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Trabalhar com TI em Portugal: salários e como conseguir vaga

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Trabalhar com TI em Portugal: salários e como conseguir vaga

É da área de Tecnologia da Informação e está buscando oportunidades fora do Brasil? Saiba que trabalhar com TI em Portugal pode ser uma grande oportunidade. A área é uma das mais promissoras não só no país luso como em toda a Europa.

Ficou interessado? Continua comigo que vou te mostrar onde encontrar oportunidades, melhores cidades para trabalhar como TI, como preparar o currículo, média salarial e a experiência de profissionais brasileiros em Portugal.

Como trabalhar com TI em Portugal?

Portugal tem se mostrado de portas abertas para os profissionais de Tecnologia da Informação, principalmente na capital, Lisboa, onde está concentrado o maior número de empresas nacionais e internacionais. Isso não quer dizer que em outras cidades não tenham boas oportunidades.

Para trabalhar em Portugal na área de TI é preciso ter uma boa formação, preparar o currículo, se preparar para as entrevistas e falar inglês, pois a maioria das empresas exige fluência no idioma e você vai constatar isso quando começar a procurar por oportunidades na área.

Quer morar em Portugal com segurança e qualidade de vida?

Recomendamos a assessoria boutique da Atlantic Bridge, para quem deseja ir para Portugal de forma planejada, sem contratempos e com a segurança de ser acompanhado pelos profissionais mais experientes do mercado.

Se tudo der certo e conseguir a vaga desejada, vai precisar solicitar o visto de trabalho e arrumar as malas para a mudança.

1. Como preparar e adaptar o currículo de TI para Portugal?

O primeiro passo na busca por um emprego em Portugal na área de TI é adaptar o currículo. Para padronizar as informações do currículo os países da União Europeia possuem um modelo de currículo padrão, chamado Europass (vamos falar tudo sobre ele abaixo).

Adaptar o currículo é essencial para começar a distribuí-lo no continente.

2. Candidatar-se à vagas

Vaga de emprego em Portugal não cai do céu, nem mesmo para uma área cheia de oportunidades como a de Tecnologia da Informação. Você só vai conseguir uma colocação no mercado se correr atrás das oportunidades e começar a candidatar-se às vagas.

E isso, só depende de você! Abaixo vamos mostrar como fazer isso.

3. Se aprovado, solicitar o visto

Se candidatou a uma vaga para trabalhar com TI em Portugal e conseguiu uma oportunidade e contrato de trabalho? É hora de solicitar o visto de trabalho!

O visto de trabalho deve ser solicitado ainda no Brasil através da VSF Global, empresa terceirizada pelo Governo Português para desafogar os postos Consulares.

Mulher TI em Portugal

Como adaptar o currículo de TI para Portugal?

Para adequar o seu currículo brasileiro para o europeu, basta acessar a plataforma Europass e fazer o cadastro gratuitamente. Vale também, criar uma carta de apresentação.

Deve cadastrar os seguintes dados:

  • Dados pessoais: nome, data de nascimento, endereço e contato e escrever um pouquinho sobre você;
  • Dados de contato: telefone e email;
  • Experiências profissionais: empregos remunerados, voluntariado, estágios, trabalho independente, etc;
  • Educação e Formação: curso superior, pós-graduação, cursos online, profissionalizantes, etc;
  • Competências linguísticas: idiomas que fala, escreve e compreende, bem como o nível em cada idioma. Não vai colocar dizendo que sabe um determinado idioma e decepcionar na hora entrevista, hein!;
  • Competências digitais: insira tudo que você domina do meio digital. Para trabalhar com TI em Portugal, essas competências serão fortemente avaliadas.

A plataforma ainda disponibiliza o campo de “Novas seções” para incluir no currículo, tais como: atividades sociais e políticas, competências de gestão e liderança, competências de comunicação, projetos, publicações científicas, recomendações, entre várias outras.

Após preencher todas as informações, há também a possibilidade de criar o seu currículo em outra língua. Basta escolher o idioma desejado e a tradução acontece de forma automática pela própria plataforma.

Dessa maneira, você pode ter seu currículo Europass em português, inglês, espanhol, francês, italiano em um único lugar ou poderá fazer o download em formato PDF do idioma que precisar.

Onde encontrar vagas para trabalhar com TI em Portugal?

O melhor lugar para encontrar vagas para trabalhar com TI é através dos sites de emprego em Portugal, no LinkedIn e até mesmo na plataforma Europass, pois ela oferece um recurso para pesquisar por vagas no país e em toda a União Europeia.

Procure se informar sobre as principais empresas que atuam no país luso. No ranking de 2020-2021 de melhores empresas para trabalhar em Portugal, a maioria das vencedoras são de Tenologia da Informação, mas mesmo aquelas que atuam em outras áreas estão sempre em busca de profissionais de TI.

Visto para trabalhar com TI em Portugal: Tech Visa Portugal

Devido as grandes demandas por profissionais de TI, o país lançou em 2018, o programa Tech Visa Portugal com a finalidade de agilizar o processo de solicitação do visto para aqueles que conseguem uma colocação no mercado.

Para solicitá-lo, primeiramente, a empresa responsável pela contratação deve estar credenciada ao programa. Em caso afirmativo, ela deverá emitir um termo de responsabilidade que conta com um código de validação e registrá-lo no IAPMEI, a Agência para a Competitividade e Inovação de Portugal.

Com o esse termo e outros documentos em mãos, o profissional de TI contratado deve seguir com a solicitação na VSF Global.

De acordo com a notícia publicada no IAPMEI no dia 13 de março de 2020, 268 empresas portuguesas já haviam se credenciado ao programa e 1.265 termos de responsabilidade já haviam sito registrados, dentre eles, 1.027 para profissionais brasileiros de Tecnologia da Informação.

Porém, para as empresas que não fazem parte do programa é preciso entrar com o pedido de visto de trabalho regular, que pode ser um pouco mais demorado.

Preparar-se para morar em Portugal

Assim que der entrada no visto no Brasil é hora de começar a se preparar para morar em Portugal. Então, listei algumas dicas:

  • Calcule o custo de vida para balancear e ajustar o seu salário de TI em Portugal com as suas necessidades;
  • Encontre uma casa para alugar em Portugal e fique atento aos contratos que não oferecem recibos, pois eles serão importantes para você na hora de declarar o IRS (imposto de renda);
  • Deixe uma procuração geral com alguém de sua confiança no Brasil para o caso de precisar resolver algum problema em seu nome.

Em Portugal, prepare-se para algumas burocracias:

  • Solicite o NIF – número de identificação fiscal nas Finanças;
  • Faça a solicitação do NISS – número de identificação da Segurança Social;
  • Agende o SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras – para solicitar a Autorização de Residência em Portugal;
  • Tem filhos e vai se mudar com toda a família? Você pode solicitar o Reagrupamento Familiar para eles também no SEF;
  • Faça a inscrição no Centro de Saúde mais próximo da sua casa para obter o Número de Utente e ter acesso ao sistema público de saúde.

E por último, aproveite tudo que Portugal tem para oferecer: novo trabalho, qualidade de vida, ótima gastronomia, praias e paisagens incríveis!

Grandes empresas que contratam TI em Portugal

Já deu para perceber que o mercado para trabalhar com TI em Portugal anda bem aquecido, certo?

Existem empresas de todos os portes que contratam profissionais de Tecnologia de Informação, como:

Perfis mais buscados

A área de Tecnologia da Informação é bem ampla e tem oportunidade para todos os profissionais, independente da experiência. Os cinco perfis mais buscados pelas empresas são:

  • Engenheiro de Software;
  • Segurança da Informação;
  • Web Developer;
  • Business Intelligence Analyst;
  • Programador ERP.

Quanto é o salário para TI em Portugal?

O salário de TI em Portugal varia de dois a quatro salários mínimos, dependendo da experiência profissional, do cargo que ocupada e do porte da empresa, ou seja, 1.330€ a 2.260€.

Considerando que a média salarial do país é de 750€, pode-se dizer que um profissional de Tecnologia da Informação até que ganha muito bem no país luso.

Não é um salário muito alto se comparado a outros países europeus como a Alemanha, Bélgica, França e Holanda. No entanto, o custo de vida em Portugal é bem mais baixo em relação a esses países.

Além disso, pelas facilidades com relação ao visto, trabalhar com TI em Portugal pode ser uma boa oportunidade para adquirir experiência e abrir portas futuras para o mercado de trabalho europeu.

Melhores cidades para trabalhar com TI em Portugal

Lisboa e Oeiras (o Vale do Silício português), concentram as empresas de grande porte e multinacionais, bem como a maior parte das empresas de especializadas em tecnologia, sendo as melhores cidades para trabalhar com TI em Portugal.

Além delas, Porto e Faro também oferecem boas oportunidades para na área, devido à abundância de StartUps.

Porque os portugueses emigram para trabalhar com TI

Como falei anteriormente, o salário de TI em Portugal em não é muito alto comparado a outros países europeus, por esse motivo, muitos portugueses acabam emigrando para trabalhar.

Quem tem cidadania portuguesa, tem a facilidade de morar e trabalhar em qualquer outro país da União Europeia sem a necessidade de visto. É só encontrar a oportunidade de trabalho, arrumar as malas e ir. A única burocracia é fazer o “Certificado de Cidadão Europeu” no país que irá residir.

Os países mais buscados pelos portugueses que emigram para trabalhar com TI são Inglaterra, Alemanha, França e Suíça.

Se você quer enriquecer com TI, Portugal pode não ser a melhor escolha

Definitivamente, Portugal não é um país para enriquecer, independente da profissão. E sim, um país para desfrutar de uma excelente qualidade de vida, tranquilidade e segurança.

Se quer enriquecer, melhor seguir o exemplo dos portugueses e emigrar para outros países europeus ou até mesmo permanecer no Brasil, onde é possível encontrar salários bem altos na área.

Opinião dos brasileiros que já trabalham com TI em Portugal

Nada melhor do que os brasileiros que trabalham com TI em Portugal para falar sobre o mercado de trabalho no país luso.

Entrevistei três brasileiros de diferentes idades, que me contaram sobre as oportunidades, dificuldades de trabalhar na área e algumas dicas importantes para está buscando um emprego em Portugal. São eles:

  • Wagner Rosa, 29 anos, natural do Rio de Janeiro, trabalha e reside em Lisboa desde outubro de 2020;
  • Suzeli Rodrigues, 56 anos, natural de São Paulo, trabalha e reside em Alenquer, região metropolitana de Lisboa;
  • Júlio Cardoso, 45, natural do Rio de Janeiro, que se mudou com a mulher e os três filhos há quatro anos para trabalhar com Tecnologia da Informação e reside em Oeiras.

1. O mercado português está aberto para os profissionais brasileiros de TI ou existe alguma resistência?

Wagner: “Não vi resistência durante meu processo, uma vez que há um certo avanço ao nível tecnológico do Brasil em relação a Portugal. Os profissionais brasileiros mais qualificados tem boas chances de preencher essas vagas.”

Suzeli: “Eu acredito que o mercado português está muito aberto para receber os brasileiros e outros estrangeiros para essa área de trabalho. Isso porque, a maioria dos portugueses formados e qualificados para tal, acabam por migrar para outros países onde o salário é mais atraente.”

Júlio: “Eu diria que sim e que não. No ponto de vista do sim eu tive oportunidade recentemente. Estávamos intermediando através da empresa que eu presto serviço hoje com três colegas do Brasil a possibilidade dela trazê-los para cá. No final, o que acabou sendo um impeditivo era que eles queriam pessoas que já estivessem aqui e o outro fator foi a questão de formação.

Eu vejo que por parte das consultoras em si, elas querem estar sempre trazendo brasileiros para cá, tendo em vista que a realidade de Portugal tem uma deficiência de mão de obra de TI. Então, sim no ponto de vista das empresas e não, do ponto de vista dos clientes que preferem que os profissionais já estejam no país para prestar esse serviço e não tem tanta abertura para trazer profissionais de fora, a não ser que esse profissional já tenha uma cidadania europeia, por exemplo.

Na época que vim, ainda não existia o visto Tech Visa. Porém, ele vai em direção no que havia falado. Há uma necessidade que o país tem de mão de obra nessa área.”

TI Julio
Foto: Júlio Cardoso (centro) e família/Arquivo Pessoal

2. Como você se preparou para entrar no mercado português? Foi fácil entrar?

Wagner: “Comecei a procurar definitivamente há 1 ano. Sendo que, com a entrada da pandemia, desacreditei um pouco das chances de conseguir, mas tive algumas oportunidades de entrevistas até encontrar a oportunidade que se encaixava com meu perfil. Fácil não é! Mas também não é esse bicho de 7 cabeças.”

Suzeli: “Não foi fácil para mim, mas eu acredito que isso aconteceu porque cheguei num momento difícil, logo que começou a pandemia de Covid-19. Muitos perderam seu emprego e muitas empresas estavam fechadas e outras ainda não sabiam ou estudavam qual a melhor forma de trabalhar home office. Comecei a trabalhar em junho de 2020 como Consultora de Auditoria ISO 27001.”

Júlio: “Primeiramente o que eu fiz foi uma pesquisa de mercado. Eu sou da área de Sistemas Operacionais e fiz uma pesquisa dentro da minha área em sites de emprego e me surpreendi. Outro fator que vi que foi um diferencial foi o tempo. Sou um profissional que estou há mais de 20 anos na área. Então, querendo ou não isso acaba sendo um diferencial. Trabalhei 15 anos na Petrobrás e nos últimos anos como funcionário da IBM.”

3. É possível encontrar uma oportunidade estando ainda no Brasil?

Wagner: “Sim! Sou a prova viva disto. Estando preparado, tendo um bom nível de inglês (é importante, mesmo para Portugal), e tendo boa desenvoltura em processos seletivos, é bem possível.”

Suzeli: “É possível sim, mas é bem difícil. Para que uma organização contrate um estrangeiro não estando em Portugal, será preciso muita disposição da empresa ou que pelo menos que o candidato tenha dupla cidadania, pois fica muito difícil uma empresa contratar alguém sem documentos.”

Júlio: ”É difícil para a gente falar nunca ou que é impossível. Eu acho que é possível sim, mas eu acho que o processo se torna muito mais difícil porque Portugal ainda preza muito pela entrevista pessoal, com o primeiro contato ali ‘face to face’ com o candidato para poder conhecer. Lógico que com a pandemia, as empresas precisaram se adaptar. Eu falo porque quando cheguei aqui em 2017, até começar nesses 40, 60 dias, eu passei por 12 entrevistas e todas elas conversando diretamente com o cliente.”

4. Quais as principais dificuldades encontradas pelos profissionais da área em Portugal?

Wagner: “Talvez a adaptação em trabalhar com pessoas de uma cultura totalmente diferente, mas não tive grandes dificuldades nesse ponto. Ao nível pessoal, com certeza o salário ‘mais baixo’.”

Suzeli: “Acredito que Portugal é um dos países com mais facilidades para brasileiros do que qualquer outro país europeu, desde conseguir os documentos necessários para iniciar a vida por aqui até conseguir a cidadania. É um percurso longo e burocrático, mas atingível. Acho que a maior dificuldade encontrada pelo estrangeiro é:

  • Ter documentos necessários para iniciar sua carreira em uma empresa;
  • Estar economicamente preparado, pois, as despesas com moradia, condução, saúde, alimentação, etc, são altas para estrangeiros;
  • Ter consciência de que precisará ter inglês fluente (sempre solicitado) se souber mais um outro idioma seria o ideal;
  • Entender que não está mais no seu país e que não deve impor a sua cultura e sim tentar absorver o máximo possível da cultura portuguesa;
  • Saber que o idioma parece o mesmo, mas não é, e é muito importante falar com o idioma correto para evitar mal-entendido e também diminuir a possibilidade de preconceito (em todo lugar do mundo isso existe, infelizmente);
  • Ter consciência que a distância da família é difícil e precisa saber administrar.”

Júlio: “As dificuldades podem variar muito de acordo com a área de atuação. A gente sabe que a área de TI é uma área muito ampla. Eu sou da área de infraestrutura e dentro dessa área ainda tem profissionais de banco de dados, de redes, de desenvolvimento, de gestão de projetos, etc. Então, as dificuldades podem ser muito diferentes de cada área.

Do modo de vista global, acho que a maior dificuldade do ponto de vista profissional é que, o profissional brasileiro peca muito e em Portugal acaba por ser uma questão muito básica, é o inglês. Eu por várias entrevistas que eu tive, chegava um determinado momento da entrevista, ela passava a ser em inglês. Tanto que até hoje, eu estudo inglês para me aperfeiçoar. Nós profissionais brasileiros, muitas vezes não damos esse valor ao idioma, mas aqui na Europa falar inglês não é um diferencial, é o trivial e faz parte da formação como profissional.”

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Suzeli Rodrigues/Arquivo Pessoal

5. Você considera o salário de TI em Portugal bom? Melhor que no Brasil?

Wagner: “De fato o salário é baixo comparado aos outros países europeus. Porém, Portugal possui algumas vantagens como custo de vida mais baixo (exceto aluguel). O poder de compra é a principal vantagem em relação ao Brasil, você claramente sente seu dinheiro mais valorizado, desde o mercado do mês até jantando num restaurante.”

Suzeli: “No meu caso, meu salário era maior no Brasil, mas eu entendo que no Brasil eu tinha muitos anos de experiência e aqui estou a iniciar tudo novamente. Estou feliz, pois estou tendo uma oportunidade que no Brasil seria bem difícil, primeiro pela minha idade e segundo pela segurança. Aqui posso caminhar pela rua à noite ou de madrugada sem ter medo, meu carro fica estacionado na rua e nunca, ninguém mexeu em nada. Para mim só o fato de ter essa tranquilidade com relação a roubos, assaltos, assassinatos, etc, já me deixa bem feliz.”

Júlio: “Acho que o salário vai depender muito da forma como você vai trabalhar como empresa, acho que você consegue ter uma boa rentabilidade. Eu costumo dizer que se eu tivesse vindo para cá como um funcionário de uma empresa, eu não conseguiria arcar com o padrão de vida que eu tenho hoje: morando em Oeiras, que a gente sabe que é uma área nobre, com dois filhos na faculdade e um arrendamento alto.

Inicialmente era só eu que trabalhava, mas hoje minha esposa também trabalha. Então, como um funcionário de uma empresa não daria porque a média de salário para um profissional Sênior, por exemplo, é em torno de 4 salários mínimos, em torno de 2.500€ líquidos. Esse valor é um bom salário, porém, o grande problema que vejo hoje em Portugal é que os arrendamentos estão muito alto. Para o profissional de TI, o salário é sim um diferencial, mas para a realidade dos aluguéis de Portugal, pesa muito.”

6. O que te fez buscar uma oportunidade fora do Brasil? Por que escolheu Portugal?

Wagner: “Tranquilidade e segurança é a resposta número um para a grande maioria, e estou na estatística que comprova isso! Portugal é a melhor porta de entrada para nós brasileiros, além disso, tenho família em Portugal, o que deixa um pouco mais confortável para toda a mudança de vida.”

Suzeli: “Na verdade, eu tentei primeiro a Austrália, país lindo e maravilhoso, mas tive muita dificuldade de ficar por lá legalmente. Morei na Austrália por 3 anos, e então resolvi vir para Portugal, pois tenho dupla cidadania. O que me fez sair do Brasil foi a falta de segurança, os altos índices de roubos, assaltos, mortes, e ainda o fato de só existir saúde de qualidade e estudo para quem tem como pagar, o restante acaba por ficar no corredor dos hospitais e no máximo termina o segundo grau.”

Júlio: “No Brasil eu já tinha uma vida estável, com um bom salário, casa própria e filhos se encaminhando. Poderia dizer que minha vida já estava ali organizada. O problema é que a gente não vive da porta para dentro e sim da porta para fora. A realidade é que a violência que a gente tem, principalmente em uma cidade como o Rio de Janeiro e adjacências. E essa violência a gente já começava a sentir lá em Maricá, na cidadezinha com 200 mil habitantes. Não é uma cidade grande quanto o Rio, mas que já começa a sentir o reflexo dessa criminalidade, com assaltos, tráfico de drogas e outras coisas mais. Então, já há alguns anos eu tinha esse projeto de morar fora. Inicialmente havia pensado na Austrália ou Canadá, mas o processo de emigração para esses países eram bem mais complexos para os acompanhantes.”

7. Qual visto solicitou, Visa Tech ou de trabalho? Como foi o processo de solicitação?

Wagner: “Visto de trabalho “D3”. Minha empresa se enquadra no Visa Tech, porém pelo modelo de contrato que fiz, o mais adequado seria o visto de trabalhador subordinado.”

Suzeli: “No meu caso foi um pouco mais fácil, pois tenho dupla cidadania e não precisei de visto. Meu marido veio como turista e fiz o reagrupamento familiar dele aqui. Hoje ele já possui permissão de residência.”

Júlio: “Eu vim para cá abrindo a minha empresa de TI, que foi o que me deu o visto de empreendedor. Na altura eu fui obrigado a apresentar um plano de negócios, onde eu evidenciava para o Consulado Português a necessidade de Portugal tinha através de três reportagens de sites do país dizendo que eram profissionais escassos e também através da grande oferta de propostas em sites de emprego e emails que troquei com outras empresas que só não concluíram o processo de contratação porque na altura eu não tinha o visto. Tanto que quando eu cheguei, em cerca de 45/60 dias eu já estava começando a trabalhar.”

TI Wagner
Wagner Rosa/Arquivo Pessoal

8. Vale a pena sair do Brasil para trabalhar com TI em Portugal? Já se arrependeu em algum momento?

Wagner: “Tudo depende do que você põe na balança como principais pilares de sua vida. Para mim com certeza vale a pena. Assim que recebi o ‘sim’ da empresa, comecei a me planejar e ajeitar minhas coisas para ir embora.”

Suzeli: “Vale super a pena, não me arrependo em nenhum momento. Estou amando trabalhar e morar aqui e me arrependo de não ter feito isso antes.”

Júlio: “Quando eu decidi sair não tinha perspectiva de volta. Hoje, no momento que estou, diante das oportunidades que apareceram só confirma todo o meu planejamento. Hoje, não tenho qualquer situação que me faça voltar. A dificuldade maior do imigrante é a distância com a família e talvez isso, seja um fator que muitas vezes você pensa, mas nada que você não possa visitar em umas férias. Eu acho engraçado porque meu maior receio era adaptação da minha esposa, que é muito colada com a família, mas viemos. Hoje, já tivemos a oportunidade de voltar duas vezes ao Brasil, mas passa um tempinho e ela já fica doida para retornar para casa, para Portugal.”

9. Teria alguma dica para os profissionais da área que estão em busca de oportunidades em Portugal?

Wagner: “Não desanime, os ‘nãos’ fazem parte (em qualquer lugar do mundo). Se prepare, melhore seus ‘people skills’ e meta a cara! Faz acontecer, pois, ficar na teoria não vai te levar a lugar nenhum.”

Suzeli: “Estude o inglês e mais um idioma se for possível, junte dinheiro para sobreviver por pelo menos 6 meses, procure obter certificações que o qualifiquem em sua função, demonstre em seu currículo toda experiência que possui (é o que eles mais consideram), seja você mesmo e não se espelhe na experiência dos outros, pois cada pessoa tem um destino diferente. Saiba que enfrentará barreiras, muitos ‘nãos’, e às vezes, preconceito por ser estrangeiro, mas seja persistente, pois seu momento chegará. Posso te dizer que a maioria dos portugueses são uns amores e vão te tratar super bem.”

Júlio: “Acho que a primeira dica seria buscar a qualificação no inglês. Não só para profissional de TI, mas para qualquer um que queira mudar para o país. O segundo é ter uma boa reserva financeira porque o início de vida em outro país vai exigir que você tenha um fôlego financeiro para começar a vida com tranquilidade. A terceira é mudar para Portugal legalizado. Sendo que às duas últimas são fundamentais para conseguir sucesso nessa emigração.”

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