10 dicas para morar fora

Europa  / 

Seja por descontentamento com o Brasil ou por um objetivo maior de vida, morar fora do país é o sonho de muita gente – inclusive o meu. Há pouco mais de dois anos, minha aventura em Portugal terminou, mas o aprendizado permaneceu e será levado a novas empreitadas que já estão no papel.

Mas para quem ainda não atingiu esse objetivo, depois de acertos e tropeços tenho na manga algumas dicas para morar fora que podem te poupar de certos perrengues.

10 dicas para morar fora (de quem viveu em Portugal)

Além de fatores fundamentais como a adaptação ao clima, cultura e gastronomia, arrumar um emprego e estabelecer uma nova rotina fazem parte do pacote de sair do país. No entanto, os preparativos para chegar a esse ponto mais estável da jornada para morar na Europa são vários.

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Coragem, flexibilidade e muita informação. Com esse trio e algumas dicas para morar fora de quem já passou pela experiência, você consegue encarar contratempos com toda a propriedade de quem está fazendo a coisa certa.

As dicas que enumerei abaixo se referem principalmente às situações que passei com meu marido durante pouco mais de um ano em Portugal; as que deram certo e as que podiam ter sido evitadas. Viajamos em 2015, ele com cidadania portuguesa e eu com visto pelo casamento. Os dois de “mala e cuia”, só para ver o que ia dar.

1. Estude o país de destino

Cidade de Sevilha na Espanha
A primeira das dicas para morar fora é você estudar o país de destino. Clima, custo de vida, sistema de saúde, oportunidades de emprego, muitos são os fatores que você vai precisar estudar antes de se mudar para outro país. Nessas horas, além do quesito qualidade de vida, o autoconhecimento conta muitos pontos.

Nem sempre pode funcionar, mas refletir sobre seus gostos e sobre o quanto você está disposto a enfrentar para sair do seu país é um passo fundamental para acalmar seu coração e te encher de coragem – ou te fazer repensar da decisão. Se está indo para a Europa, se pergunte se meses de chuva são ok para você. Se contato social é indispensável, lembre-se que provavelmente seus primeiros amigos também serão brasileiros e que pode ser difícil estreitar laços com os locais assim de cara.

Você pode conferir uma lista com os melhores países da Europa para criar filhos.

Analise questões de saúde

Fora essa questão mais pessoal, analise também a sua condição a longo prazo quanto à sua saúde. Você tem algum problema crônico? Precisa de acompanhamento médico constante? Como você vai fazer isso em outro país? Custa caro? Se você toma alguma medicação de uso contínuo, confirme a existência dela e a acessibilidade. Receitas controladas aqui não têm validade alguma lá fora.

Veja as questões tributárias e de impostos

Questões tributárias também são muito importantes para conhecer. Evite chegar no país sem saber de taxas e impostos que naturalmente terá de pagar para viver ali. Muita gente só vai te informar sobre os prós, que é tudo muito barato e que você consegue comprar isso ou aquilo; mas poucos vão dizer sobre os impostos que você precisa pagar.

Quando menos esperar, vai descobrir que deve uma pequena fortuna para determinado órgão. Então eu sugiro começar por ver se receber dinheiro do exterior paga imposto.

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2. Baseie-se em fontes confiáveis

A segunda das dicas para morar fora é você ter atenção e selecionar as suas fontes de informação sobre o exterior. Grupos de Facebook e WhatsApp são sim ótimos para reunir algumas informações e entender um pouco mais sobre a vida no exterior. Mas dali, muito pouco do que tiver contato vai mesmo se enquadrar nas suas reais expectativas. Algumas informações podem até mesmo te frustrar ou te fazer entrar em algumas enrascadas.

O ideal mesmo é você tomar como base inicial as informações fornecidas por sites e documentos do governo. Algumas questões podem ser esclarecidas inclusive em consulados. Quando estiver se informando em sites e blogs de viagem, certifique-se que os artigos contêm fontes oficiais e que a postagem é atual.

3. Planeje-se com antecedência

Para tudo na vida, planejar é garantir que o menor número possível de coisas dê errado. Portanto, quanto antes você começar a estudar, planejar, conversar com pessoas que estejam lá e reunir o maior número de relatos possível, melhor.

Deixe para emitir certidões e documentos datados mais próximos da viagem. Alguns países pedem para que documentos como certidões de nascimento tenham sido emitidas há, no máximo, 6 meses. Não se esqueça de tomar a vacina contra Febre Amarela e pedir pelo Certificado Sanitário no posto de saúde.

Organize as coisas aos poucos

Vá organizando as malas aos poucos, separe o que vai vender/doar/guardar e deixe suas coisas organizadas para que seus pais ou amigos possam ter controle. Se vai deixar o emprego, regularize toda a sua situação com a empresa. E não se esqueça de fazer sua declaração de saída definitiva do país, no site da Receita Federal.

Se vai viajar com animais de estimação, seis meses de antecedência também é um bom prazo para começar a correr atrás da documentação deles. Por ser um país com histórico de raiva, os pets precisam fazer um exame específico para analisar os anticorpos. O sangue é encaminhado para o Centro de Controle de Zoonoses e só então o laudo é emitido com o certificado. O processo leva cerca de 3 meses e custa em torno de R$ 300 por animal.

4. Não viaje com dívidas

Poupe dinheiro para a Europa
Durante o tempo em que passei fora do Brasil ouvi várias histórias de pessoas que queriam voltar, mas não podiam devido a quantidade de empréstimos que haviam feito por aqui. Os motivos para voltar eram diversos. Um dos mais preocupantes veio de uma mulher que se mudou para Portugal para se casar com um homem que conheceu pela internet. Ela se endividou até o pescoço para viajar, chegou no país e o “noivo” já era casado.

Esse é apenas um caso, mas que exemplifica muito bem o pensamento de muitas pessoas de que nada vai dar errado. Então uma das mais importantes dicas para morar fora é: “Não viaje com dívidas“! Claro, ninguém deve mergulhar no pessimismo, mas é fundamental não dar margem para as que as coisas saiam dos trilhos. Documentação, dinheiro reserva e contas quitadas já garantem uma enorme porcentagem de sucesso na sua mudança.

5. Providencie toda a documentação necessária

Outra dica muito importante na dicas para morar fora, é preparar e providênciar a documentação necessária. Necessária e desnecessária, eu diria. Se você está se planejando para sair do país e não tem planos de voltar tão cedo, leve com você todos os documentos importantes e indispensáveis.

Certidões e documentos de identificação, diplomas e certificados com tradução juramentada, carteira de vacinação, receitas e laudos médicos, histórico escolar e, se estiver viajando com animais, toda a infinidade de documentos que você vai ter que providenciar para cada pet.

Para quem fica, não se esqueça de escolher uma pessoa para ficar responsável por eventuais pendências suas aqui. Deixe uma procuração válida (geralmente elas têm validade de um a dois anos) para caso você precise resolver algo à distância.

Já compartilhamos a lista dos documentos necessários para morar em Portugal.

Saiba quais os documentos que você necessita

O importante é se informar sobre os tipos de documentação específicas que VOCÊ vai precisar levar, como visto, permissões, documentos acadêmicos e outros.

Não é porque o seu amigo fez determinada coisa que o seu caso será exatamente igual. Lembre-se que algumas profissões, como as da área da saúde, exigem um processo bem mais moroso de validação do diploma, por exemplo.

6. Não se desfaça de tudo

Essa pode não ser uma dica que vale para todos, mas eu certamente aprendi uma lição com a minha primeira mudança. Cerca de seis meses antes de viajar para Portugal, eu e meu marido começamos a nos desfazer de alguns bens materiais.

Como vivíamos ainda com nossos pais, foram à venda itens pessoais mesmo, como videogames, instrumentos musicais, um carro, uma moto e, depois de alguns meses fora, até mesmo o meu Fusca 78, recém reformado, entrou na roda.

Olhando por esse ângulo, definitivamente não foram tantas coisas assim. Mas voltamos para o Brasil, agora vivendo juntos na mesma casa. E se não fosse pelo fusquinha, que consegui tirar do estacionamento a tempo, estaríamos andando a pé.

Você pode decidir voltar para o Brasil

Dou um exemplo pessoal, mas durante esse pouco mais de um ano fora, conheci duas famílias que haviam vendido tudo, até a própria casa, em busca de um sonho “vamos ver no que dá”. Portanto, mesmo que você tenha de vender algumas coisas para levantar uma grana antes da viagem, não se desfaça de tudo.

Manter alguns bens ainda no Brasil servem tanto para você vender ou alugar posteriormente, quando as coisas estiverem estáveis, quanto para que você tenha por onde recomeçar se decidir voltar.

Veja se existe uma “hora certa” para sair do Brasil.

7. Viaje leve

Organizar as malas para Europa
Esse é um tópico complementar às outras dicas para morar fora anteriores, e pode não servir para todos os perfis. Se você vai morar fora porque recebeu uma proposta de trabalho, tem familiares ou amigos no exterior e as coisas já estão praticamente definidas por lá, a dica pode não se aplicar.

Mas se você, assim como eu, vai morar fora com a cara e a coragem, a melhor coisa que você faz é viajar com uma só bagagem. Ainda que agora as companhias aéreas estão limitando o número e o peso de malas, mas eu ainda sou do tempo das 2 malas de 32kg cada. E adivinhe, eu aproveitei cada grama desse limite.

Estávamos em duas pessoas, quatro malas gigantescas e duas mochilas com 10kg cada. Para quem não fazia a menor ideia de onde ia morar, toda essa bagagem se tornou um pesadelo assim que desembarcamos na estação de Campanhã, na cidade do Porto. Olhamos um para a cara do outro e era visível o desespero de “vamos para a direita ou para a esquerda”?

Da estação para o hotel, do hotel para o apartamento que alugamos. Passamos seis meses no Porto, mas para nós, dois caipiras, a cidade era agitada demais. Qual a ideia brilhante? Compramos uma banheira chamada Citroen Xantia e enfiamos todas as malas e móveis que havíamos comprado até então, ali dentro. Eu mal cabia no banco do passageiro, e aqui o jeitinho brasileiro deu as caras.

Seja racional sobre o que levar para a Europa

Em duas viagens, nos mudamos para uma aldeia de São Pedro do Sul, no distrito de Viseu. E ali ficamos até surgir a vontade de voltar para o Brasil. Vendemos o carro, e agora? Lá fomos nós, despachando coisas com parentes que vinham nos visitar (inclusive um gato que adotamos) e viajando com quase 150kg de bagagem, de ônibus, em pleno verão, até Lisboa.

Talvez por essa experiência ter sido traumatizante para nós dois, é de comum acordo que qualquer próxima saída do Brasil não vá passar de uma mala pequena.

Você pode conferir o guia que eu escrevi sobre organizar mala para Europa.

Leve o essencial

Aqui a dica é viajar com o que é essencial para você. Mas pode abrir uns 5% de espaço na mala para objetos de valor sentimental, sim. Acredite, nem em um ano você vai conseguir usar todas as roupas e cacarecos que colocou ali dentro. Isso sem contar que você vai acabar comprando coisas por lá, para ficar mais com a “cara” do país.

Está bem instalado? Vai ficar de vez? Peça para parentes ou amigos irem despachando o que ficou para trás, ou levar para você quando forem te visitar. Sem pressa e sem desespero, tudo tende a acontecer de forma muito mais leve (literalmente).

8. Não fique ilegal

Se a vida não é fácil para um imigrante legalizado, imagine para quem quer começar uma vida fora das leis? E não falo nem da questão de conseguir emprego ou poder transitar tranquilamente pelo país; falo de riscos graves e que podem minar de vez seu sonho de morar fora.

Essa é uma das dicas para morar fora que eu dou a mais pessoas: Não fique ilegal, custe o que custar.

A prática é comum, e muitas pessoas estão dispostas a correr o risco de viajar sem visto. Em massa em países do espaço Schengen, onde o brasileiro não precisa de visto para turismo por até 90 dias, o imigrante excede o prazo e não renova o visto. Muitos outros entram no país com visto de estudante para um curso de idiomas. Ao fim do curso, mesmo sem emprego, não voltam para casa.

Veja em detalhe os riscos e as consequências de morar ilegalmente na Europa.

Ficar ilegal tem consequências

Sem documento, o imigrante que for pego em situação irregular pode ter de pagar multa e até mesmo ser preso até o momento de ser deportado. A deportação também significa que você não poderá retornar a nenhum outro país do espaço Schengen por 10 anos.

Também já falamos sobre como você pode viajar pela Europa por mais de 90 dias.

E você perde seus direitos

Portanto, além de tornar muito mais difícil conseguir coisas simples como alugar um imóvel e contratar um plano de internet, arrumar um emprego e resolver questões burocráticas podem ser um verdadeiro pesadelo nessas condições – principalmente pelo fato de muitos empregadores serem abusivos com trabalhadores ilegais.

Muita gente dá o “jeitinho”, mas o preço que pode ser pago por ele é alto demais. Existem diversas formas de entrar legalmente num país e conseguir um emprego enquanto seu visto ainda é válido. Se precisar esperar um pouco mais para juntar dinheiro, pagar um curso, procurar um emprego à distância, espere!

9. Cuidado com “conselhos”

Conselhos sobre morar fora
Existe aquela conhecida frase que diz: se conselho fosse bom ninguém dava, vendia. E isso pode fazer muito sentido para quem vai para o exterior todo esperançoso com a honestidade e boa vontade das pessoas – e isso inclui fortemente seus conterrâneos, viu?

O que funciona para alguém que viajou com uma mochila e foi morar numa casa com mais 7 pessoas, definitivamente não vai servir para uma família com crianças e que vendeu tudo o que tinha para construir uma vida fora do Brasil.

Veja se vale a pena você contratar ajuda profissional para morar fora.

Tudo depende de onde você é e quem você é

Alguns conselhos também não vão servir de acordo com a localidade do Brasil em que você saiu. O conceito de qualidade de vida, por exemplo, vai ser muito mais expressivo para quem escapou da violência do Rio de Janeiro do que para quem saiu de uma pacata cidade interiorana.

Quando estiver reunindo relatos, conselhos e dicas para morar fora procure descobrir o perfil dessas pessoas. De onde elas vieram, para onde foram, se são profissionais qualificados, quantas pessoas viajaram juntas, e então você faz um comparativo com as suas características para saber se deve ou não seguir os conselhos delas.

10. Se quiser voltar, volte

Uma das dicas para morar fora mais importantes que eu posso compartilhar com você é, se você quiser voltar para o Brasil, volte!

Pode acreditar, tem muita gente infeliz lá fora, mas que não quer abrir mão de dizer que “vive na Europa”. Outras pessoas sentem vergonha de dizer que não deu certo, ou que as coisas não eram como imaginavam. E por isso continuam insistindo em um sonho que já perdeu o brilho.

Na medida. O tempo que passei em Portugal foi o ideal para que eu pudesse evoluir pessoal e profissionalmente de uma maneira que seria impossível se continuasse aqui. Mesmo que você volte, nada te impede de partir de novo. Para mim, a experiência foi incrível o bastante para que quase dois anos depois, eu ainda me pegue sorrindo quando lembro de tudo o que aconteceu.

Você conseque lidar com a saudade

E se você está preocupado com a saudade, ela não costuma ser grande problema. Ensinar os parentes a usar o Skype é garantia de que você vá falar com eles o tempo todo. Hoje, de volta ao Brasil, meus pais dizem que nos falávamos muito mais quando eu morava fora. E é verdade.

Por isso, vá! Se você tem um sonho, uma meta de vida ou qualquer outro objetivo fora do Brasil, não deixe que o tempo passe e você desista dele. Planeje-se e pense positivo para que tudo dê certo. E se quiser voltar, volte. Com o tempo você vai ver que mesmo de volta, as coisas deram certo.

Quer se inspirar? Veja um relato pessoal de “como eu decidi ir embora do Brasil“.

E você? Já morou fora? Ou conhece alguém que tenha morado? Se você tiver algumas dicas para morar fora, compartilhe-as connosco.

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Autor

Brasileira, tem formação em Design de Games e Comunicação em Computação Gráfica. Apaixonada por tecnologia, cinema e literatura, desapegou e foi viver na Europa em 2015. De volta ao Brasil, hoje é grande entusiasta de um estilo de vida quase nômade.