Estudantes, empreendedores, trabalhadores, aventureiros e aposentados. Estes são apenas alguns dos vários grupos de brasileiros na França. A comunidade é uma mescla entre os que sempre sonharam em viver no país e outros que apenas aproveitaram uma oportunidade para buscar mais segurança e autonomia financeira.
Conheça alguns deles neste artigo e descubra se imigrar para a terra do queijo e do vinho é uma boa ideia para você.
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INICIAR ATENDIMENTO →Quem são os brasileiros na França?
O governo francês ainda não é capaz de fornecer um histórico preciso em relação à permanência dos brasileiros no país. Nos controles internos, alguns grupos – como os cidadãos que possuem dupla nacionalidade – não são levados em consideração. Por isso, não sabemos ao certo qual é o número oficial da comunidade habitando em solo francês.
De maneira geral, trata-se de uma população bem jovem. Uma pesquisa publicada em 2022 (a mais recente com esse enfoque) afirma que a maioria dos brasileiros na França naquele período tinha idade entre 25 e 54 anos.
A segunda faixa de idade mais expressiva eram crianças com menos de 15 anos. Após eles, estavam pessoas que tinham entre 15 e 24 anos, e por fim, pessoas com mais de 55 anos.
Alguns casos de imigração acabam sendo mais comuns entre nossos conterrâneos, a saber:
- Brasileiros com nacionalidade francesa ou europeia;
- Estudantes de graduação, mestrado ou doutorado que acabaram encontrando um emprego e se estabelecem no país;
- Empresários e suas famílias que decidiram abrir o seu negócio na França;
- Brasileiros que se casam com franceses e constituem família no país;
- Aposentados em busca de tranquilidade e segurança;
- Ex-au pairs que trocam o visto para o de trabalho e se mudam de vez para a França;
- Brasileiros que buscam oportunidades e acabam ficando em empregos alternativos para garantir a permanência no país.
Se você também está de olho em uma oportunidade para ir morar na França, temos uma boa notícia: o país oferece várias portas de entrada para aqueles que querem uma oportunidade de vivenciar a cultura local.
Além de ser um dos países com a melhor qualidade de vida, a França é conhecida também pela segurança, pelo suporte à saúde e pela facilidade de acesso em relação ao sistema superior de ensino. Não é à toa que o país é um dos mais cobiçados por imigrantes ao redor do globo!
Quanto são os brasileiros na França?
Segundo a mesma pesquisa mencionada anteriormente, havia mais de 50.000 brasileiros vivendo na França naquele período. Contudo, o governo francês ainda não é capaz de fornecer um histórico preciso em relação à permanência dos brasileiros no país.
Nos controles internos, alguns grupos – como os cidadãos que possuem dupla nacionalidade – não são levados em consideração. Então, é difícil sabermos ao certo qual é o número oficial da comunidade habitando em solo francês atualmente. De qualquer forma, os dados mencionados podem ser encarados como encorajadores aos que desejam imigrar!
Trabalhadores brasileiros na França
Começar trabalhar na França, principalmente com um contrato de prazo indeterminado (o sonhado CDI), é o desejo de muitos brasileiros. Não à toa, muitos daqueles que conseguem um emprego resolvem ficar por lá.
Se você pretende conseguir o status de assalariado no país, saiba que há uma série de critérios e burocracias envolvidas. Afinal, buscar emprego é algo complexo em qualquer lugar do mundo, e na França não é diferente.
Como é o mercado de trabalho para brasileiros na França?
Ótimo, se você tiver a qualificação necessária. As perspectivas de emprego no país possuem um cenário positivo, principalmente pelo fato da França possuir uma economia diversificada e envolvida em setores prósperos, como tecnologia, saúde, turismo, serviços e marketing.
Há também destaques para iniciativas de empreendedores, de maneira geral. No entanto, é preciso atender às exigências para esses tipos de profissionais e estar pronto para a concorrência não apenas com os franceses, mas com outros estrangeiros.
Assim como em todo país, há muitas vagas de emprego que não exigem tanta qualificação e expertise do empregado. Elas podem ser uma opção para um momento de transição de carreira ou no momento de sua chegada no país.
No entanto, afirmar que brasileiros só trabalham em subemprego – ou seja, empregos que não exigem as qualificações tradicionais, muitas vezes sem vínculo empregatício e de baixa remuneração – na França é um grande mito!
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Abrir Conta Multimoeda →Vale lembrar as diversas iniciativas que as empresas francesas possuem para captar talentos internacionais, bem como as cooperações universitárias entre centros de pesquisa da França e do Brasil. Isso faz com que muitos brasileiros que começam a trabalhar no país sejam bastante qualificados.
Experiência de trabalhadores brasileiros na França
Para ilustrar os dois lados da moeda, vejamos duas experiências de trabalhadoras brasileiras na França: a da Bruna Lewis, que trabalha como babá, e da Louizy Costa que trabalha como SEO Manager.
Bruna Lewis trabalha como babá
Na França desde 2018, Bruna Lewis é uma referência para aqueles que desejam conhecer mais sobre a vida de um imigrante no país. Ela, que possui um visto de trabalho, se dedica a falar sobre os altos e baixos da vida que vem construindo, além de dar dicas sobre viagens e autoconhecimento para os seus mais de 23 mil seguidores no Instagram.
Bruna mudou de área quando começou a morar na França, o que fez com que ela tivesse uma experiência de trabalho bem diferente daquela que ela tinha no Brasil. “Mas, o que percebo é que eles pensam muito na qualidade de vida no trabalho. Enquanto no Brasil eu trabalhava 44h por semana, aqui são 35h. Já quanto aos demais benefícios, são os mesmos – menos o 13º, que não existe para os franceses”, ela afirma.

Em sua visão, a maior diferença entre os dois países é a qualidade de vida. Ela conta que na França, independentemente do tipo de trabalho que você possui, é possível viver bem. Contudo, essa não é a realidade do Brasil.
Eu, Bárbara, tendo a concordar com a Bruna. Em minha experiência na França, percebi que os franceses encaram o trabalho como uma forma de poder viver bem, e não como um fim em si. Portanto, momentos de convivialidade, lazer e respeito às horas de descanso acabam sendo muito mais comuns no país do que no Brasil.
Motivos para permanecer na França
Bruna conta que, mesmo não trabalhando em sua área, ela possui muito mais qualidade de vida na França do que ela teve em seus anos morando no Brasil. Isso faz com ela não tenha pretensões de voltar para seu país de origem.
“Com o meu salário aqui, consigo ir para qualquer país da Europa nas minhas férias. Posso comprar o que quiser no mercado sem me preocupar com o orçamento, tenho mais contato com a natureza e tenho um estilo de vida muito melhor. Posso viver tranquila, com tempo livre de verdade, sem precisar me matar de trabalhar.”
Novamente, eu, Bárbara, estou completamente de acordo com a Bruna. Mesmo que você não ganhe um salário muito alto, há vivências que temos na França que, no Brasil, são destinadas a grupos que detêm muitos recursos financeiros. Viagens regulares, aquisições de produtos, visitas a restaurantes e um lar bem equipado são exemplos.
Por fim, se você está dentro da idade para ir à França como estudante ou como Au Pair, a Bruna recomenda tentar. Ela sublinha que o país é aberto aos estrangeiros e, uma vez se familiarizando com a cultura e se dedicando ao francês, é possível conseguir uma oportunidade de emprego mais estável por lá.
Louizy Costa trabalha como SEO Manager
Na França há 8 anos, Louizy Costa passou por algumas fases até se estabelecer em sua profissão. A SEO Manager começou sua trajetória como Au Pair, se tornou estudante, conseguiu um estágio e, há quatro anos, atua em uma companhia francesa. Hoje, ela reuniu os conhecimentos adquiridos no percurso para aconselhar aqueles que buscam um emprego na França.

Louizy relata que quando chegou ao país, há mais de 8 anos, ela percebeu que os franceses andavam a passos lentos em relação à área de Social Media. O fato de eles não usarem ferramentas tão cotidianas para nós, brasileiros, como o WhatsApp, fez com que ela tivesse a impressão de que as coisas fluíam mais devagar na França. Em contrapartida, ela nota que:
“No mercado da comunicação, a França sabe dividir melhor as funções. Os setores são como uma agência de publicidade dentro da empresa. Eles investem em pessoas especializadas em uma atividade, enquanto no Brasil nós acumulamos muitas tarefas sem nos especializarmos, necessariamente, em uma delas.”
A brasileira também sublinha as diferenças entre os dois países em processos seletivos e na elaboração de contratos de trabalho, algo que ela levou um tempo para se acostumar. Na França, por exemplo, eles trabalham com contratos e cartas de recomendação. Já no Brasil, temos tudo registrado em um único documento.
Ela também dá uma dica preciosa para compreender a forma pela qual empresas francesas costumam empregar, em relação àquelas brasileiras. No Brasil, o contrato PJ, isto é, contrato de Pessoa Jurídica, não supõe um vínculo empregatício.
Já na França, os contratos declaram que a pessoa empregada é um funcionário daquela empresa, o que significa que você pode ter benefícios, como na carteira assinada.
Dicas para quem quer trabalhar na França
Louizy dá dicas para quem quer trabalhar na França, principalmente para pessoas da área de humanas ou da comunicação. A primeira delas é que você faça um currículo bem legal, usando ferramentas de design, como os fornecidos pelo Canva.
Ela também indica que você estude bem as empresas antes de se candidatar, e que você faça uma carta de motivação personalizada que deixe claro o que te faz um bom candidato para aquela posição. Louizy ressalta que esse documento é muito importante no processo de seleção, por isso, vale a pena se dedicar a prepará-lo com atenção. No que se refere a meios de busca, ela sugere os famosos Google, LinkedIn e Facebook.
Ela também aconselha que os brasileiros realizem uma pesquisa sobre o custo de vida na França, para evitar aceitar propostas que não vão cobrir seus gastos. Afinal, não adianta ter uma oferta de emprego se ela não é suficiente para arcar com os custos de vida – que, principalmente em Paris, são altos.
Por fim, Louizy relembra que a França pode ser um país duro com imigrantes. Então, quanto mais você souber o idioma, os passos básicos e os seus direitos, mais chances você terá de conseguir uma experiência feliz, como ela tem.
Sobre a volta de Louizy para o Brasil, ela conta que gostaria de ter essa expectativa. Afinal, ela ama seu país de origem e acha que ele é um lugar muito rico. Ela relata que neste momento, essa não é uma opção, mas não fecha as portas para a possibilidade.
Aposentados brasileiros na França
Se você pensa em passar sua aposentadoria em um país tranquilo, com qualidade de vida, ótimo sistema de saúde e boas opções de lazer, viver sua aposentadoria na França pode ser uma opção.
Caso você possua a cidadania de algum país da União Europeia, seu processo será mais fácil. Caso contrário, será preciso obter um visto para a França de longa duração. Fora isso, também é importante se atentar à conversão dos recursos financeiros de real para euro.
Experiência de aposentados brasileiros na França
Conhecer a experiência de aposentados brasileiros na França é a melhor forma de ter um panorama fiel das delícias e dificuldades de viver a melhor idade no país. Aqui, trouxemos as falas de Márcia Camargos e Aurea Recchia.
Marcia Camargos é escritora e jornalista aposentada
Jornalista, escritora aposentada e dona de um currículo inspirador, Marcia Camargos defende que dentre as dificuldades impostas aos idosos que desejam viver sua aposentadoria na França, está a importância de se preparar financeiramente. Ela é bem sincera quando o assunto é esse:
“Eu acho impossível sobreviver só com a aposentadoria do Brasil. Nesta altura da vida, você não vai se contentar com uma colocação dividindo um quarto com outras pessoas. Você quer um mínimo de conforto e privacidade. Então, a não ser que tenha dinheiro aplicado em aluguéis ou possua uma renda suplementar, eu diria que não dá para morar aqui.”
Mesmo que você tenha meios suficientes para uma vida confortável na França, Maria não recomenda morar em Paris. Afinal, o custo de vida da capital francesa é muito alto, ainda mais quando se leva em conta a dependência do câmbio para fazer a conversão do real para o euro.
Ela dá a dica de buscar cidades menores ou nas proximidades da capital, que sempre acabam sendo menos extorsivas.

As dificuldades não se resumem à questão financeira. Ela conta que conseguir alugar um imóvel na França também pode ser um desafio, afinal, é preciso compor um dossiê com comprovação da renda e, contando só com a aposentadoria do Brasil, é difícil conseguir fazer isso.
Ela avalia que, como tem mais procura por imóveis do que lugares disponíveis, as imobiliárias e proprietários acabam dando preferência aos que podem comprovar renda na França com um trabalho regular, do que para alguém que tenha dinheiro em outro país. Essa peculiaridade impede até mesmo os brasileiros mais abonados de conseguir alugar um imóvel em solo francês.
Aurea Recchia é aposentada
Aurea Recchia, também aposentada, conta que se mudou definitivamente para a França em 1991, quando seu marido foi convidado a se tornar o presidente da filial da empresa que ele trabalhava no país.
A mudança em questão não exigiu muita adaptação da parte dela, afinal, Aurea convivia com a cultura francesa desde os 13 anos, quando ela começou seus estudos na Alliance Française. Depois que seu marido se aposentou, o casal decidiu buscar uma nova atividade. Foi aí que eles se instalaram no Val Du Loire, onde coordenam um vinhedo e uma hospedaria.

A brasileira reforça o alerta sobre as dificuldades de se estabelecer na França somente com a aposentadoria do Brasil:
“Nossas condições são privilegiadas e nossa qualidade de vida sempre foi muito boa. Não conseguiria, por exemplo, viver aqui com a minha aposentadoria do Brasil, porque daria uns 400€. Acho que os aposentados do Brasil só conseguem viver aqui se tiverem uma renda muito boa, como alguém do Judiciário ou Legislativo. A conversão do salário torna impossível viver com tranquilidade e conforto quando o seu salário é baixo.”
Ela indica, para os que pretendem se mudar para a França, se preparar com anos de antecedência. Uma ideia que ela dá é realizar a compra um imóvel enquanto ainda estiver trabalhando para não precisar pagar aluguel quando for se aposentar. Por fim, ela também sugere que vale a pena aprender a se virar sozinho, sem ajuda de empregados ou mordomias.
Conselhos para viver a aposentadoria na França
Márcia aconselha, aos que querem viver sua aposentadoria na França, a continuar produzindo em sua área. Isso pelo fato de que nessa fase, é um pouco mais difícil de começar uma nova profissão e se estabelecer em outro país.
Foi o caso dela, mesmo já tendo publicado mais de 30 livros, e possuindo um ótimo domínio do idioma. Ela relata que até foi aceita em um pós-doutorado na Sorbonne, mas sem bolsa, nem qualquer tipo de ajuda de custo. Assim, ela teve que optar por continuar trabalhando em seus projetos sediados no Brasil e prosseguir escrevendo, para complementar a renda da aposentadoria.
Uma observação interessante que ela faz é que, para os aposentados, Portugal tende a ser uma escolha mais acertada do que a França. Isso pelo fato de lá, eles oferecerem um programa específico para aposentados, o que facilita os trâmites e a manutenção. Viver a aposentadoria na França, portanto, só dá certo caso você tenha muito dinheiro ou uma renda suplementar. Caso contrário, ela definitivamente não recomenda.
Um último conselho de Marcia vai para aqueles que estão buscando um novo relacionamento: segundo sua vivência, na França as mulheres mais velhas são bastante valorizadas e muitos homens estão interessados em algo sério. Por isso, se seu desejo é recomeçar a vida amorosa e, quem saber se casar na França, talvez o país seja uma boa aposta!
Estudantes brasileiros na França
Um dos grupos mais numerosos de brasileiros na França são os que decidem estudar no país. A quantidade de ótimas universidades em várias regiões, as possibilidades de bolsa de estudo, as cooperações com o Brasil e o estímulo ao ensino atraem uma série de estrangeiros que buscam uma formação diferenciada.
É comum que cada um deles integre o sistema de ensino na França de maneira diferente, o que acaba gerando uma ampla variedade de experiências. Conheça algumas delas!
Experiência de estudantes brasileiros na França
Estudar em outro país é um processo bastante enriquecedor em vários sentidos. Eu, Bárbara, sinto que realizar parte de meu mestrado e doutorado na França foi um divisor de águas em minha vida. Abaixo, conheça mais sobre a vivência de três brasileiras que foram estudar no país: Nina Santos, Lígia Masetto e Ana Carolina Xavier.
Nina Santos foi estudante de Gastronomia
Nina Santos, graduada em RH, chegou à França em 2019 para fazer parte do programa Au Pair. Antes de ir para o país, ela trabalhava a administração de projetos e pesquisa em saúde pública. A intercambista aproveitou a oportunidade na Europa para correr atrás de seu sonho: trabalhar em uma cozinha profissional.
Após entregar alguns currículos, conseguiu uma vaga em um restaurante e começou a trabalhar lá enquanto ainda exercia sua função de Au Pair. Hoje, ela já não trabalha mais com crianças, se dedica somente ao restaurante e planeja trocar o seu visto em breve para poder permanecer no país.
“Eu vim para cá por saber que estudar gastronomia seria mais fácil. Não pelas Grand Écoles ou pela Cordon Bleu, mas porque a França respira culinária. Se você estiver disposto e bater de porta em porta, consegue sim uma oportunidade.”
Nina conta que na França há tantos trabalhos quanto profissionais capacitados na área. Por isso, ela tem a sensação de que ter a experiência na área acaba contando mais do que uma formação, algo que em sua visão acaba sendo diferente no Brasil.

Acerca do trabalho propriamente dito, ela reflete que o estágio francês é como um trabalho formal, isto é, ele segue a mesma carga horária e você tem muitas responsabilidades. Nina ainda ressalta a importância da família que te recebe no país nesse processo: para ela, a flexibilidade, o fato de eles entenderem seu sonho e torcerem por você fazem toda a diferença.
Sua dica para quem quer morar na França, mas ainda não sabe bem o que fazer, é que vá para o país como Au Pair ou estudante. Assim, será possível conhecer melhor a cultura e as oportunidades. Se você gostar do que viveu no país, aí você pode voltar para o Brasil e buscar um emprego para retomar sua vida na França legalmente, com um visto de trabalho.
Lígia Masetto foi estudante de Arquitetura
Lígia Masetto, arquiteta, nos deu entrevista enquanto se preparava para voltar ao Brasil, e decidiu dividir sua experiência sobre o peso que um estágio tem para aqueles que desejam se mudar para a França.
“Minha experiência no Brasil e aqui na França têm sido bem semelhantes. Trabalhei em empresas de portes parecidos e contei com o suporte de profissionais que me ajudaram a evoluir. A maior diferença é que, enquanto no Brasil eu trabalhava com arquitetura hospitalar, aqui a empresa trabalha para vários segmentos.”
Na França, ela sente que tem mais autonomia, tem a possibilidade de escolher suas tarefas preferidas e é mais consultada. Ela também comenta sobre a carga horária, que é diferente: antes ela trabalhava 20h por semana, na França são 35h.
Ou seja, o estágio e o trabalho formal no país têm a mesma duração. Outra diferença sublinhada por Lígia é que no Brasil o estágio e o curso são feitos ao mesmo tempo, já na França há o momento de estudar e o momento de estagiar.

Sua volta para o Brasil estava planejada pois ela precisava finalizar seu curso, contudo, ela não descarta a opção de voltar para a França ou se mudar para outra parte da Europa num futuro não tão distante. Lígia sabe que ter feito este estágio vai ajudá-la a ter sucesso nas futuras postulações para um trabalho, principalmente pelo fato de os franceses levarem muito em consideração cartas de recomendação.
Ela aconselha que, caso esse seja o seu objetivo, você não se esqueça de pedir uma para os trabalhos voluntários e os estágios que fizer. Por fim, ela sugere que você aproveite, ainda, as oportunidades e contatos que fizer, afinal nunca se sabe quem pode abrir uma porta para você. No caso dela, foi sua chefe do Au Pair.
Ana Carolina (Nina) Xavier fez intercâmbio de Au Pair
Nina Xavier, que participou do programa Au Pair por mais de dois anos, conta como ele a ajudou a se preparar para o seu novo passo: se tornar uma estudante na França.
Ela relata que seu primeiro ano nessa função foi incrível, e que sua família era ótima. O segundo, no entanto, foi mais complicado por conta da Covid-19. Mas, de qualquer forma, o programa a permitiu viajar muito pelo país, aprimorar seu francês e conhecer a cultura. Agora, sua intenção é trocar de visto para o de estudante e dar início à sua graduação na França.

Ela conta que “a França oferece várias maneiras de entrar no país e também maneiras de permanecer e começar a construir a sua vida. Você pode ter um plano A, B, C e D. Então, planeje-se e aproveite para investir no seu francês assim que chegar, para não perder oportunidades.”
Dentre as vantagens de morar na França, Nina fala da qualidade de vida, de transporte e acesso fácil aos países vizinhos. Para as pessoas que têm intenção de fazer o Au Pair, ela dá uma dica preciosa: escolha bem a sua família. Segundo ela, isso vai fazer muita diferença na sua experiência no país.
Dicas para se tornar um estudante na França
As dicas para se tornar um estudante na França vão depender muito do tipo de formação que você busca: graduação, pós-graduação, formação artística, cursos de idiomas ou de curta duração. O ponto comum entre eles é que você deverá buscar opções de cursos no catálogo da Campus France, agência oficial do governo francês voltada ao ensino.
Após encontrar sua formação, informe-se sobre os requisitos necessários. Há certos cursos, como o doutorado, que exigem uma certa proficiência na língua, tradução e validação de seus diplomas. Outros, podem solicitar algum tipo de experiência ou conhecimento na área. Ainda, você pode encontrar opções sem nenhum tipo de pré-requisito, como os voltados para idiomas.
Vale identificar os recursos necessários para tal aventura: eventuais valores do curso, como será feita sua manutenção no país e os gastos envolvendo burocracias, como o visto, por exemplo.
Por fim, a última dica é que você construa uma base suficiente do francês. Ainda que a pessoa que fala inglês consiga se virar bem no país, é importante que você saiba o mínimo da língua para manter diálogos simples do dia a dia.
Como os franceses veem os brasileiros que vivem no país?
Os brasileiros na França são bem recebidos, na maior parte das vezes. Vistos como pessoas alegres, bem-dispostas e bem-humoradas, a população brasileira pode sim encontrar acolhimento em solo francês. No entanto, vale lembrar que, assim como em vários outros países, os brasileiros possuem alguns estereótipos que podem impactar a sua estadia.
O acolhimento não exclui as dificuldades que um imigrante vai enfrentar. Não se engane: a França é dura e a vida para um não-nativo não é simples. Você vai precisar se dedicar bastante para conseguir se estabelecer, alugar um apartamento, conseguir um emprego e ter uma boa qualidade de vida. Mas, no geral, estes esforços valem a pena.
Como a comunidade brasileira se reúne na França
Se tem um povo que forma comunidades não importa o lugar, esse povo é o brasileiro! Não é nada difícil encontrar a comunidade brasileira pela França — e é bem provável que você cruze com seus representantes nas situações mais curiosas. Mas, há alguns canais certeiros com os quais você pode contar. Conheça alguns deles abaixo.
Grupos de Facebook
Apesar de não ser tão utilizado como antes, os grupos de Facebook ainda são um ótimo lugar para entrar em contato com a comunidade brasileira na França. O maior grupo que encontramos reúne quase 80 mil membros.
No entanto, há vários outros grupos do tipo que reúnem nossos conterrâneos no Hexágono, e uma simples busca te retorna uma série de resultados. Se você quer buscar brasileiros em cidades específicas, também é bem fácil de encontrar. O grupo Brasileiros em Paris possui mais de 60 mil membros, por exemplo.
Restaurantes e bares brasileiros
Restaurantes e bares brasileiros são coisas que não faltam na França. Saber o endereço desses lugares é essencial na hora que bate aquela vontade de comer uma coxinha, tomar cerveja no copo americano ouvindo samba, lembrar o sabor do acarajé e aproveitar a ambiance tão particular de uma soirée brésilienne.
Esses lugares, aliás, foram essenciais para mim, Bárbara, nos dias de jogos da Copa do Mundo!
Em Paris, lugar onde morei na França, minhas indicações são numerosas:
- Uma nota, 86 rue Réaumur 75002;
- La Bahianaise, 86 boulevard de Magenta 75010;
- Mineirinho Bar, 7 Rue Henri Chevreau, 75020;
- Gabriela, 3 rue Milton 75009;
- Onda, 20 Rue des Ecouffes 75004;
- Brasileirinho, 129 rue Legendre, 75017;
- Jésus Paradis, 4 Passage du Marché 75010.
Em Bordeaux, é muito famoso o Carioca Restaurante; em Lyon, o Sambahia é ponto de encontro; em Lille, se destaca o Chiquita Bacana; em Strasbourg, vale a pena visitar o O’Brazil.
Eventos brasileiros
Não há lugar melhor para saber dos eventos brasileiros na França do que por meio dos próprios brasileiros! Uma vez adentrando esses grupos de Facebook ou indo aos bares e restaurantes típicos, tenha certeza de que se abrirá uma porta para uma França completamente latino-americana.
Nesses ambientes, a divulgação de eventos do tipo é bem completa. Te garanto que não faltarão grupos de WhatsApp para você entrar, que te enviarão religiosamente, toda semana, onde será a próxima roda de samba ou show de artistas brasileiros.
Quais os principais desafios dos brasileiros na França?
Principalmente o modo de ser dos franceses, a comida e a língua.
No que se refere ao modo de ser dos franceses, não é novidade que é muito diferente daquele dos brasileiros. Mas, ainda que saibamos disso de antemão, inevitavelmente acaba sendo difícil nos acostumar com o jeito menos afetivo e mais objetivo deles.
Eu, Bárbara, por exemplo, estranhei por muito tempo as típicas bufadas dos franceses. Só depois de um tempo que fui entender que aquilo é mais uma pausa na fala, do que uma manifestação de desgosto, como é no Brasil. Porém, até chegar nesse ponto, já me chateei um tanto!
Ainda que a culinária francesa seja inegavelmente saborosa, o sabor do tempero brasileiro e de nossos produtos típicos faz muita falta.

Além disso, tem o adendo de que na França as carnes são bem mais caras e o oferecimento de legumes e frutas é bem diferente.
A língua também pode se apresentar como um desafio. Ainda que compartilhemos com o português a mesma raiz latina, a escrita e a pronúncia são muito diferentes. Por isso, a capacidade de se comunicar em francês nem sempre é dominada pelos brasileiros.
Para cada brasileiro, um desafio diferente
Eventualmente, o clima também pode ser uma questão, principalmente no que se refere ao inverno. Mais que o frio intenso, a estação é marcada por horas e horas sem luz. Em meados de dezembro, por exemplo, é comum amanhecer por volta das 8h30 e começar a escurecer às 17h. Muita gente demora a se acostumar.
Por fim, a distância do Brasil também acaba sendo um grande desafio aos expatriados. Além disso, o fuso horário, as horas de viagem até o país e o custo costumam ser fatores que enchem os corações dos brasileiros na França de saudade.
No entanto, os desafios de um brasileiro na França vão depender de uma série de recortes, como gênero, classe, ascendência e sexualidade, por exemplo.
Dependerá, ainda, do tanto de contato que você teve com a cultura francesa antes de chegar no país. Por isso, é preciso deixar claro que os desafios que se colocaram para uma pessoa certamente serão muito diferentes daqueles que outra pessoa pode vivenciar.
A França é um bom país para brasileiros viverem?
De maneira geral, sim! É claro que a França não é perfeita, e como todos os lugares do mundo, o imigrante vai enfrentar muita burocracia, obstáculos e limitações referentes à língua e a cultura.
Conseguir um emprego, uma casa, e boas condições para aproveitar as vantagens que o país oferece leva tempo e muito esforço. Mas, quando colocamos na balança a segurança, o poder de compra e o acesso a bens que não teríamos no Brasil, a mudança pode sim valer a pena.
O que aconselhamos é que você tenha em mente quanto dinheiro você precisa levar para a França. Para fazer isso, coloque na ponta do lápis os gastos que terá para viver minimamente bem no país, pesquise muito para saber se o salário que teria vai conseguir fazer com que a conta feche e, se possível, tenha uma reserva com você. A gente nunca sabe sobre o dia de amanhã.
Além de conhecer bem o custo de vida na França, sugerimos que você busque alguma oportunidade que te permita conhecer o país e sua a cultura antes de se mudar definitivamente, para que você saiba se vai ou não se adaptar a ele. Opções são cursos de verão ou de curta duração, Au Pair ou o programa Férias-Trabalho. Assim, você terá certeza de fazer uma escolha qualificada.
E aí, quer ser um dos brasileiros na França? O primeiro passo para tirar do papel o plano de vir para a Europa está aqui! Em nosso ebook O sonho de viver na Europa, você conhece a experiência de outros brasileiros e dicas que vão ajudar a planejar a mudança e torná-la menos desafiadora. Vale a pena conferir!
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