A Espanha é o destino escolhido por muitos brasileiros que sonham em morar fora. Afinal, o país ibérico é ensolarado, agitado e tem um idioma próximo ao português. Mas, será que a Espanha é um bom lugar para morar?
Muito além de entender como é o dia a dia na Espanha, é preciso analisar se esse é o país ideal para você. Vamos descobrir juntos?
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PEDIR UM ORÇAMENTO →A Espanha é um bom lugar para morar e ter qualidade de vida?
Sim, e principalmente por isso morar na Espanha é tão vantajoso e cada vez mais escolhido por imigrantes do mundo todo.
A Espanha é um país que oferece uma ótima qualidade de vida e o estilo de vida espanhol é prova disso: no país, o ritmo de vida é mais calmo, os espaços públicos são mais aproveitados pelos cidadãos e a cultura de trabalhar para viver (e não viver para trabalhar) é uma realidade. Mesmo que não seja uma regra, afinal, há diversas realidades em um só país.
A grande maioria das cidades é caminhável, repleta de ciclovias e espaços arborizados para adequar-se aos moradores, e não o oposto, como estamos acostumados no Brasil.
O clima, ameno e com sol praticamente o ano inteiro, ganha o coração de quem vem de terras tropicais, assim como a gastronomia ganha o imigrante “pela barriga”. E nesse embalo de cultura e sol, na Espanha se vive muito: sempre há um evento gratuito ou uma festa popular, de braços bem abertos para quem é de fora.
Os espanhóis são, de forma geral, receptivos, o que influencia muito na qualidade de vida no país. E, se der saudade de casa, há uma enorme comunidade de brasileiros no país, principalmente nos grandes centros.
Inclusive, cada vez mais brasileiros escolhem a Espanha para viver, estudar e trabalhar. Entenda o que pode estar por trás desse aumento de interesse no país.
O mercado imobiliário pode variar bastante entre as regiões
Nem tudo são flores. Viver na Espanha é ótimo, mas tem seus desafios particulares. O mercado imobiliário é um deles, principalmente nos grandes centros, como Barcelona e Madrid.
Encontrar um apartamento (“piso” em espanhol) pode ser uma verdadeira luta, tanto contra o relógio quanto para conseguir ter os seus documentos aceitos pelas imobiliárias. O alto custo é, nessa altura, só um detalhe.
Enquanto no interior da Espanha em cidades não disputadas é possível alugar casas inteiras por 500€, em Barcelona e Madrid um apartamento de um quarto tem o custo médio de 1.000€. Olhando assim, pode até parecer barato, mas comparando ao salário mínimo (1.184€ em 2025), a conta não fecha.
Segundo o Portal Economista com dados de 2025, as cidades mais baratas para alugar um imóvel na Espanha são Jaén, Ciudad Real e Badajoz. Porém, isso significa viver em cidades menos “badaladas”. Se fizer sentido para você, não duvide em optar pela economia.
Esse é, com certeza, um tópico que eu gostaria de ter aprendido antes de me mudar para o país. Se você quer morar nas grandes cidades, prepare-se financeiramente ou, como a maioria dos imigrantes, esteja aberto a se adaptar e alugar um quarto em casa compartilhada, pelo menos no início.
Existem exceções
Apesar do custo médio alto e das exigências muitas vezes complexas, como 2 meses de fiança, comissão de corretor e afins, existem exceções. Recentemente estive procurando apartamentos e encontrei opções mais econômicas em Barcelona, contrariando a média.
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Abrir Conta Multimoeda →Considerar as cidades satélite também pode ajudar no custo de vida referente ao aluguel, mas exige deslocamento diário caso você trabalhe na “cidade grande”. Independente da região da Espanha, vale a pena analisar o mercado imobiliário antes de bater o martelo na escolha da cidade.
O sistema de saúde pública da Espanha é acessível
De alta qualidade e muito completo, o sistema de saúde pública da Espanha não só é acessível, como é gratuito. Na prática, é financiado por meio da arrecadação de impostos. Todos os trabalhadores, através de seus honorários, são obrigados a contribuir.
Porém, não há nenhum custo além desse embutido na folha de pagamento. As consultas, exames, tratamentos e cirurgias são completamente gratuitos e de altíssima qualidade. E, se o médico de cabecera (o médico generalista que acompanha você) receitar algum medicamento, há também descontos.
No dia a dia, a realidade varia conforme cada cidade da Espanha, mas, de modo geral, há uma máxima que é seguida: o atendimento emergencial é excelente e relativamente rápido (quem precisa de cirurgias de urgência é atendido prontamente, por exemplo), enquanto o atendimento de especialidades pode ser demorado.
Eu mesma já esperei 2 meses por uma consulta de reumatologia, encaminhada pela médica de cabecera, e algumas semanas para conseguir encaminhamento para fisioterapia.
Mas quando consegui, tive um atendimento muito melhor que as sessões de fisioterapia que havia feito anteriormente com a saúde privada. Por outro lado, fiz exames de sangue e vacinas rapidamente, com data para o dia seguinte.
Em outras palavras, o sistema de saúde espanhol é ótimo e funcional, mas não é perfeito. Ainda assim, considero de alta qualidade e um dos pontos que respondem que sim, a Espanha é um bom lugar para morar.
Já precisei de uma ressonância de emergência e simplesmente me dirigi a um hospital público especializado, mostrei a carteirinha de acesso e estava liberada em duas horas.
Saúde privada
Contar com plano de saúde na Espanha não é um luxo, como acontece no Brasil. No país ibérico um plano completo, de ampla cobertura e não só emergências – e sem coparticipação – custa, em média, 70€.
Se optar por planos mais simples e com coparticipação, o valor pode cair para 30€. Mas, há algo importante a saber: diferente do Brasil, se você precisa de um atestado médico para o trabalho, deve pedir na saúde pública.
Inclusive, outra diferença pertinente é que as empresas não costumam oferecer plano de saúde aos funcionários. É minoria! Portanto, se você tem condições específicas ou simplesmente prefere a garantia de atendimento rápido, eu recomendo contratar um plano privado.
Os impostos na Espanha são altos, mas financiam bons serviços
Uma das primeiras coisas que chama atenção ao viver na Espanha é a carga tributária, especialmente o sistema progressivo de impostos, onde quem ganha mais, paga mais. O IRPF (Imposto de Renda das Pessoas Físicas), por exemplo, varia entre 19% e 47%, de acordo com a faixa de renda.
Uma pessoa com rendimento anual entre 20 mil e 35 mil euros pode ter uma retenção em torno de 30%, um valor que pesa, sim, mas que também se reflete em serviços públicos de qualidade, como a saúde pública, educação acessível e transporte público eficiente, assim como cultura acessível e eventos financiados pelo governo local.

O IVA também é uma realidade no país. Esse Imposto sobre o Valor Acrescentado é aplicado à maioria dos bens e serviços, sendo de 21%, na média. Você nota nas notinhas fiscais das compras e em cardápios de restaurantes o seguinte aviso: “IVA incluido”.
Embora a carga tributária sobre a folha de pagamento no Brasil seja menor, fato é que o retorno em serviços é muito mais avançado no país ibérico e vemos na prática os benefícios públicos, inclusive na mobilidade urbana e em descontos para residentes, desde nos preços de transporte público até em descontos em atrações.
As constantes reformas e a qualidade da saúde pública e educação gratuita são, também, prova viva de que os impostos trazem retorno, mas não só isso: as ruas bem cuidadas, as estradas de alta qualidade e serviços públicos para imigrantes refletem que o imposto está, sim, bem direcionado.
Ser autônomo na Espanha custa caro
Se por um lado a carga tributária é justa quando se trata do rendimento enquanto pessoa física e folha de pagamento, para profissionais autônomos não é bem por aí: custa muito mais caro ser “MEI” na Espanha do que no Brasil.
Inclusive, vejo essa diferença como algo cultural de mercado. No Brasil, somos incentivados a ser empreendedores. Por aqui, é como se existissem barreiras.
Eu, Liz, fui autônoma por uns meses. Para começar, a mensalidade inicia em 90€ no primeiro ano, e no segundo sobe para o dobro, no mínimo.
Sem contar, é claro, na porcentagem que deve ser reservada aos impostos, cobrados trimestralmente e depois anualmente, num novo balanço. Adicionado o custo mensal de um bom gestor, a conta é cara para empreendedores novatos.
Apesar dos pesares, é um sistema que funciona bem, com o acréscimo do IVA à cada prestação de serviço e o retorno dele na prestação de contas. Mas, quem deseja empreender na Espanha deve considerar esses custos e ter uma reserva inicial.
Vida cultural vibrante e popular
Um dos principais fatores que comprovam que a Espanha é um bom lugar para morar é, sem dúvidas, a vida cultural ativa, vibrante e, acima de tudo, popular.
O estilo de vida espanhol é caloroso e alegre, como no Brasil – mesmo que de maneira diferente. Se reunir com os amigos depois do trabalho para tomar uma “copa” de cerveja ou um vermut é rotina, ainda mais se for em uma praça do bairro.

A vida cultural do país se resume muito em viver a rua, os bairros e a cidade em si. Não são poucas as festas populares e, talvez por isso, seja tão fácil se sentir parte: é “só” chegar e participar.
A educação pública na Espanha é gratuita e de boa qualidade
A educação na Espanha é obrigatória e gratuita dos 6 aos 16 anos. Antes e depois dessa faixa etária, mesmo a educação pública tem algum custo, ainda que inferior às escolas particulares, mas a gratuidade do ensino primário e secundário faz com que a Espanha seja um ótimo país para morar com filhos.
Apesar disso, existem alguns “custos ocultos”. O ensino é gratuito nessa faixa etária, mas os materiais, uniformes e atividades extracurriculares representam um gasto significativo para as famílias. Segundo o relatório mais recente da OCU, o custo anual por aluno em escola pública gira em torno de 1.200€. Nas particulares, a mensalidade e custos extras chegam a 7.000€.
Fato é que a educação na Espanha é de alta qualidade. No ranking de educação ao nível global, o país está em 16° lugar. Considerando a Europa, fica atrás apenas de países como Alemanha, França, Suíça, Suécia e Dinamarca.
Custo nas universidades públicas
Uma diferença que pode chocar os brasileiros adultos que querem estudar na Espanha é que as universidades públicas são pagas.
Existem bolsas de estudo, é claro, e ainda assim, o custo é relativamente baixo quando comparado à universidades particulares, que cobram mais de 10 mil euros por um mestrado.
Custo para estrangeiros é superior
Estudar na Espanha como estrangeiro, seja em uma graduação ou mestrado – algo muito comum no país, inclusive, eu mesma fiz um Máster – tem seu custo.
O sistema de educação da Espanha (e da maioria da Europa) separa os custos para nacionais e estudantes com cidadania europeia, dos custos para estudantes estrangeiros que precisam de visto de estudante. Na prática, isso significa um custo que pode ser até 3 vezes maior para os brasileiros sem dupla nacionalidade.
Na Universidade Autônoma de Barcelona, por exemplo, um ano de mestrado em psicologia custa 1.202,32€ para cidadãos europeus e 4.100,92€ para estrangeiros sem cidadania europeia. Em reais, equivale a aproximadamente R$ 26 mil.
Os serviços na Espanha são eficientes, mas podem variar
Ao entender se a Espanha é um bom lugar para morar, ponderar a qualidade dos serviços é um ponto importante. No geral, são eficientes e de qualidade, mas a Espanha é dividida em 17 diferentes regiões, e cada uma tem sua estrutura e autonomia própria. Isso significa que em algumas partes do país os serviços podem ser mais ágeis e em outras, menos.
O que eu noto morando na Catalunha (em Barcelona, mais especificamente) é que os serviços públicos relacionados à Espanha enquanto país são mais lentos, como é o caso de vistos, NIE e autorizações de residência. Além disso, são burocráticos e acontece o clássico “o atendimento depende de quem te atende”. Imagino que seja pela alta demanda, mas gera certa dor de cabeça.
Por outro lado, trâmites que são próprios da província de Barcelona, com a Generalitat da Catalunha, são mais eficientes. Basta um telefonema para agendar uma data para o empadronamiento, e poucos cliques no site do sistema de saúde para fazer o seu registro.
Serviços privados: sem muito rodeio
O atendimento em bancos, academias, entregas e afins costuma ser direto ao ponto. Enquanto as festas populares são calorosas e a cultura é celebrada em comunidade, o estilo espanhol no atendimento é mais impessoal, podendo até parecer frio.
Inclusive, os espanhóis são conhecidos por serem literais. O próprio idioma intensifica o imperativo, o que pode gerar um choque cultura para nós, brasileiros, que “enfeitamos” a fala. Mas não se engane, não é pessoal: é cultural.
Horários e tecnologia: choques culturais
Confesso que quando me mudei para a Europa pensava que tudo seria 24 horas, afinal, eu estava indo para um país “mais moderno”. De fato, a Espanha é um bom lugar para morar, é muito moderna e preparada para oferecer o que você precisa em termos de qualidade de vida.
Mas, esqueça a ideia de fazer compras no supermercados da Espanha aos domingos. No país, as grandes rendes não abrem nesse dia – sobram apenas alguns menores, muito mais caros.
Além disso, o horário do transporte público varia muito de cidade para cidade. Em Barcelona, o único dia de metrô 24h é de sábado para domingo, enquanto em Madrid todos os dias vai até 1h30, apenas. Os ônibus noturnos salvam as madrugadas, mas cidades menores não costumam ter muitas linhas.
Quando se trata de tecnologia, há muito em que o Brasil é mais avançado, e o Pix é um exemplo clássico! Na Espanha há o Bizum, serviço similar, mas mais complexo: não existem “chaves” e o QR code é raro, e só funciona com contatos salvos na agenda.
Os salários costumam acompanhar o custo de vida
Em 2025, o salário mínimo na Espanha é de 1.184€. Ao nível europeu, é um salário mediano que, na maior parte dos casos, acompanha o custo de vida, especialmente quando consideramos o custo de serviços essenciais (contas de água, luz e gás) e supermercado.
Ainda, o poder de compra na Espanha é alto: você consegue comprar produtos diversos mesmo sem ter um salário muito alto. E, inclusive, um salário médio te permite sair para comer e se divertir muito mais do que no Brasil (ou, ao menos, sem se preocupar tanto com a conta bancária).
Mas a principal questão que atrapalha esse cálculo é o custo de aluguel em grandes cidades. Em Barcelona e Madrid, alugar um apartamento sozinho exige um salário muito maior do que o mínimo. Se você se mudar em casal ou família, pode ficar mais fácil. Ou, é claro, optar por cidades menores e mais econômicas.
Qualidade de vida é prioridade
Há quem escolha o país para morar fora do Brasil baseado no salário, mas, folhas de pagamento à parte, o ponto alto da Espanha não é o salário exorbitante, que não vai te impressionar se você está acostumado ou almeja um padrão alemão.
Existem salários maiores, é claro, em cargos especialistas e em profissões muito necessárias no país, como profissionais de tecnologia e da área de saúde.
Mas há algo que aprendi vivendo aqui: existe um equilíbrio peculiar que funciona, e um desejo de viver mais do que trabalhar.
No verão, muitas empresas fazem horário intensivo: ao invés de fazer pausa para o almoço, trabalham das 8h às 15h para sair mais cedo e curtir o dia.
Outras, fazem todas as sextas-feiras em regime intensivo. Recentemente, foi aprovado o projeto de lei para reduzir a jornada completa de 40h para 37,5h, inclusive. Portanto, o salário na Espanha é bom e cabível para a realidade, com exceção dos grandes centros, e a qualidade de vida prevalece.
O estilo de vida muda bastante de uma região para outra
Assim como o Brasil, a Espanha é um país variado. Enquanto as grandes metrópoles (Madrid e Barcelona) tem um estilo de vida agitado e “que nunca para”, cidades médias e pequenas tem um ritmo leve, mais devagar e que valoriza ainda mais o tempo livre.
A famosa siesta é comum em toda Espanha, mas não é regra nas grandes cidades, que precisam do comércio aberto o dia inteiro. Mas, é só ir um pouquinho mais ao interior que as lojas fecham das 14h às 15h ou 16h, inclusive se estendendo mais no verão.

Nas cidades menores ou regiões rurais, o tempo de qualidade em família é muito valorizado, e os espaços públicos são ainda mais utilizados. As festas patronais e de bairros são um movimento forte em todo país, mas que movimenta cidades pequenas por semanas, e não só um final de semana.
Comunidade também é algo forte. Nas festas de bairro, existem associações de vizinhos que se reúnem para criar as decorações com materiais reciclados. Sinceramente, isso é um dos principais motivos que demonstram que a Espanha é um bom lugar para morar.
A sociedade espanhola é progressista, mas com nuances
É um paradoxo interessante notar que a Espanha é simultaneamente um dos países mais progressistas da Europa em termos de direitos civis, mas que mantém nuances de conservadorismo – que se notam em detalhes do dia a dia.
O país foi o terceiro do mundo a legalizar o casamento LGBTQIA+, e tem políticas fortes e protetoras para mulheres. O aborto é, inclusive, legalizado e gratuito. Em Madrid, Barcelona e no País Basco, vemos grandes movimentações protetivas à todas as minorias e também aos imigrantes.
Porém, cada região é uma, e o perfil dos espanhóis varia bastante. O fator geracional pesa e, nacionalmente, nota-se um crescimento também um crescimento de movimentos conservadores.
Confira no Instagram do Euro Dicas por que a Espanha tem se tornado o destino de quem busca qualidade de vida, segurança, clima agradável e menos burocracia.
A distância do Brasil pode pesar emocionalmente
São, no mínimo, 10h de voo entre Espanha e Brasil, sem contar escalas e outros deslocamentos. Não bastasse a distância em quilometragem, o valor de uma passagem para visitar a nossa terra pode ser salgado. A estratégia, neste caso, é se antecipar e comprar passagens em comparadores como o Vai de Promo, que oferece descontos e promoções únicas.
A Espanha é um bom lugar para morar, mas a realidade de viver longe da família e da cultura “de nascença” pode pesar emocionalmente. A distância até acostuma, mas pesa. Já o fuso horário pode ser ainda mais complicado: no verão europeu, estamos 5h à frente do Brasil, enquanto no inverno, são 4h de fuso.
Organizar uma chamada de vídeo vira uma tarefa difícil que requer uma logística, e não poder estar presente em momentos importantes dói, é fato. O que você deve se perguntar é se tudo bem aguentar isso um pouquinho. Os benefícios de morar fora devem ser maiores nessa etapa inicial da vida de imigrante.
Estratégias para manter vínculos com o Brasil
Manter vínculos com o Brasil é muito importante, afinal, sempre será o nosso berço, onde construímos nossa identidade e onde estão muitas das pessoas que amamos.
Fazer chamadas com frequência ajuda muito emocionalmente, mas o simples fato de manter atualizações frequentes com as pessoas já ajuda. Há um aplicativo chamado Locked Widget que funciona como um diário moderno: você envia fotos instantâneas e elas aparecem na tela da outra pessoa, como um widget – e vale pros dois lados. Eu recomendo!
Muito além do emocional, a maioria dos estrangeiros precisa, literalmente, manter vínculos em termos de documentação, financeiros e bancários. Para enviar dinheiro do Brasil para a Espanha ou vice-versa, a melhor opção é abrir uma conta na Wise, conta internacional que funciona em diversas moedas, inclusive em euro, e tem as menores taxas, mesmo com flutuações do IOF.
A Espanha é receptiva com estrangeiros, mas há desafios
No geral, a Espanha é receptiva com estrangeiros, somos muitos por aqui! Desde estudantes até trabalhadores, é comum conviver com outras nacionalidades. Porém, há desafios que se apresentam: algumas regiões da Espanha tem culturas muito particulares e se inserir pode ser mais difícil.
A Catalunha é um exemplo clássico: apesar de progressista, aberta e com milhares de moradores imigrantes, tem forte perfil independentista, o que se traduz, às vezes, em um olhar protetivo da própria cultura. Não é incomum ver ou escutar falas que repelem os imigrantes.
Não é regra e não transforma a experiência em negativa (eu mesma adoro morar na Catalunha!), mas pode, sim, pesar um pouco ter que aprender o básico de um terceiro idioma, o catalão, e entender uma cultura local dentro de outra cultura. Há, inclusive, quem diga que morar em Barcelona não é morar na Espanha. O mesmo pode acontecer na Galícia e País Basco.
Nacionalmente, há moradores muito receptivos e outros nem tanto, como acontece em qualquer país que não é o nosso. Comparando a Portugal, acredito que o choque seja menor, e nota-se que a xenofobia é direcionada de maneira mais forte a estrangeiros vindos de países africanos – uma triste realidade.
Morar na Espanha é bom, mas não é para todo mundo
A Espanha é um bom lugar para morar, mas pode não ser a escolha perfeita pra todo mundo. Afinal, visitar um país é uma coisa, mas escolher o lugar onde morar é uma decisão muito mais séria.
Pode ser a escolha ideal para quem gosta de sol, calor, valoriza viver perto da praia e da natureza e prioriza, acima de tudo, a qualidade de vida em termos de comunidade e cultura – inclusive acima das oportunidades de trabalho e média salarial.
É um ótimo país tanto para jovens adultos quanto para famílias e aposentados, mas é preciso escolher muito bem a cidade, pois cada região é única. Além disso, pode ser o seu país ideal se você gosta do idioma e, principalmente, está aberto a estudar espanhol e talvez outros idiomas, como catalão e galego.

A Espanha é uma boa opção também se você está aberto a se encaixar em uma cultura que coloca em primeiro lugar um ritmo de vida mais lento e tranquilo, e apesar de ter vida agitada, é diferente de uma cidade mega cosmopolita. Tenha em mente que, como imigrantes, nós é que temos que nos adaptar.
Por outro lado, pode não ser o país ideal se você prioriza, neste momento de vida, um salário alto logo de cara ou oportunidades “fáceis”. A Espanha tem oportunidades de trabalho, mas o mercado é competitivo para quem chega sem uma oferta garantida.
Ainda, se a burocracia te incomoda, saiba que no país ela marca presença e pode ser difícil.
A Europa é diversa e a Espanha tem seu próprio estilo
A Europa é feita de países muito singulares de diferentes estilos de vida. A Espanha é um bom lugar para morar, de fato! Inclusive, ao nível europeu, é um país que encanta fácil os brasileiros, começando pelo clima, cultura e festividades.
Enquanto isso, o norte da Europa costuma ser mais reservado, direto e pragmático, o que pode ser encantador se esse é o seu estilo de vida – ou até mesmo momento de vida. Países escandinavos como a Suécia, ou a Alemanha, por exemplo, tem mais pontualidade, são mais modernos em diversos sentidos e tem maior dinamismo econômico, o que pode ser favorável para o seu setor.
Ou, pode ser que você prefira o charme histórico de Portugal e a proximidade ao idioma, a estabilidade da Suíça, a gastronomia da França, a cena alternativa de Berlim ou a comunidade de brasileiros na Irlanda, por exemplo.
Por isso mesmo, entender se a Espanha é um bom lugar para morar é importante. Morar fora é um exercício de autoconhecimento, mas quanto mais preparado você estiver ao se mudar, optando por um país que combina com o seu estilo de vida, melhor será a experiência.
Tem vontade de morar na Espanha e, após a leitura, identificou que o país é ideal para você? Conheça também o nosso ebook Como Morar na Espanha, escrito por brasileiros que moram no país, com dicas práticas. Bom planejamento e boa mudança à Europa.
Liz Chollet