Seja pelas oportunidades de emprego, pela qualidade de vida ou na excelência do ensino, a terra da Rainha Elizabeth II atrai milhares de imigrantes de todos os cantos do mundo, incluindo brasileiros. Mas será que a vida de imigrante na Inglaterra é só glamour ou eles também enfrentam dificuldades? Conversamos com a uma família brasileira que mudou há um pouco mais de 1 ano para a Londres. Conheça a história dela!

Vida de imigrante na Inglaterra: conheçam a Claudia

Uma das formas mais fáceis de viver na Europa legalmente é através da obtenção da cidadania europeia e foi assim que a paulista Claudia Benedito Macerox, iniciou a trajetória que a levaria para morar na Inglaterra com o marido Ronaldo e a filha mais nova, Ana Luiza.

Em busca da cidadania europeia

Não é uma novidade para ninguém que no passado o Brasil recebeu um grande número de imigrantes portugueses, espanhóis, italianos e alemães, e com isso, muitos brasileiros possuem direito a nacionalidade por descendência sanguínea. Esse é o caso da Claudia, cujo avô era italiano e em 2013, resolveu correr atrás da sua cidadania incentivada pelo marido e irmã.

Quem já passou por esse processo sabe o quanto pode ser burocrático em alguns casos. A Claudia, por exemplo, sabia apenas que o avô era italiano, mas não tinha nenhuma informação além.

Como o avô já havia falecido, começou a buscar informações com os tios, mas não teve tanto sucesso.

Museu do Imigrante

Uma das formas que pode ajudar na busca de informações sobre o parente europeu é realizar uma pesquisa no Museu do Imigrante, cujo papel é documentar e preservar a história das migrações no Brasil.

Em 2014, ainda sem muitas informações sobre o avô, a irmã da Claudia, Cristiane resolveu ir até o Museu e lá encontrou todas as informações sobre ele, incluindo a cidade natal na Itália.

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Aproveitando uma viagem de trabalho, a Claudia e o marido incluíram na programação uma visita à cidade de nascimento do avô e solicitaram pessoalmente no Cartório de Registro da Comune, a certidão de nascimento dele.

“Foi a maior e melhor sensação da minha vida ver o lugar onde o meu avô nasceu e viveu. Indescritível, chorei muito!”

A certidão não sai na mesma hora e como não podiam esperar a emissão do documento, eles contrataram um “buscador” em 2015 para obter a documentação.

Erros na certidão do avô

É muito comum encontrar certidões com erros, principalmente na referência de nomes e sobrenomes italianos. Isso acontecia bastante por conta da limitação com o idioma. A Claudia foi uma que passou por isso ao se deparar com erros na certidão de nascimento do avô e, consequentemente, na de óbito.

Para solicitar a cidadania italiana, ela precisou fazer a correção das certidões envolvendo cartórios, juiz e uma série de outros documentos para provar os erros e provar que se tratava da mesma pessoa: seu avô. O processo de correção durou até em outubro 2018.

Observação: alguns processos de cidadania são muito longos e complicados por conta dessa busca por informações concretas e documentação, nesses casos, contar com uma assessoria para cidadania italiana pode ajudar bastante e até mesmo agilizar o processo, uma vez que se tem uma expertise no assunto.

Adiando a mudança para a Europa

Com o processo de cidadania em andamento, planejamento para morar na Bélgica agendado para início de 2019, surge uma notícia inesperada. Um mês após entrada no processo de cidadania, em novembro de 2018, Claudia foi diagnosticada com câncer de mama e precisou passar por processo de cirurgia e radioterapia, suspendendo, por um tempo, os planos de mudança.

“Era para ter embarcado para a Itália em fevereiro de 2019. Mudança de planos por conta dessa situação. Suspendemos a viagem.”

Mulher em uma praia
O processo de cidadania demorou e a mudança precisou ser adiada, mas Claudia não desistiu.

Em julho de 2019, o seu neto nasceu na Alemanha e como já havia terminado o tratamento, pegou o voo para conhecê-lo e permaneceu no país por quase 3 meses, período máximo que um turista brasileiro pode permanecer no Espaço Schengen, o qual a Alemanha faz parte.

“Nesse período viajamos e fomos para alguns países, inclusive a Inglaterra, onde tinha uma prima paterna morando há 4 anos em Londres e a minha cunhada que havia acabado de se mudar para Bournemouth”.

Solicitação da cidadania italiana na Itália

Passar quase 3 meses na Europa, acendeu a chama no coração de Claudia para concretizar a mudança. Retornando ao Brasil, ela voltou a se dedicar ao processo para obter a cidadania.

Tirar cidadania italiana na Itália é muito mais rápido – cerca de 3 meses – do que o processo realizado através do consulado, que pode demorar 5 anos (ou mais). Sabendo disso, a Claudia comprou a passagem aérea para abril de 2020 e logo veio mais um problema para adiar os planos: a pandemia de Covid-19.

“Por conta da história pandêmica que vivemos, o voo foi cancelado. Remarcado e cancelado. E remarcado e cancelado até que, em julho/2020, a Inglaterra abriu as fronteiras e voei para Londres ficando na casa da minha prima por 37 dias até às fronteiras italianas reabrirem.”

Em 23 de agosto de 2020, Claudia conseguiu dar a entrada no reconhecimento da cidadania. Foram 89 dias para assinar e pegar a ID italiana e tudo em meio a lockdowns.

A decisão de morar na Inglaterra

A Bélgica, que inicialmente era a opção de moradia por conta de amigos, foi deixada de lado.

Claudia e o marido resolveram morar em Londres devido à facilidade de trabalho e por considerarem que a cidade oferece também uma boa qualidade de vida e segurança. É claro que como todo lugar, há também alguns pontos negativos, das quais ela destaca o frio e a distância da família.

Em meio a pandemia e o prazo final de concretização do Brexit (31 de dezembro de 2021), a Claudia tinha um pouco mais de 1 mês para entrar no Reino Unido e solicitar o Pre Settled, a autorização de residência concedida para os cidadãos da União Europeia. E assim fez no dia 8 de dezembro, quando conseguiu desembarcar em Londres entre um lockdown e outro.

O marido e a filha, chegaram alguns dias depois e, por coincidência, no mesmo dia em que a ela recebeu a notificação de que a autorização de residência havia sido aprovada. Um novo lockdown foi declarado e eles ficaram “presos” na Inglaterra.

“A coisa só foi piorando no Brasil e precisávamos de dinheiro para suprir a empresa e as contas que haviam ficado por lá. Até então, já estava trabalhando como cleaner (limpeza) e o meu marido de delivery com carro, pois precisávamos nos manter e enviar dinheiro para o Brasil”.

Como já estavam por lá trabalhando e com autorização de residência em mãos, fixaram as raízes na Inglaterra.

Alugar um apartamento em Londres

Alugar apartamento em Londres não é tão fácil e a Claudia como uma imigrante na Inglaterra recém-chegada logo percebeu isso.

“Não sabíamos que por aqui, mesmo tendo toda a documentação correta, as imobiliárias não alugam para quem tem menos de 6 meses e não tenha ‘score’.”

O dinheiro da limpeza e do delivery estava sendo enviado para o Brasil para arcar as contas de lá e não havia reserva financeira para arcar com 6 meses de aluguel antecipado. Como a família precisava sair da casa da prima, foram atrás de um apartamento no aplicativo Open Rent, o qual permite negociar diretamente com o proprietário.

“Por fim, conseguimos alugar um apartamento com 2 quartos, no térreo (que é uma maravilha) pagando apenas o aluguel do mês, de 4 semanas, mais uma caução de 4 semanas”.

Apesar de o custo de vida em Londres ser alto, a Claudia vê a cidade como São Paulo:

“cheia de oportunidades de trabalho, o que permite suprir as necessidades, principalmente se optar por estar fora do centro”, afirma.

Matricular a filha na escola em Londres

O ensino na Inglaterra é conhecido como um dos melhores do mundo, principalmente se tratando do ensino superior, das quais entre as 5 melhores universidades da Europa, 4 são britânicas. O ensino básico, fundamental e médio também possuem excelência, mas matricular o filho na escola pode não ser tão simples.

A Claudia encontrou bastante dificuldade nessa etapa. Para conseguir uma vaga para a sua filha Ana Luiza, que chegou em Londres com 16 para 17 anos, entrou em contato com 13 escolas. Como era época de pandemia, qualquer contato era realizado apenas por email ou por um formulário de solicitação de vaga.

Familia de imigrante na Inglaterra
Da esquerda para a direita: Ana Luiza, Ronaldo, Claudia, a sua irmã e o sobrinho.

Das 13 escolas que contactou, apenas 3 responderam ao pedido de vaga. Dessas, duas estavam com superlotação e uma disse haver vaga, mas Ana Luiza precisou passar por uma entrevista em vídeo para comprovar o nível de inglês.

“Sempre ouvi dizer que as crianças não ficam fora da escola, que conseguiríamos uma vaga fácil. E não foi. Pode ser que crianças mesmo consigam, mas adolescente é uma missão quase impossível.”

Sobre Ana Luiza fazer amizades na escola, Claudia ressaltou que imigrante na Inglaterra, sempre será imigrante, mas existem vários outros filhos de estrangeiros e que não há um bullying direto, mas sente que há preconceitos. Contudo, os professores são muito bem preparados para lidar com a situação e ajudam bastante na integração.

“Foram dias bem difíceis para ela (durante a adaptação na escola). Creio que muito mais difícil do que para mim e para o Ronaldo. E olha que ela fala e entende bem o inglês.”

As amizades surgiram com ingleses filhos de estrangeiros – indianos, portugueses, suíços, canadenses. Porém, com ingleses, cuja família também é inglesa, nenhuma amizade surgiu até o momento.

Utilizar a saúde pública da Inglaterra

Sobre a utilização do sistema de saúde da Inglaterra, Claudia afirma que não foi fácil marcar uma consulta, ainda mais que teve um câncer recente.

No Brasil, o acompanhamento é realizado a cada 6 meses, já em Londres, foi bem difícil agendar a primeira consulta no oncologista, que ocorreu em julho de 2021, mas a segunda, que estava prevista para janeiro de 2022 até o momento que fechamos este artigo, ela não havia conseguido agendar a consulta.

Já o remédio que precisa tomar, Claudia pode retirar na farmácia com a aprovação do GP (médico geral do posto de saúde), mas que a consulta para conseguir a prescrição não é muito fácil. O marido Ronaldo é hipertenso, e para receber os medicamentos precisa pagar uma taxa mensal de £12.

“Também diziam que era fácil, mas não tenho achado tão fácil assim. Não é tão ruim quando no Brasil, mas é bem difícil conseguir agendar consulta ou um encaminhamento para um especialista.”

Fazer amizades com os britânicos

O idioma é um fator limitante para fazer amizade com os britânicos, mas Claudia diz que estão estudando para melhorar o inglês. Além disso, a fama de que ingleses são frios é uma lenda para ela.

“Não sentimos essa frieza, pelo contrário, os que conhecemos sempre foram solícitos em nos ajudar e atenciosos. Claro, tem sempre as exceções, mas não tivemos problemas.”

Vale a pena morar em Londres?

Essa é uma pergunta que pode variar bastante entre as respostas de brasileiros na Inglaterra, mas de maneira geral, a maior parte sempre tende a responder que sim, vale a pena morar em Londres.

Para Claudia e a família, que completaram 1 ano e 3 meses na terra da Rainha Elizabeth II, pontos como segurança, escola, saúde gratuita (mesmo com as dificuldades de agendar as consultas), transporte público e qualidade de vida são os destaques de viver em Londres. E ela acredita que foi uma decisão assertiva.

“É óbvio que queria ficar na minha zona de conforto. Minha casa, minha língua, meu país. Seria mais fácil. Mas com as circunstâncias, percebemos que essa foi a melhor decisão. Em nossa aposentadoria, pensamos em outra opção de país. Mas hoje, Londres é o melhor lugar”.

Agradecemos à Claudia pela entrevista e colaboração para a escrita desse artigo, desejo de sorte e sucesso em Londres de toda a Equipe Euro Dicas! <3

E aí, gostou da história da Claudia? Quer conhecer outras para se inspirar e refletir sobre a mudança de país? Recomendo a leitura do ebook “O sonho de viver na Europa”, desenvolvido pela equipe do Euro Dicas e que reúne relatos e histórias reais de outros brasileiros que cruzaram o Atlântico.