Constituir uma família é um desafio intenso para todos e quando essa aventura se junta à experiência de imigração, os desafios se multiplicam. Seja por conta da língua, falta de uma rede de apoio e simples dificuldade de lidar com sistemas de saúde e educação, há muito a aprender a respeito. Este artigo está aqui para ajudar quem deseja ter filho na Alemanha. O país oferece amplo apoio aos pais na forma de licenças-maternidade e paternidade, creche gratuita e um pré-natal completo.

Mas é preciso navegar em meio a burocracia para descobrir as melhores formas de fazer o sistema funcionar a seu favor. Com um pouco de informação, a experiência de aumentar a família durante uma estadia na Alemanha pode ser mais tranquila.

Os desafios de ter filho na Alemanha

Qualquer um que tenha tido filho na Alemanha vai admitir que a maior dificuldade é a falta da família, amigos e pessoas em geral com quem possam dividir as angústias e o trabalho que é criar uma criança.

Na gravidez, durante o parto e o pós-parto, a figura da mãe (avó do pequenino recém-nascido) faz muita falta. Além disso, a falta de mães-amigas que possam ajudar a entender todas as nuances dessa fase é sentida por todas as mulheres. Há soluções para todos esses problemas, como mostrarei a seguir, mas quando o baby blues bate na porta, tudo o que queremos é um gostinho de Brasil.

Além disso, o lado técnico da coisa que, como é comum ao morar na Alemanha, é cercado de burocracias e regras, torna tudo um pouco mais complicado. Especialmente porque tudo é em alemão e mesmo os nativos ou quem domina a língua completamente têm dificuldades em entender alguns documentos.

Por fim, quando o companheiro ou companheira são alemães ou de outra nacionalidade que não a brasileira, a possibilidade de conflitos e choques culturais é bem alta. A forma como fomos criados e desejamos criar nossos filhos não é a mesma que a deles, tornando coisas simples como o primeiro banho uma abertura para discussões.

Conheça outros desafios e vantagens de criar filho no exterior.

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O pré-natal na Alemanha

Assim que a mulher se descobre grávida, começa uma série de consultas médicas que vão durar até o pós-parto. Isso acontece tanto no Brasil quanto na Alemanha, mas as coisas mudam um pouco no país germânico.

A partir da quinta semana de gravidez, as futuras mães na Alemanha recebem o Mutterpass, o passaporte da mãe, uma cartilha que irá conter todos os detalhes da gravidez e do parto, até mesmo das futuras gravidezes. Essa cartilha deve ser trazida em cada consulta e é o documento que comprova a gestação para os órgãos oficiais e o empregador.

Além da figura do médico obstetra, a parteira é uma peça importante no sistema de saúde alemão. As Hebamme acompanham a gestação desde os primeiros meses e podem realizar a maioria dos exames que os médicos fazem, exceto o ultrassom. Elas também estão presentes nos hospitais na hora do parto, onde os médicos só aparecem em caso de emergência.

gestação na Alemanha

Encontrar uma parteira pode ser difícil, já que o aumento no número de nascimentos no país fez com que as Hebamme trabalhem muito e tenham a agenda completamente cheia. Por isso, a dica é buscar uma já no comecinho da gestação.

Caso você não encontre uma parteira para chamar de sua, é perfeitamente possível realizar o pré-natal apenas com o obstetra. Infelizmente, os médicos não oferecem a mesma atenção e cuidado, sem tempo para responder às dúvidas das mães apreensivas, mas a qualidade do atendimento geralmente é boa.

Exames durante a gestação

Outro fato interessante sobre o pré-natal na Alemanha é que para uma gravidez sem riscos são estabelecidos apenas três exames de ultrassom. Caso os pais queriam realizar mais exames sem que o médico faça a indicação para tal, precisam pagar do próprio bolso – ou seja, o seguro-saúde não cobre.

Isso inclui dois exames de ultrassom que são realizados na 13ª e na 20ª semanas de gestação, o chamado Feindiagnostik, onde é possível detectar alterações genéticas como a trissomia 21 e outras doenças congênitas.

Descubra também como é ser mãe em Portugal, dos desafios às vantagens.

O parto na Alemanha

Durante o pré-natal, a gestante precisa escolher em que hospital deseja dar à luz. Em cidades grandes como Berlim, os hospitais mais renomados pedem que o cadastro do parto seja realizado já na 12ª semana de gravidez. Outros estabelecem até a 20ª para isso.

Depois de feito o registro, os casais são convidados para uma Infoabend, a “noite da informação”, onde receberão detalhes dos serviços prestados, visitarão as salas de parto e poderão saber como funciona o registro de nascimento dos bebês.

Essa “noite da informação” pode ser substituída por uma reunião particular com uma das parteiras, no qual todo o histórico da mãe e do pai será perguntado, para que a equipe conheça as condições pré-existentes e os desejos dos futuros pais.

Onde os partos podem ser realizados?

Passadas estas etapas, basta esperar a hora H. Assim que o trabalho de parto começa, o indicado é contar o espaçamento entre as contrações. Se a gestante for muito cedo para o hospital, a equipe talvez a mande de volta para casa. Mas se houver receios, é possível ficar em observação no hospital.

Há também as casas de parto na Alemanha, coordenadas por parteiras e sem a presença de médicos. Elas geralmente são escolhidas por mães que desejam partos humanizados e o mais naturais possível. Em caso de emergência, as parteiras estão prontas para levar a parturiente ao hospital.

Cesária ou parto normal na Alemanha?

Ao contrário do Brasil, não existe a chamada “cultura da cesária” na Alemanha. A cesária eletiva praticamente não existe e é comum a tentativa por parte das parteiras de estimular o parto normal.

No entanto, em casos de emergência, a cesária é realizada rapidamente e normalmente sem consequências para mães e bebês. A mãe não percebe que, por detrás das cortinas, existe uma equipe preparada para atendê-la ao sinal de qualquer anormalidade.

Por causa do preparo, é muito comum que o parto aconteça de forma normal. Caso a dor das contrações seja insuportável, a anestesia epidural é uma opção acessível e, geralmente, é aceita prontamente pela parteira que acompanha a parturiente.

Não é possível fazer cesária?

Mães que tenham muito medo do parto, que tenham tido experiências de violência obstétrica em gestações anteriores ou simplesmente não conseguem lidar com a ideia de um parto normal são convidadas a se abrir com as parteiras ou com seus médicos.

Existem muitas formas de lidar com o medo, seja via hipnose, compartilhamento das experiências com grupos de mães, yoga pré-natal e tantas outras. Por fim, se a mãe realmente desejar uma cesária, é possível encontrar médicos que assinem uma indicação para tal.

Viver o pós-parto na Alemanha

Chegar com um bebezinho em casa é uma das partes mais assustadoras de ter um filho na Alemanha. Bem, em todo o mundo, mas há formas de lidar com essa fase.

A estadia no hospital depois do parto dura entre três e cinco dias, enquanto nas casas de parto as mães voltam no mesmo dia para casa.

Muitas brasileiras na Alemanha decidem trazer alguém da família para ajudar nessa fase. A própria mãe é geralmente a escolhida, trazendo consigo o conforto, a segurança e colo tanto para o bebê quanto para a nova mãe.

Outras encontram apoio em primas, tias, sogras ou quem quer que tenha tempo e disponibilidade para fazer a viagem. A quem prefira estar só e passar por essa fase apenas com o apoio do marido. Tudo depende das circunstâncias.

pós-parto ao ter filho na Alemanha

No entanto, existe no país a figura da parteira que trabalha apenas com o pós-parto. Essas profissionais visitam regulamente a mãe e o bebê nas primeiras semanas de volta em casa, medindo peso e tamanho, auxiliando com a amamentação e a cicatrização de feridas, e ajudando com o aspecto emocional do pós-parto.

O trabalho delas geralmente é coberto pelo seguro-saúde e para encontrar uma profissional disponível, basta buscar pelo termo Hebamme im Wochenbett, termo usado para descrever as primeiras oito semanas pós-parto.

Direitos das mães na Alemanha

A mães na Alemanha recebem benefícios generosos e eles começam nos últimos meses de gestação. A chamada Mutterschutz é a proteção da mãe, que indica o período entre seis semanas antes da data prevista do parto e oito semanas depois do parto. Nesse período a gestante não precisa mais trabalhar na Alemanha, mas recebe seu salário normalmente.

Depois desse período começa a Elternzeit, a licença maternidade ou paternidade. Existem várias regras que variam de acordo com quanto tempo o casal deseja ficar em casa. Via de regra, a licença dura entre 12 meses e três anos, sendo que aumenta se for dividida entre o pai e a mãe.

Durante o período, quem fica em casa com o bebê recebe 80% do salário, que é calculado com base no que foi recebido mensalmente nos últimos 12 meses antes do mês do parto. É possível ainda voltar ao trabalho por meio-período, com um limite de 30 horas por semana. A diferença é calculada em cima do salário mensal e o benefício continua em parte.

Direitos dos filhos no país

Por fim, todas as crianças que moram na Alemanha, independente da nacionalidade, recebem o Kindergeld. Um benefício no valor de 219€ por mês para os dois primeiros filhos, 225€ para o terceiro e 250€ a partir da quarta criança. Cada criança recebe esse valor até completar 18 anos, período que pode ser estendido até os 24 anos se o jovem estiver cursando a faculdade ou curso técnico.

Além dos benefícios acima mencionados, há dezenas de outros que os pais podem receber, dependendo da situação econômica do casal. Kindergeld extra, auxílio para comprar roupas de bebê, carrinho, etc., dinheiro para atividades de lazer e tantos outros.

Quem nasce na Alemanha tem direito automático a nacionalidade alemã? Confira no artigo.

Como é a licença maternidade na Alemanha?

Viver a licença-maternidade fora do nosso país pode ser muito difícil. O período é exaustivo, existe um ajuste tremendo da mulher à sua nova identidade e, como eu já disse, a rede de apoio faz falta.

Por sorte existem grupos de mulheres em quase todo o país, muitos deles só de brasileiras, e existem milhares de estrangeiras na mesma situação, prontas para se ajudar a nova mãe nessa empreitada.

Há ainda os grupos no Facebook e no WhatsApp cheio de mulheres sábias que já passaram pelo mesmo e estão dispostas a compartilhar seus conhecimentos. O pós-parto e licença-maternidade podem ser períodos solitários e é indicado que a nova mãe busque estabelecer contatos a fim de evitar uma depressão.

Por sorte, a Alemanha oferece centenas de oportunidades para as mães saírem da bolha que envolve o bebê. Grupos para praticar esportes, grupos de mães, aulas de alemão com cuidadoras para os bebês, ofertas de lazer baratas e outra infinidade de possibilidades dependendo da região.

Manter o contato com a família no Brasil também é indicado. Algumas mães inclusive passam boa parte da licença-maternidade no nosso país, envoltas pela família e amigos, e recebendo todo o apoio necessário.

Costumes relacionados a ser mãe na Alemanha

Uma das formas preferidas das alemãs de sair da bolha do bebê é, literalmente, sair de casa. Ao contrário do que acontece no Brasil, os bebês alemães saem para passear no carrinho ou sling desde os primeiros dias de vida.

A crença popular é que o ar fresco faz bem tanto para mãe quanto para o bebê. No inverno, a ideia de sair de casa com um pacotinho que você acabou de ganhar parece absurda, mas estudos indicam que crianças que passam mais tempo ao ar livre ficam menos doentes e as mães têm menos chances de desenvolver depressão pós-parto.

Quem mora perto de parques e florestas pode aproveita o cochilo do bebê e sair andando por aí. Sentar em um café, fazer compras no shopping e encontrar as amigas são ótimas oportunidades de relaxar enquanto a cria dorme. A ideia é não ficar presa em casa na rotina dorme, acorda, mama, fralda e assim por diante.

Existem ainda os Familienzentrum, centros com atividades para crianças de várias idades onde os pais podem conhecer outros adultos e os pequenos podem se divertir. As atividades são geralmente gratuitas e são uma ótima forma de praticar o alemão.

Conheça outros costumes da Alemanha e se surpreenda.

E quanto acaba a licença-maternidade?

Quem é empregado e acabou de ter filho na Alemanha começa a pensar cedo na hora de voltar ao trabalho. E é importante planejar com bastante antecedência, pois em algumas cidades as creches são concorridíssimas. Tanto que algumas mães colocam seus filhos na fila de espera antes deles nascerem!

Por isso é importante se inscrever cedo e se preparar para muitas negativas. Algumas têm sorte, outras nem tanto, então preparar um email bem escrito apresentando seu filho/a e suas necessidades é algo que aparece logo na lista de afazeres.

Alternativas às creches para quem tem filho na Alemanha

Uma alternativa são as Tagesmutter, mulheres que cuidam de no máximo cinco crianças ao mesmo tempo, até no máximo três anos de idade. Essas mulheres (ou homens) têm uma licença do governo para exercer a função e são adoradas pelos pequenos.

Todas essas formas de assistência são grátis ou custam muito pouco, já que o governo paga a imensa maioria da mensalidade. Para conseguir o suporte governamental, os pais precisam se inscrever e receber um voucher no qual fica estabelecido o número de horas que a criança fica na creche.

creches na Alemanha

Isso depende da disponibilidade de trabalho dos pais e a dica aqui é assinalar o campo que indica que alemão não é o idioma falado na casa da criança. Dessa forma, mesmo que a mãe esteja sem trabalhar ou com tempo disponível, o governo oferece o máximo de horas possível, o que facilita o processo da criança aprender alemão.

É claro que eles não são obrigados a ficar na creche o dia todo, mas é uma boa forma de facilitar a vida dos pais, que não precisam pedir uma extensão das horas quando a vida dos membros da família muda.

Será que vale a pena morar na Inglaterra com filhos? Confira a experiência da Andrea e descubra.

Como é ter filho na Alemanha?

Ter filho na Alemanha pode ser uma experiência incrível ou assustadora. Tudo depende do nível de informação que os pais têm a disposição.

Mesma que a gravidez seja uma surpresa, a dica é pesquisar a respeito de cada etapa, perguntar a outras mães sobre a melhor forma de resolver os problemas e respirar fundo.

A assistência social que o país oferece está entre as melhores do mundo, portanto por mais que a situação pareça complicada, há entidades não-governamentais que auxiliam e ensinam quem precisa a usufruir de todos os benefícios.

Além disso, a qualidade de vida no país é impagável. Segurança, boas escolas, um sistema de saúde satisfatória e atividades de lazer baratas tornam a vida de quem quer ter filho na Alemanha mais fácil. Quando se estabelece uma rede de apoio, então, nos encontramos no melhor dos mundos. E nossas crianças também.

Agora que você já conhece um pouco da experiência de ter filho na Alemanha, vale a pena conferir a experiência de brasileiros que emigraram para o Velho Continente. No ebook O sonho de viver na Europa reunimos histórias e a experiência de quem decidiu recomeçar em outro continente.