Por que o euro não para de subir? Temos as respostas

Se você planeja uma viagem, tem contas a pagar em euros ou investe nesta moeda, mas recebe em reais, já deve ter se feito esta pergunta: por que o euro não para de subir? São muitas as razões e nós vamos te explicar cada uma. Acompanhe.

Por que o euro não para de subir? O que explica a alta de uma moeda?

Para quem recebe em reais e gasta em euros, como turistas, brasileiros que estudam e trabalham na Europa ou aposentados que decidiram viver no velho continente, o impacto tem sido forte desde fevereiro. É que a moeda não para de subir.

O euro começou o ano de 2020 cotado a R$ 4,50 na média e já vinha nesse patamar desde 2019. No dia 19 de agosto, quando este artigo foi publicado, estava cotado a R$ 6,53.

Cotação do Euro Agosto 2020

Um conjunto de fatores explicam a disparidade entre real e euro e vamos falar de cada um deles. Mas antes de tudo é preciso elucidar que não é exatamente o euro que não para de subir. A análise tem que ser feita sobre o real – este sim não para de desvalorizar.

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O real é a moeda que mais oscila no mundo atualmente, mais do que em qualquer outro país emergente. Basicamente, a regra é a mesma para toda moeda, não só para o real: quando muitos a querem, o preço sobe. Da mesma forma, quando poucos a querem, o preço cai. Lei da oferta e da demanda. E nos dias de hoje, fatores políticos e econômicos explicam porque o mundo não quer muito os reais.

Economia europeia é mais forte

O primeiro ponto para explicar a baixa do real é a maturidade do mercado europeu e a segurança que a economia europeia transmite. Acontece o mesmo com a americana.

Mesmo em um período de crise mundial – em que não há lugar no planeta que não esteja em dificuldade -, as economias dos países do primeiro mundo têm recursos e bancos centrais mais estruturados e com mais “poder de fogo” para agir na hora certa.

Exemplo prático: o Banco Central Europeu está injetando 1,3 trilhão de euros na economia da região para ajudar os países a superar as perdas com a pandemia de Covid-19. Cerca de 8,35 trilhões de reais. Sim, é dinheiro que não acaba mais para os parâmetros brasileiros.

Sendo assim, em épocas de crise, todo mundo que quer proteger seu dinheiro porque não sabe o dia de amanhã recorre às moedas fortes, como o euro e o dólar. Isto quer dizer que estas pessoas migram dos mercados financeiros menos maduros (entre os quais o Brasil se encaixa) para os de maior segurança.

Real desvaloriza porque investidor vai embora

O real perde o seu valor porque o investidor estrangeiro, na crise, optou por retirar seu dinheiro do mercado brasileiro. No acumulado de 2020, os estrangeiros já retiraram R$ 82,615 bilhões do mercado acionário brasileiro. Ao deixar o país, eles trocam real por outra moeda, o que derruba o preço do primeiro.

A influência da taxa de juros

A saída do dinheiro se justifica porque o Brasil não é uma economia madura, como falado, mas também porque o cenário, hoje, é de taxa de juros muito baixa.

Uma das práticas comuns dos investidores estrangeiros é pegar dinheiro emprestado em um país que tem taxas de juros baixas (como Europa e EUA, por exemplo) e aplicá-lo em outro país, com taxa de retorno maior nos investimentos.

Esta era a realidade que fazia o Brasil ser muito atraente no passado. No entanto, atualmente, a taxa básica de juros, que tem o nome de Selic e baliza empréstimos e investimentos, encontra-se em seu piso histórico: 2%. A Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil.

Este é o valor mais baixo já registrado da taxa, desde 1999. Em termos comparativos, em agosto de 2016, a taxa básica era de 14,25%. Mas já chegou a 45%, em março de 1999.

Ou seja, dava para ganhar muito dinheiro mesmo, pegando empréstimo em banco europeu a 0% de juros e injetando no mercado brasileiro, que tinha juros tão elevados.

Em resumo, quando a taxa de juros no Brasil fica baixa, o país deixa de ser atrativo para quem está de olho na rentabilidade da renda fixa.

O Brasil é um país de commodities

Além disso, o Brasil é, desde sempre, um país que vende commodities para o mundo. E commodities são negociadas em dólares. Sendo assim, um real desvalorizado ajuda o país a exportar mais para os quatro cantos do planeta.

Ganha com isso o agronegócio, por exemplo. O próprio ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, já afirmou que “dólar alto é bom”, porque estimula a venda de produtos brasileiros no exterior e a compra de produtos industrializados nacionais pelos brasileiros. Recentemente, ele disse também que a agropecuária foi que “manteve o país vivo durante a pandemia”.

Mas isto custa desagradar turistas e brasileiros residentes no exterior. E também as indústrias que dependem de produtos importados do exterior. Elas acabam pagando mais pelos insumos o que, consequentemente, afeta os preços dos produtos no Brasil e pode impactar a inflação.

Por que o euro não para de subir? Porque o Brasil é um país instável

Fora estes pontos, as diversas polêmicas políticas pelas quais o Brasil passou, com trocas constantes de ministros em meio a uma pandemia e, mais recentemente, com a debandada da equipe econômica por insatisfação com a agenda de reformas, causam insegurança.

Soma-se a isso o fato de que o país já tem dois processos de impeachment no currículo. Aos olhos estrangeiros, o Brasil não é o mais tranquilo dos países.

Outra questão que vem ganhando o noticiário é o risco fiscal. A possibilidade de o Brasil não respeitar as metas orçamentárias por conta da pandemia também no próximo ano é grande e isto traz ainda mais instabilidade. Afinal, um país que gasta mais do que arrecada não é um país financeiramente saudável.

Coronavírus tem influência?

Sim, a desvalorização do real perante o euro tem influência da pandemia de coronavírus. A disseminação da doença têm afetado a economia global, já que as cadeias produtivas de vários países foram prejudicadas pelo surto. Sem dúvida, esse é dos principais motivos do porque o euro não para de subir no Brasil. Esse cenário promete desacelerar o crescimento econômico de vários países, inclusive o Brasil.

Como isso afeta a vida dos brasileiros?

Agora que você sabe por que o euro não para de subir, é importante descobrir como esse cenário afeta a vida dos brasileiros. Os brasileiros que estão na Europa e dependem do valor do Real são dos mais prejudicados com a alta da moeda. Muitos aposentados que moram na Europa recebem a sua aposentadoria do Brasil e viram seu orçamento mensal encolher. O mesmo para estudantes que recebem bolsas em reais ou são mantidos pelos pais e agora viram o valor reduzir muito rapidamente.

Outro impacto que pode ser percebido é o aumento dos preços de alguns produtos importados o que afeta consumidores e indústrias que dependem de produtos e matéria-prima importada.

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Comprar euro no Brasil ou na Europa? Veja qual a melhor alternativa.

Como isso afeta a economia do país?

A desvalorização do real frente ao euro e a outras moedas impacta diretamente a economia brasileira. O principal efeito é o aumento da inflação no Brasil, pois alguns produtos para exportação são comercializados em euros. Portanto, se ele tem uma cotação alta, o comerciante brasileiro precisa aumentar os seus preços de produção.

Com isso, os preços dos produtos vendidos no Brasil começam a ficar mais caros. Além disso, uma eventual redução das exportações brasileiras diminui a entrada de euros, aumentando o valor da moeda.

Outro risco do aumento do valor do euro é a possível desindustrialização: as pessoas consomem menos, tendo em vista que estão tendo menos poder de compra. Dessa forma, o comércio vende menos e os estoques ficam mais acumulados.

A falta de estímulo para investimentos também já é sentida.  Com a queda na renda da população, não há incentivos para o investidor investir no país e, dessa forma, a economia não cresce como deveria.

Confira aqui onde trocar euro para sua viagem.

Há uma consequência positiva

Por outro lado, uma última consequência positiva da desvalorização do real é o aumento do turismo no Brasil. Isso ajuda a melhorar a economia nacional e impulsiona o turismo em algumas regiões do país. Espera-se que quando a situação do coronavírus abrandar, o turismo nacional recupere mais rapidamente, desestimulando o turismo internacional.

Como acompanhar a cotação real?

Diante da supervalorização do euro, é importante acompanhar a cotação do euro em tempo real. Dessa maneira, as chances de comprar a moeda por um bom preço aumentam e você economiza nos gastos da sua próxima viagem para a Europa.

Você pode acompanhar essa cotação aqui mesmo no Euro Dicas. Outra alternativa é acessar o site oficial do BACEN, para acompanhar não apenas ver o valor da moeda como também o preço do euro incluindo a taxa de câmbio, tributos e outras tarifas da operação.

Dá para prever quando o euro vai baixar?

Saber exatamente quanto o euro vai valer no futuro é impossível, dada a complexidade dos fatores que afetam o câmbio, como explicamos. Se o seu interesse pelo euro for por motivo de viagem, talvez valha a pena esperar para comprar a moeda. Você pode acompanhar diariamente a cotação, para aguardar o melhor momento para você.

Se eu preciso enviar dinheiro pro exterior é melhor esperar?

Uma das principais preocupações de quem precisa enviar dinheiro para o exterior é a oscilação do preço da moeda. Nesse momento é comum ficar em dúvida sobre esperar a cotação baixar ou fazer a transferência logo, antes que a moeda fique mais cara.

Como mencionamos anteriormente, é impossível prever com certeza quando o euro ficará mais barato ou mais caro. Por isso, o ideal é acompanhar diariamente a cotação em tempo real e histórico da moeda.

Caso o histórico apresente uma alta consecutiva e os casos de coronavírus estejam aumentando na Europa, o ideal é enviar o dinheiro o quanto antes. Afinal, o preço da moeda pode se tornar ainda mais caro.

Não posso esperar, quais as melhores maneiras de perder menos dinheiro no envio de dinheiro pro exterior?

Agora, se você precisa enviar dinheiro para o exterior e não tem como adiar isto – seja porque seu filho estuda na Europa e depende deste dinheiro para se manter; seja porque você mesmo tem que transferir sua aposentadoria a fim de pagar as contas do dia-a-dia -, então você pode utilizar ferramentas que te ajudem a economizar na remessa para o exterior.

Você pode utilizar as fintechs de transferência internacional, como a Remessa Online e a TransferWise, por exemplo.

Estas plataformas usam o câmbio comercial, mais barato do que o câmbio turismo (este é praticado por casas de câmbio e muitos dos grandes bancos). Também eliminam as altas taxas cobradas pelos bancos tradicionais (em alguns casos, elas ultrapassam os R$ 100 por envio. As plataformas digitais chegam a ser até 8 vezes mais baratas.

  • A Remessa Online cobra taxa fixa de 1,30% do valor enviado;
  • A Transferwise cobra R$ 27,03 para remessas pagas via transferências bancárias (TED) ou R$ 33,92 para pagamento por boleto;

As fintechs também não cobram a taxa Swift, que custa cerca de 20 dólares e corresponde aos custos de envio de um banco brasileiro para um banco no exterior.

E o melhor de tudo: elas te permitem simular o envio de dinheiro, para saber exatamente quanto você pagará de taxas e impostos e quanto o beneficiário receberá na transferência.

Dá, inclusive, para comparar e optar pela mais barata. Aqui no Euro Dicas nós já fizemos uma série de artigos a respeito e testamos todas as plataformas. Vale a pena conferir!

por que o euro não para de subir principais motivos

Quer saber qual plataforma vale mais a pena? Confira o comparativo entre Remessa Online e Transferwise.

Quais são as melhores formas de transacionar euros?

Agora que você já sabe os principais motivos por que o euro não para de subir, veja algumas dicas básicas para comercializar a moeda europeia.

Acompanhamento da moeda

Para saber como e quando negociar e efetuar transações com o euro, é importante controlar frequentemente sua cotação. Esteja sempre atualizado.

Você pode acompanhar o preço do euro, aqui, em tempo real:

Sua consulta também pode ser feita no site do Banco Central do Brasil. O ranking do VET (Valor Efetivo Total), disponibilizado pelo BACEN, é outra ferramenta interessante para verificar, não somente o preço do euro naquele dia, como também o custo total de uma operação de troca de moeda, avaliando a taxa de câmbio mais as tarifas e os tributos sobre a operação.

É possível, ainda, visualizar os valores por períodos e verificar em qual instituição a taxa do euro está mais em conta.

Negociação

Depois de comparar a taxa do euro, negocie o valor. É possível conseguir desconto na cotação, dependendo do valor a ser trocado.

Observação: só troque a moeda no aeroporto se você não tiver outra opção. As taxas nas agências locais são mais caras devido à comodidade.

Transação por etapas

Se você tiver tempo e o euro estiver com uma cotação alta, como agora, evite trocar todo o dinheiro de uma só vez. O ideal é fazer o câmbio por etapas.

Confira neste artigo se vale a pena comprar euro em casa de câmbio.

Câmbio em instituições financeiras autorizadas pelo BACEN a comercializar euros

Agora que você já sabe por que o Euro não para de subir, é muito importante que você faça o câmbio da moeda em instituições financeiras autorizadas pelo BANCEN a comercializar euros. Você pode fazer a cotação no site do banco, verificar em qual local a taxa está melhor, entrar em contato e efetuar a troca.

Muitas vezes, “o barato sai caro” e a pessoa pensa que vai economizar um pouco porque um conhecido de um conhecido quer lhe vender a moeda por um valor mais barato, mas acaba tendo um grande prejuízo. Não vale a pena o risco.

Por isso, mais uma vez ressaltamos a importância de trocar seu dinheiro em uma casa de câmbio, uma agência bancária ou com algum agente que seja autorizado pelo Banco Central do Brasil a comercializar moedas estrangeiras.

Entendendo melhor a moeda: Euro x Euro Turismo

Se você quer saber qual a diferença do euro comercial e turismo acompanhe abaixo:

O euro

O euro é a moeda comum da União Europeia, utilizada em 19 países da UE, como: Alemanha, Bélgica, Espanha, Itália e Portugal.

A moeda foi introduzida nos mercados financeiros mundiais em 1999 e hoje é a segunda mais transacionada do mundo, estando atrás somente do dólar americano.

Euro Turismo

Sua cotação é determinada pelo valor do euro comercial mais os custos logísticos e operacionais que a transação da moeda exige para chegar ao seu destino e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), praticado pelo Governo. Por isso, é mais caro.

O euro turismo é utilizado por pessoas físicas, em viagens para o exterior, compras fora do país ou em sites internacionais.

Entendeu por que o Euro não para de subir? Aproveite e leia as nossas dicas de como comprar euro mais barato.

Cláudia Zucare Boscoli trabalha como jornalista há 20 anos, tendo se formado na Cásper Líbero, com extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), especialização em Marketing Digital pela FGV e pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP. Já trabalhou para IstoÉ Online, O Estado de S. Paulo, Diário de S. Paulo e Editora Abril, entre outros veículos. Adora viajar, conhecer novas culturas e contar o que descobriu.

Andrea é jornalista e também tem formação em Linguística. Apesar de nascida em Curitiba, não demorou muito tempo para seu coração ganhar o mundo. Começou a trabalhar com agronegócio, área que a fez ganhar gosto para trabalhar fora do escritório, com pessoas de culturas e lugares diferentes. Com uma câmera na mão, desbravou inúmeras cidades e nunca mais parou. Decidiu unir a paixão pela profissão e pelas viagens e fez disso sua vida. Viajou por todos os cantos do Brasil e também se aventurou pelos Estados Unidos, sete países da África e Ásia. Ao lado do filho já morou no Sri Lanka e no Vietnã. Desde 2018 vive na Inglaterra e divide seu tempo entre a maternidade, produção de conteúdo e viagens pelo Reino Unido e Europa.

Carolina é luso-brasileira, jornalista e especializada em Comunicação Empresarial. Desenvolve e revisa conteúdos para diversas mídias. Adora viajar o mundo, conhecer novas culturas e escrever sobre suas experiências. Tem prazer em dar dicas de restaurantes, hotéis e também em ajudar brasileiros que desejem morar em outro país.

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