Filho a gente cria para o mundo. A máxima não é nova e costumamos repetir com confiança e certa tranquilidade. Até que, de repente, nos damos conta que as fronteiras do mundo vão muito além do que podemos imaginar e que ficar longe da nossa “cria” não é simplesmente deixar de se ver durante a semana, sacrifício que seria suportável ao pensar que o final de semana poderia reunir todo mundo de novo, num tradicional almoço de família.

Neste artigo, compartilho um pouco da minha experiência no momento em que minha filha foi estudar em Portugal.

Minha filha foi estudar em Portugal, e agora?

Pois é, nem sempre ganhar o mundo é trocar apenas de cidade dentro do mesmo estado ou ir morar sozinho no bairro próximo. E pode não dar para matar saudades com pelo menos um encontro todas as semanas.

Sair de casa também significa atravessar o oceano, não se falar todo o dia (aliás, nem sempre todas as semanas), ficar mais de um ano sem se ver, sem os encontros barulhentos dos almoços de domingo. Perdas de um lado, sem dúvida, mas ganhos enormes que superam qualquer dor de saudades.

Minha experiência como pai de uma jovem estudante da Universidade de Coimbra, desde o momento da decisão da mudança até agora, quando o curso está quase a acabar, pode ajudar a ilustrar um pouco todo esse processo. Amigas da minha filha têm trajetória parecida, ainda que sensações e rotinas diferentes. E se há uma turma que já está se preparando para outras etapas com o fim da faculdade (atenção, pais e mães: nem sempre o destino é a volta para casa. A primeira grande mudança é sempre a mais difícil, mas depois que eles pegam o gosto pelo mundo, descobrir outros mares e terras passam a ser como trocar de bairro) há outros que acabam de ver suas notas do Enem e podem já estar pensando no ano letivo que se inicia em setembro aqui em Portugal. Cada história é uma história e não uma melhor do que a outra.

Por que não tentar?

A decisão de estudar em Coimbra

Laura, Natasha e Lila são três brasileiras que foram morar em Coimbra para estudar. Não se conheciam no Brasil, mas em Portugal viram nascer uma amizade de quase irmãs.

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Natasha, Laura e Lila
Da esquerda para a direita: Natasha, Laura e Lila em festa de aniversário em Coimbra. Imagem de acervo pessoal.

Em 2017, quando Coimbra surgiu na vida delas, uma coisa importante tinham em comum: nenhuma sonhava em vir estudar em Portugal. Não era um plano, tampouco uma meta a ser atingida. As três chegaram graças às boas notas no Enem e um “empurrãozinho” da família.

Laura havia entrado também na Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) e no Insper. Queria fazer administração e, sem dúvida, estaria bem servida em qualquer uma dessas. Ainda assim, resolveu se candidatar a uma vaga em Coimbra, apesar de estar “quase” certa de que iria seguir pela GV mesmo. Mas acho que aqui os pais acabaram dando uma força para desviá-la desta certeza. E foram algumas semanas de angústia para todos: “Pai, faço matrícula na GV? E se sair Coimbra? Acho que prefiro GV”.

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Período de matrículas e escolhas difíceis

As datas desencontradas de matrícula são realmente algo angustiante. E ela acabou se matriculando na FGV e até cursou a primeira semana. Este era o prazo para desistir e ter o dinheiro de volta, coisa que a Fundação, acredito, jamais pensou em ser uma opção. Quem ia desistir da GV logo na primeira semana? Pois é, a Laura desistiu quando saiu a aprovação em Coimbra, justamente naquela semana.

Universidade de Coimbra

Para os administradores, a melhor definição de “just in time” que conheço. E o que fez com que ela trocasse uma das melhores faculdades de administração do país por Coimbra? Com certeza, a reputação pesou. Não conhecíamos, até então, o perfil do curso de Gestão (a nossa Administração no Brasil), mas o nome Coimbra tinha força.

Nosso grande apoio foi porque acreditávamos que, melhor ou pior que Fundação Getúlio Vargas, estudar no exterior seria uma grande experiência de vida. Muito mais do que ir diariamente para a Avenida 9 de Julho, em São Paulo. E sem querer dar muito spoiler, estávamos certos.

A história se repete

Com a Natasha, a história se repetiu. Descobriu que podia tentar Coimbra ao ver a notícia num site no Brasil. Resolveu se candidatar, mas sem grandes expectativas. Queria mesmo era estudar na Unesp, em São Paulo. Veio a primeira lista de Coimbra e o nome dela não estava entre as aprovadas. Assunto quase deixado de lado, até que veio uma segunda convocação, e esta com o nome dela.

“Você quer ir mesmo?” perguntou o pai. “Então, vamos organizar para você ir”.

Como teve menos tempo para resolver o que era preciso, os preparativos foram encarados a toque de caixa. “Nem deu para ficar muito ansiosa ou pensar muito, porque eu tinha pouco tempo”, conta Natasha.

“Meus pais deram todo o apoio moral e financeiro, ficaram muito felizes, mas fiz tudo sozinha: visto, passagem, acomodação”, relembra Natasha.

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Vislumbrar as oportunidades que surgem

Lila soube da possibilidade de tentar Coimbra pela mãe, mas deixou a inscrição para o último dia. “Não sabia se era o que queria e também havia passado no vestibular da Fundação Getúlio Vargas”, conta. “Mas acabei considerando todas as oportunidades que poderiam surgir além do curso e até mesmo o aspecto financeiro (vale lembrar que em 2017, o euro não valia quase 7 reais). No final, achei que valia a pena”.

Depois de a decisão ter sido tomada, o friozinho na barriga apareceu. “Fiquei muito ansiosa e queria vir logo. Contei para todo mundo, terminei o namoro, fiz encontros de despedida com minhas amigas”. O visto de estudante saiu rápido (não esqueçam que tudo isso aconteceu naquele longínquo tempo em que o mundo não tinha pandemia e os prazos para qualquer coisa era até razoáveis…) e chegou a hora da verdade para toda a família:

“minha mãe queria muito que eu viesse, mas quando estava tudo pronto ela acabou ficando muito apreensiva”, recorda Lila.

País novo, vida nova

Laura saiu do Brasil sem ainda saber onde morar, pouco mais de um mês antes do início das aulas. Já havia pesquisado os alojamentos da própria universidade e algumas alternativas. Mas a ideia era conhecer melhor a cidade e avaliar cara a cara todas as opções.

Veio com a mãe, a tia e a avó, que aproveitaram para conciliar as tarefas do apoio logístico da mudança para Portugal com um pouco de lazer e turismo. No fundo, claro, o que queriam mesmo era saber onde a jovem estudante iria morar, com quem iria dividir apartamento, onde ficava o supermercado e por aí vai.

Deixou para trás a maior parte dos seus pertences pessoais e um gato. Acabou conseguindo um apartamento de cinco suítes (um T5, como dizem por aqui), devidamente adaptado e renovado para receber estudantes, muito próximo da universidade e, ufa, de um supermercado. Cada um com seu “cantinho” e áreas comuns compartilhadas. As outras estudantes eram portuguesas e italianas.

A importância de conviver e aprender com as diferenças

Começava aí um dos grandes ganhos de uma experiência no exterior: a adaptação em Portugal e convivência com outras culturas, outros hábitos. Deste primeiro lar português até hoje, quando o curso está para terminar, já foram pelos menos outras três casas. Desapego é um conceito levado ao extremo para quem está mergulhado numa vida de estudos em outro país. Não que as moradias fossem ruins, mas há sempre uma turma nova de amigos, num outro apartamento também bacana, às vezes mais barato, às vezes mais perto.

E mudar para essa turma é simplesmente fazer uma ou duas malas e pronto. E foi justamente numa dessas mudanças que as três amigas brasileiras – que já dividiam a mesma sala de aula – resolveram se juntar sob o mesmo teto, reforçando uma grande amizade.

Natasha, Laura e Lila em passeio nos Passadiços do Paiva, em Portugal. Imagem de acervo pessoal.

Por elas também passaram outras histórias, outras vidas, outros importantes aprendizados de convivência. Pois é, há hábitos e hábitos, que muitas vezes a gente só descobre quando compartilha a cozinha, a geladeira, o banheiro, a lista de supermercado. E talvez esse seja um aprendizado tão ou mais importante do que aquele formal aprendido nos bancos das salas de aula de Coimbra.

Dividir apartamento e lidar com os imprevistos

Natasha veio sozinha, com duas malas, uma mochila e um travesseiro. E encarou com louvor os dias iniciais num país diferente. Ainda no Brasil, garantiu uma vaga numa moradia estudantil da faculdade, mas acabou ficando só um mês. “Não me senti muito confortável e resolvi buscar outro lugar para morar. Acabei conhecendo outras pessoas no meu curso e fui morar no apartamento deles, em um quarto que estava ainda livre”.

Diga-se de passagem que esses “imprevistos” fazem parte da experiência e quase sempre reservam surpresas positivas. Por mais que muita coisa possa ser resolvida à distância, há outras, como escolher onde vai morar, por exemplo, conhecer a rua, a redondeza, os colegas de apartamento, em que a presença física é fundamental.

Menos é mais

Lila chegou com os pais e também não conhecia Portugal. Assim como Natasha, tinha já garantido seu espaço no alojamento da universidade: “a moradia era boa, mas só quando estava na cidade é que percebi que ficava em um outro polo da universidade, longe de onde eu iria estudar. Acabei indo atrás de outro lugar para morar, com a ajuda dos meus pais”, lembra Lila.

Ao contrário das amigas, Lila reconhece que acabou trazendo muita coisa. “Me arrependo um pouco da quantidade de roupa que eu trouxe”, confirma. “Muitas eu já passei para frente”. E aqui cabe uma nota: roupa não é um bem tão caro em Portugal. Além disso, para o frio as opções por aqui são muito melhores do que o que existe no Brasil. Encher uma mala de casacos vai custar caro e nem sempre será tão efetivo.

Lila também passou por um momento importante e que exigiu decisões difíceis para quem está nesse início de vida adulta. Depois de alguns meses de aulas, achou que o curso que escolheu – Gestão – não era o que queria. Acabou decidindo alterar totalmente o rumo da escolha universitária – e profissional, consequentemente – encarando uma nova mudança.

“Pensei bem e achei que não era o que me faria feliz. Descobri aqui em Portugal que gostava mesmo era de Psicologia e consegui pedir transferência de curso, sem sair da minha universidade”.

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Valorizar todas as experiências

Mas não é só achar onde morar que se aprende numa experiência como essa. E aqui posso dizer que a maior parte dos pais sente um baita orgulho.

Sabe aqueles filhos que não sabem fritar um ovo, que não conseguem pôr a toalha para secar, não arrumam a cama, não lavam a louça? Sim, sim, esta é uma boa notícia. Anos de doutrina, de gritos e broncas serviram para alguma coisa.

Na nova vida, banheiro arrumado, cama feita, algum jeito para pilotar o fogão, louça lavada. Ok, um ou outro conflito ainda entre os que dividem a rotina doméstica, mas que orgulho!

“Nunca tinha lavado roupa, limpado quarto e percebi que, se eu não fizesse, ninguém faria por mim”, admite Lila. “Eu também odiava cozinhar, não cozinhava nada. Eu ia morrer de fome e morar num chiqueiro. Aqui eu aprendi a cozinhar e cozinho muito bem, virou um hobby que adoro”, conta orgulhosa.

Natasha também assume que tem crescido muito com essa vivência no exterior.

“Acho que amadureci muito e isso ficou claro quando voltei ao Brasil de férias depois de um ano em Portugal. Lembrava de mim antes de ter vindo e acho que mudei demais. Ganhei confiança, deixei de me importar tanto com a opinião dos outros. Morar em Portugal me forneceu uma perspectiva de vida que no Brasil eu não teria”. E completa: “vir para Portugal era algo que eu não esperava. Caí de paraquedas. Não estava planejando, eu não esperava, não tinha expectativa, não conhecia nada de Portugal e acabei aprendendo muita coisa” completou Natasha.

Amadurecimento e crescimento pessoal

Sobre a Laura sou suspeito para falar. Não creio que as habilidades culinárias dela tenham tido um ganho na vida portuguesa, mas quantas vezes já fui visitá-la e encontrei quarto arrumado, casa organizada, rotina de supermercado em Portugal, contas pagas, negociação com senhorio, burocracia, tudo sob controle.

Sem contar que muitas vezes ela foi minha consultora para explicar procedimentos importantes da vida em Portugal, documentação, dicas e muito mais. “Pai, isso aqui funciona assim em Portugal” ou “o melhor horário do Comboio é tal e você pode escolher um que é mais rápido etc”. Parte do que sou e sei em Portugal é porque tive uma consultora sênior e madura me dando apoio.

Ah, para os pais que nunca vão deixar de pensar nas suas “princesinhas”, um alerta: os corações também ganham asas nessa vida nova e nem sempre estaremos ali ao lado para acompanhar esses voos. Lila e Laura conheceram seus namorados em Coimbra e seguem firmes. Natasha reencontrou um amor do passado e vai administrando a distância de um oceano enquanto ele não chega definitivamente na terrinha. É a vida que segue. É o coração amadurecendo, é o aprendizado da vida.

Como ficam os pais e as mães quando as filhas praticamente dividem a casa com o namorado, tão longe dos nossos olhos? Não sei dizer pelos outros, mas não esqueço quando eu fiquei sabendo da novidade pela própria Laura: “Pai, preciso contar uma coisa para você!”. Logo pensei ser sobre notas ruins da faculdade, quem sabe sobre desistir do curso. Tolinho. “Estou namorando!”. Como assim?

Passado o baque inicial, achei ótimo e, ato contínuo, quis saber tudo sobre ele. É gentil, trata bem você, está feliz. Ah, eu tenho a facilidade de estar razoavelmente perto, então claro que quis marcar um almoço “familiar”. Querem saber? Gente boa (claro que quem tem que achar é ela, não é mesmo? Mas ter a “aprovação” do pai dá uma boa ajudinha). E para tranquilizar a mãe, minha ex-mulher, já tratei logo de ligar para o Brasil e dar a minha opinião. “Ela está feliz e eles parecem bonitinhos juntos, mas tô de olho”. Tadinha da Laura. Ninguém merece um supervisor de namoro.

De Coimbra para o mundo

Lembram que acabei convencendo a Laura a vir falando das oportunidades que poderiam surgir por estar em um país na Europa? Pois é, não foi promessa vazia. Estudar em outro país e conviver com outras culturas é apenas uma parte da nova experiência. Coimbra, para ficar neste exemplo, foi a porta de entrada, não o destino final. E essas três meninas já rodaram o mundo a partir de Coimbra, o que é perfeitamente possível mesmo para quem tem a grana curta de estudantes.

“Fiz viagens, conheci pessoas, aprendi ou melhorei outros idiomas, entrei em projetos de voluntariado, troquei ideias sobre temas que gosto, com pessoas de diferentes países”, comemora Natasha.

Juntas ou separadas, já foram para Marrocos (uma aventura de ônibus), Itália, França, Alemanha, Holanda, Bélgica, Armênia, Espanha, Inglaterra, Irlanda, Escócia e Geórgia.

Laura, Lila e Natasha no Carnaval de Ovar, em Portugal. Imagem de acervo pessoal.

Estão nadando em dinheiro e matando aulas? Não, aqui tudo é mais fácil. Espanha é nossa vizinha, mais perto que a ponte aérea Rio- SP. Para Paris, por exemplo, basta um final de semana prolongado para encarar um bate e volta. E as companhias aéreas low-cost ajudam muito. “Já pagamos 7€ por voos internacionais, o que é mais barato do que o táxi de Pinheiros até a Vila Mariana, em São Paulo”, explica Laura. Ela e Natasha, aliás, foram para a Georgia em um programa de voluntariado e passaram algumas semanas ensinando português para jovens daquela ex-república soviética.

Programa Erasmus é uma ótima opção para os estudantes

Também foram bolsistas de Erasmus, o programa de intercâmbio de estudantes da União Europeia, e passaram um semestre cursando administração e sociologia na Universidade de Bologna, na Itália. Esse caminho será seguido agora pela Lila, que vai encarar um período de Psicologia na Universidade de Pádua, ambas consideradas as melhores universidades italianas.

Além disso, vão começando a criar as bases da futura experiência profissional, assumindo posições de gestão em projetos como a Brasa Coimbra, organização estudantil cujo objetivo é acolher, integrar e, principalmente, capacitar os estudantes internacionais brasileiros que estudam nas instituições de ensino presentes na cidade. Sem contar com cursos rápidos complementares à formação principal e estágios de verão.

Saudades dos pais

Algumas sentem mais, outras menos, mas não tem como não falar que dá saudades, sim. E não só da família e dos amigos. Dá saudade das nossas referências, da comida, do sotaque, das piadas que só fazem sentido em “brasileiro”, dos nossos hábitos. E o que não falta em Coimbra e nas outras universidades de Portugal são estudantes brasileiros. Ou seja, não estão isoladas do mundo, em um país remoto, com língua totalmente estranha. “Apesar de já ter ido ao Brasil depois da minha chegada a Portugal, tenho pouco contato com o país. Às vezes falo toda semana com a minha mãe, às vezes só a cada duas semanas”, afirma Natasha.

A tecnologia ajuda muito e, para quem quer, dá para se sentir como se os pais morassem na rua de trás. A qualidade das transmissões de áudio e imagem é perfeita. “Depois que cheguei e meus pais voltaram para o Brasil, acho que minha mãe tem mais saudades. Mesmo estando aqui há quase quatro anos, falo diariamente por vídeo com ela. Manda-me bom dia e boa noite sem falhar, diariamente. E se eu não respondo ela fica preocupada. Também falo com minha tia, meus avós”, conta Lila.

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Ter a família por perto faz muita diferença

Laura é a única com parte da família perto. A mãe mora no Brasil, mas eu, o pai, estou a cerca de uma hora de distância dela. Quando ela veio estudar aqui, eu ainda não imaginava que meses depois também viria com mala e cuia. Não nos vemos todas as semanas e nem nos falamos todos os dias, até porque já era assim no Brasil. Mas admito que é acalentador saber que uma curta viagem de comboio nos separa. E que bom é poder pegar a filha e dar umas escapadas de vez em quando para rodar pelo Alentejo, por exemplo.

No auge do confinamento aqui em Portugal, com as aulas das universidades suspensas ou dadas apenas online, alguns brasileiros e brasileiras, como a Laura, aproveitaram para dar uma escapada até o Brasil e matar saudades da mãe, de toda a família e, claro, do gato.

E apesar da falta que esse contato físico realmente faz, não há nenhum plano para voltar às origens. O mundo agora ficou realmente pequeno. A pauta agora é “onde vou fazer o mestrado?” ou, uma vez que o trabalho remoto virou uma realidade que parece não desaparecer, tem também o “em qual país ou empresa eu quero trabalhar, mesmo que eu fique em Portugal?”.

Pois é, essa é a nova realidade de um novo mundo da pandemia para turma que alia a experiência de viver fora, conhece outras línguas e culturas, com o desejo de seguir expandindo os seus horizontes. Elas estão terminando uma etapa, enquanto outros começam o mesmo ciclo, tomando as rédeas da própria história. No final, é isso. Criamos os filhos para o mundo.

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*As opiniões dos colunistas não refletem necessariamente a opinião do site Euro Dicas.