O número de brasileiros na Itália cresce a cada ano, pois muitos escolhem o país da bota como destino para buscar novas oportunidades de trabalho, estudo e qualidade de vida. Sendo assim, é bem provável que você encontre vários de nós durante a sua estadia ou mudança definitiva para o país.

Jovens em Veneza, na Itália
Índice Quem são os brasileiros na Itália? Estudantes brasileiros na Itália Trabalhadores brasileiros na Itália Estudar e trabalhar na Itália é possível? Como os italianos veem os brasileiros que vivem no país? Como a comunidade brasileira se reúne na Itália Quais os principais desafios dos brasileiros na Itália? Afinal, a Itália é um bom país para os brasileiros viverem? Histórico da imigração brasileira na Itália

Continue lendo este artigo para entender quem são os brasileiros na Itália, onde moram, o que acham do país e muito mais. Buona lettura!

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Quem são os brasileiros na Itália?

Se você nasceu no sul ou sudeste do Brasil, há grande chance de que você tenha ascendência italiana. Não é para menos, tais regiões brasileiras foram meta dos imigrantes desde o final do século XIX até metade do século XX.

Muitas são as famílias que compartilham ligações culturais com a Itália têm parentes no país da bota ou simplesmente se sentem ligados ao país por um motivo ou outro, como a cultura, a língua, a culinária, a música, etc.

Muitos dos brasileiros na Itália, portanto, tem uma ligação familiar.

Os brasileiros na Itália se mudam para o país, normalmente, porque têm interesse em obter a cidadania italiana. Outros porque desejam buscar uma vida melhor. Claro, há ainda quem se casa por amor, quem opta por estudar e acaba ficando porque a carreira decola.

Quantos são os brasileiros na Itália?

Segundo o último relatório publicado pelo Istat – Istituto Nazionale di Statistica o número de brasileiros na Itália é de 51.125, dos quais 15.802 homens e 35.323 mulheres. A região com maior número de brasileiros é a Lombardia, no norte do país, que abriga cerca de 14 mil brasileiros.

RegiãoLocalizaçãoNúmero de brasileiros
Lombardianorte14.042
Laziocentro5.933
Venetonorte5.724
Piemontenorte5.330
Toscanacentro3.822
Emilia-Romagnanorte3.944
Campaniasul2.246
Pugliasul1.340
Ligurianorte1.357
Marchecentro1.208
Siciliasul1.095
Calabriasul926
Abruzzosul861
Trentino Alto Adigenorte689
Umbriacentro712
Friuli-Venezia Giulianorte776
Sardegnasul701
Basilicatasul199
Molisesul106
Valle D’Aostanorte114
Itália51.125

Como os dados não incluem os brasileiros com dupla cidadania, acreditamos que tais números sejam um pouco maiores. Acreditamos, porém, que se mantenha a preferência pelas regiões acima descritas.

Lombardia e Lazio, cujas capitais são Milão e Roma, respectivamente, são as regiões que mais abrigam brasileiros na Itália, seguidas das regiões Vêneto, Piemonte e Toscana. A escolha por essas regiões se baseia na oferta de trabalho que existem por lá.

Cerca de 70% dos brasileiros na Itália atua no comércio, enquanto 25% trabalha no setor industrial. O restante, por sua vez, atua em empregos temporários ou é desempregado.

Pessoas dentro de galeria em cidade italiana
A Lombardia é um dos destinos principais dos brasileiros que buscam uma vaga no mercado de trabalho

Quanto ao gênero, as mulheres representam mais da metade dos imigrantes brasileiros, cerca de 71%. Boa parte delas trabalha no âmbito doméstico, como babá, cuidadora de idosos e empregada doméstica ou diarista.

A média de brasileiros empreendedores é baixa, não chegando a 300 cidadãos em toda a Itália. E boa parte das empresas cujos donos são brasileiros são do setor da construção.

Por outro lado, os brasileiros não trabalhadores são, em sua grande maioria, pessoas menores de idade, como estudantes do ensino básico – crianças que se mudaram para o país com os pais – e universitários, ou ainda, estudantes de intercâmbio.

Estudantes brasileiros na Itália

Recentemente, a Itália se tornou um dos principais destinos para os brasileiros que querem estudar na Europa. De fato, cerca de 20% dos brasileiros na Itália saíram do Brasil com um visto de estudante.

O número de brasileiros que decide estudar na Itália cresce a cada dia e o interesse dos estudantes é motivo pelos diversos benefícios que a Itália oferece, como as instituições de excelência, inúmeras bolsas de estudo, oportunidades de estágio e muitas outras vantagens.

Além disso, estudar em uma das prestigiosas universidades italianas é uma porta de entrada para outras oportunidades de estudo e de trabalho no panorama internacional.

As principais opções para os brasileiros que querem estudar na Itália são as seguintes:

Experiência de estudante brasileira na Itália

Depois de ganhar uma bolsa de estudos completa, eu, Giovanna, decidi fazer faculdade na Itália. Hoje, percebo que essa foi a melhor decisão que eu poderia tomar, pois permitiu com que eu tivesse a oportunidade de aprender com professores renomadas, viver em país maravilhoso e fazer um intercâmbio com bolsa: tudo ao mesmo tempo!

Nós também entrevistamos alguns brasileiros que moram na Itália. Conhecemos um pouco mais da história de cada um, pessoas que deixaram a cidade natal e se mudaram para o bel paese.

Elisa foi estudante de Veterinária

Conversamos com a carioca Elisa, formada em Medicina Veterinária pela Universidade de Perúgia. Ao chegar à Itália, Elisa optou morar em Florença pelo ar internacional da cidade toscana e, depois de um período por lá, passou no vestibular de Veterinária e, entre as opções disponíveis, se mudou para Perugia, onde, anos mais tarde, se formou.

“São duas cidades bem diferentes, sem dúvidas prefiro Florença. Perúgia também é uma cidade internacional, mas infelizmente eram poucos os alunos de intercâmbio na Itália ou estrangeiros no meu curso. E apesar de ser linda, é menos viva do que Florença”, comentou a brasileira.

Atualmente, Elisa está morando no norte da Itália, próximo a Milão, e completou o seu estágio pós-formatura (chamado de “stage post laurea”) em Lisboa.

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Dicas para se tornar um estudante na Itália

Estudar na Itália é muito mais fácil do que parece. Veja o passo a passo simplificado que eu, Giovanna, preparei com base na minha experiência como estudante no país:

  1. Escolha um tipo de programa: intercâmbio, graduação, pós-graduação, etc;
  2. Prepare a documentação necessária para a candidatura. Os documentos podem incluir traduções de diplomas e histórico escolar, carta de motivação, etc;
  3. Pesquisa sobre as bolsas de estudo disponíveis, tanto aquelas do governo italiano (MAECI, por exemplo), como aquelas de cada instituição;
  4. Faça a inscrição no curso;
  5. Solicite o visto de estudante no Consulado Italiano no Brasil: o visto é obrigatório para todos os brasileiros que não possuem cidadania europeia e que farão um curso com duração superior a 90 dias no país.

Viu como é fácil? A minha maior dica para quem quer estudar na Itália sem dores de cabeça é: comece a se preparar com antecedência. Pesquise todas as opções de cursos, programas e bolsas disponíveis e prepare a sua candidatura com calma e atenção.

Trabalhadores brasileiros na Itália

A Itália oferece inúmeras oportunidades para estrangeiros que buscam ingressar no mercado de trabalho europeu e, mesmo com barreiras como a língua e a burocracia, os brasileiros ainda conseguem encontrar vagas de emprego bem remuneradas no país da bota.

Ainda que conquistar um espaço no mercado de trabalho italiano não seja impossível, existem algumas dificuldades que não podem ser ignoradas. A Bruna, brasileira que trabalhou no país, nos contou um pouquinho sobre as dificuldades enfrentadas:

“Escolhi a Itália porque tenho origem italiana e havia estudado italiano na faculdade. Mas, mesmo tendo uma formação universitária e falando o idioma, enfrentei inúmeras dificuldades para achar vagas de emprego na Itália. Tive que me submeter a trabalhos que talvez não faria no Brasil, mas no final de contas, foi importante passar por tudo isso”, diz a estudante de Música.

Em relação ao ambiente de trabalho no país, é importante sempre estar atento às leis trabalhistas, pois elas são um pouco diferentes e conhecê-las é um ponto-chave para que você não seja passado para trás.

Os brasileiros que querem trabalhar na Itália devem solicitar o visto de trabalho ainda no Brasil ou, se já estiverem na Itália, podem converter o Permesso di soggiorno para aquele de trabalho. Os estudantes, por sua vez, podem trabalhar até 20 horas por semana.

Além disso, é importante sempre estar atento ao tipo de contrato oferecido pelo empregador. Infelizmente, existem muitos empregadores que oferecem contratos “in nero”, ou seja, sem o devido registro. Para os brasileiros, isso é um grande problema, pois você não pode solicitar os documentos necessários para se legalizar no país com esse tipo de contrato.

Em relação a isso, a Amanda, ex-estudante de mestrado na Itália, atualmente trabalha no mesmo setor em que se formou, se lamenta sobre a precariedade dos contratos de trabalho na Itália.

“Já faz alguns anos que trabalho no meu campo, mas não tenho nenhuma estabilidade. Todo final de ano é sempre o mesmo drama”, desabafa.

É comum ouvir pessoas dizendo que os imigrantes trabalham somente em subempregos na Itália. Mas isso não é verdade: os brasileiros que dominam a língua italiana e possuem um diploma italiano ou validaram o diploma brasileiro têm grandes chances de conseguir ótimos empregos no país da bota.

Eu, Giovanna, trabalhei por um ano em um dos escritórios da minha universidade. O emprego era ótimo e eu consegui a vaga mesmo concorrendo com dezenas de italianos e outros europeus.

Além disso, também conversamos com a Carla Barros, brasileira que mora em Roma desde 2019 e trabalha com turismo na capital italiana.

Brasileira em Roma
Carla é apaixonada por história e arquitetura e decidiu morar em Roma. Foto: arquivo pessoal

Ela nos contou que, como Roma é muito turística, não faltam oportunidades de trabalho nessa área. Hoje, ela está muito satisfeita atuando com consultoria e roteiros de viagem:

“Trabalhei anos em operadora de turismo, mas não era o que buscava em termos de salário e qualidade de trabalho, por isso decidi por trabalhar no setor por conta própria criando o Voglio Italia, trabalhando com consultoria e roteiros de viagem. Acredito que seja a opção inicial para quem vem para a cidade se tiver experiência na área ou até quem quer iniciar uma nova carreira”, diz. 

A entrevistada também nos contou que na área de tecnologia, em que atua seu marido, existem muitas ofertas de trabalho com ótimos salários. Carla indica que falar italiano é fundamental para conseguir uma oportunidade e falar inglês pode ser um diferencial. 

De forma geral, Carla acredita que Roma possa ser uma ótima opção para os brasileiros que acabaram de chegar no país e buscam uma oportunidade no mercado de trabalho italiano, pois, além do turismo, há uma boa oferta de empregos por parte de empresas privadas e públicas.

Experiência de trabalhadores brasileiros na Itália

Além de todas as informações que apresentamos, conhecer a experiência de brasileiros que viveram a realidade do mercado de trabalho da Itália é essencial para entender os pontos positivos e negativos de trabalhar no país enquanto imigrante.

Eloísa já trabalhou em várias áreas

A paulistana Eloísa nos conta que decidiu morar na Itália para trabalhar porque já dominava o idioma e tinha o sonho de reconhecer a cidadania no país. 

Ela nos contou que, para poder se estabelecer de maneira fixa e legal na Itália, precisou tomar uma decisão que é muito comum entre os brasileiros na Itália: mudar de carreira.

“É bem difícil fazer com que reconheçam os nossos diplomas, então ficamos limitados às áreas de turismo, vendas e atendimento ao público”, conta Eloísa, formada em Letras no Brasil e há quase cinco anos na Itália.

Em relação ao salário e ao poder aquisitivo, Eloísa afirma que trabalhar na Itália lhe comprar bens de qualidade diversa daquela brasileira e que isso é um ponto positivo de trabalhar na Itália. Ela diz que com o salário italiano ela pode, por exemplo comprar itens, que com o salário brasileiro teria que parcelar em muitas vezes para conseguir ter.

Rodrigo é médico na Itália

O paulistano Rodrigo, por outro lado, formado em Medicina no Brasil, conseguiu validar o diploma na Itália. Segundo ele, é imprescindível fazer o concurso para a validação final, que deverá ser feito pelo Ministério da Saúde italiano.

“Tive que fazer duas provas, uma escrita e outra oral. As provas são bem difíceis. Muitos dos participantes do concurso eram italianos que se formaram no exterior ou estrangeiros com a dupla cidadania”, revela Rodrigo.

Mila trabalhou como cozinheira na Itália

Também conversamos com a Mila Pelegrini, que teve uma experiência muito positiva no país.

Mila nos contou que, assim que chegou na Itália, conseguiu um emprego como ajudante de cozinha em um restaurante brasileiro. Depois de apenas seis meses, ela se tornou cozinheira e responsável pelo setor. Para ela, foi uma experiência muito enriquecedora e que trouxe experiência e maturidade. 

Mila na Itália
Mila afirma que a organização deve ser a prioridade dos brasileiros que sonham em morar na Itália. Foto: arquivo pessoal

Para a entrevistada, o mercado de trabalho italiano é amplo e os salários são honestos. Mila disse, ainda, que a melhor dica para os brasileiros que querem trabalhar na Itália é começar a buscar oportunidades com muita antecedência, até mesmo antes de sair do Brasil.

Estudar e trabalhar na Itália é possível?

Sim, é possível. 

Como mencionamos, os estudantes podem trabalhar até 20 horas por semana. Mas é importante ressaltar que a carga horária das universidades italianas é alta e conciliar estudos e trabalho pode não ser tão simples.

Experiência de brasileiros que estudam e trabalham

Pertencente às categorias “Estudante” e “Trabalhadora”, Bruna revela o quanto tenha amadurecido morando na Itália.

“É desafiador estudar aqui e constatar o peso e a profundidade com os quais são tratadas as disciplinas. Integrar-se a um sistema institucional não é fácil, compreender as burocracias que cada instituição traz, a desorganização e falta de pessoas a quem se dirigir para caso de dúvidas acaba sendo um problema.”

A Bruna já dominava a língua antes de decidir se mudar para a Itália e acredita que parte de sua integração “fácil” à sociedade italiana dependa do conhecimento do idioma italiano.

Também conversamos com a matogrossense Vivian, que estava insatisfeita com a profissão de arquiteta no Brasil e decidiu estudar Moda em Roma.

Vívian, que também trabalha no país, explica que, na sua opinião, se um brasileiro decidir começar a estudar aqui sem ter organizado um intercâmbio, por exemplo, encontrará bastante dificuldade. E lembra que estudar sem bolsas de estudo na Itália não é fácil e nem barato, pois mesmo as públicas têm taxas anuais baseadas no imposto de renda de cada núcleo familiar.

Assim como Bruna, Vívian também concorda que sair do Brasil e continuar trabalhando na mesma área é difícil:

“É importante ser resiliente, e de preferência, ter uma boa reserva de dinheiro, já que o ingresso no mercado de trabalho, como imigrante e sem ter uma rede de contatos formada, é complicado”, adverte Vívian.

Aposentados brasileiros na Itália

Outra opção muito almejada pelos brasileiros é aquela de morar na Itália como aposentado. Aqui, entram em jogo outras questões, além da burocrática, como a financeira: o tão temido câmbio. Com o real desvalorizado, muitas aposentadorias brasileiras perdem o poder aquisitivo ao realizar a conversão de moedas.

Outra problemática importante é a questão fiscal. De acordo com a experiência de Sergio, viver com a aposentadoria brasileira na Itália é difícil, pois, além do câmbio, precisa-se considerar o valor que se paga no Imposto de Renda italiano, que é superior ao brasileiro.

De fato, a taxação sobre a aposentadoria “estrangeira” na Itália pode variar de 23% (renda familiar abaixo de 15 mil euros) podendo chegar a 41% (caso a sua renda ultrapasse os 55 mil euros).

Homem calculando aposentadoria
A qualidade de vida italiana atrai muitos aposentados brasileiros para morar no país.

Existem acordos para evitar a dupla tributação e a evasão fiscal. O Decreto Legislativo nº 77/1979, assinado por ambos os países e em seguida alterado pela Portaria MF nº 226/1984, estabelece a alíquota de tributação na fonte sobre dividendos e lucros a partir de 1º de janeiro de 1985: 15%.

Além disso, desde abril de 2024, todos os estrangeiros residentes na Itália com o visto per residenza elettiva (o visto para aposentados) não possuem mais o direito à inscrição gratuita no sistema de saúde italiano (SSN) e precisam pagar o valor atualizado para se inscrever no SSN: 2.000€/ano. 

Descubra como fazer e se vale a pena receber aposentadoria na Itália.

Conselhos para viver a aposentadoria na Itália

Mesmo com o câmbio desfavorável e os impostos, aproveitar a aposentadoria em um país que oferece uma ótima qualidade de vida, segurança e belíssimas paisagens ainda vale muito a pena. 

O meu conselho para os aposentados é: busque os programas de incentivo para aposentados estrangeiros no país. Um dos mais populares é a taxação diferenciada aos estrangeiros que decidirem se mudar para o país: somente 7% sobre todas as rendas, incluindo a aposentadoria.

Em vigor desde 2020, o programa visa atrair os aposentados para as regiões do sul da Itália. De fato, para poder solicitar a taxação reduzida, os aposentados devem escolher morar em uma cidade com menos de 20 mil habitantes nas regiões de Sicília, Calábria, Sardenha, Campânia, Basilicata, Abruzos, Molise e Apúlia.

Como os aposentados não precisam buscar oportunidades de trabalho, recomendo também as cidades pequenas da Itália, que são mais baratas, oferecem uma ótima qualidade e muita segurança.

Como os italianos veem os brasileiros que vivem no país?

Depois de viver por anos na Itália, eu (Giovanna) posso dizer que os brasileiros são bem recebidos na Itália.

No geral, a visão dos italianos sobre os brasileiros é positiva. Eles enxergam o Brasil como um país alegre, festeiro e apaixonado por futebol e música. Assim, ao menos em um primeiro momento, os italianos tendem a ser receptivos e amigáveis quando encontram um de nós. 

A Mila também teve uma experiência muito boa com os italianos e acredita que a maioria tem uma visão positiva sobre os brasileiros.

Mas, é claro que muitos italianos se apegam aos esteriótipos mais comuns relacionados ao Brasil, principalmente em relação à visão sobre as mulheres brasileiras. A Vivian, por exemplo, nos contou que ser uma brasileira na Itália pode ser um fardo:

“As mulheres brasileiras sofrem muito com o estereótipo de gênero, eles acham que a gente é ‘fácil’, que é só chegar e pronto. Rola muito assédio, e no começo eu até evitava falar de onde eu era”, relata a matogrossense.

Entenda como enviar uma encomenda do Brasil para a Itália.

Como a comunidade brasileira se reúne na Itália

Antes de me mudar para a Itália, eu (Giovanna) estava preocupada em me sentir sozinha e deslocada por estar fora de casa. Mas, tive uma ótima surpresa ao chegar no país da bota, pois descobrir que a comunidade brasileira na Itália é enorme!

Os brasileiros estão espalhados por toda a península e a comunidade organiza vários eventos, como festas típicas do Brasil com comidas e bebidas tradicionais, para que ninguém se sinta sozinho e possa matar as saudades de casa.

Em Pádua, por exemplo, eu tive a oportunidade de participar da Festa Junina e do Carnaval organizado por brasileiros. Além dessas festas, encontrei brasileiros em várias outras ocasiões, como para torcer para o Brasil nos jogos da Copa do Mundo.

Para além das festas, a comunidade brasileira na Itália também é uma enorme rede de apoio para os brasileiros, principalmente para aqueles que acabaram de chegar no país. Quando estive em Pádua, os brasileiros estavam sempre se ajudando por meio de dicas e oportunidades de emprego, por exemplo.

Grupos de Facebook

Uma das melhores formas de se conectar com outros brasileiros que moram na Itália é usando as redes sociais. Atualmente, existem mais de 49 grupos de Facebook relativos à comunidade brasileira no país, que totalizam quase 600 mil membros.

Em novembro de 2024, os maiores grupos são:

  • Amamos Itália: 129 mil membros;
  • Trabalhe na Itália: 50 mil membros;
  • Brasileiros em Milão: 33 mil membros.

Os grupos de Facebook são uma ótima forma de não somente encontrar outros compatriotas na Itália, mas também de aproveitar as dicas de outros brasileiros que já viveram no país.

Restaurantes e bares brasileiros

Como os italianos são fãs da culinária brasileira, é comum encontrar vários restaurantes e bares brasileiros na Itália. Os estabelecimentos mais famosos ficam nas grandes cidades, como Roma e Milão, mas também existem opções em outros lugares. Veja algumas sugestões para experimentar:

Eventos brasileiros 

Ao longo do ano, brasileiros e italianos se reúnem para celebrar a música, a diversidade e as tradições brasileiras em eventos de diversos tipos.

Como mencionei, nas médias e grandes cidades, é comum que a comunidade brasileira organize as nossas festas típicas mais populares, como a Festa Junina e o Carnaval. Mas, festas e baladas brasileiras também são populares de norte a sul do país.

Jovens brasileiros na Itália
Apreciar bons drinks com amigos brasileiros é uma forma de matar as saudades de casa

Uma festa muito conhecida em Milão é a “Brasil Verde Ouro”, que acontece em restaurantes variados da cidade e reúne os brasileiros que vivem na capital da moda para fazer novas amizades e apreciar shows de música brasileira ao vivo.

Além disso, artistas brasileiros de todos os estilos musicais costumam se apresentar no país da bota. Conheça algumas das atrações de 2024:

  • Vanessa da Mata em Milão (maio de 2024);
  • Djavan em Milão e Perugia (julho de 2024);
  • Marisa Monte em Roma (julho de 2024).

Associações e entidades culturais

Em cidades com uma numerosa comunidade de brasileiros, como Bologna, Milão, Roma e Turim, é comum encontrar associações que promovem eventos, festivais, cursos e workshops sobre o Brasil e a cultura brasileira.

A Associazione Bem, por exemplo, é uma organização que promove eventos culturais, como um festival de cinema brasileiro, que aconteceu em 2023, e o “Brasileiros Inspiradores na Europa”, que reuniu vários brasileiros que atuam como empreendedores em todo o país.

Para os estudantes, a BRASA (Associação de Estudantes Brasileiros no Exterior) possui duas sedes na Itália: em Milão e em Roma. Entrar em contato com os membros da BRASA ou participar dos eventos da organização é uma ótima forma de encontrar outros estudantes e fazer novas amizades.

Eu, Giovanna, fui membro da BRASA por dois anos, mesmo não sendo residente em Milão ou em Roma, e a minha experiência foi muito positiva, pois pude compartilhar a minha experiência de recém-chegada no país com outros brasileiros na mesma situação.

Quais os principais desafios dos brasileiros na Itália?

A experiência de cada imigrante na Itália é muito pessoal, mas existem alguns desafios que são comuns entre a comunidade brasileira:

  1. As diferenças culturais;
  2. O estereótipo da mulher brasileira;
  3. O frio, que pode ser rigoroso no inverno;
  4. O preconceito que, mesmo não sendo tão comum, ainda existe;
  5. A adaptação ao estilo de vida italiano, mais lento do que o nosso;
  6. A barreira linguística: não falar italiano pode ser um problema, principalmente para quem busca uma vaga de emprego.

A Carla ressalta também que a burocracia italiana, principalmente em Roma, pode ser um enorme desafio, pois os processos são muito complicados e lentos. Além disso, os sistemas de departamentos públicos na capital são antigos, o que pode dificultar o atendimento ao público. 

Com base na minha experiência, posso dizer que a maioria dos desafios pode parecer um enorme problema nos primeiros meses no país. Mas, depois de algum tempo, é possível se sentir mais “em casa” na Itália, principalmente porque nós compartilhamos muitas das tradições italianas.

Afinal, a Itália é um bom país para os brasileiros viverem?

Segundo a experiência pessoal dos nossos redatores e entrevistados, sim. 

A Mila nos contou que, para ela, a Itália é um ótimo país para os brasileiros que buscam oportunidades de trabalho remuneradas no exterior. Ela também acredita que o idioma seja uma vantagem para nós, uma vez que a gramática é bem semelhante.

“Depois de três meses, eu já estava perfeitamente inserida na sociedade italiana. Para mim, a adaptação em relação à cultura, à culinária e ao idioma foi um processo muito tranquilo. Morar na Itália está sendo uma experiência enriquecedora”, conta.

Eu, Giovanna, concordo com a Mila e acredito que a Itália é um excelente país para brasileiros com diferentes objetivos, pois o país oferece inúmeras oportunidades para quem quer investir, estudar, trabalhar ou se aposentar em uma de suas belíssimas cidades.

A Carla também está tendo uma ótima experiência em Roma, apesar dos desafios, e dá algumas dicas para a fase de adaptação no país:

“A cidade oferece boa qualidade de vida a seus moradores, bem como uma boa educação pública e saúde de qualidade. Acredito que conhecer mais sobre a cultura, gastronomia romana e italiana, além de me ajudar a aprender o idioma mais rapidamente, facilitou muito a minha adaptação e vida na Itália”, diz Carla.

Mas, cada experiência é individual. Dessa forma, é importante pesquisar bastante sobre as possibilidades oferecidas pela Itália para decidir se o país pode atender às suas expectativas.

Independentemente das opiniões e experiências relatadas pelos brasileiros na Itália, o ideal é seguir o seu coração e ir atrás dos seus sonhos, tendo em mente o seu objetivo final, mas tendo em mente que morar fora não é um conto de fadas.

Veja nesse artigo 10 coisas que todo brasileiro pensa ao chegar na Itália.

Para conhecer histórias de outros brasileiros que decidiram atravessar o Atlântico em busca de uma nova vida, acesse o ebook “O sonho de viver na Europa”, editado pelo Euro Dicas!

Histórico da imigração brasileira na Itália

O Vêneto, além de ser uma região rica e economicamente importante, é a região que mais viu os seus habitantes se mudarem para o Brasil. Foram mais de 365 mil vênetos que escolheram o Brasil como meta para a nova vida em continente americano, entre os anos 1876 e 1920. Em segundo lugar estão os calabreses, que juntos superam os 165 mil.

Claro, é importante lembrar que a escolha pelo Brasil não foi inocente. A partir de uma escolha bastante questionável, o governo brasileiro, após a Lei Áurea (1888), incentivou a imigração “branca” com o intuito de clarear a população. Além disso, os grandes fazendeiros preferiam contratar imigrantes europeus a cidadãos brasileiros negros, recém-libertos.

A inversão da rota: do Brasil para a Itália

Depois de quase um século de imigração da Itália para o Brasil, no final do século XX, a rota se inverteu. A imigração brasileira começou nos anos 1980, quando o Brasil vivia a ditadura militar e a Itália, o chamado “boom econômico”. Este foi, sem dúvidas, um grande chamativo para quem estava procurando novas formas de recomeçar a vida.

Os anos 1990 marcam a grande imigração brasileira em direção à Europa, após a queda do regime militar e a abertura do país às novas formas político-econômicas. Nessa época, o Brasil enfrentava um período de grande incerteza econômica, marcado pela dura inflação que acompanhou o país nos primeiros anos da década de 1990.

Dados estimam que, naquele período, o número de imigrantes brasileiros na Itália era de cerca 11 mil, sendo considerado o “primeiro” povo migrante na Itália, após os peruanos e outros cidadãos do leste europeu, como romenos e albaneses.

Por mais que a Itália não seja a primeira meta escolhida pelos brasileiros quando decidem ir morar no exterior. Antes do país da bota temos os Estados Unidos, Japão, Portugal, Espanha e Inglaterra.

Segundo os dados do Ministério de Relações Exteriores e órgãos italianos, como MAECI (Ministero degli affari esteri e della cooperazione internazionale), INPS (Instituto de Previência Social), ISTAT (Instituto de Estatística) e INAIL (Instituto Nacional de Saúde no Trabalho), em 1996, o número de cidadãos brasileiros no exterior era de cerca 1.500.000. Destes, 15.505 eram titulares do Permesso di soggiorno

Portanto, o Brasil, apesar de ter sido pioneiro na imigração italiana, não foi o país mais expressivo.