovação e desenvolvimento também se devem às famílias brasileiras que escolheram Ovar para morar, trabalhar e investir. Estas famílias trazem consigo novas energias, sua cultura e a sua alegria, contribuindo para o crescimento e o engrandecimento da cidade”, afirmou Salvador Malheiro para o Euro Dicas.

Marcos Freire e esposa
Foto: Marcos Freire

E o que não falta são boas histórias de crescimento, amizade, solidariedade, descobertas, reinvenções e recomeços em terras vareiras. Eu faço parte de um grupo de Whatsapp dos “Brasileiros que curtem Ovar”, que já reúne quase 150 pessoas e é bastante ativo. Praticamente todos vivem na cidade e nos arredores e estão, de uma forma ou de outra, envolvidos com a dinâmica da cidade e com o seu desenvolvimento.

A cidade e os brasileiros crescendo juntos

Roberta e Fernando são um casal do Rio de Janeiro (vale dizer que grande parte dos brasileiros em Ovar vem do Rio de Janeiro) e chegaram há cerca de quatro anos.

Eles, como tantos outros, fazem parte da turma que empreende por aqui.

“Escolhemos Ovar porque era onde a família do meu esposo, de origem portuguesa, sempre ficava ao vir ‘turistar’. A vida aqui é bastante tranquila e segura. Meu filho pode andar de bike com o melhor amigo (seu ‘irmão de coração’, outro brasileirinho que é para nós como um afilhado), brincar no parque com o pai, avós e primos… Tudo sem ficarmos tensos e preocupados devido aos riscos de uma grande cidade, justamente o que buscávamos ao sair do Brasil”, contou Roberta.

E a boa experiência deles por aqui também incentivou o restante da família, que já vive em peso em Ovar. Juntos, estão à frente de um delicioso comércio que vende pizzas, sanduiches, refeições rápidas e, o melhor: coxinhas, brigadeiros e outras guloseimas brasileiras.

A busca por melhor qualidade de vida é motivo para morar em Ovar

Edson e Ieda formam um outro casal que trocou o Brasil por Ovar. Deixaram São Bernardo do Campo para trás e vieram empreender aqui na terrinha. Edson é neto de portugueses e já chegou como cidadão do país.

Estão aqui há mais de 4 anos e, juntos com Mariana (a filha que decidiu vir algum tempo depois) tem uma loja de peças de prata, onde vendem anéis, brincos, pulseiras e demais acessórios na rua mais movimentada da praia do Furadouro.

Morar em Ovar é uma ótima opção para quem busca tranquilidade

Mas há também muitos que não tem antepassados portugueses e que decidem fazer esse movimento, como é justamente o meu caso. Reconheço que Ovar não estava no meu radar inicialmente. Nem conhecia, para ser honesto. Mas parafraseando a frase famosa, “a vida tem razões que a própria razão desconhece”. E acabamos ficando em Ovar, cidade que vai nos conquistando aos poucos e fazendo com que a gente se sinta em casa, com seu acolhimento.

E acolhimento foi justamente o que estava por trás da história da Maria Cândida, outra brasileira que vive em Ovar. Saiu do Brasil em 2018 e foi morar em Braga, no norte de Portugal.

“Em abril de 2019 conheci um Ovarense, que logo me trouxe para visitar Ovar. Amei a tranquilidade da cidade pequena, a proximidade com o mar, a praia, e me apaixonei”, conta Maria Cândida.

Mas foi no ano seguinte, embalada pelo Carnaval, que a paixão aumentou.

“Alugamos uma casa no Furadouro e fui ver o desfile das escolas de samba de Ovar”, relembrou. “Fui embora para Braga de novo, mas meu coração já era de Ovar”.

E em maio de 2020, Maria veio definitivamente. “Não me arrependo de nada. Foi um duplo amor!”, celebra a carioca, passista desde os 4 anos de idade, que já faz planos para desfilar numa das escolas de Ovar no próximo ano.

Vantagens de morar em Ovar

Essas são apenas algumas das muitas histórias dos brasileiros que vivem por aqui. Tem gente empreendendo, tem gente trabalhando no comércio, tem profissionais da saúde, fisioterapeutas, esteticistas. Também tem muita gente nas fábricas, já que Ovar tem uma importante zona industrial, com grandes empresas que empregam bastante brasileiros.

Nas escolas, arrisco dizer que não há sala de aula que não tenha ao menos um brasileiro. Na do meu filho, são três.

Qualidade de vida em Ovar
Foto: Marcos Freire

E no grupo de Whatsapp dos “miúdos”, os sotaques e grafias convivem pacificamente: há portuguesinhos utilizando as gírias brasileiras e brasileiros mandando mensagens de voz com sotaque português. E todos se entendem, todos se divertem, todos se respeitam.

Leia também o meu relato sobre ser pai em Portugal.

Custo de vida é diferencial

Por fim, e não menos importante, vale lembrar que o custo de moradia nas cidades menores é sempre mais convidativo. Não é diferente em Ovar. Quem pretende alugar um apartamento ou casa em Ovar paga cerca da metade do que pagaria no Porto, por exemplo.

E, como já disse, não deixa de estar perto de um importante centro. O mesmo vale para o custo médio das refeições fora de casa, que costuma também ser mais baixo.

Em Ovar não temos castelo, cavaleiros templários, túmulos de reis famosos, grandes igrejas ou mosteiros. Mas é uma cidade acolhedora, com gente simples e com essa deliciosa mistura de praia e campo. No meu caso, não foi nada planejado, e nem foi amor à primeira vista. Mas hoje temos um carinho especial pela cidade, daquele que vai surgindo com a convivência e com as boas experiências vividas.

Beleza encantadora ao morar em Ovar

Muitas vezes saio para caminhar à noite e olho encantando para as fachadas das casas azulejadas iluminadas pela lua. Para quem vem de São Paulo, onde as estrelas praticamente somem no céu poluído, andar sob o céu estrelado de Ovar dá uma deliciosa sensação de paz.

“Aqui encontrarão uma extraordinária beleza e a qualidade ambiental do nosso território. As nossas praias, ria, rios e matas nacionais são, por si só, um enorme fator de atração. Também é assim como a nossa localização privilegiada entre as pujantes regiões do Porto e de Aveiro. A nossa robustez econômica, da indústria ao turismo, a qualidade do nosso tecido empresarial e do mercado de trabalho. A qualidade de vida e a qualidade dos nossos equipamentos e serviços públicos e a ampla proteção social do município também o são.

As nossas tradições, a nossa gastronomia, o patrimônio cultural e arquitetônico e a sua dinamização são, no seu conjunto, fatores distintivos e relevantes, decisivos na decisão de quem escolhe Portugal como destino e Ovar como território para viver e trabalhar”, finaliza Salvador Malheiro.

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*As opiniões dos colunistas não refletem necessariamente a opinião do site Euro Dicas.