Você sabia que existem profissionais em falta na Europa? Com mudanças na demografia, avanços tecnológicos e desafios no mercado de trabalho, o continente enfrenta uma escassez de profissionais em setores essenciais.
Por isso, se você busca oportunidades de carreira ou tem curiosidade sobre o que está acontecendo no mercado de trabalho europeu, preparamos este artigo para tirar as suas principais dúvidas e começar hoje mesmo a buscar pela sua vaga. Acompanhe!
Quais os profissionais em falta na Europa?
Para responder à pergunta, recorremos ao Relatório de Desequilíbrios do Mercado de Trabalho da EURES de 2023, elaborado pela Autoridade Europeia do Trabalho (ELA).
O relatório analisou 29 países (Estados-Membros da União Europeia, Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça), cruzando dados de diversas fontes:
- Serviços públicos de emprego: analisaram vagas disponíveis, número de candidatos e o tempo que as vagas levam para serem preenchidas;
- Pesquisas com empregadores: reuniram insights sobre os desafios de recrutamento enfrentados pelas empresas;
- Estudos de previsão de competências: identificaram tendências futuras do mercado de trabalho;
- Validação cruzada: compararam os dados com estudos complementares, como a Pesquisa de Força de Trabalho Europeia e dados do Eurobarômetro.
A análise considerou a gravidade da escassez e a abrangência geográfica da demanda, resultando em um ranking das profissões mais necessárias no continente. Sem mais delongas, confira, a seguir, a lista de profissionais em falta na Europa.
1. Profissionais de saúde
Na liderança da lista de escassez estão os profissionais de saúde. Países de toda a Europa enfrentam dificuldades para formar e reter especialistas capazes de atender à crescente demanda por cuidados médicos.
Profissões em alta:
- Médicos especialistas;
- Enfermeiros;
- Médicos generalistas.
O envelhecimento da população tem pressionado o sistema de saúde, tornando este um dos setores mais críticos para a estabilidade social e econômica da Europa.
2. Construção civil
O setor de construção civil é outro que sofre com a falta de trabalhadores qualificados. A alta demanda por projetos de infraestrutura e energias renováveis aumentou a pressão sobre o mercado de trabalho.
Profissões em alta:
- Encanadores;
- Carpinteiros;
- Pedreiros;
- Telhadores.
Além disso, o baixo ingresso de jovens na área intensifica os desafios, criando lacunas preocupantes para o futuro.
3. Engenheiros e técnicos
A falta de engenheiros e trabalhadores técnicos especializados se tornou um grande obstáculo em setores estratégicos da economia europeia.
Profissões em alta:
- Soldadores;
- Mecânicos de veículos.
4. Reparadores de máquinas industriais
Essas funções exigem formação técnica avançada, mas os países não têm conseguido formar profissionais na mesma velocidade em que a demanda cresce. Portanto, é uma área com ótimas oportunidades.
5. Profissionais de Tecnologia da Informação
A transformação digital acelerada tem impulsionado a busca por especialistas em Tecnologia da Informação. Empresas de diversos setores estão lutando para preencher essas vagas.
Profissões em alta:
- Desenvolvedores de software;
- Programadores de aplicativos;
- Analistas de sistemas.
A Europa está vivenciando uma corrida por talentos tecnológicos, e a formação de novos profissionais não acompanha o ritmo do mercado.
6. Transporte e Logística
O setor de transporte e logística é essencial para o funcionamento das economias europeias, mas a falta de profissionais está causando impactos graves.

Com uma força de trabalho envelhecida e dificuldades para atrair novos talentos, o setor enfrenta desafios crescentes para manter a eficiência.
Profissões em alta:
- Motoristas de caminhão pesado;
- Operadores de carga.
7. Trabalhadores qualificados
A transição para uma economia sustentável e o crescimento industrial aumentaram a necessidade de trabalhadores qualificados em funções específicas.
Profissões em alta:
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INSCREVER GRÁTIS→- Eletricistas;
- Concretistas;
- Trabalhadores de chapas metálicas.
Apesar da alta demanda, muitas dessas funções sofrem com a falta de formação profissional e o desinteresse dos jovens.
8. Hospitalidade e gastronomia
Com a recuperação do turismo, o setor de hospitalidade enfrenta dificuldades para contratar e reter funcionários, especialmente em empregos sazonais.
Profissões em alta:
- Cozinheiros;
- Garçons.
A pandemia deixou marcas profundas no setor, e as condições de trabalho, muitas vezes desafiadoras, continuam afastando potenciais candidatos.
Quanto ganham os profissionais em falta na Europa?
É importante reforçar que os salários vão variar de acordo com a região e o nível de especialização do profissional.
Por isso, para elaborar a tabela a seguir, consultamos diversas matérias e estudos de portais como o Euronews e o TalentUp e o European Comission, para termos uma média salarial anual do continente – ainda que o valor possa mudar consideravelmente de acordo com o país.
| Profissão | Salário médio anual |
| Médicos especialistas | entre 80.000€ e 100.000€ |
| Enfermeiros | entre 20.000€ e 25.000€ |
| Encanadores, carpinteiros, pedreiros, telhadores | entre 25.000€ e 45.000€ |
| Soldadores, mecânicos de veículos, reparadores de máquinas industriais | entre 30.000€ e 50.000€ |
| Desenvolvedores de software, programadores de aplicativos, analistas de sistemas | entre 50.000€ e 80.000€ |
| Motoristas de caminhão pesado, operadores de carga | entre 25.000€ e 40.000€ |
| Eletricistas, concretistas, trabalhadores de chapas metálicas | entre 30.000€ e 45.000€ |
| Cozinheiros | entre 20.000€ e 30.000€ |
| Garçons | 25.000€ |
Novamente, os valores mencionados dos salários médios dos profissionais em falta na Europa são estimativas e podem variar conforme o país, região, experiência e qualificação dos profissionais.
Para informações mais precisas, recomenda-se consultar fontes oficiais ou estudos salariais específicos de cada país ou setor.
Como encontrar trabalho na Europa?
Está pensando em trabalhar na Europa, mas não sabe por onde começar? O continente oferece inúmeras oportunidades, especialmente em setores onde há grande escassez de profissionais.
Se você está de olho em uma vaga, confira como se preparar e aumentar suas chances de sucesso com as dicas a seguir:
- Pesquise o mercado de trabalho: antes de tudo, é importante saber onde estão as maiores oportunidades. Alguns países têm mais demanda por determinados profissionais, como enfermeiros na Alemanha ou desenvolvedores de software nos Países Baixos;
- Prepare um currículo e carta de apresentação no formato europeu: os recrutadores europeus esperam documentos claros e objetivos. O modelo Europass é amplamente aceito e fácil de personalizar. Lembre-se de adaptar sua carta de apresentação para cada vaga, destacando como suas habilidades atendem ao que a empresa busca;
- Aposte no networking: networking pode ser um divisor de águas! Participe de eventos online e presenciais do seu setor, conecte-se com profissionais no LinkedIn e entre em grupos voltados para vagas e discussões profissionais em redes sociais;
- Aprenda o idioma local: embora muitas empresas usem o inglês como língua de trabalho, conhecer o idioma do país onde você deseja atuar é sempre um diferencial – e em algumas áreas, pode ser essencial;
- Entenda as regras de trabalho e vistos: para quem não tem cidadania europeia, é importante verificar os requisitos de visto e permissão de trabalho. Muitos países oferecem programas específicos para atrair talentos internacionais;
- Seja persistente e proativo: encontrar o emprego ideal pode levar tempo, mas não desista! Mantenha seu currículo atualizado, acompanhe vagas relevantes e, sempre que possível, entre em contato diretamente com empresas do seu interesse.
É difícil conseguir um trabalho na Europa?
Conseguir um emprego na Europa pode ser desafiador, mas não impossível. Suas chances aumentam se você:
- Focar em áreas com alta demanda, como saúde, TI, construção e transporte;
- Falar o idioma local, especialmente em setores que lidam diretamente com o público;
- For cidadão da UE ou tiver acesso a vistos como o Blue Card para profissionais qualificados;
- Apresentar qualificações relevantes e experiência na área de atuação.
Planejamento, qualificação e networking são essenciais. Embora o mercado seja competitivo em alguns setores, profissões em escassez oferecem boas oportunidades para estrangeiros.
Sites para conseguir vaga para os profissionais em falta
Os principais sites para buscar empregos nas áreas em alta demanda na Europa são:
- Portal EURES: a rede oficial da União Europeia conecta trabalhadores a empregadores em setores de escassez, com informações sobre mobilidade laboral e vistos;
- LinkedIn: ideal para networking e busca de vagas específicas, especialmente em setores como tecnologia e engenharia;
- Indeed: plataforma com vagas em diversos setores e países, com filtros específicos por área e localização;
- Glassdoor: além de listar vagas, oferece insights sobre salários e condições de trabalho;
- Monster: focado em vagas de níveis técnicos e especializados, abrangendo diversas áreas.
Trabalho na área em que faltam profissionais na Europa, o que fazer?
Se você atua em uma das profissões que estão em alta demanda na Europa, como saúde, tecnologia, engenharia, construção ou transporte, as chances de encontrar uma boa oportunidade de trabalho no continente são promissoras.
Profissionais qualificados nessas áreas são muito procurados devido à escassez de mão de obra em vários países europeus, o que abre portas para quem deseja expandir a carreira e viver novas experiências.
Mas por onde começar? Quais são os passos para aproveitar essas oportunidades e garantir que sua candidatura se destaque? A seguir, elaboramos um passo a passo detalhado para facilitar a sua jornada rumo ao mercado de trabalho europeu.
1. Pesquise os países com maior demanda na sua área
Use o Relatório de Escassez da EURES – utilizado para a elaboração deste ranking – para identificar os países europeus que mais precisam de profissionais na sua área. Por exemplo:
- Saúde: Alemanha, Suécia e Noruega;
- TI: Países Baixos, Alemanha e Estônia;
- Construção: Dinamarca e Finlândia.
2. Verifique os requisitos de trabalho
Algumas profissões, como engenharia e saúde, podem exigir validação do seu diploma ou licenças adicionais no país onde você deseja trabalhar.

Verifique também se é necessário falar o idioma local ou se o inglês é suficiente para sua área.
3. Atualize e alinhe seu currículo ao padrão europeu
Utilize o modelo Europass para criar um currículo objetivo e alinhado ao que recrutadores europeus esperam. Além disso, destaque sua experiência e certificações relevantes para a profissão e o país alvo.
5. Prepare-se para entrevistas virtuais e processos seletivos
Muitas entrevistas são feitas virtualmente – especialmente de primeira fase. Portanto, certifique-se de ter um ambiente profissional e boa conexão de internet para entrevistas online.
Pesquise sobre a cultura da empresa e do país para impressionar os recrutadores.
6. Informe-se sobre vistos e permissões de trabalho
Se você não é cidadão da União Europeia, verifique os requisitos de visto para trabalhar no país escolhido. Por exemplo, programas como o Blue Card europeu facilitam a entrada de profissionais em falta na Europa.
7. Construa um plano de transição
Avalie custos, prazos e documentação necessária para a mudança. Além disso, é importante pesquisar sobre acomodação, transporte e cultura local para se adaptar mais facilmente.
8. Aplique para as vagas e mantenha-se proativo
Envie seu currículo para as vagas mais alinhadas às suas qualificações, mas não pare por aí: acompanhe ativamente o status das suas candidaturas e esteja preparado para responder rapidamente a contatos de recrutadores.
Como está o mercado de trabalho na Europa?
O mercado de trabalho europeu tem mostrado sinais positivos de recuperação e crescimento nos últimos anos, mesmo diante de desafios como a pandemia e crises econômicas.
De acordo com o Relatório Conjunto sobre Emprego na União Europeia de 2024, o número de pessoas empregadas atingiu 216,1 milhões, superando o pico pré-pandêmico de 2019 em 6,2 milhões. A taxa de emprego para pessoas entre 20 e 64 anos chegou a 75,4%, enquanto o desemprego foi reduzido para 6,2% em 2022.
No entanto, há diferenças significativas entre os setores. Áreas como Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) lideram o crescimento, refletindo a transformação digital acelerada no continente.
O setor de construção também registrou alta de 6,6% no emprego, enquanto a agricultura seguiu em declínio, com uma redução de 4,3% nos postos de trabalho. Por outro lado, setores com alto consumo de energia enfrentaram retrações devido à crise energética.
Há crescimento e desafios
Projeções indicam que o mercado de trabalho continuará crescendo, com uma previsão de aumento de 0,4% no emprego para 2024 e 2025. Ainda assim, a União Europeia enfrenta desafios como a escassez de mão de obra qualificada em áreas-chave, a transição para uma economia verde e digital, e o declínio da população em idade ativa.
O desemprego jovem permanece alto em muitos países, o que evidencia a necessidade de ações específicas para integrar os jovens ao mercado de trabalho.
E por falar em tendências no mercado de trabalho, vale a pena conferir essa matéria em áudio da DW Brasil, em que a redação do jornal comenta os desafios enfrentados pela União Europeia em atrair europeus para o mercado de trabalho.
Setores que mais contratam profissionais na Europa
O mercado de trabalho europeu apresenta uma demanda crescente por profissionais em diversas áreas. Setores como Tecnologia da Informação e Comunicação, saúde, engenharia, construção civil e transporte estão entre os que mais contratam no continente.
Ainda, segundo matéria da Euronews, a Inteligência Artificial e a sustentabilidade são dois dos principais impulsionadores que estão remodelando fundamentalmente o mercado de trabalho, com as empresas a procurarem cada vez mais contratar profissionais com competências ecológicas e de IA.
A transformação digital e a necessidade de infraestrutura moderna impulsionam essas demandas, criando oportunidades significativas para profissionais qualificados. Além disso, áreas como sustentabilidade e segurança cibernética também têm ganhado destaque, refletindo as tendências atuais do mercado europeu.
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Renata Losso